Teach Me German
7 Blackout
Notas iniciais
Point Of View Robbie
Minha última semana aqui passou bem rápido. Rápido demais pra falar a verdade. Eu e Dianna nos falamos todos os dias, sem brigas, o que foi muito bom. Hoje mesmo nós estamos dividindo o mesmo quarto, eu na minha cama e ela no colchão no chão. Só que agora ela já dormiu e eu continuo lembrando das coisas que fiz aqui e do quanto vou sentir saudade de tudo. Dos meus pais, das idas a praia, das brigas com a Dianna. As brigas vai ser o que eu mais sentirei falta, é porque é uma coisa que sempre acontecia, nós brigamos, fazemos as pazes e brigamos de novo. Essa foi a única semana em que conseguimos ficar de boa um com o outro.
Acabei adormecendo entre meus pensamentos. Acordei com minha mãe entrando no quarto e dizendo que era a hora de eu levantar para irmos para o aeroporto. Assim que ela saiu do quarto, continuei deitado por mais um tempo, até que resolvi levantar. Acordei Dianna, ela ficou se revirando um pouco no colchão e levantou.
– Já está na hora? — ela me perguntou coçando os olhos
– Já — eu dei um meio sorriso — finalmente, certo?
– Certo — ela riu
– Se não se importa, eu vou tomar um banho
– Vai lá
Tomei um banho que posso considerar rápido até. Me troquei no banheiro mesmo porque tem chance de eu sair do meu quarto e Dianna estar lá. Abri a porta ainda sem a camiseta, pois tinha esquecido no quarto. Dianna não estava no meu quarto como eu achei que estaria. Peguei minha camiseta em cima da mala e estava pronto. Meu pai entrou no quarto e falou que descia com as malas e que era pra eu aproveitar meus últimos minutos na casa.
Assim que saí do quarto, meu corpo foi me levando sozinho. Passei pelo corredor onde havia fotos da família pendurada em quadros, passei pelo quarto dos "meus pais" onde a porta se encontrava aberta, queria parar e ficar observando, mas meu corpo insistia em continuar me levando pra um lugar. Parei. Parei em frente a uma porta que no momento estava fechada, mas não por muito tempo. Ainda sem querer, bati na mesma.
– Pode entrar — gritaram lá de dentro
Entrei.
– Oi Robbie, já sentindo minha falta? — ela sorriu
Eu sorri logo em seguida.
– Eu? Eu não. Não a sua falta.
– Certeza?
– Absoluta
– Então o que você está fazendo no meu quarto?
Essa foi uma ótima pergunta, uma pergunta que eu não faço a mínima ideia de como responder. Fiquei pensando nisso. Não poderia dizer "meus pés me guiaram até o seu quarto" isso ficaria estranho demais.
– Eu não sei
Dianna riu
– Acho que eu já vou então — eu disse me virando
– Relaxa Robbie, pode ficar
– Uou, o que aconteceu com você?
– Não só comigo! Nós dois estamos estranhos — ela disse
– Realmente
Ficamos um tempo em silêncio. Um bom tempo pra falar bem a verdade. Não sabíamos o que falar. Vi a boca da Dianna abrir, achei que ela diria alguma coisa, mas não, ficou quieta, assim como eu.
– Vamos crianças que não são mais crianças ? — mamãe e papai estavam na frente do quarto
– Vamos — me virei em direção a eles e sorri
...
Entramos no carro. O Sr.Agronn foi dirigindo, Sra. Agronn foi ao lado e eu e Dianna fomos atrás. Ficamos conversando o caminho inteiro, e enquanto conversávamos eu fui olhando pela janela. O sol ainda não tinha nascido então estava escurinho, mas o dia estava muito bonito.
Quando chegamos no aeroporto, o sol já estava nascendo, o que deixou o dia muito mais bonito. Ajudei a descer as malas e entramos. Meu voo sairia em duas horas, fiz tudo que tinha que fazer e fui passear pelo aeroporto com a Dianna.
Entramos em uma livraria e cada um de nós pegou um livro. Sentamos em uma mesa para esperar o tempo passar. Dianna folheava as páginas do livro, eu até queria fazer isso. Mas não estava com vontade de ler agora, então fiquei observando ela.
– Tem alguma coisa em mim? — ela perguntou quando percebeu que eu a encarava
– Não. Nada. Vamos conversar.
– Ta bom — Dianna sorriu e deixou o livro do lado
Eu sorri
– Robbie, ta tudo bem com você?
– Ta, ta sim.
– Mesmo?
– Sim — eu disse — podemos sair daqui?
– Claro — ela disse se levantando
Me levantei logo atrás e saímos de lá. Olhei no relógio e faltavam trinta minutos para meu voo sair. Dianna e eu continuamos andando até pararmos em frente a uma Starbucks. Entramos na fila pois ela decidiu que queria comprar um café. Ficamos uns quinze minutos esperando até o café dela ficar pronto. Fomos saindo de lá quando eu parei.
– Robbie, você tem certeza que está se sentindo bem?
– Eu estou muito bem. — eu disse fazendo ela andar até mim, parando em minha frente.
Fiz o que achei que tinha que ser feito. Me aproximei mais segurando seu rosto e a beijando. Dianna contribuiu o beijo, o que eu não esperava que aconteceria. Por um minuto ou mais, naquele aeroporto parecia existir apenas nós dois. O beijo era calmo, mas era também uma despedida. Eu estaria indo embora. Nos separamos quando ouvimos a voz da aeromoça.
– Última chamada para o voo 4752 com destino á Hamburgo, Alemanha
– É o meu voo — eu realmente não acredito que disse isso
Dianna abaixou a cabeça e foi andando na minha frente. Eu estou me sentindo um completo idiota por ter beijado ela agora, só agora. Agora que eu vou voltar para a Alemanha, as coisas vão ficar diferentes, ela vai conhecer novas pessoas. Não que isso me importe. Não sei de mais nada.
– Ta na hora Robbie — Sra. Agronn disse me abraçando
– É — eu disse retribuindo o abraço
– Lembre que você tem uma casa aqui também Robbie. — disse o Sr.Agronn me puxando para um abraço — você é um bom garoto. O filho que nós nunca tivemos.
Sorri com isso
Andei até Dianna, depois de me soltar do abraço de seu pai. Eu queria pular a parte de ter que me despedir dela que me encarava com um olhar triste. Ela se aproximou de mim e passou seus braços em volta do meu pescoço, me abraçando forte. Eu passei o braço ao redor de sua cintura abraçando ela com a mesma força que ela me abraçava.
– Eu vou sentir sua falta — eu sussurrei para ela
– Eu sabia — ela deu uma risadinha — eu também.
Me separei daquele abraço, me despedi de todos e fui embora de cabeça baixa para a sala de embarque. Logo em seguida entrei no avião, sentei em minha poltrona, peguei meu fone, liguei uma música e acabei dormindo, lembrando de tudo que aconteceu hoje.
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