Tea And Sugar
1 Único
Notas iniciais
Pensar na vida me traz um pouco de felicidade. E sentar aqui em minha mesa, vendo essa bela vista da Soul Society pela minha janela — que também me faz sentir o frescor da manhã — me faz sentir um pouco de solidão... Mas, de certa forma, já me acostumei um pouco por isso.
Todas as manhãs, antes de qualquer coisa, preciso necessitadamente beber meu chá. E, como todos os dias, Kiyone e Sentarou ficam brigando na minha frente para ver quem vai trazer meu chá quente. Não faço mais do que apenas sorrir e suspirar enquanto os vejo sair de minha sala ainda discutindo para irem fazerem meu chá.
Kiyone entra em minha sala, usualmente, carregando o chá enquanto Sentarou olha para ela de canto como se estivesse bravo pro não poder ter trazido o chá, mas apenas uma chaleira com um pouco mais de água quente para mais um chá, caso eu queira.
Mas, naquele dia, estranhamente ele me trouxe o açucareiro a meu pedido. Eles já não estavam brigando ou discutindo, apenas me olhavam um pouco abismados com aquilo. Kiyone com o chá e Sentarou com o açucareiro. Mencionei que eles colocassem sobre minha mesa ao lado das papeladas todas ali e eles logo o fizeram, me olhando em seguida. Inclinei o rosto um pouco para o lado, indagando o porque estavam me olhando com aquela expressão — eles só me olhavam fixamente sérios e preocupados quando eu me estava pálido.
- Arigatou, Kiyone, Sentarou. Vou beber meu chá agora.
Eles assentiram e saíram da sala estranhamente sérios e calados, não era uma coisa muito comum eles saírem dessa forma assim, sem mencionar nada ou discutirem pra ver quem iria fazer mais o que por mim.
Dei de ombros, pegando logo o chá em mãos e assoprando um pouco, degustando do sabor do líquido quente. Em seguida, alcancei o açucareiro e coloquei uma colher nada modesta, mexendo em meu chá. Nunca tinha saboreado daquele liquido com algo para adocicá-lo por puro costume, mas já fazia muito tempo que eu queria provar o sabor doce.
Meus olhos voltaram a se focar na paisagem do horizonte enquanto eu terminava de degustar do sabor mais doce do que mel puro. Nunca gostei muito de mel, mas aquele chá estava demasiadamente saboroso, apesar de ter uma quantia bem excessiva de açúcar.
Quem sabe, precisava de algo para adoçar-me a vida.
Batidas na porta me despertaram do meu devaneio, fazendo com que eu desviasse meu rosto e o virasse me direção a porta, convidando seja lá quem fosse para entrar.
- Sentarou e Kiyone me disseram que você estava estranho.
Ah, esse sorriso. Parecia estranhamente mais doce do que o açúcar todo que estava dentro do meu açucareiro. Ele se aproximava de minha mesa, me fazendo levantar e dar a volta nela até parar a sua frente, tornando as coisas cada vez mais... doces.
- Estranho? Por quê?
- Chá com açúcar... Faz tempo que não te vejo com algo assim, Ukitake.
- Hum... Kyouraku, eu estou ótimo. Na verdade, chá com açúcar foi só uam vontade súbita minha. — sorri e olhoei melhor para ele — Como vão as coisas na 8ª divisão?
- Como de costume, eu acho... Nanao-chan trabalhando bastante.
Eu mencionei um pequeno sofá ali perto e me sentei, sendo acompanhando por ele enquanto continuavamos conversando sobre os nossos trabalhos. Seu kimono rosa — tipicamente — estava um pouco sobre a minha perna e seu perfume exalava no ambiente, me trazendo ainda mais o cheirinho adocicado da personalidade dele.
Estar com ele todos os dias era mais do que apenas bom, era perfeito. Ele era um amigo de longa data e alguém por quem eu tinha um (estranho e absurdo) carinho especial, era uma pessoa que eu poderia contar em qualquer momento da vida, até nos piores dele ou quando minha saúde ficava pior do que eu poderia suportar.
Já se aproximava do meio da manhã e tinhamos que ir logo para nossos deveres, sobre tudo ele que tinah que voltar para seu esquadrão antes de uma reunião com todos os taichous.
- Ukitake, esse açúcar, tem um significado a mais? Você não é tomar nada com açúcar...
- Talvez...
O olhei meio de canto e senti sua mão tocar sobre a minha — que desncansava em minha própria perna — e entrelaçá-las, me olhando. Eu o olhei, levemente cosntrangido pelo ato dele, mas sorri sentindo seu rosto se aproximar do meu e beijar minha testa com carinho.
- Doçura... É? — ele sorriu mais para mim quando assenti — Eu sou capaz de deixar mais doce pra você...
- Não acho que você gostaria de--
Um beijo silencioso e tímido me calou, eu apenas pude fechar meus olhos e sentir seus lábiso macios acariciarem os meus. Logo, ele se afastou e se levantou, ainda segurando minha mão entrelaçada à dele. Ele saiu após afagar meus cabelos e me deixou lá, olhando para a porta com um sorriso.
Depois disso, meus chás voltaram a ser puros. Todo o açúcar pra trazer doçura ao que eu precisava ele trazia, cada vez que seu olhar atingia. Passar o tempo com ele na biblioteca era especial, como sempre...
E nada entre nós mudou, exceto... O açúcar.
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