Te amar não estava nos meus planos
25 Uma tarde em Londres.
Uma semana depois.
Dei passos pequenos até a comprida e estreita janela que mostrava o enorme jardim da mulher do meu tio. Era enorme, e quando tinha visto por foto, notei que agora o jardim parecia mais vivo. Não só por causa de ser uma vista mais real, mas também por ser verão. Em alguns dias que estou aqui, prontifiquei-me em ajudá-la a plantar algumas flores, só pra passar o tempo e ocupar a cabeça. Já estava ali fazia alguns dias, e tentava ao máximo não decepcionar o meu tio, queria que me visse feliz por finalmente revê-lo depois de tanto tempo. Pra ser sincera, eu gostava mais de passar meu tempo ao lado de Alicia, a filhinha deles. Ela tinha apenas quatro aninhos, mas era tão esperta que eu duvidava que essa era sua idade verdadeira.
A chuva voltou a aparecer e tudo o que eu fiz foi por a mão dentro do bolso do sobretudo vermelho que ganhei quando cheguei aqui, meus pais obrigaram-me a ir às compras no meu primeiro dia em território desconhecido.
Pra ser sincera, ainda bem que eles fizeram isso, porque pode ser verão, mas o frio ainda é torturante.
Enquanto meus olhos miravam o jardim que se estendia por toda a casa, miravam também às casas vizinhas e o pequeno movimento na rua dos carros que andavam tranquilamente. Sentia-me na obrigação de sobreviver ao pequeno imprevisto da minha vida. Afinal, perder um amigo não é a morte, e pensar que ele deve estar muito melhor que eu, iria quem sabe me ajudar a convencer-me que o melhor a se fazer é superar.
Ou, se superar for uma palavra muito forte, quem sabe aceitar.
Senti pequenas mãos encostarem-se a minha perna, abaixei a cabeça e sorri ao ver o sorriso de Alicia em minha direção. Agachei-me a fim de ficar da sua altura, fitando-a carinhosamente. Amava sentir seus olhões verdes em minha direção, e eu sabia muito bem o porquê. Os olhos dela combinavam perfeitamente com seus alongados cílios, tinha certeza que quando crescesse, sua beleza seria estonteante. Tão quanto à beleza do Eduardo, talvez. Pensei nos filhos que o garoto de cabelos claros teria futuramente quando encontrasse alguém, e com certeza, se parecessem com ele, seriam de tirar o fôlego.
O mais bizarro de tudo, é que quando chegamos ao fim de alguma ideia minha, ou mesmo um pensamento, sempre me vem à memória Eduardo. Merda de garoto que não sai da minha cabeça, isso com certeza não é normal.
Devo estar pirando, só pode.
— Tia, papai mandou perguntar se você quer ir jantar. Eu já comi, mas eles ainda não terminaram. — Avisou.
— Não estou com fome, Lili. Eu comi besteira na rua e me encheu. Vou ao quarto, quer ir comigo? — Convidei-a. Ela assentiu e caminhou por trás de mim em direção ao quarto que estava ficando esses dias. Ele era bem espaçoso e confortável, com a decoração parecida com o resto da casa.
Sentamo-nos na cama e o quebra-cabeça dela ainda estava lá, continuamos a montá-lo. Ria muito com ela, felizmente, ela era uma boa distração. Quando terminamos, já era tarde, a mãe de Lili apareceu na porta com um sorriso delicado e gentil estampado no rosto.
— Vamos, Alicia? Tá na hora de dormir, e deixar a sua prima descansar. — A voz de Felícia, mulher do meu tio, era delicada, maternal, o que me fez relembrar imediatamente da minha mãe, de repente senti a falta da dona Silvia.
— Ah, mãe! — Lili murmurou fazendo biquinho, jogando-se em cima de mim. — Quero ficar mais aqui com a Tônia... — Eu e Felícia rimos ao escutar sua voz de drama, como se estivesse fazendo chantagem. Sua mãe pegou-a no colo, desgrudando-a de mim, que percebeu que seu esforço não deu certo.
— Amanhã você tem o dia inteiro pra acabar com a paz da sua prima, Alicia. Mas, vamos deixá-la dormir agora. Deve estar cansada, não é? — Perguntou a mim. Confirmei com a cabeça sem jeito, despedi-me delas e arrumei-me para ir dormir. Havia sido um longo dia, e mesmo que eu não tenha feito quase nada, a não ser acompanhá-las em alguns lugares, estava bem cansada. Cansada o suficiente para não ter pesadelos dessa vez e nem sonhos ilusórios demais.
(...)
— Dormiu bem, Tônia? — Meu tio me perguntou assim que me sentei à mesa, juntando-me a eles.
— Como um anjo. — Suspirei, alegrando-me por finalmente estar dizendo a verdade. Era estranho dormir bem depois de tanto tempo, a culpa talvez seja do acúmulo de noites acordadas e pesadelos. O último que tive, eu estava no altar, entrando na igreja, e quando vi quem estava no altar esperando-me, enquanto erguia a mão direita em minha direção, como se fosse para eu pegá-las, era Bruno. Pareceu tão real que me assustei com isso pelo resto do dia.
— Hoje o tempo melhorou. Que tal irmos à praia, querida? Não sei se é como as do Brasil, que ouvi falar que são lindas... Mas pode acabar gostando e, aliás, há outros lugares que podemos visitar caso prefira. Estou a sua disposição hoje. — Mesmo que eu tenha apresentado uma considerável melhora, eu não estava a fim de sair, nem de andar por ai. Mas seria uma desfeita enorme, principalmente por parecerem tão bem dispostos a me fazerem sentir-me em casa. Não parecia ser justo dizer a verdade. Apesar de que, pelo que eu sei, queria melhorar. Então, talvez uma mudança de tempo me fizesse bem, e felizmente, eu poderia gostar da praia daqui, sua água poderia retirar todos os anseios e todos os pesos dentro de mim.
Então eu respirei fundo, pondo um sorriso no rosto, garantindo que eu iria com ela.
Horas depois, lá estávamos nós, de frente à praia que parecia muito convidativa. Fiquei literalmente impressionada com a beleza daquele lugar, às vezes, perguntava-me qual era o meu problema por não começar a gritar e comemorar por estar num lugar tão maravilhoso ao lado de uma parte da minha família.
A praia não era como a que eu tinha visto ontem, que em vez de areia, eram pedrinhas. Esta é um pouco mais parecida com as que temos no Brasil. Sua vista estende-se até umas rochas. Com uma diferença evidente, aparenta ser mil vezes mais limpa que as do meu país.
Caminhei ao lado das duas garotas ajudando-as a encontrar algum bom lugar para ficarmos. A Felícia tinha todo um cuidado, por causa da Alicia. Sentei-me na areia mesmo e encarei um pouco o horizonte, respirando fundo e deixando aquela brisa embriagar-me, desejando que os dias fossem tão tranquilos e belos assim. Felícia aproveitou para tirar algumas fotos minhas e da sua filha enquanto tentávamos inutilmente construir uma pequena piscina de poça d'água, ou um castelo, que estava mais pra uma caixa de palito de fósforo. Mas não importava, o incrível é que estávamos de fato nos divertindo.
— Tô com fome, mamãe. Eu e a Tônia podemos ir comprar alguma coisa pra comer? — Pediu enquanto levantava-se segurando seu balde cheio de areia e água. Ela estava usando um biquíni roxo com babadinhos cor de rosa na parte de baixo, uma gracinha. Seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo, embora algumas mechas douradas saíssem do chapéu da Monster High que a protegia do sol. Eu estava um pouco mais simples que ela, usando apenas uma saída de praia sobre o meu biquíni azul marinho, continuava com a mania de odiar que meu corpo ficasse exposto.
— Não vai comer besteira antes do almoço, senhorita. — Cerrou os olhos em direção à filha, suavizando sua expressão logo em seguida, virando sua atenção para mim. — Mas, tem um restaurante bem simplesinho e com uma boa comida aqui perto, se quiserem podem ir almoçar, não vou com vocês porque estou sem fome, vou continuar lendo meu livro. — Não discordei, porque também estava com fome, comi quase nada antes de sair, essa mudança de fuso horário também estava mudando com o apetite, fazendo-o virar uma espécie de areia movediça que engole toda comida que vê pela frente. Em especial as besteiras como chocolate e tortas.
Levantei enquanto pegava a bolsinha com dinheiro, ficando perto da garotinha pequena. Alicia segurou em minha mão, tive que estender meu braço bem para ela poder alcançar; o que não foi muito difícil, eu não era tão alta assim. Ela me guiava em direção ao restaurante e tudo o que eu fiz foi deixá-la me levar. Andávamos na areia ainda, em meio a várias pessoas aproveitando o dia ensolarado e o clima tropical, estavam todos incrivelmente relaxados. Uma brisa gelava veio contra ao meu rosto, fazendo um arrepio percorrer meu corpo. Reparei na Alicia, tentando descobrir se ela reagiu bem ao pequeno empecilho de caminhada, e parecia que só eu era a estranha mesmo. Alicia andava com um sorriso no rosto, com uma mão ocupada segurando seu balde rosa e com a outra entrelaçada a minha.
Tinha que anotar na minha agenda: ''Pare de sentir coisas que ninguém sente. ''
Incrivelmente, isso soou com um duplo sentido perceptível. Lá estava eu mais uma vez dando voltas e mais voltas, e chegando ao mesmo lugar.
Foi quando eu olhei para frente, e senti olhos verdes me fitarem.
Eu travei, parando inconscientemente de andar, fazendo Alicia parar também e me olhar estranhando minha expressão de início de pânico.
Balancei a cabeça, devia ser o meu cérebro entrando em um estado pior de demência e loucura, criando ilusões à minha frente, parecendo tão mais real. Então continuei andando, dizendo a Alicia que estava tudo bem comigo, a mesma pareceu acreditar.
Estremeci completamente ao escutar meu nome sendo gritado, aquela voz soou tão forte, ultrapassando meus pensamentos, a minha sanidade. O que confundia-me completamente. Lutava contra os meus sentidos na intenção de me convencer que eram apenas criações do meu cérebro, e nada mais. Que ninguém havia me gritado, que ninguém andando em minha direção com passos apressados como se quisesse chegar até mim.
— Tônia, quem é aquele tio bonito que tá vindo em nossa direção? — Alicia perguntou aparentemente curiosa, assim que reparou no que eu duvidada ser verdade. Estremeci mais ainda. Não tinha como ela estar criando ilusões também, não era possível. Abruptamente ergui a cabeça, com os meus olhos fixando em dois olhos verdes profundos que estavam pregados em mim como se não houvesse nada mais no mundo.
Sem querer, um sorriso espalhou-se por meu rosto como se, de repente, não existisse vista melhor do que a que eu tinha. Sem pedir autorização, tirei sem delicadeza e com uma agilidade impressionante minha rasteirinha e jogando-a perto da Alicia, que me encarava ainda esperando sua resposta.
— Ele é... Ele é o garoto dos meus sonhos. — Respondi, em meio ao transe. Normalmente eu não me expressaria dessa maneira, mas como agir sobre suas emoções quando tudo o que você precisa está tão perto e ao mesmo tempo tão longe? Minha única ação foi correr de encontro a ele, como se os segundos fossem a eternidade. Era meu dever me aproximar, mesmo que para o meu bem o melhor fosse ficar longe e voltar a sobreviver.
Eu estava conseguindo fazer isso antes de vê-lo, e se eu continuasse a correr em sua direção, estaria a um passo de crucificar um planejamento.
Mas dessa vez eu não iria seguir planos de sobrevivência, e nem qualquer que fosse; eu só correria o mais rápido que pudesse. Ao ver minha atitude, Eduardo não conseguiu segurar um sorriso e veio correndo também ao meu encontro.
Quando nos aproximando, sem fôlego por conta da pequena corrida, travamos imediatamente, como se toda a coragem fosse para o espaço e a única coisa que sobrava ali era o coração agitado depois de tanto tempo, e o corpo pegando fogo, como se uma chama apagada tivesse se acendendo involuntariamente.
Fiquei parada e mal consegui respirar, meus pés se prenderam na areia assim como os meus olhos nos dele. Minha cabeça estava levantada, porque ele era mais alto, e mesmo que eu ficasse a eternidade daquele jeito, meu pescoço jamais iria se dar ao luxo de reclamar.
Porque ele estava ali. Eduardo estava ali.
Tornei-me uma completa ignorante quando finalmente retornei a consciência, lembrando-me do motivo de estarmos assim. Senti a nostalgia excessiva percorrer por meu cérebro tão rápido quanto a proliferação de bactérias, e se eu não calasse minhas memórias, teria um colapso.
— Tenho a impressão de já ter te visto em algum lugar. — Eduardo quebrou o silêncio, entreabri a boca surpresa com suas palavras. Como se ele estivesse gozando com a minha cara, de um jeito brincalhão, isso acabou me acalmando, relaxei os ombros.
— Acho que não, impossível. É a primeira vez que venho em Londres. — Respondi, tentando pronunciar as palavras sem gaguejar e de forma correta, finalmente feliz por alguém entender o português.
— Ah, entendi. Espero que esteja gostando daqui. Se me permite, deixe-me te mostrar o lugar. Chamo-me Eduardo. — Seus olhos me fitavam com uma intensidade impressionante.
— Antônia, prazer. — Sorrimos um para o outro. — Eu adoraria que você me deixasse à vontade nesta cidade. — Meu duplo sentido assustou-me, mas não estava num bom momento para pensar no que dizer, eu só queria voltar a agir normal. Apenas isso.
Eduardo abaixou a cabeça um pouco, aproximando sua respiração da minha, juntando-as facilmente por estarem igualmente tão ágeis.
— Nós... Nós... — Gaguejei, sentindo minhas pernas perderem o controle. — Vo-você estava com raiva de m... — Ele me interrompeu ao encostar seu dedo em meu lábio, fazendo com que meus olhos arregalassem, não entendendo o que estava acontecendo.
— Eu não sei como consegui sobreviver esse tempo sem você, Antônia. Você me magoou profundamente, mas não consigo te odiar, nem por um segundo sequer. Eu não consigo. Sinto a necessidade de estar contigo a todo o momento, mesmo que seja por causa de um plano, mesmo que eu seja a sua segunda opção. Apenas me escolha. — Eduardo jorrou suas palavras contra mim suavemente, enquanto fechava seus olhos sentindo apenas minhas mãos encostarem-se a seus ombros.
— Não fala isso. — Supliquei, sentindo minha vista queimar. Eu não sabia que ele pensava que era uma segunda opção pra mim, ele nunca havia sido. Nem mesmo quando deveria ser. Puxei-o para mim com a intenção de juntar nossos corpos formando um só, ou quem sabe, ultrapassá-lo. Seu corpo esquentou-me rapidamente, e eu pude sentir seu coração se agitar assim como o meu. Segurei-o pelas costas com força tentando fazê-lo notar todas as reações que meu corpo demonstra quando ele me toca, e eu acho que ele percebeu isso quando deslizou seu dedo sobre meu pescoço e arrepiou toda aquela região. Como um fogo alastrando-se por todo o lugar onde passa.
— Como você pode dizer isso, Eduardo? Como? — Suspirei. — Olha o que você me faz sentir, olha o transtorno que você causou na minha vida. Apenas olhe como eu fico totalmente vulnerável quando você está por perto, quase implorando que você me toque o máximo possível, como se você fosse uma droga que meu corpo, meu coração, meus pensamentos viciaram. Eu nunca me apaixonei, Eduardo. Nem mesmo quando achei estar, porque eu não fazia ideia do que verdadeiramente era uma paixão. Eu sei que temos medos, eu tenho... Tenho demais, mas, olha, olha pra mim. — Implorei, segurando com força seu rosto com a intenção de encontrar seus olhos mais uma vez. E, com um pouco de insistência, consegui. — Eu não quero desistir de você. Eu não vou desistir de você. Porque eu quero você, como eu nunca quis ninguém na vida. E não quero que pense que você em algum momento foi segunda opção pra mim. Na verdade, nunca existiu segunda opção. A partir do momento que você se tornou presente, existiu você, apenas você. Eu juro. Juro. Confie em mim, pelo amor de Deus. — Continuava a implorar, sentindo minha garganta secar. Ele segurou-me pela cintura me impedindo de cair, enquanto meus pés se firmavam mais uma vez na areia.
Mais uma vez, senti uma brisa gelada contra meu rosto, só que dessa vez ela não me incomodou.
Eduardo suspirou contra meu ombro e o beijou, traçando caminhos até o meu pescoço. Entortei a cabeça, permitindo que seus lábios deslizassem livremente por onde quisesse, subi minhas mãos por seu braço chegando à nuca e enrolei seu cabelo nos meus dedos, puxando sua cabeça contra mim. Ele arfou como se estivesse se segurando para não agir bruscamente.
— Desculpa-me por não ter acreditado em você. — Sussurrou enquanto subia seus lábios até o meu queixo, mordendo-o suavemente. Eu revirei os olhos, como se aquilo fosse a coisa mais prazerosa do mundo. Talvez pudesse até ser, naquele momento, tudo poderia ser. — Perdemos muito tempo separados, decidi ontem à noite que eu iria voltar para o Brasil e te conquistaria. — Ele riu contra meus lábios, eu sorri de olhos fechados.
— Felizmente não vai ser preciso. Você já fez isso sem perceber, Edu. — Dessa vez, quem riu contra os lábios do outro fui eu. Inesperadamente, fui puxada pela cintura e o impacto de nossos corpos causou-me sensações conhecidas, deixei que meu corpo amolecesse em seus braços.
Meus pés não tocavam mais a areia, e minha cabeça estava mais alta que a dele, Eduardo me levantava, acariciei gentilmente sua maçã do rosto e depois preenchi seus lábios com os meus. Tentei conter a emoção de sentir sua boca na minha depois de tanto tempo, mas não foi possível. Agarrei-me nele como uma criança carente de carícias e o senti deslizar seu nariz sobre o meu, sem tirar seu sorriso torto do rosto.
— Eu quero te dar três razões para você ficar comigo. — Eduardo sussurrou contra meus lábios, voltei a beijá-lo, querendo simultaneamente ouvi-lo. Só que como não era possível ele retribuir o beijo e falar ao mesmo tempo, intercalamos o tempo dando apenas eternos segundos para suas palavras e rápidos minutos aos beijos. — A primeira razão é que, mesmo que você não mereça, eu estou em suas mãos, mesmo que isso implique em você me usar da maneira que quiser. Mas, eu estou. A segunda razão, se o que você disse for verdade, acredito que eu seja a cura dos seus problemas.
— Convencido. — Murmurei, fingindo estar indignada. Enquanto tentava segurar um sorriso. — E o último, Eduardo? Vai comprar muitos sucos de manga para mim? — Sugeri em um tom brincalhão.
Então, Eduardo segurou meu rosto afastando nossos lábios e olhou dentro dos meus olhos, como se uma incógnita estivesse a ponto de ser revelada.
— Eu estou amando você.
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