Teach Me How To Love You
7 Capítulo 7
Notas iniciais
"Eu continuo sem saber que maravilha a vida poderia me reservar se eu não me protegesse tanto."
— Tati Bernard
Três semanas se passaram. Realmente pensei por um tempo no que o professor falou, mas preferi não arriscar e minha relação com a loira se resumiu a "bom dia" e "boa noite", ou quase isso.
Bom, Emma foi mostrando que é a "garota perfeita". Ela entrou para o clube de natação e de música, sabia disso porque ela parecia ter um prazer enorme em ver minha expressão de descontentamento ao entrar no quarto conversando com os amigos novos desses clubes, me obrigando a ir a outro lugar para conseguir estudar. Além de, ela ter aulas de matemática, literatura e química nos mesmos horários que eu.
Tudo bem que ela tentava se aproximar me chamando para estudar com os colegas novos, raramente até conversávamos sobre algumas coisas, mas nada além de algo que aconteceu na sala de aula. E, apesar de parecer querer ter uma proximidade maior, ela respeitava os limites que eu de certa forma impunha entre nós. Eram coisas pequenas, porém ela parecia compreender.
Entretanto, ocasionalmente percebia que ela ansiava por me provocar, como na aula de matemática de quarta-feira passada.
Eu cheguei mais cedo na aula e me sentei na frente, como de costume. Emma chegou, quase na mesma hora que o professor Kristoff (um homem loiro e alto, de meia idade e com um porte atlético de fazer metade das meninas da sala suspirarem), e, apesar de haver algumas cadeiras vazias no restante da sala, a loira acabou por se sentar ao meu lado porque uma de suas amiguinhas estava sentada na cadeira de trás. Praguejei o universo desde a primeira aula em que ela entrou na sala e naquele dia mais ainda por coloca-la ali.
Devo deixar claro que por mais que eu estude bastante, não sou um exemplo no que se trata de concentração. Por mais que me esforce, uma hora ou outra, no meio da aula vou me dar conta de que estava devaneando novamente e foi o que aconteceu. O Sr. Foster chamou meu nome ao concluir uma pergunta sobre a questão que ele resolvia no quadro e eu não fazia ideia de qual era a pergunta e muito menos o que deveria responder.
Meu coração acelerou e meu olhar focou no professor, que me olhava de frente para o quadro com um pincel na mão, ao ajeitar minha postura e observar rapidamente para o quadro, mas eu só conseguia ver fórmulas e um plano cartesiano com um triângulo.
— Pode repetir a pergunta? — Questionei receosa.
— Eu perguntei o que devemos fazer agora para encontrarmos a distância entre o ponto A e o ponto B da figura. — Ele respondeu apontando para o triângulo.
Eu definitivamente não tinha a menor ideia do que fazer, mas fui cortada antes mesmo de abrir a boca.
— Eu acredito... — Emma se pronunciou, chamando a atenção de todos, com a mão erguida — que o senhor deveria achar a diferença do X inicial e final, fazer o mesmo com o Y e depois tirar a raiz quadrada da soma dos quadrados da diferença.
Juro que minha cabeça deu um nó e estreitei o olhar juntando as sobrancelhas ao fita-la.
Porém, fui tirada do transe segundos depois ao ouvir o professor prosseguir:
— Exatamente, senhorita Swan, mas peço que dá próxima só responda se me dirigir a você.
— Tudo bem, me desculpe.
Ele assentiu e se virou de costas anotando no quadro o que Emma tinha dito. Voltei a olhar para ela que cochichava algo para Lily, uma garota que fazia parte do time de natação, e quando foi virar me pegou olhando para ela de forma confusa e balbuciou um "Por nada".
Como todos estavam em silêncio escrevi em uma folha de papel: " Eu não agradeci."
Coloquei em sua mesa. Quando devolveu estava escrito: " Eu sei. Algumas pessoas não tem bons modos, mas não custa para mim ter."
Olhei imediatamente para ela, que tinha um sorriso estampado no rosto e piscou para mim antes de voltar a prestar atenção na aula.
Depois desse dia até tentei prestar mais atenção nas aulas e não podia negar que as implicâncias da loira chegavam a quase serem divertidas.
Nas últimas semanas também procurei passar mais tempo com minha irmã. Com os anos, mesmo que continuássemos a conviver, parecia que havíamos nos distanciado e senti saudades da nossa antiga relação, tanto que nem levava mais livros quando íamos almoçar juntas e acabamos conversando bastante. Percebi que as amigas dela não eram de todo mal, tirando quando desencadeavam conversas sobre garotos.
Aliás, acabei a chamando para ver o filme da sessão semanal que teve ontem, foi divertido e me fez lembrar da vez em que tinha nove anos e fizemos guerra de pipoca, o supervisor nos fez limpar o auditório inteiro depois do filme. Zelena é a garota mais insanamente divertida que conheço e sabe medir isso ao ponto de não chegar a ser infantil e me fazer rir como não rio com ninguém. Ao lado dela meu vazio diminuía.
— Ei, devolve meu café. — Reclamei a Zelena que o pegou em minha bandeja, passando o braço por cima de minha cabeça e se sentando na cadeira ao meu lado e colocando sua bandeja na mesa.
— Não acha que já chega de cafeína? Seus neurônios vão morrer sem oxigenação. — Ela retrucou dando um gole no café.
— Primeiro, nunca se bebe café em demasiado. Segundo, meus neurônios morreriam felizes. Terceiro, o consumo de café previne problemas diversos como o mal de Parkinson, a depressão, o diabetes e o câncer de cólon. Além disso melhora a atenção e, consequentemente, o desempenho escolar. — Falei pegando um morango de sua tigela e colocando na boca.
— Ah, obrigada por me lembrar. Sempre esqueço de reler os post its onde escrevi os benefícios do café. — A ruiva brincou sarcasticamente girando a mão que segurava o copo de café para esfria-lo.
— Disponha.
Conversamos por mais um tempinho até que o sinal tocou e fomos para as aulas da manhã. Depois de longas duas horas na aula de cidadania e mais uma hora na de história, finalmente pude comemorar pois após o almoço teria aula de literatura e nem mesmo as gracinhas de Emma poderiam estraga-la.
Acredito que o planeta levou como um desafio quando pensei que nada poderia estragar. O tempo começou a fechar então fui no quarto buscar um guarda-chuva e o sinal tocou antes que eu o encontrasse. Só que fiquei com muita vontade de ir no banheiro, depois fui correndo para o bloco de aulas, tive que passar no armário para pegar meu material e quando entrei na sala o único lugar vazio era ao lado de quem? Pelo menos, consegui chegar antes da senhorita French.
Estávamos trabalhando com poemas e em cada aula ela passava de um país diferente e com temas diferentes, para discutirmos sobre ele. Belle, a professora de literatura, é uma das minhas inspirações. Ela é uma verdadeira devota dos livros e sua paixão por obras e autores é admirável. Apesar de parecer bem retraída por sua estrutura baixa e seus olhos azuis calmos como suas feições, ela se mostra perfeitamente capaz de conduzir uma aula com pulso firme. Assim, que entrou na sala, explicou sobre a aula e passou um trecho de poema no quadro:
Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
— Carlos Drummond de Andrade
— Então, pessoal, sobre o que acham que será a discussão de hoje? — Ela disse ao se virar para a classe e minha animação se esvaiu ao ler o poema.
— Amor? Sério? — Pensei em voz alta.
— Qual o problema? Como o poema veio de um autor brasileiro e dizem que o Brasil é um país amoroso, por que não focarmos nisso?- Ela questionou com o sorriso meigo de sempre.
— Por que o amor é uma coisa fútil. É como a personagem Amy disse no filme de ontem: "Eu acho que qualquer pessoa que se apaixona é uma aberração. É uma coisa louca para fazer. É mais ou menos como uma forma de insanidade socialmente aceitável." — Retruquei.
— Isso ela disse porque o homem se apaixona por um computador. — Aurora replicou do fundo da sala nos chamando a atenção.
— Na verdade, ela generalizou. — Falei a ela.
— Alguém discorda do ponto de vista da Mills?
— Eu. — Emma disse de imediato e olhou para mim — Prefiro olhar pelo lado da música do John Lennon: “As pessoas acham que o amor verdadeiro não existe, porque elas passaram anão acreditar nele, por isso ele foi desaparecendo, ele é como uma pedra preciosa, é raro você encontrar, mas não quer dizer que não exista.”
— Eu concordo com a Emma. De acordo com Mahatma Gandhi: "O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente que há no mundo." — Baelfire disse
— Por favor, não é? O amor é apenas uma ilusão que criaram para que tenhamos a fé de que algo bom pode acontecer e nos contentemos com essa existência que cada vez se deteriora mais. — Foi a vez de Mérida, que se pronunciou com cara de tédio.
— Como Albert Einstein mesmo já disse: "A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação circunda o mundo." — Emma retrucou olhando para ela, no meio da sala.
— É bom lembrar que ele também disse: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza." E essa discussão é uma ótima forma para se ter certeza sobre a estupidez de certos humanos. — Repliquei a alfinetando e a loira se virou para mim estreitando os olhos.
— Vejamos assim, você não ama ninguém? Nem sua irmã? — Ela provocou com um sorrisinho.
Naquele ponto não conseguia me concentrar em mais nada que não fosse aquele bate boca, Emma parecia com raiva e o verde dos seu olhos parecia mais escuro. Nossas palavras era de uma para outra e tão rápido que nem dávamos a oportunidade dos outros falarem.
— Não estamos falando desse tipo de amor. — Disse me ajeitando na cadeira e revirando os olhos — Estamos falando do tipo de amor inventado que pessoas ingênuas esperam sentir de parceiros românticos. Até porque Confúcio disse uma vez: "Ainda não vi ninguém que ame a virtude tanto quanto ama a beleza do corpo." E concordo com ele, as pessoas gostam do físico da pessoa e dizem que a amam pelo que ela parece e não pelo que é. Então mesmo que o amor existas as pessoas não podem dizer que o sentiram se foi de uma forma tão superficial. — Falei sem desviar os olhos dos dela.
— É como Machado de Assis falou: "O Dinheiro não traz felicidade para quem não sabe como usá-lo." Então, com uma analogia, acho que você só não acredita no amor porque não sabe vive-lo.
Recuei um pouco e uma bolha de ar se formou no fundo de minha garganta.
— Meninas, já chega! — A senhorita French bufou nos chamando a atenção — Senhorita Mills, você sabe que não tolero agressividade dentro de sala, nem que seja por meio de palavras. Senhorita Swan, isso é comportamento de uma garota? — Ela parecia estar descontente, mas seu rosto era tão delicado que suavizava suas palavras.
— Desculpe-me. — Falamos juntas.
— Quero que vocês duas façam um seminário semana que vem sobre tudo o que pesquisarem sobre poemas e também escolham dez poemas e os expliquem com suas palavras. E por favor se retirem da sala para que eu possa continuar minha aula. Mills, você sabe o que devem fazer agora.
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