Te odeio por te amar
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Ficamos nos olhando por alguns segundos até ele falar :
– Bem, estou indo, espero esbarrar em você novamente vermelhinha — ele sorriu e eu senti meu rosto corar.
– Ei, volta aqui, você sabe que esse colar não é comum, você sabe que isso é estranho, não sabe? — corri atrás dele.
– Claro que não. Existem milhões dele no mundo, o problema, é que é masculino, então acho que você não ta no estilo certo. — ele ironizou e saiu andando.
Por mais que ele tentasse disfarçar, eu sabia que ele também tinha percebido algo errado. Mas realmente, o colar devia ter no mundo inteiro. Eu devo estar ficando maluca.
De todas as minhas seis aulas, quatro eram com o Pietro, e ele me fazia querer descobrir mais sobre ele, mesmo ele sendo completamente idiota.
Eu estava completamente cansada quando sai da escola, Gabe perguntou -me se eu queria que ele me acompanhasse, mas a casa dele era longe da minha, então ele teria que ir lá e voltar, então disse que estava tudo bem.
– ta tudo bem Gabe. vou a pé mesmo, preciso passar em um lugar. — o que era mentira. Na verdade, eu só não queria que ele ficasse com dó e acabasse me levado pra casa.
Cheguei em casa exausta, estava indo diretamente pro meu quarto, pois meus pais trabalhavam no período da tarde e da noite, não era ruim ficar sozinha, mas também não era bom. Adormeci rapidamente, e instantaneamente entrei no mundo de meus sonhos.
Eu estava numa casa bem grande, com um jardim enorme. A casa me parecia familiar, mas eu não conseguia me lembrar. Eu estava andando sozinha, pela beira da piscina até que eu cai... Não, me empurraram na piscina e depois...
Acordei com a respiração acelerada, meu coração estava disparado, peguei meu caderno debaixo do travesseiro e anotei tudo que eu me lembrava do sonho, aos poucos o sonho foi se dissipando, e a única coisa que eu lembrava, era do colar que hoje eu tinha visto no pescoço de Pietro, e, no meu. Tentei parar de pensar nisso o resto da tarde, não foi como os meus outros sonhos, que eu apenas acordava e estava bem, eu realmente senti.
Tentei ligar pra Gabe, pra sairmos ou algo assim mas só dava caixa postal. Peguei meu caderno em que eu escrevia meus sonhos, e resolvi ler desde o primeiro dia em que eu comecei a escrever. Isso era a mais de três anos atrás.
"no sonho, eu estava, no que parecia ser meu quarto, mas em outra casa, eu tinha aproximadamente entre nove e dez anos. Eu estava junto com dois garotos, um tinha cabelos louros e olhos tão claros que chegava a ser um tom de cinza, o outro, eu só conseguia ver os seus olhos, eram escuros como a noite, frios como uma noite de inverno”.
Esse tinha sido o primeiro escrito, eu tinha treze anos. COMO eu não me lembro de nada desde os meus 11 anos?
Resolvi tomar banho e dar uma volta no shopping, já que morava perto do centro de São Paulo. Coloquei um vestido azul, deixei meus cabelos soltos, ao não ser pela franja, que prendi .
Eu estava saindo de casa, quando vi uma sombra na árvore de frente a minha. Cheguei mais próximo, e a sombra ficava maior, cada vez mais, mas no fim não era nada, parecia que a sombra tinha saído rapidamente, sentindo minha presença. Virei rapidamente e avistei Gabe em frente minha casa. Eu estava pronta pra chamar ele, mas ele virou abruptamente e eu levei um susto, os olhos deles estavam assustados, e ele parecia não saber direito o que estava acontecendo.
– Gabe — chamei -Gabe, você ta bem?
– Lisie, temos que sair daqui — a voz dele saía desesperada.
– o que? Como? Ahn? — eu estava assustada sobre o jeito que ele disse aquilo.
– Tudo vai acontecer de novo se não sairmos. Tudo. Temos que nos mudar.
– pera, como assim "tudo vai acontecer de novo"? Como assim? –Gabe , se acalma, o que aconteceu?- antes que ele pudesse responder, ele saiu correndo e sumiu pela rua escura.
Era inútil tentar correr atrás dele, então peguei um ônibus e desci na casa dele, mas sua moto não estava lá .Liguei para ele muitas vezes, e nada. Então, decidi esperar ele em frente sua casa. Foi ai que eu vi Pietro aparecer na casa dele. Ele me viu e parou, e eu fiz o mesmo.
– O que você está fazendo aqui?-ele perguntou.
–a melhor amiga dele sou eu, quem deve perguntar isso sou eu.
Ouvi ele cochichar algo mas ignorei.
– preciso falar com Gabe.
– desde quando você é amigo dele?
– e isso interessa pra você?
– é claro — respondi irritada. Foi ai que Gabe chegou, ele parecia completamente normal, e, realmente estava.
– Oi Lisie, ahn, Pietro, é seu nome, certo?
– er... Sim. — ele respondeu parecendo confuso assim como eu.
– Gabe. Gabe me escuta, onde você estava a vinte minutos atrás?
– Eu? Estava no mercado, precisava comprar algumas coisas – ele pareceu confuso.
–Gabe, está me dizendo que não foi na minha casa a exatamente vinte minutos? – Eu estava completamente confusa, olhei de esguia para Pietro que também parecia pensativo sobre o assunto, mas como ele poderia saber que ele estava completamente estranho sendo que ele nem estava junto de mim quando Gabe falou aquelas coisas estranhas?
– Claro que não. Eu não fui na sua casa hoje Lisie. Fora que a vinte minutos atrás provavelmente eu estava naquela fila enorme do mercado.
Se Gabe está falando que não estava na minha casa há vinte minutos e ele parecia não estar mentindo, então quem era aquele garoto em frente a minha casa dizendo que tudo vai acontecer novamente?
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