Minha nossa. Como eu sentia falta disso, era como se de repente eu pudesse sentir a paz de volta, mesmo sendo dessa maneira perigosa e inconsequente. Mas era a única opção, e eu não me importava mais. Por mais que eu soubesse que isso me afundaria de alguma maneira, porque os resultados nunca eram bons, a confiança de repente me fazia mudar de ideia e me fazia perceber que eu poderia ser diferente dos demais. Sem morte, sem consequências ruins. Como ser preso ou perder algum colega próximo. Com exceção do Ícaro, eu estava pouco me fodendo para os outros. E, com um pouco de sorte, Ícaro poderia ser como eu: Indestrutível.

Eu ainda não estava liderando a corrida, tinha dois carros à minha frente, mas não parecia ser problema por enquanto. Eu sabia um atalho, por conta disso, virei em direção à outra rua. Essa era muito mais arriscada, por se tratar de uma rua mais movimentada naquela hora da madrugada e poderia acertar alguém. Porém, se tratando de aventura, era a melhor. E como eu disse: Estava pouco me fodendo para as pessoas.

As manobras eram arriscadas, e torcia para eu não ter nenhum problema de coração, por conta das batidas descoordenadas que o meu dava. Fazendo-o se agitar mais do que a própria situação que eu me encontrava. Eu precisava vencer. Era a única coisa que se passava na minha mente, e se eu insistisse numa vitória, eu venceria. Nem que eu tivesse que ser radical, eu seria. Consegui passar por um carro deixando-o bem para trás e faltava apenas pouco caminho para eu conquistar a vitória. Desde que eu ultrapasse mais uma pessoa. Quando cheguei novamente a pista principal, meu carro se deparou com o do adversário. Ele abaixou a janela e me olhou com um sorriso irônico e desafiador, o típico olhar de competidores. Eu devolvi, e assim, demos inicio a uma disputa acirrada.

Ele encostou seu carro no meu, me fazendo perder um pouco o controle, mas eu fui insistente e consegui impedir que ele acabasse comigo e me deixasse pra trás, devolvi o que ele havia feito comigo, arquitetando uma espécie de armadilha.

Quando nos aproximamos de um poste, eu o empurrei com toda ''força'' que consegui, que o fez consequentemente tombar para o lado encontrando um poste e, sem tempo para desviar ou também pelo seu carro ser grande, ele não conseguiu desviar, e agora se tratando da alta velocidade que ele mantinha, frear seria a última coisa que ele conseguiria fazer. Meu adversário bateu no poste sendo que o mesmo caiu sobre o carro dele, fazendo aquela belezura se tornar uma lata de lixo impedindo-o de continuar a corrida. Sorri ao perceber meu adversário foi derrotado, e sem mais delongas, meu super carro se aproximou do ponto de chegada, ultrapassando-o logo em seguida.

Demorei uns segundos recompondo-me e tentando acalmar o excesso de adrenalina que mantinha todo o meu corpo zonzo e minha respiração aos poucos foi se acalmando. Quando sai do carro, a comemoração por parte dos que torcia e tinham apostado em mim — Poucos, mas eu sabia que isso seria só dessa vez por conta da forma que venci. Depois que me parabenizaram, PH aproximou-se de mim com o mesmo sorriso de vitória no rosto.

— Formamos um belo trio. — Falou referindo-se a mim, a Ícaro e a ele. — E parabéns, você venceu o maior competidor de rachas dos últimos tempos. Ele era quem vencia e levava todos os prêmios durante o tempo que você estava em Londres. — Disse deixando-me surpreso. Jamais imaginaria isso. Sorri ao lembrar que com essa vitória tinha ganhado uma bela quantia em dinheiro e, principalmente, o meu carro que precisava de uma boa pintura por conta dos arranhados — Que foi bem pouco perto do que aconteceu com o carro do meu rival.

Ícaro se aproximou dando um toque de mão no PH.

— O que achou? — Perguntou alegre, recuperado já.

— Foram demais! Numa próxima continuarei apostando em vocês se forem assim. — Sorrimos. Eu não tinha certeza que viria, porque eu não criava aquilo como um compromisso e nem queria, era apenas por puro prazer e divertimento. Teria uma festa promovida pelo próprio PH, onde todos iriam. E ali como sempre rolaria muita mulheres, bebidas e drogas. Como sempre foi. Não estava com cabeça de ir. Porém os dois foram. Ícaro tinha deixado o carro dele pra eu ir pra casa. O carro dele aparentava ser de passeio, para que pudesse usá-lo das duas formas. E felizmente minha mãe conhecia aquele carro, o que não me traria problemas. Quando estava perto do carro, uma garota de cabelos escuros e pele bronzeada, vestindo uma minissaia e uma blusa decotada deixando os seios em excesso à mostra, usavando um salto alto e transpirando vulgaridade, se aproximou.

— Oi, sou Cármen. Você é Eduardo, certo? — Perguntou. Assenti. Querendo ir para casa logo. — Posso me sentar? — Pediu apontando para o banco do motorista, e antes que eu respondesse, sentou-se. Balancei a cabeça perguntando-me as horas, lembrando que logo minha mãe estaria em casa. — Amei o que você fez com o Dado, ele merecia uma bela derrota para deixar de ser tão ridículo. Você é profissional? — Continuou com o interrogatório, virou o rosto pra mim, fiz o mesmo para poder observá-la. Ela se aproximou mais.

— Eu não sou profissional, mas pode ter certeza que eu já fiz isso antes. Apenas não levo isso tanto a sério. — Respondi tranquilo. Ela arqueou uma sobrancelha, confusa. Logo em seguida desfez essa expressão, dando um sorriso presunçoso e aproximando-se cada vez mais seu rosto do meu.

— Não tem como. Pra fazer aquelas manobras e conseguir vencê-lo só pode ser profissional. A não ser que você seja bom demais. — Ela disse isso com duplo sentido, ao colocar a mão sobre meu ombro e morder meu lábio inferior. — Você é bom demais? — Encarou-me e por fim, encostou nossas bocas a fim de me beijar. Eu retribui por que senti vontade e deixei que ela se animasse pensando que eu a comeria ali mesmo, no carro. Provavelmente se eu o fizesse, seria ali mesmo, porque se eu sentisse vontade de ir mais além, jamais a levaria para casa.

Antônia

Quando cheguei a aula eu não sabia o que fazer. Eu queria que Eduardo viesse para eu agradecer pelas flores, mas ainda me sentia envergonhada pela situação. Quando Bianca veio contei a ela o que tinha acontecido e ela abriu um sorriso e obrigou-me a agradecer. Disse que essa atitude dele não ia de acordo com o que ele parecia ser, e por conta disso, ela estava começando a acreditar que aquilo que ela tanto insistia que não daria certo tinha grandes chances de dar sim. O que me fez sorrir.

Quando estávamos perto do portão de entrada do colégio, avistei Eduardo vir do outro lado da rua sem me ver, em direção também à entrada. Ele tinha um jeito mais reservado, por conta disso me perguntei se seria certo eu ir até ele sendo que as pessoas como costume comentariam. Isso seria bom pra mim pois chegaria aos ouvidos de Bruno, mas ele poderia não gostar a agir da mesma forma como antes. De maneira rude. Deixei as dúvidas de lado e dei passos me aproximando. Quando me viu, sorriu de lado.

— Olá. — Disse fitando-o.

— Oi. — Me olhou tentando avaliar minha expressão. Querendo saber minha reação. Perguntei-me se ele era assim com todos fora da escola também.

— Eu vi as flores que você me mandou ontem. São lindas, pesquisei até o significado da cor. — Confessei sorrindo, mesmo envergonhada, continuamos a andar porque o sinal bateu.

— Eu não escolhi pelo significado, escolhi a que eu mais gostei. — Ele confessou. — Mas, qual é o significado?

— Algumas características que predominam em você: Autocontrole, calma, aristocracia e dignidade. — Sorri tímida, com o rosto corado.

— E se eu te confessasse que eu não tenho a maioria dessas características? — indagou. Enruguei a testa. Era impossível.

— Corta essa. Qualquer um percebe a sua segurança em si mesmo, essa mania de se ''reservar'' por talvez se achar melhor que os outros, e você em certos momentos é muito calmo. — Eu não me importava em ofendê-lo, eu só confessava o que ele dava a entender. Eu sei que eu deveria ser digamos ''neutra'', ocultar o que eu acho dele, mesmo se ele tivesse os piores defeitos do mundo, mas eu não conseguia agir dessa forma.

— Eu não ajo dessa forma meio reservado pelo motivo que você acha. — Defendeu-se assustado com minhas palavras. Não queria ofenças, não depois de um pedidos de desculpas daquele. — Eu não quero parecer grosso, mas é coisa minha.

— Então me diz, qual é o motivo? — Não me importava em estar sendo indelicada. Eu tinha uma curiosidade absurda pela sua vida, se bobear até pelo seus pensamentos e suas opiniões.

— Um dia quem sabe saberá. Só... — Deu uma pausa, puxando-me de repente e encostando-me na parede, me fitando como se pedisse que eu acreditasse e o entendesse. O que me deixou sem ação. Não só pela indelicadeza, mas por sentir minhas pernas enfraquecerem inesperadamente. — Só acredite em mim e não no que os outros dizem ou imaginam.

— Por quê? Desde quando você é fonte confiável? — Sussurrei meio vidrada e bêbada pelos olhos deles estarem direcionados assim de uma forma tão... Íntima e profunda. E também pelo seu rosto estar tão próximo. Deixando-me aflita e ao mesmo tempo relaxada.

Notas finais
Ai está, dois capítulos pra vocês hoje, qualquer coisa estou a disposição meus amores haus Até o proximo capítulo e fiquem a vontade para dar sugestões!! bjsss