Notas iniciais
Oi, amores!!!! Desculpem-me pelo sumiço, mas essa semana antes do enem foi bem mais apertada que as outras, então nem no feriado deu para escrever. Muito obrigada pelo retorno que estão dando, é muito bom saber que estão gostando. Boa leitura!

"É fácil ficar nu. É fácil dar e depois ir embora. Difícil é despir o peito, confiar em alguém o bastante para ir até o fundo, contar sobre seus sonhos e medos, permitir que invadam seu espírito, desmembrem sua alma. Nada é mais apavorante que a ideia de pertencer. É por isso que a maioria prefere ficar nu e ir embora."

— Orquestrando

Cogitar me abrir com ela daquela maneira poderia ser considerado estranho sendo que não me permitia contar nem a minha irmã, mas com Zelena as coisas eram diferentes. Sim, eu a amo e ela sabe praticamente tudo sobre mim como eu sei dela, porém em alguns aspectos é como se simplesmente não conseguíssemos compartilhar certas coisas com familiares. Acredito que seria medo, pois ela se orgulha de mim e não sei como me veria se soubesse de algo semelhante e Emma não me fazia sentir tão temerosa nesse sentido.

— Ok. — Falei abaixando a mão e Emma pausou a música clicando em um botão no fone de ouvido — É difícil para mim falar sobre isso, mas confio em você e se não quiser ouvir, tudo bem, é só me dizer.

— Como eu não iria querer ouvir? O que mais quero é que você se abra para mim. Me sinto bem ao saber que acredita em mim assim. — A loira disse logo depois de mim e eu não conseguia desviar meus olhos dos dela, sentia que se em algum momento desviasse a coragem, que havia adquirido para contar-lhe, seria dissipada.

Apesar de ser uma cama de solteiro, a distância entre nossos rostos era consideravelmente grande o que me dava uma melhor visão de suas expressões. Então, me virei de lado, sem soltar minha mão da dela, e respirei fundo antes de voltar a falar.

— Eu não sei como contar ao certo porque não gosto de reviver isso, mas de alguma forma Elizabeth está relacionada. Então, vou te explicar brevemente sobre ela, não vou falar mais afundo porque Liz foi uma parte muito importante e feliz da minha vida. Por isso, não quero te contar sobre ela quando vou focar em algo ruim. — Ela assentiu e continuou a me fitar — Enfim, ela era minha colega de quarto e minha melhor amiga. Foi difícil no momento em que não a tinha mais aqui e ainda é, mas não tão difícil como o que aconteceu há dois anos atrás.

Comecei a relatar os fatos daquela noite que nunca em minha vida eu imaginaria que iria sair de minha boca. Porém, parecia certo contar a Emma. Eu não fazia ideia do porquê, mas tinha a necessidade de compartilhar com ela até as coisas que me assombravam, coisas que me fizeram ser quem sou. O que me manteve firme é que em momento algum vi um semblante de piedade ou dó em seu rosto, às vezes, eu parava, fechava os olhos e respirava fundo para não chorar e nesse tempo sua mão apertava a minha e a acariciava. A forma como me observava, como me dava suporte sem nem mesmo abrir a boca, tornava mais fácil o relato e eu não me sentia envergonhada ou desconfortável, tudo aquilo suavizava qualquer sensação que me abatia quando eu sequer pensava no assunto. Quando me calei ela somente se inclinou e beijou minha bochecha com carinho, porém se manteve em silêncio. Não que eu achasse ruim ter ela me observando, eu também não saberia o que dizer.

— Eu só... só queria que, de alguma forma, você não começasse a me tratar diferente depois de saber disso, que não tenha pena. — Comecei a cochichar agora evitando olhar para seu rosto, naquele instante, me dei conta do quão exposta eu estava, de um modo em que eu não imaginaria ser possível considerando meu comportamento cauteloso. — Eu...

— De forma alguma. — Emma me interrompeu me fazendo olha-la. — Você continua a mesma pessoa, nunca sentiria pena porque, mesmo depois disso tudo, você ainda demonstra ser forte. Na verdade, você é extremamente forte, madura e inteligente, apesar de achar que a senhorita coloca muita responsabilidade e peso em si mesma. Sinto que você não se permite ser feliz.

— Eu tenho medo de ser feliz. — Admiti suspirando me pegando de surpresa por dizer aquilo. — Admiro você, sua habilidade de se adaptar bem a tudo, de se comunicar e de se abrir de uma forma espontânea que cativa todo mundo.

— Te ouvindo falar assim até parece que também não tenho meus medos.

— E você tem? — Perguntei arqueando as sobrancelhas. — Pois do jeito que age parece ser imune a qualquer sentimento ruim.

— Você é realmente um amor. — A loira disse sorrindo brevemente. — Mas eu tenho mais medos e inseguranças do que possa imaginar. Não vou falar sobre eles agora, pois seria como se eu quisesse sobrepor meus problemas aos seus, mas saiba que eu também vou me abrir algum dia porque sinto que meus segredos ficarão seguros com você. — Fechei os olhos ao sorrir com seu comentário.

— Como faz isso?

— Isso, o que? — Indagou ela me olhando confusa.

— Eu não sei, quando você fala é reconfortante.

Emma sorriu de forma delicada antes de sua expressão sapeca aparecer em seu rosto e ela comentar:

— Desde quando está apaixonada por mim, Regina Mills? — Minhas bochechas arderam e eu sabia que meu rosto todo deveria estar lavado em vermelho, por sorte a pouca luz não a deixaria perceber.

— Eu não estou apaixonada por você, pequena narcisista. — Retruquei sorrido e entrando em sua provocação repentina.

— Admita, você me adora. — Afirmou de forma convencida.

— Quem te iludiu dessa forma?

— Eu não sei, talvez a forma como demonstra estar caidinha por mim. — Provocou mais uma vez, tocando a ponta do meu nariz com o indicador e rindo.

— Coitada. Eu não me apaixono por ninguém, Swan. Lide com isso. — Revidei de forma presunçosa.

— Vamos lá, fale a verdade. Eu estou na sua cama, pode fazer o que quiser comigo. — Brincou novamente e sacudiu as sobrancelhas sinuosamente.

— Falando dessa forma, quem parece estar apaixonada aqui é você.

— Deus que me livre de gostar de uma menina chata e rabugenta como você. Seria o meu fim. — Revirou os olhos.

— Antipática. — Falei puxando o travesseiro debaixo de minha cabeça e batendo nela.

— Você não fez isso. — Emma negou sacudindo a cabeça e tirando o travesseiro de seu rosto enquanto eu ria. Por sorte o alarme do celular tocou. — Finalmente um tempo para soneca. — Vibrou ela colocando travesseiro de volta sobre seu rosto.

— Não reclame, quem quis ficar acordada foi você. — Disse me sentando, pegando o celular no criado mudo ao meu lado e desligando o som insistente.

— Eu sei e não me arrependo, — Emma falou abaixando o travesseiro para me olhar e o abraçou. — mas não estrague o meu momento. Obrigada.

— Tudo bem, então, mas você não deveria ir para sua cama? — Perguntei assim que ela se virou de costas para mim e puxou o cobertor mais para si.

— Não, porque se eu levantar não vou conseguir pegar no sono, então boa noite. — A loira resmungou ainda de costas.

— Folgada.

— Shhhh, tem gente tentando dormi, Regina, respeite. — Resmungou novamente me fazendo rir.

— Obrigada, por essa noite. — sussurrei antes de depositar um beijo em sua cabeça sobre seus cachos macios e me levantar.

— Não tem pelo que agradecer. — Sussurrou de volta e respirou fundo antes de se aconchegar mais em minha cama.

Arrumei-me e sai para correr como de costume. Era impossível não sorrir ao pesar na Emma tentando me animar mesmo depois do que lhe contei. Creio que com qualquer outra pessoa a relação ficaria pesada e estranha. Talvez ela seja mesmo a rosa encrenqueira que pousou em meu mundo e que me fez refletir ao ponto de perceber que ele não seria mais o mesmo se ali estivesse qualquer outra rosa.

Com o tempo passei a pensar em outras coisas até voltar ao dormitório, tomar banho, comprar meu café e ir ao refeitório encontrar com minha irmã.

— Finalmente, você chegou com meu café, acha que eu te pago para que? — Zelena disse erguendo as mãos ao me ver dando a volta na mesa para sentar de frente para ela.

— Primeiro, você não me paga. E, segundo, nem olhe em direção a ele, se queria deveria ter passado no quiosque e comprado.

— Meu dinheiro acabou. Só um gole, por favor. — A ruiva suplicou formando um bico demasiadamente dramático com sua boca.

— De jeito nenhum, eu falei pra não ficar comprando bobagens na internet. — Retruquei me ajeitando na cadeira e cruzando as pernas.

— A nova coleção de botas de inverno não é bobagem. — Zelena bufou cruzando os braços.

— Ah claro, eu esqueci que seu DOIS pés precisam de DEZ pares de botas a cada estação. — A repreendi enfatizando os numerais.

Aquilo sempre acontecia. Zelena gastava todo seu dinheiro antes do mês acabar e ficava me pedindo emprestado para qualquer coisa. Mesmo que tivessem várias coisas de graça no refeitório, ela parecia precisar desesperadamente saciar seu consumismo compulsivo.

— Agora, foque no seu chá e frutas até aprender a ser responsável. — Disse apontando para a bandeja à sua frente a fazendo revirar os olhos e tomar um gole de seu chá. — Mudando de assunto, onde está todo mundo?

— Bom, Graham só pode comer algo as pressas e teve de ir para o treino de esgrima porque os campeonatos estão chegando. Lacey e Abigail estavam esquecendo que hoje tem a apresentação sobre energias renováveis e tiveram que sair correndo para pegar a maquete no quarto e terminarem de estudar o que iriam falar. Então, fiquei aqui solitária e com frio até você chegar e me deixar somente com frio por ser mesquinha e não querer dividir o café.

— Como você é dramática.

— Deve ser de família. — Emma falou me chamando a atenção ao se sentar na cadeira ao meu lado e depositar soa bandeja na mesa.

— Viu só, Emma é sensata. — Zelena meneou a cabeça com uma expressão convencida.

— Ela nem sabe do que estamos falando, só quer me implicar. — Repliquei fuzilando a loira com os olhos.

— Bom, parece que está funcionando, então meu trabalho está correndo bem até a agora. – Revirei os olhos com seu comentário levando o copo mais uma vez aos meus lábios. — Isso é café? — Emma perguntou de imediato.

— Sim, e nem pense nisso você também. — Só um gole, preciso de energia. — Pediu novamente fazendo exatamente o mesmo bico de minha irmã e pegando uma rosquinha de seu prato. — Essa noite foi cansativa.

— Hum, então minha irmãzinha te deixou a noite acordada? — Zelena se pronunciou maliciosamente enquanto sorria de canto — Não sabia que tinha esse poder.

— Mas é claro Zel, — Emma disse dando de ombros — vai me dizer que a Regina nunca te contou dos dons dela para sexo lésbico selvagem durante a madrugada inteira? — Perguntou para logo cair na gargalhada com a ruiva enquanto eu fechava a cara ao sentir o rubor subir até minhas bochechas.

— Você acabou de perder o café. — Resmunguei tomando outro gole.

— Droga, era brincadeira. Por favor, eu estou morta e minha avó ainda não depositou nada. Prometo que meus germes não vão te passar nenhuma doença mortal.

— Se eu morrer de infecção vou dar um jeito de fazer com que esteja em meu epitáfio que a culpa foi sua. — Brinquei semicerrando os olhos em sua direção.

— Eu mesma garantirei que esteja escrito. — Emma afirmou dando uma mordia em sua rosquinha e sorriu quando lhe entreguei o copo.

— Isso é injusto, para ela você dá e para mim não? — Zelena resmungou cruzando os braços novamente.

— Ela não gastou o dinheiro com botas e não foi com você que eu fiz sexo selvagem essa noite. — Brinquei e a loira engasgou com o líquido em sua garganta provocando gargalhadas instantâneas de minha irmã e eu. — Parece que quem provoca não pode ser provocada.

Notas finais
O que estão achando? Devo continuar? Beijos♡♡