Teach Me How To Love You
23 Capítulo 23
Notas iniciais
" Eu gosto da tua voz calminha que faz com que cada átomo do meu corpo relaxe, gosto da sua maneira de enxergar o mundo, da forma que você valoriza cada estrela, da forma que você olha para mim e por alguns segundos penso que você vê muito além do que tento transparecer, minha alma fica visível aos teus olhos, e a sua aos meus, ambos nos perdemos em meio ao caos. "
— Felipe Bueno.
Coloquei algumas mexas de cabelo para trás da orelha, antes de desajeitadamente colocar meu trabalho na minha boca com cuidado para não babar sobre ele enquanto tentava esticar minha mão e pegar o copo de café da mão do atendente e a outra pegava o dinheiro no bolso do blazer para lhe entregar.
— Acho que alguém precisa de uma ajudinha! — Ouvi a voz da pessoa que puxou meu trabalho preso entre meus lábios e virei o rosto nada contente de ver Emma sorridente.
— Obrigada. — Agradeci ao atendente, ao pagar e pegar a bebida com mais facilidade, mas meu mal-humor não me permitiu agradecer a loira quando começamos a andar em direção ao refeitório.
Um mês e meio havia se passado desde meu aniversário e depois de conversarmos, Emma e eu, decidimos que o que fosse que estivesse acontecendo entre nós duas era melhor permanecer entre nós.
Primeiro, porque a escola tinha regras e se algum aluno namorasse era necessário a permissão dos pais, aos quais eles informavam para livrar a escola de qualquer responsabilidade que isso pudesse acarretar. Segundo, que tanto minha mãe como a avó da loira acabariam dificultando as coisas por serem rigorosas, minha mãe, pois ela colocaria a culpa de qualquer deslize meu na área acadêmica na relação e a avó de Emma, pois ela nem mesmo sabia sobre a sexualidade da neta, e Emma tinha a leve impressão que a aceitação não seria das melhores. Terceiro, era óbvio que se soubessem nós seriamos realocadas de quarto imediatamente, os coordenadores tinham consciência de que não poderiam impedir para que uma hora ou outra um casal fizesse algo que "não deveria", mas faziam o que podiam para tentar evitar. Então, decidimos correr o risco que, pelo menos, um quinto da escola corria ao infringir uma das regras mais pesadas do regulamento. Porém, ao meu ver essa regra foi criada para livrar a escola de possíveis processos por conta de gravidez, o que, sabemos, não tinha a menor chance de acontecer conosco. A única diferença é que não poderíamos nos beijar ou algo assim quando estivéssemos em um local em que pudessem nos "flagrar" e acabar sendo punidas. Também sabia que ninguém iria nos entregar, mesmo se alguém não gostasse de uma das duas, pois era como uma regra entre os alunos esse modo de acobertar o outro como um acordo de convivência subentendido por todos, já que em algum momento alguém ali já burlou uma ou outra regra.
Tirando isso eu praticamente não conseguia ficar longe de Emma, mesmo que isso significasse não tira-la de meus pensamentos nos momentos em que não estávamos juntas. Passamos a aproveitar um tempo considerável juntas e a única coisa da qual me permitia reclamar era a minha incapacidade de resistir aos chamegos e beijos dela quando brigávamos por algo bobo ou por uma de suas implicâncias cotidianas.
Nós tínhamos nosso próprio modo de desfrutar da companhia da outra, fosse vendo séries, jogando detetive com outras garotas na área de recreação do dormitório, conversando por horas sobre nada em específico ou até mesma deitadas juntas no quarto com ela ouvindo música e mexendo no celular enquanto eu lia ao seu lado. Ainda tento encontrar uma forma de explicar toda a mudança das coisas ao nosso redor quando a conversa simplesmente seguia para um rumo mais pessoal e profundo, aqueles eram meus momentos preferidos, pois me permitiam conhecer e descobrir sobre ela de tal modo que eu sabia que ninguém mais conhecia, assim como ela aprendia sobre cada uma das minhas variantes. As coisas simplesmente pareciam fluir de modo que eu só percebi o quão dependente eu estava ficando da presença dela quando as competições começaram e tínhamos de viajar nos finais de semanas para cidades vizinhas. Acredito que Emma se sentia da mesma forma considerando o fato de que gastava todo seu tempo livre me mandando mensagens quando estava fora, assim como eu quando viajava. Entretanto, eu agora entendia a mudança que os sentimentos causavam nas pessoas, bom, pelo menos, um pouco e isso me fazia não me importar por parecer uma boba apaixonada a cada vez que recebia uma mensagem dela e meu rosto se preenchia com um sorriso enorme. Não me importava porque compreendia o quão bem e viva novamente aqueles sentimentos que nutria por ela me faziam sentir.
Além disso, faltavam dois meses para o fim do ano letivo, que na nossa escola acabava em agosto, o que significava centenas de trabalhos e seminários para que as notas fossem distribuídas a tempo. Isso dificultava cada vez mais meu tempo a sós com a loira, que se restringia há poucas horas por noite durante a semana antes de acabarmos caindo no sono pelo cansaço acumulado. É claro que não dispensávamos uma longa seção de amassos e por vezes adormecíamos na cama uma da outra, mas nada com segundas intenções ou malícia e sim pelo aconchego da outra. Não que Emma não me despertasse anseios ou desejos, na verdade, o calor em meu corpo, os calafrios, a sensibilidade ao seu toque e formigamentos se intensificavam cada vez mais e a única coisa que me freava era receio por talvez acabar fazendo algo de errado e por ter descoberto, em uma de nossas conversas, que ela já não era mais virgem, isso me deixava insegura.
— Quanta pressa, está com tanta fome assim? — Emma perguntou tentando acompanhar meu passos rápidos e tomei um gole do café em minha mão para tentar me acalmar.
Não eram nem oito da manhã e o dia já estava sendo péssimo. Eu tinha acordado com o despertador como de costume, mas estava exausta por ter passado metade da noite terminando o bendito trabalho que Emma segurava. Depois acabei tropeçando durante a corrida e sujei minha roupa da lama tendo que levar na lavanderia após um banho o que me levou a ter que passar no quarto antes, o que me fez encontra-lo uma completa bagunça e a toalha molhada da loira sobre a minha cama. Além de, ter tido problemas para imprimir o trabalho porque, por incrível que pareça, as três impressoras da biblioteca estavam dando problema. Isso me deixou de péssimo humor e atrasada, pois eu ainda tinha que estudar um seminário que gravei em meu celular para apresentar na segunda aula.
— Eu não estou com graça com você hoje. — Falei entrando no refeitório de costume com ela logo atrás, já avistando Zelena e Graham em uma das mesas.
— Juro que dessa vez eu não fiz nada. — Emma tentou se defender.
— Ah, imagina. — Ironizei puxando uma das cadeiras livres ao chegar na mesa deles. — Foi um furacão que passou no nosso quarto e o deixou uma zona, além de deixar sua toalha encharcada em cima da minha cama, não é Emma?! — Perguntei zangada ao me sentar e virar o rosto para ela que se ajeitava na cadeira ao meu lado depois de colocar meu trabalho sobre a mesa e fez uma careta como se lembrasse do que fez ao final da minha fala.
— Mas já começaram o dia discutindo? — Graham perguntou com a expressão surpresa chamando nossa atenção.
— Ah... dessa vez eu meio que tenho culpa. — A loira disse dando de ombros e esticando o braço para pegar uma das torradas do prato de Zelena que por pouco não acertou um tapa em sua mão ligeira.
— Meio? — Perguntei a olhando de canto e logo em seguida tomando outro gole da minha salvação cheia de cafeína.
— Vai falar que você está com esse bico enorme na cara só por causa de um quarto? — Emma questionou antes que mordiscar sua torrada com mel roubada e revirei os olhos.
— Não liga Emma. — Zelena se pronunciou pela primeira vez depois de tirar o foco de sua comida. — Regina sempre fica insuportável ao quadrado no fim do ano.
— Eu que o diga. — Emma desdenhou antes de se dar contar e virar o rosto para mim de forma apreensiva. — Eu estou brincando. — Acrescentou com um sorriso tenso e encolhendo os ombros enquanto eu a fuzilava com os olhos. — Por que eu ainda abro minha boca? — Perguntou logo em seguida, espalmando sua mão sobre a testa e sacudindo a cabeça em negação.
— Minha irmã deve gostar muito de você para não ter dado uma surra por conta dessa sua língua grande. — Afirmou, Zelena rindo da expressão da loira. — Eu não posso falar nada que levo um tapa. — Reclamou fazendo-se magoada e Graham passou o braço em torno de seus ombros depositando um beijo em sua bochecha.
— Eu sei que, por mais que esteja zangada, ela não consegue viver sem meu encanto de pessoa. — Disse Emma, e virei o rosto para lhe fitar com as sobrancelhas erguidas. — Não é mesmo, meu bem? — Perguntou ela apoiando o queixo sobre os punhos e piscando os olhos rapidamente enquanto sorria, fazendo uma de nossas brincadeiras de quando ele me chamou de meiga de forma debochada e eu lhe fiz o mesmo como se fosse realmente graciosa.
— Não admitirei nada. — Respondi com um sorriso contido ao ver que me imitava. Logo notei a presença de alguns vestígios da torrada no canto de sua boca e inconscientemente levei meu polegar até lá para limpar.
— Awn, você conseguiu deixar minha irmãzinha de quatro por você. — Minha irmã se pronunciou, em seguida, me dei conta do que fiz e recuei minha mão sentindo minhas bochechas queimarem. — Ai! — Reclamou.
— Eu também sei dar chutes. — Sorri de lado enquanto ela se abaixava para passar a mão no local da perna na qual acertei.
Não é como se eu não demonstrasse meu afeto por Emma, admito que o fazia constantemente sem nem ao menos perceber. Por vezes, me pegava fazendo coisas ou mandando mensagens que a antiga eu não acreditaria e acharia sentimental além da conta. Porém, tudo relacionado a nós duas me soava tão intimo que eu não gostava de compartilhar com as pessoas, principalmente com Zelena que sempre fazia uma chacota para me deixar com vergonha pelo simples prazer de me ver vermelha e me contorcendo por dentro.
Após aquilo mal conversamos, o sinal bateu nos fazendo ir para suas respectivas aulas e os acontecimentos do restante do dia não foram muito melhores. Na primeira aula sentei-me no fundo da sala para estudar meu seminário do próximo horário, o professor percebeu pegando o aparelho de mim e avisando para recolhe-lo na sala da supervisora depois do almoço. Na segunda eu até comecei bem com a minha apresentação, mas sabia que perderia nota pelo final no qual praticamente li os slides que preparei. Na terceira recebi uma bronca por conversar sendo que a única coisa que fiz foi virar para trás para pedir as duas meninas, que não calavam a boca desde o inicio da aula, que parassem de falar. No almoço eu já estava cuspindo marimbondos, então evitei abrir a boca o máximo que pude. Mas, quarta e a quinta aula tive uma folga por apenas ter de prestar atenção na apresentação de trabalhos dos demais. Depois fui direto para a aula de hipismo onde Rocinante simplesmente resolveu que andava muito cansado e parou de correr umas três vezes entre os obstáculos, permanecendo parado mesmo que eu tentasse faze-lo se mover e desisti quando o professor disse que era melhor deixa-lo descansar já que viajaríamos no dia seguinte para outra eliminatória no sábado.
Despedi-me do professor querendo imensamente tomar um banho e me enfiar em um abraço da Emma. Por mais que eu estivesse praticamente explodindo, eu só conseguia pensar que tudo ficaria melhor em estar com ela para me fazer sorrir depois desse dia terrível. Foi quando sai do vestiário já com meu uniforme estranhando não ter recebido nenhuma mensagem dela e me lembrei que ainda não tinha pegado meu celular. Tive que andar mais uns dez minutos observando o tempo que começava a se fechar e me perguntando se tinha como aquele dia piorar.
Regra número um, nunca pergunte, nem para si mesma, se tem como algo ficar pior. O universo entende isso como um desafio e quase instantaneamente as coisas ficam ainda mais desastrosas, como o pseudo diluvio que começou a cair assim que Ariel devolveu meu celular e assinei o caderno. Minha cabeça já estava latejando, meu estomago roncando e minha insatisfação comigo mesma, por ter levantado da cama, aumentando. Uns vinte minutos se passaram até eu aceitar que aquela chuva não iria passar ou se acalmar e resolvi correr até o dormitório, inevitavelmente cheguei encharcada. Subi as escadas as pressas, ao chegar no quarto ele estava completamente arrumado, mas não tinha nenhum sinal da loira, então peguei minha coisas rapidamente e suspirei profundamente ao entrar debaixo da água morna do chuveiro.
Finalmente, depois de meia hora eu estava de volta ao quarto, seca, quente e bem mais calma. Porém, ainda faltava Emma, por isso, assim que deitei em minha cama, peguei meu celular que havia deixado ali e disquei seu número.
"Regina?" Emma atendeu e sorri um pouco ao ouvir sua voz. Como eu já poderia sentir falta se nos vimos há umas seis horas no máximo?
"Cadê você? Eu tive um dia terrível e queria passar um tempo com você." Minha voz saiu bem mais calma e baixa do que de costume enquanto eu desenhava alguns círculos com meu dedo em meu cobertor.
"Minha nossa, sua voz está soando tão meiga, nem parece a garota possessa de hoje cedo." Ela respondeu e não pude conter um revirar de olhos.
"Não é hora de tirar uma com a minha cara, eu realmente estou mal."
"Tudo bem, eu só estou no andar de cima terminando um trabalho com a Mérida e já estou descendo." Replicou se despedindo e suspirei por ter de esperar. Sim, eu deveria estudar e adiantar alguns trabalhos já que não terei tempo até segunda, mas tudo que eu necessitava naquele momento para não entrar em um colapso tinha olhos verdes, cachos loiros e cheiro de baunilha.
Estava quase cochilando quando a porta do quarto se abriu com Emma e suas mão cheias de pacotes de doces de alguma das máquinas. Sorri e ela veio em direção a minha cama tirando os chinelos enquanto eu me sentava, percebi que também tinha tomado banho a pouco tempo pelo seu cabelo molhado e o moletom no lugar do uniforme. Emma se sentou e se aproximou para o que era para ser um beijo breve se eu não o tivesse aprofundado puxando-a para perto, precisava daquilo, do seu toque, seu cheiro, seu calor para suavizar a tensão daquele dia como ela sempre conseguia fazer.
— Acho que você poderia ficar mal mais vezes. — Emma sorriu ao se afastar alguns minutos depois me fazendo soltar uma risada contida e involuntária enquanto passava a língua por meus lábio que agora continham o gosto dela e sentir sua mão tirando meu cabelo do meu rosto. — E então, o que houve? — Perguntou pegando um dos pacotes de M&M que ela jogou na cama. Adorava aquilo, a vontade de saber sempre o que estava me inquietando ou incomodando. O fato de continuar sempre a mesma doçura depois de qualquer coisa, até mesmo quando brigávamos e íamos conversar, ela gostava de usar a mesma suavidade para que nos entendêssemos sem problemas a mais.
Contei a ela todo meu dia até ela rir por imaginar minha tentativas frustradas de fazer meu cavalo teimoso se movimentar e ouvi sobre o dela depois que lhe taquei alguns dos chocolates para que parasse de rir de mim. Depois de acabarmos em silêncio de tanto falar, ela pegou o computador voltando a se deitar comigo para terminarmos de ver um filme que tínhamos começado semana passada e por falta de tempo não havíamos terminado.
— Essa personagem é maravilhosa, acho ela parecida com você. — Emma disse quando o filme já estava para acabar, levantei minha cabeça de seu ombro e a fitei com uma sobrancelha erguida.
— Você me acha parecida com uma prostituta fútil que está atrás de um cara rico? — Perguntei ficando de bruços. — Uma bela visão essa que você tem de mim.
— Não, sua tonta. — Ela replicou fechando a aba da internet na qual o netflix estava aberto e voltou o olhar para o meu. — Eu quis dizer no sentido de ser tão racional e correr atrás dos objetivos não ligando se isso é contra o que uma parte dela queria, mas que ela sabe que não vale tanto a pena. — Concluiu voltando a olhar pra tela.
A observei enquanto seus olhos ainda passeavam pela tela que refletia na lente de seu óculos e me perguntei se ela sabia o quão de meu emocional havia tomado conta de mim desde que ela apareceu. Um singelo sorriso repuxou em minha boca ao começar analisar cada um dos traços de seu rosto. Era incrível como eu a achava cada dia mais linda ou como a beleza interna dela parecia transparecer e a deixar mais bela, suas bochechas cheias que quase sempre ficavam vermelhas como seu nariz no frio, as sardas claras, os olhos que me enxergavam de uma forma única e aqueles lábios donos do sorriso que deixava meu coração acelerado.
"Podia dizer o quanto fosse, mas nunca seria o suficiente. Existem as dádivas da vida que são inexplicáveis, mas que são sentidas profundamente. Cada sorriso leve, cada alegria contagiante. Cada pequeno momento que valia mais que qualquer outro instante."
— Aquarelar.
— O que foi? — Ela perguntou ao voltar a me olhar assim que colocou uma música como de costume.
Não respondi, peguei o computador em seu colo e coloquei no criado mudo ao meu lado, sem desliga-lo, antes de voltar para meu lugar e sussurrar para ela: — Você é a garota mais linda de todas.
Vi um sorriso aparecer antes unir nossas bocas, deslizar minhas mãos por seu busto até a curva de seu pescoço e espreitar meus dedos por entre os fios de seu cabelo úmido enquanto a suavidade inicial se transformava um volúpia. Em questão de instantes ela virou o corpo sobre o meu pressionando suas mãos nas laterais de meu corpo e me senti estremecer embaixo dela. Já estivemos nessa situação antes e eu a quis na mesma intensidade em que queria naquele momento, queria que explorasse cada canto de meu corpo com aquelas mãos e boca quentes, que me fizesse sua, que desse um jeito na situação que se formava entre minhas pernas sempre que isso acontecia. Entretanto, não tive tempo para pensar em receios dessa vez, pois quando a loira desceu com gula seus beijos para meu pescoço e eu fecheis os olhos suspirando com a sensação que sempre me fazia presumir que a qualquer instante eu me desmancharia com seu toque. Desci minha mão invadindo seu moletom e encontrando sua pele quente e arrepiada. Eu estava simplesmente tomada por toda aquele momento quando de repente me vi dando um pulo e me sentando ao empurrar a loira de cima de mim por ter ouvido a coisa que menos queria: a voz de minha irmã. Seguido de um gemido de dor vindo de Emma que acabou caindo da cama. Meu coração literalmente veio a boca antes de voltar ao seu lugar com a minha tentativa de engolir o enorme nó que tomou conta de minha garganta ao ver o rosto completamente chocado da ruiva que ainda segurava a maçaneta da porta e não sabia se olhava para mim ou a loira que tentava se levantar.
— Wow...
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