Teaching A Lesson
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Acordei no horário de sempre, porém em um péssimo mau humor. Fiz a minha higiene matinal, coloquei uma roupa e desci. Nem tomei café, estava sem fome, e saí de casa cedo.
Tentei fazer com que minha mãe não me visse, pois ela nunca me deixaria sair assim. Mas eu nem ligava mais. Não dormi nada noite passada. Estava pensando demais e com a consciência pesada, o que me tirava o sono. Porém acordei um caco.
Cheguei na escola super cedo. Fui a primeira da classe, na verdade. Fiz o esquema de sempre, sentei no meu lugar, coloquei os fones e fui para outro mundo.
Um tempo se passou e Ashley finalmente chegou. Nós nos abraçamos e ela pediu para conversar comigo do lado de fora da sala.
- Que foi Ashley? — falei, com irritação.
- Eu tenho que te pedir desculpas.
- Ãhn? Pelo quê?
- É que... Ai, sei lá. Sabe quando você e Daniel fingiram namorar? — só o nome dele me dava arrepios. — Então, sei que a diversão era eu ter reagido daquele jeito. Mas não tá certo. Se vocês quisessem namorar, ok, o que eu tenho a ver com isso? E eu agi como uma idiota. Desculpa.
- Ah. Tudo bem, sem problemas. Nem liga — soltei um risinho um pouco forçado.
- Agora pode me contar o que aconteceu?
- Como? — fiquei surpresa.
- Tá, vou ser sincera. Daniel me contou o que aconteceu entre vocês. E pra ser sincera, to achando idiota da sua parte por ter rejeitado ele por simples insegurança.
- Que ótimo. Argh, olha, você não entende. Eu não to pronta e...
- Cassie, pelo amor de Deus — por que todos tem a mania de me interromper? — Você tem 16 anos! E tá na cara que cê gosta dele, e óbvio que ele gosta de você, senão ele não correria atrás. Ele nunca correu atrás de ninguém. Nem de mim...
- Eu nem sei mais o que pensar, Ashley! Não sei, to confusa. E só um minuto. O que você quis dizer com "nem de mim"?
Quando disse isso, o sinal bateu. Ashley simplesmente disse para entrarmos senão iríamos nos atrasar. Sei.
Na troca de período ela me explicou o que ela queria dizer. Ela e Daniel ficaram quando ela tinha 14 anos. Mas ele nunca mais tocou no assunto e, quando ela foi falar com ele, ele disse que só queria amizade. E isso explica a reação dela quando soube que estávamos namorando, e o jeito que implicava com a gente, apenas por auto-defesa.
Meio dia, hora do almoço. Mais uma hora e Daniel não estaria mais aqui. Estava me sentindo desconfortável na mesa, e não comi nada. Tinha a sensação de que não deveria estar ali, estava agoniada. Ashley ficou quieta, comendo sua refeição.
12h30. Ashley me puxou para um canto e me deu um tapa.
- QUAL O SEU PROBLEMA? — perguntei, indignada, sentindo uma palpitação na bochecha. Ai.
- Você tá perdendo tempo, sua idiota! Mais meia hora e você nunca mais vai ver Daniel na vida! Pelo amor de Deus, vaza daqui e corre pro aeroporto!
- Ashley, eu...
- PARA COM ESSE DISCURSO, PORQUE VOCÊ SABE QUE NÃO É VERDADE!
Ela tinha razão. Baixei a cabeça e pensei. Eu ia fazer isso mesmo? É, era o que tinha que fazer. E estava perdendo tempo.
- Por favor, se alguém perguntar, diga que passei mal no almoço! — falei, já correndo pra porta. Ashley concordou e saí.
Tinha conseguido escapar sem que o "fiscal" me visse. Fui correndo para o ponto de táxi e gritei para o primeiro que vi. Ele parou e entrei.
- Corre pro aeroporto o mais rápido que conseguir — falei e ele me obedeceu.
Mal conseguia ficar parada no banco. Ele me olhava de canto, com preocupação. Então ele parou. Por quê? Por que parou justo agora, seu idiota? Foi então que olhei pra frente e vi a infinita fila de carros parados. Não consegui acreditar no que vi. Olhei no relógio. 12h40. Tinha vinte minutos.
- AI QUE MERDA, JUSTO AGORA!
Tive que pensar rápido. E foi aí que tive a ideia mais idiota do mundo, mas também minha única saída.
- Olha, muito obrigada, mas é por aqui que eu fico — disse, ansiosa.
Ele me lançou um olhar confuso. Entreguei-o uma nota de vinte e disse para ficar com o troco. Abri a porta do táxi e simplesmente saí correndo pelo meio dos carros. O aeroporto não ficava tão longe dali, mas pra ir andando ficava complicado.
Já mal conseguia respirar, mas não desisti. Corri o caminho todo, incansavelmente. Finalmente cheguei no aeroporto e estava toda suada, e o oxigênio me faltava. Todos me olhavam como se eu fosse louca.
Nunca tinha ido pra lá, só algumas vezes quando era pequena. Fiquei completamente perdida e pedi informações para várias pessoas diferentes, e cada uma me apontava uma direção. Parecia que o mundo estava conspirando contra mim. Era simplesmente inacreditável.
Finalmente achei um segurança, e resolvi pedir a informação à ele.
- Senhor, por favor, pode me informar onde é o embarque do vôo das 13h? — pedi esbaforida.
- Sinto muito, mas temos mais de um vôo as 13h. Pode ser mais específica? — ele respondeu, sério.
- Não! Não posso porque eu não sei qual deles é!
Ele me explicou três direções. Um dos vôos era para os Estados Unidos, então descartei. O outro, eu não sabia onde era e tinha mais um que ficava aqui na Inglaterra. Presumi que fosse o terceiro. O problema é que o embarque do mesmo era do outro lado do aeroporto.
Saí correndo que nem uma louca, sem saber o que esperar. Não sabia nem o que falar quando o encontrasse! Só queria vê-lo.
Finalmente cheguei na área. Dei uma olhada e não vi nem sinal de Daniel. Até que avistei um garoto alto e moreno com os fones de ouvido. Era ele. Daniel já estava entregando o passe para a moça e comecei a gritar seu nome e correr atrás dele. Ele não ouvia. Ele entrou para a passarela quando cheguei na área onde se entrega a passagem. Tentei entrar, mas fui impedida por dois seguranças.
- Por favor, me deixa passar, você não entende! É muito importante! — falei, em pânico.
- Não sem passagem, moça — um deles respondeu, agarrando meu braço esquerdo.
- POR FAVOR, O CARA QUE EU AMO ESTÁ INDO EMBORA PRA SEMPRE E NÃO POSSO FAZER NADA SOBRE ISSO? — gritei desesperada.
- Sinto muito — o outro disse e, com a ajuda do outro, foi me retirando da área. Eu me rebatia mas de nada adiantava.
Saí de lá e simplesmente sentei na calçada e comecei a chorar. Lágrimas começaram a cair involuntariamente e eu soluçava. Então era isso? Ele se foi? Simplesmente... acabou?
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