Team Reset

17 O Despertar - Parte 1


Após a intensa batalha entre Kai e Shishi, o Agente Zero estava quase indo embora quando fora apunhalado pelas costas (literalmente) por Lyall. O atual companheiro chegou falando algo sobre ele e Rin terem sido úteis em tirar as pedras do caminho. Esta foi a ultima recordação que teve. Quando acordou, estava preso dentro de uma sela junto com sua sensei. Abriu os olhos lentamente, ainda sentindo dores. Mas tinha a sensação que o sangramento havia parado. Estava com algumas faixas cobrindo os ferimentos. A chefe usava algum tipo de magia para recuperar os ferimentos dele. – Rin-san... Onde estamos? – Ela fez um carinho na bochecha dele, tentando relaxá-lo. Então, levantou-se olhou seriamente para uma pequena janela. – Acredito que estamos no prédio principal, mas... O Lyall já deve ter descoberto a chave para o item. – Os olhos do garoto ficaram arregalados, esperava por uma continuação. Mas fora interrompido por Lyall. O Agente entrou praticamente explodindo a cela. – Muito bem, Rin! Você tinha dito que o Akamatsu é a chave! Eu o deixei viver, cumpra com a sua palavra!

Rin fez um sim com a cabeça, se levantando e indo em direção ao Agente. Ajudou Shishi a se levantar. – O que quer dizer, Rin-san...? – Fora silenciado por ela, levando-o até perto de Lyall. – Você quer saber o segredo, não é? Ok...

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Akayuri se aproximou do garoto e colocou a mão em seu ombro. – Não se preocupe Kai-kun... Ele agora é nosso inimigo. Talvez seja melhor que nós o deixássemos morrer.

Ao ouvir aquilo, o sangue de Hanako subiu a cabeça, indo até Akayuri e agarrando-a pelo pescoço. Nunca deixaria que alguém falasse coisas desse tipo de seu irmão mais novo, mesmo que ele fosse um inimigo agora. – Você não vai falar assim do meu irmãozinho! – A samurai agarrou o braço de Hanako, sentindo o ar escapar. Kai intervém, separando as duas.

– Por que fez isso, Hanako-san? Ele agora é um inimigo! – Akayuri tossiu tentando recuperar o ar perdido. Assim que o recuperou, aproximou-se de Hanako, embora Kai estivesse entre as duas e evitando que elas se matassem. – Inimigo... Você esqueceu o motivo que ele fez aquilo? Ele se bandeou para o lado deles pra me reviver! Se não fosse pelo Shii-chan, eu não estaria nem aqui pronta para bater em você!

– Então quer mesmo lutar? – A Samurai provocou, preparada para embainhar sua espada. A jovem de olhos cinza hesitou, sabia que se entrasse em uma briga agora, poderia prejudicar seu irmão mais novo. – Pra sua sorte, pirralha, eu tenho que ir atrás do Shii-chan... Ainda vou partir você em duas, escreva o que eu digo!

Hanako saiu batendo ruidosamente todas as portas possíveis, parando no corredor da escola, tentando se acalmar um pouco, olhou para o teto, pensando no seu irmão mais novo. – Shii-chan...

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De volta para o prédio da Organização, já do lado de fora, Shishi e Rin estavam diante de Lyall. O Agente dava uma grande risada ao ouvir o segredo por trás da tal arma. Tocou o próprio rosto como se não tivesse assimilado o que havia acabado de escutar. – Esteve sempre tão perto e nenhum de nós percebeu... Agora entendo o motivo de você nunca ter revelado isso antes. Precisávamos nos preparar... E agora, finalmente minha ambição será concretizada!

Eles foram agarrados pelo braço e misteriosamente teleportados para o pátio de Shirahoshi. O garoto ficou levemente surpreendido, não sabia que Lyall era capaz disso. Entretanto, aquela não era uma boa hora pra questionar os poderes dele. O Agente tratou apenas de concentrar suas forças. – Muito bem, vocês dois! Preparem-se! – Shishi desembainhou as kodachis, enquanto Rin apontava as mãos para o chão da escola.

– Concentrem o máximo de energia que puderem e mandem para mim! – Rin gritou, acumulando uma espécie de energia escura nas mãos. Shishi concentrava a mesma energia escura nas lâminas de suas espadas. Bem como Lyall, concentrava energia em apenas uma das mãos.

Dava para sentir perfeitamente a energia negativa se acumulando pelo local. Hanako olhou para o ritual de dentro da escola e sua expressão era de surpresa. Sentiu uma leve desconfiança sobre o que poderia ser aquilo. – Não pode ser... – Então, correu descendo pelas escadas rapidamente. Por mais rápido que corresse e mais pulasse os degraus, não conseguiria chegar a tempo de impedir o inevitável.

Aos poucos, uma esfera de energia escura surgiu de dentro do chão da escola, com um pentagrama no centro. Era perceptível que o símbolo seria algum tipo de selo. O ar ficou pesado, a luz foi sugada de todo o ambiente ao redor de Shirahoshi. Tanto Hanako quanto Kai e Akayuri, mesmo os dois estando na diretoria.

– O que é isso? Ficou tudo escuro de repente... – Os resets correram para fora da Diretoria. E vendo que não havia mudado em nada. Lentamente, começaram a sentir medo, uma reação normal para uma situação daquela.

Em alguns segundos, a escuridão foi embora, criando apenas uma pequena redoma feita de trevas no centro do pátio. Lyall se aproximou dele e avistou algo dentro. Gargalhou e enfiou a mão na região escura. Então, puxou a mão e uma naginata surgiu dali. Shishi e Rin podiam sentir o poder que a arma emanava mesmo estando relativamente longe.

A dupla recuou, entreolharam-se, pensando em como prosseguir. Sabiam que se algo desse errado o mundo seria destruído, e por culpa deles, mesmo que tivessem sido enganados.

– Akamatsu-kun... Você sabe que ninguém virá nos ajudar, né? – Ao ouvir a pergunta, Shishi soltou um risinho e instantaneamente invocou sua armadura. Estava mais pronto do que nunca para lutar. – Sempre soube disso. Nós começamos isto, nós terminaremos.

Rin sorriu com a resposta, sacou o revólver e o apontou para Lyall. Shishi acumulou a eletricidade nas espadas. Os dois lançaram seus ataques ao mesmo tempo, combinando-os, criando um projétil elétrico, no qual avançava numa velocidade incrível. Entretanto, apenas a aura da arma absorveu o ataque, deixando a dupla surpresa.

– Acharam que iam conseguir me derrubar com isso? Agora eu sou invencível! – Lyall se virou, movimentando a lança de duas lâminas, liberando uma onda gigante de energia. Com isto, eles foram atirados para bem longe, chocando-se com um escorregador e com uma gangorra.

– Eu já esperava de algo assim vindo dos dois... Mas, devo agradecer a vocês por tudo. Foram peças essenciais no meu plano. É uma pena ter que acabar assim. Talvez se não tivessem feito isso, eu guardaria um lugar pra vocês no mundo pós-Armageddon.

– Sinto muito, mas nós não queremos um lugar nesse mundo! Muito pelo contrário, ele sequer existirá! – Shishi saltou na direção de Lyall, tentando golpeá-lo com as duas kodachis. Deveria ser um golpe fatal, mas uma barreira o protegia. O poder da Naginata era impressionante de tal maneira que a força emanada parecia que esmagaria o garoto. O Agente afastou Shishi com a parte metálica da lança, perfurando o peito da armadura com uma das espadas.

Lyall estava pronto para desferir o golpe derradeiro quando uma ventania intensa o derrubou e Shishi havia desaparecido da sua frente. Ao se dar conta, avistou-o próximo a Rin. Hanako o agarrou e o afastou do campo de batalha, surpreendendo seu irmão mais novo. – Nee-san... Por quê? — A mais velha de um forte abraço no irmão antes mesmo de responder. – Baka, não deveria nem ter perguntando. Você é meu irmãozinho, eu protegeria você mesmo se não quisesse. Você deu sua vida por mim, da mesma maneira que eu por você. Isso nunca vai mudar, nossos laços de sangue nos unirão pelo resto da vida.

Shishi abriu um grande sorriso, levantou-se com a ajuda das duas e encarou Lyall. – Bom, mesmo com ajuda, não ficará nem um pouco mais fácil, não é? – As duas fizeram um “não” com a cabeça. – Bem, Shii-chan e Rin... Vamos atacar com tudo o que temos. Algum dano a ele nós iremos causar. Juntem o máximo de poder que puderem, sei que está machucado, irmãozinho, mas não temos escolha.

O céu ficou por causa das nuvens cinza recém-chegada, uma ventania intensa cobria os arredores da escola. Os gritos dos três que se levantavam contra o inimigo ecoavam por toda a rua. Era como se uma tempestade fosse desabar sobre eles.

Shishi cravou as kodachis no chão, começou a trovoar, estendeu como um receptor. Os raios e relâmpagos passavam para o corpo dele, absorvendo a energia, entretanto, não causavam nenhum dano.

Um furacão envolvia Hanako, fazendo a roupa e os cabelos dela balançarem bastante, embora não como deveriam diante da situação. A jovem estirou seu tridente e o girou bem rápido, aumentando ainda mais a velocidade da corrente de ar. Era como se ela própria estivesse criando uma tormenta bem ali. A expressão séria de seus olhos cinzentos era igual à de seu irmão mais novo, revelando uma característica compartilhada de ambos.

Rin apontou seu revólver para Lyall, concentrando toda a energia que conseguiu. Sabia muito bem do ponto fraco de sua habilidade, ainda que pudesse usar sua magia para torná-lo mais potente. Pronunciou palavras antigas, fazendo a energia em volta dela crescer. Segurou com as duas mãos o cabo da arma. Tinha um conhecimento muito bom de seu ponto fraco relacionado a habilidade, entretanto, aquele não era o momento para se pensar.

– É agora! Juntem nossos poderes! – Quando Rin deu o sinal, os três liberaram seus poderes ao mesmo tempo. A energia do ataque era imensa, derrotaria qualquer inimigo com uma habilidade naquela proporção, um projétil de luz envolto em trovões e uma ventania intensa.

Assim que o ataque atingiu Lyall, uma grande explosão ocorreu, criando uma cortina de fumaça no pátio da escola. Por dentro da poeira, o Agente girou a naginata para dissipar a fumaça. Tinha apenas um corte pequeno no rosto, no qual sangrava minimamente. Ele limpou o sangue e olhou para o liquido. Olhou com desprezo para os jovens e apontou a arma para eles.

– Eu espera que pelo menos pudesse deixar vocês vivos... Assim poderiam acompanhar o fim do mundo de camarote... Mas pelo jeito, terei que dar um fim nos três agora. — Girou a lança novamente, liberando uma lâmina de energia na direção do trio, separando-os e causando alguns cortes em cada um deles.

– Não consegui usar poder suficiente... Talvez eu a tenha libertado muito cedo. – Achou que a arma já teria poder suficiente para pelo menos destruir os três. Não sabia o que fazer para ativar o poder total da naginata. Concluiu que seria melhor recuar e buscar algumas respostas para o acontecido. Lyall estalou os dedos e desapareceu no ar, levando consigo a arma que poderia destruir o mundo.

– Não! Ele escapou... – Shishi desabou no chão devido aos ferimentos, tanto da luta contra Kai quanto do pequeno embate daquele momento. Se não fosse pela armadura, estaria em um risco de morte iminente. Foi segurado pela irmã e pela sua sensei, cairia de cara se não fosse por elas. Hanako olhou para Rin com uma expressão séria. – Vamos lá pra casa, não é bom ficarmos aqui. – A Chefe assentiu, ajudando a de olhos cinza a carregar o irmão mais novo.

Kai e Akayuri assistiram a toda a batalha com uma expressão de surpresa em suas faces, afinal, nunca esperariam que um ataque combinado daquele causasse apenas um pequeno arranhão no Agente. – Hanabi-sensei... O que vamos fazer?

A professora ficou pensativa por alguns minutos por não saber o que fazer. – Acho que primeiro, devemos encontrar a Kaya-chan e falar com a Miki. Correram em direção a casa da Diretora, esperando conseguir esclarecimentos.

Após mais ou menos quinze minutos de caminhada, o trio chegou na casa de Shishi, aproveitando para tratar dos ferimentos dele, evitando que fossem abertos novamente. Deram inclusive um analgésico, resultando num efeito forte no qual fez o garoto dormir. Com isso, abriu-se uma brecha para as duas conversarem.

– Então, Rin... O que vai acontecer daqui pra frente? – Hanako perguntou, com incerteza na voz. Sabia que Lyall parecia desconfortável utilizando aquela arma, mas não tinha a mínima ideia do que fazer.

– Tenho que esclarecer a situação antes... Vou te dizer o mesmo que falei pro Akamatsu-kun: A arma não está totalmente desperta. Essa foi a melhor hora para quebrar seu selo. Enfraquecida, nós poderemos ou destruí-la, ou selá-la novamente. Ela vai ficando mais forte a cada momento que passa. Temos que impedir o Lyall... Mas não podemos ser imprudentes, devemos minimizar as destruições na cidade. Como vocês bem sabem os “Resets” sempre agiram das sombras, não é?

Hanako concordou. Não parecia surpresa, afinal, por serem inimigos, ambos sabiam de muitas coisas um do outro. – E como destruiremos a arma se nem conseguimos chegar perto dela?

Rin ficou pensativa por alguns momentos, era uma solução de emergência, mesmo que fosse a melhor possível para o momento. Cruzou os braços e ficou olhando para o garoto. – Agora, você é o único elo entre mim e minha irmã... Seria perfeito se ignorássemos nossas desavenças e nos uníssemos agora. É a melhor opção pelo bem do nosso mundo.

A jovem de olhos cinza refletiu sobre a possibilidade, lembrando-se da briga que teve com Akayuri. Concluiu que a melhor opção seria falar com Miki ao invés dos garotos, afinal, a Diretora saberia muito bem o que fazer. – Hm... Eu vou falar com a Miki-chan. – Foi andando para a porta, e por saber que Miki estava descansando, iria diretamente para a casa dela.

– Uma ultima coisa, Rin... Eu queria te agradecer pelo que você fez com o Shii-chan. Não só por ter ajudado a me reviver, como por torná-lo um homem de verdade. Diferente dos garotos, eu não tenho um ponto de vista simplório como o bem e o mal. Eu acredito na justiça. O conceito de bem e mal é derivado dos pontos de vista de pessoas diferentes, quando opiniões opostas se encontram, elas são tratadas de maneira antagônica. Entretanto, cada um deles pode estar certo diante de sua visão. Eles lutam apenas pelo que acreditam. Eu não ficaria contente em ter criado um irmãozinho que luta pela justiça dos outros, e não pelo que ele próprio acredita... Obrigado, Rin. Espero devolver esse favor a você um dia.

As palavras comoveram a chefe profundamente, fazendo-a deixar escapar um risinho. Rin se aproximou e colocou a mão esquerda sobre um dos ombros de Hanako. – Não se preocupe com o Akamatsu-kun, cuidarei bem dele. – A filha da flor concordou, saindo de casa e indo até a de Miki.

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Enquanto Rin e Hanako conversavam, Akayuri e Kai foram até a casa de Miki antes, buscando explicações. Embora a diretoria não soubesse de muita coisa, ela conseguiria esclarecer pelo menos uma parte das duvidas.

O primeiro a perguntar foi Kai, afinal ele contribuiu indiretamente para aquilo ao deixar Shishi fora de combate por um tempo. – Miki-san! O que nós vamos fazer? Eles libertaram a arma... Ela é muito poderosa... Apenas nós não conseguiríamos parar o Lyall.

A Diretora observou os garotos, pensando em Shishi e em Rin. Observou por satélite a toda a luta deles. Ela levou a mão ao queixo e o coçou suavemente, enquanto uma ideia passava pela mente. – Sim... Nós não conseguiríamos sozinhos...

Akayuri ergueu uma sobrancelha com a hesitação de Miki, tentava deduzir exatamente o que ela estava pensando, embora tivesse uma noção do que pudesse ser. – O que está planejando, Miki...?

Então, um barulho de uma porta batendo foi escutado e Hanako entrou correndo no ambiente. As duas trocaram olhares duros, e a jovem de olhos cinza se manteve em caminhar até a amiga. – Miki-chan... Eu vim trazer um recado da Rin pra você...

A Diretora gargalhou. Já sabia exatamente qual era o recado, esperava apenas uma confirmação da irmã gêmea para que pudesse exercer seu plano. – Ela quer uma aliança, correto? – Com a reação rápida de Miki, Hanako não esperava que fosse diferente. Sabia que haveria uma concordância por parte de ambos os lados.

Entretanto, Kai e Akayuri protestaram imediatamente, lembrando-se das atrocidades que os dois inimigos cometeram com pessoas inocentes. O garoto bateu a mão na mesa com força, causando um estrondo um pouco ensurdecedor. – Vocês só podem estar brincando! Não se lembram do que eles fizeram?

Miki se levantou da cama. Ela emanava uma aura de autoridade, assustando até mesmo a velha amiga, que estava acostumada com o jeito gentil dela. – Eles podem ter feito o que for... Mas não é hora para pensar nisso! Recordem do que está em jogo aqui: O mundo todo! Vocês estão pensando apenas em vocês e esquecendo de que estão lutando por todos aqueles que não podem!

Após a pequena bronca, os garotos caíram em si. Não tinham escolha a não ser concordar com o plano, deveriam deixar as diferenças de lado por um bem comum. Continuaram conversando, pensando em um plano que poderia ser útil contra Lyall.

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Do mesmo jeito que os Resets bolavam um plano, o inimigo também se adiantava. Os três Agentes Principais conversava... E, além disso, parecia ter outra pessoa em um canto escuro do quarto... Entretanto, não era possível perceber quem. Lyall refletia sobre como o poder da arma era difícil de controlar, teria de ganhar tempo para despertar seu poder por completo. – Kazumi, Joe! Eu vou dar mais poderes a vocês... Em compensação, quero que ganhem mais tempo pra mim. Tempo suficiente para que eu consiga dominá-la.

Concentrou uma boa quantidade de energia, provavelmente uma parte dela veio da própria arma. Transferiu-a para os três indivíduos. Puderam sentir o poder os envolvendo e tornando-os mais fortes.

– Preparem-se... A Guerra Definitiva vai começar...

Continua...