Teaching A Lesson
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Finalmente as aulas vão começar. Já tenho todo meu material pronto, é só ir. Ontem Ashley me explicou direitinho o que eu tinha de fazer. Sempre que ficar sozinha com Daniel, quem vai provocar sou EU. Antes mesmo que ele faça alguma coisa. E se ele tentar algo, tenho que impedir. Tarefa difícil? Talvez. Mas quem sabe essa pode ser minha única solução.
Eu e Ashley terminamos de nos arrumar e vamos a caminho da primeira aula. Chegando lá, sentamos uma ao lado da outra. As primeiras aulas foram chatas, sempre a mesma coisa, introdução da matéria, apresentação, bla bla bla. Fiquei viajando o tempo todo, até que alguém bate na porta.
- Com licença? — a moça diz.
- Toda — a professora responde.
- Cassidy Jones?
Meus olhos se escancaram e a professora lança um olhar para mim. Levanto a mão, indicando que sou eu.
- Siga-me, por favor — ela completa.
Me levanto e ando lentamente até a porta, todos os olhares voltados para mim. Alguns tipo "nossa, já no primeiro dia fez merda" e outros mais curiosos, tipo "uhm, estranho". Odeio ser o centro das atenções. É uma sensação horrível pra mim.
Sigo a moça até o que acredito ser a porta da secretaria. Ela se vira para mim, arqueia uma sobrancelha e me avalia, com desgosto.
- Primeiro dia e já está encrencada. Tsc tsc tsc... — ela balança a cabeça, em negação. — Bom, é aqui que você fica. Entre na sala e espere o chamado da diretora.
- Ok...
Ótimo, a diretora quer me ver. Claramente a minha situação não pode piorar.
Ou, pelo visto, pode. Entro na sala e me deparo com um garoto sentado desleixadamente na área de espera, com a cabeça baixa, encarando a própria mão e brincando com os dedos. Ele me encara quando percebe minha presença, e dá um sorriso de canto. Beleza, estou pronta pra ação. Ok, nem tanto. Talvez... nem um pouco. Mas enfim.
Ele me fez lembrar o motivo de estar ali. Claro, por causa da confusão com a supervisora. Sendo que a culpa foi toda dele! Ugh.
Sento-me no assento bem a frente dele, em silêncio. Lembre-se, Cassie: "agora é a SUA vez". Penso um pouco no que fazer, porém sou interrompida.
- E aí, Cassidy. Parece que estamos encrencados. Mas não esperava te ver por aqui... — Daniel se pronuncia.
- Bom, eu não fiz nada de errado — digo, com ar superior.
- Eu também não. Mas bem que queria ter feito... — ele sorri, de novo.
Permaneço quieta e volto a pensar. Hm, uma coisa provocativa, mas sem iniciativa. O que eu poderia fazer? Avisto uma pilha de revistar à dois bancos de distância de mim e, ao lado, uma mesinha com café e chá. Então me surge uma ideia.
Me levanto e paro na frente da mesinha. Me agacho, provocativamente mas sem parecer puta, percebendo o olhar de Daniel sobre mim. Me sirvo com um pouco de café e coloco uma pequena colher de açúcar. Pego uma colherzinha e volto a me sentar no meu banco.
Mexo o café delicadamente e, ao tirar a colherzinha do café, coloco na boca, tirando-a lentamente, encarando Daniel em seguida. Cruzo as pernas e tomo um gole do café. Ele continua me observando, curioso.
Resolvo provocar mais. Pego uma revista, me deitando sobre o banco. Obviamente noto o olhar dele sob a minha bunda, e rio internamente. Quando volto a minha posição inicial, abrindo a revista, ele se ajeita no banco e solta um pigarro, desconfortável. Me encara de novo, meio confuso.
- Que tá fazendo, Jones? — ele pergunta, sorrindo.
- Lendo uma revista, Harris — respondo, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Você sabe do que eu estou falando.
- Claramente, não.
Ele se levanta e senta do meu lado, posicionando a mão no meu joelho..
- Ah, sabe sim...
Sua mão começa a subir e a agarro, retirando-a e colocando gentilmente em seu colo.
- Nem pense nisso, querido.
O lanço um olhar desafiador, e ele me encara embasbacado, em silêncio.
- Srt. Jones e Sr. Harris, por favor, entrem -´a diretora nos interrompe.
Coloco a revista no lugar e prossigo para a sala dela, com Daniel logo atrás de mim. Entramos, sentamos nas duas cadeiras confortáveis à frente da mesa dela e esperamos por sua deixa.
- Então. Segundo a supervisora Carmem, ambos foram pegos na frente do dormitório feminino, com uma proximidade relativamente... ãhm... "íntima" — ela começa, acentuando a palavra íntima fazendo aspas com os dedos. — Isso é verdade?
- Bom, em parte. Não tem nada íntimo acontecendo entre a gente, diretora — falo
- Ah. Tem certeza? — ela me desafia, arqueando uma sobrancelha.
- Sim...
- Hm, vejamos então.
Ela tira um controle de dentro da gaveta de sua mesa, aponta para a tv ao lado e liga. Dá play em um vídeo, onde claramente mostra a cena entre mim e Daniel na noite da festa e, logo em seguida, a aparição da supervisora. Ótimo.
- Ainda tem certeza, srt. Jones? — ela sorri.
- E-eu... — tento me explicar.
- Foi minha culpa. Eu estava um pouco alterado naquela noite, e acabei indo pra cima dela. Você pode não perceber o olhar assustado dela no vídeo, porque ela está de costas. Mas fui eu. Me desculpe — Daniel leva a culpa e fico chocada.
- Bom. De qualquer jeito, o único que levaria um leve castigo seria o sr. Harris, porém, a supervisora me contou que você desobedeceu suas ordens de ir para o quarto, vagando pelo saguão.
- Bom, na verdade...
- Ela me contou sua desculpa. Não acredito, mas tudo bem, como não temos câmeras de segurança dentro dos dormitórios ainda, não tenho provas. De qualquer jeito, você desobedeceu suas ordens e também terá um leve castigo. Ambos terão de limpar a sala de química amanhã, depois da aula. E acredite, vai ter muuuito o que limpar. Agora prossigam para suas classes.
Nos levantamos e saímos. Pelo menos o castigo não foi grande coisa. Poderia ser pior... Enfim. De qualquer jeito, vai ser torturante limpar uma sala, ainda mais com Daniel do meu lado.
Paro bruscamente ao sentir as mãos de Daniel na minha cintura, no caminho para a sala, no meio do corredor. Ele me puxa e me prensa contra a parede.
- Me solta — digo.
- Não se você não me explicar o que está fazendo — ele me desafia.
- Daniel, pela milésima vez, não estou fazendo nada! Agora com licença, preciso voltar para a aula, não quero outro castigo com você.
O empurro e saio andando. Estava furiosa por fora, mas por dentro estava tendo um ataque de risos. Nossa, sou muito boa atriz. Estou orgulhosa com a minha "performance". Aaaah, a cara dele... Impagável.
Volto para a sala e sou recebida por todos aqueles olhares críticos grudados em mim, principalmente o desesperado de Ashley. É, ela não vai me deixar em paz até eu explicar.
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