Te amar não estava nos meus planos
29 Realidade à porta.
Antônia
Abri meus olhos com um pouco de dificuldade, estavam pesados, como se eu estivesse acordando de um sono extremamente profundo. O que não deixava de ser. Minha cabeça começou a latejar, parecia que ia explodir, e desesperei-me ao não reconhecer o lugar em que eu estava. Deitada sobre uma cama, vestida com uma roupa nada legal, senti certo medo de ter acordado, ao pensar que talvez não fosse um horrível pesadelo o delírio que tive.
Eu queria a minha realidade de antes de volta, eu não queria ser aquilo, se eu fosse, nada mais haveria sentido. E ao notar que talvez eu tivesse realmente enlouquecido, por isso estava num hospital, comecei a me desesperar.
Aquilo foi só um pesadelo, Antônia! Só um pesadelo... Pensava alto, com o desejo de acreditar, mas fracassei impiedosamente.
As paredes eram claras e havia apenas uma janela à vista, com um vaso de planta simples no parapeito, a luz do sol iluminava todo o quarto, sendo desnecessária a luz da lâmpada. Fechei insistindo que tivesse sido apenas um pesadelo mais uma vez, que eu não estivesse tendo um caso com o Bruno. Nem que eu não conhecesse Bianca e Gabriel. Eu precisava da amizade dos dois, e isso me bastava.
Eu não queria mais ninguém. Eu não queria ser uma Jéssica da vida, não mesmo.
Então senti alguém apertar a minha mão com força, e meus olhos desviaram-se imediatamente para quem segurava e acariciava meus dedos. Sorri involuntariamente ao ver os olhos verdes de Eduardo em minha direção, confortando-me.
Meu coração se aquietou, mostrando-se confortável e seguro graças a pessoa que estava sentada ao meu lado, com uma carinha abatida e visualizei olheiras em seu rosto, como se não tivesse dormido por muito tempo. Associei isso ao fato de eu estar num quarto de hospital, e a cena de eu caindo na água me veio na cabeça.
— Desculpa. — Pedi ainda envergonhada por tê-lo feito se preocupar. Eu não queria que ele tivesse ficado com essa carinha, que essas olheiras ofuscassem o brilho de seus olhos e a mágica que eles me causavam.
— Pelo que exatamente você está me pedindo desculpa, Antônia? — Indagou arqueando uma sobrancelha. Peguei em sua mão e a pousei sobre meu abdômen, brincando com seus dedos. Abaixei a cabeça, corando logo em seguida.
— Por ter feito você se preocupar comigo. Eu não queria, eu juro. Aliás, eu deveria ao menos saber nadar. Não pude fazer nada quando eu senti alguém me empurrar, porque me pegou desprevenida... — Comecei a tagarelar, demonstrando meu estado de nervoso. — Eu não queria te perder. — Dei uma pausa, para que eu erguesse minha cabeça e o olhasse fundo, demonstrando a verdade pura em minhas palavras. Sem nenhum exagero, nenhuma omissão ou desvio. — Talvez eu não mereça você, e por isso fosse uma boa eu ter morrido afoga... — Ele me interrompeu imediatamente, calando-me.
— Não fala isso nem brincando, Antônia. — Edu me advertiu. Como se não suportasse nem ouvir essa hipótese, quanto mais pensar nela. — Você não entende que esse sentimento é mútuo? Que assim como você não queria me perder, eu não suportaria te perder? É difícil você pensar em mim também, como eu ficaria sem você? É difícil, Antônia? — Ele estava tão em pânico, que vi uma cena que eu jamais pensei que veria: Eduardo chorando. Lágrimas deslizaram sobre seu rosto e me arrependi amargamente de ter dito isso, como eu era burra, ele me amava. E assim como eu, que não suportaria perdê-lo, ele também não iria gostar de me perder.
Como uma súbita reação, joguei meu corpo contra o dele e o abracei, permitindo que sua cabeça descansasse sobre meu ombro. Ele me apertou contra si, como se fizesse questão de provar que nada de mau havia me acontecido. Que eu estava bem, e felizmente, bastou segundos para eu notar que havia sido apenas um delírio.
— Desculpa, desculpa, meu amor. — Comecei a suplicar, espalhando beijos por todo o seu pescoço e rosto. E limpei suas lágrimas, presenteando-o com um vasto sorriso. — Eu te amo, meu príncipe, e nada vai me separar de você. Está me ouvindo? Você nunca vai me perder, porque vou ser pra sempre sua. E de mais ninguém. — Dito isso, suas lágrimas cessaram, mas as minhas vieram. Eu sabia que Edu gostava de mim, mas nunca imaginei que fosse tanto assim. Estava emocionada com isso, eu nunca havia experimentado um amor desses, parecia que meu coração iria pular para fora a qualquer momento, comecei a soluçar.
— Não chora, por favor, Antônia. Não chora. — Edu insistia, limpando minhas lágrimas, mas quanto mais ele limpava, mais elas vinham.
— Desculpa, me desculpa. Me beija, que eu paro, eu prometo. — Ele sorriu maliciosamente, e tudo o que eu fiz foi sorrir em meio as lágrimas. Seus lábios acariciaram os meus de forma gentil, e depois de uma intensa troca de olhares, ele me beijou. Ergui minha coluna a fim de me acomodar melhor, e entrelaçar meus braços em seu pescoço, enroscando meus dedos nos cabelos de sua nuca. Entreabri a boca, possibilitando a entrada de sua língua, e tudo o que fiz, foi relaxar em seus braços e aproveitar aquele eterno momento de magia. Antes que o médico nos atrapalhasse, o que infelizmente aconteceu.
(...)
— Até que enfim acabou o tempo de observação, estava louca pra tomar esse banho há muito tempo e dar o fora daquele hospital! — Disse assim que sai do banheiro enrolada numa toalha apenas, Eduardo estava sentado à beira da minha cama. Dei-lhe um selinho inocente e segui em direção ao guarda-roupa, procurando alguma roupa para vestir.
Enquanto procurava, senti braços envolverem a minha cintura, virei o rosto um pouco e vi o sorriso de Edu para mim. Ri meio sem jeito quando ele puxou a minha toalha, fazendo-a cair. Ele me girou, fazendo meu corpo nu colar no dele, totalmente vestido. Contornei meus braços em torno de Edu, e o senti beijar meu pescoço suavemente, dando mordiscadas também. Suas carícias subiram um pouco, e quando vi, nos beijávamos freneticamente.
Tomei um belo susto quando ele tirou meus pés do chão, pegando-me no colo. Em seus braços, sem nenhum pingo de vergonha por meu corpo estar totalmente exposto, voltei a beijá-lo. Ele me deitou na cama, vindo por cima de mim. Seus olhos encontraram os meus, assim que eu os abri. Sorri diante de sua imagem perfeita, mesmo com rastros de olheiras por conta da noite que passou acordado, ao meu lado.
— Não faz esse sorriso, Eduardo. Por favor, você não tem ideia das merdas que penso quando o vejo. — Pedi, em vão. Porque ele continuava com seu sorriso torto, de forma maliciosa, agora cínica também. Bufei irritada por saber que meu pedido não seria atendido, e entregando-me aos meus pensamentos tenebrosos e insaciáveis. Puxei-o com força contra meu corpo e arfei quando suas mãos apertaram minha coxa, sentindo seus dedos subirem até minha virilha. Como um ato de completa ousadia, empurrei-o com força fazendo ele cair sobre a cama, e subi por cima dele.
Ele me pagaria, e eu não seria nem um pouco caridosa.
Arranquei com certa brutalidade sua camisa, deixando seu abdômen definido totalmente exposto, Eduardo elevou a cabeça um pouco com a testa franzida, e tudo o que eu fiz foi entrelaçar nossas línguas enquanto deixava-o da maneira que veio ao mundo. O que não demorou muito. Parei de beijá-lo para descer meus lábios por seu corpo, dando mordidas no seu pescoço e em regiões totalmente inusitadas. Nesse percurso, encontrei a bermuda dele, abrindo-a numa agilidade que até eu estranhei possuir, sua cueca vermelha ficou à mostra e minha mão aproximou-se de seu membro, e me assustei com minha atitude e minha vontade: Proporcionar-lhe prazer.
Massageei-o, deixando ele completamente animado. E mesmo que eu não fosse lá uma das mais experientes, enfiei aquele pau grosso na minha boca, relaxando minha garganta. Ele me segurou firme pela cabeça, puxando meus cabelos sem nenhuma preocupação enquanto gemia de prazer. Assim continuei, acostumando-me com seu sabor e gostando das suas reações, que me enlouqueciam e me estimulavam a continuar. Ele cada vez mais pressionava minha cabeça contra seu membro, soltando gemidos eloquentes. Eu passava a língua por todo o seu membro enquanto ele descia uma de suas mãos para apertar partes do meu corpo, meu bico dos seios já estavam enrijecidos naquela hora.
Não demorou muito para que ele não aguentasse mais e gozasse, eu recebi todo aquele líquido, lambuzando a minha boca. Não aguentando mais me ter tão longe de si, ele aproveitou que eu estava hipnotizada com seu olhar mais uma vez e arrastou-me até seu colo. Sem atrapalhar nossa conexão feita por nossos olhares. Sem atrapalhar aquele clima de intimidade e de descobrimento.
Uma camisinha apareceu milagrosamente em suas mãos, talvez porque eu não estivesse prestando atenção em outras coisas além dele. Peguei o pacote de suas mãos e o rasguei, vestindo seu membro com aquela borracha. O preenchi completamente e, ao me penetrar, Eduardo acariciou meus lábios com seu polegar e me beijou superficialmente. Intercalei meus movimentos, ora cavalgando, ora rebolando sobre ele. Meus cabelos começaram a grudar nas minhas costas e nos meus ombros por conta do suor, mas não eu não me importei com isso. Nossos gemidos começaram a tomar conta de todo o ambiente. Uma de suas mãos se encontrava em minha cintura, e com a outra, ele se apoiava no colchão. As minhas estavam sobre seu ombro, deixando-o presenciar também o movimento de meus seios subindo e descendo de acordo com a velocidade que colocávamos. Tal velocidade aumentava a cada segundo, transformando em um vai e vem cheio de travessuras e vontade.
Quando chegamos ao auge, não aguentando mais, gozamos juntos porque ele havia segurado o máximo que podia. Caí completamente exausta ao seu lado da cama, e ao perceber o que tinha feito, corei. Como se caísse a minha ficha agora, e embora tenha gostado e muito, era muito novo pra mim. Procurei esconder meu rosto para que ele não visse a vermelhidão, porém não adiantou. E tudo o que fez foi rir de mim, e eu fiquei parecendo uma boba.
— Para de rir, Eduardo! — Briguei, tampando meu rosto com as mãos, mesmo que não adiantasse mais. — Estou com vergonha, não está vendo? — Murmurei alto, empurrando-o para longe de mim com os pés. O que não adiantou, muito pelo contrário, foi o motivo dele ter me agarrado e me colocado sobre seu corpo nu. — Não tem nada de errado. Casais fazem isso. — Disse ele carinhosamente, entretanto, não adiantou muito. E comecei a brigar comigo mesma por agir assim, afinal, quem não queria estar no meu lugar podendo tocar uma perfeição dessas? Lisandra, principalmente, morreria para estar aqui.
— O que você disse? — Indaguei, escutando sua voz soar em meus pensamentos, ouvindo-o dizer ''Casais fazem isso''. Eu sabia que nosso envolvimento não tinha nenhum tipo de rótulo ainda, e eu nem queria, pra ser sincera. Eu poderia chamá-lo do que quiser, de acordo com suas palavras. De amante, de namorado, de marido. Porque éramos tudo isso juntos.
— Que não tem nada de errado? — Estranhou minha pergunta, segurando-me pela cintura para que eu não caísse na cama. Para que meu peso continuasse sobre ele.
— Não, a outra parte. — Pedi, corando mais uma vez. Ele sorriu cinicamente mais uma vez, desencostando sua cabeça do travesseiro e acariciou a minha face com seu rosto, sua barba mal feita roçava em minha pele me causando formigamentos e arrepios. Fui transbordada pelo seu calor repentino, e consequentemente meu coração se aqueceu.
— Qual parte? — Fingiu não entender, enquanto continuava. Suspirei contra seu pescoço tentando me aquietar, e mostrar que meu autocontrole poderia vencer alguma vez. — A parte que eu te amo? Que você é perfeita pra mim? Ou a parte que você me enlouquece; que eu perco minha sanidade mental quando você está tão perto de mim? E que quando está longe, eu também a perco por só pensar em você e em qual lingerie estará vestindo. — Meus pelos do braço eriçaram ao escutá-lo, e fechei meus olhos tentando inutilmente me controlar e não perder o pouco de controle que eu ainda tinha sobre mim.
— Mas vo-você não disse isso... — Gaguejei, claramente fracassando. Eduardo segurou minha cabeça pelo cabelo, obrigando-me a olhá-lo e sorriu.
— Mas agora eu disse. E espero que você não se vanglorie por isso, mas é a parte predileta do meu dia, porque mesmo sendo a prova que eu estou completamente aos seus pés, e louco, é a parte em que você está presente. E não existe nada melhor do que isso: saber que você é minha. — Beijei-o intensamente, pegando-o de surpresa. Meus lábios começaram a ficar dormentes, mas eu não me importava. Eu só queria me fundir a ele, e nos tornar apenas um. Simbolicamente, isso já havia acontecido há muito tempo. Desde o dia em que ele me salvou, desde o dia em que escutei sua voz pela primeira vez e que vi seus olhos esverdeados me fitarem com curiosidade.
Eu não sabia ao certo quando ele havia roubado descaradamente o meu coração, mas ele havia feito isso. E tudo o que eu podia fazer agora para recuperá-lo, era estar com ele. Porque assim, eu me sentia mais viva.
Quando o fôlego nos faltou, fomos obrigados a separar nossas bocas. Mas isso não impediu que continuássemos grudados, juntinhos ali na cama, como se o mundo tivesse parado para nos acompanhar naquele momento de pura paz e amor. Talvez eu nunca conseguisse finalmente compreender tamanho amor que jorrava pelo meu peito naquele momento, algo completamente imensurável e muito afastado da lógica humana. Tão forte na essência, como na destruição. E isso poderia ser ruim, se tratando de algo que não está mais em nossas mãos.
Aconcheguei-me mais um pouco em seus braços, sentindo uma proteção incontestável.
— Quando eu estava inconsciente no hospital, tive um pesadelo estranho, Eduardo. — Comecei, fazendo-o me olhar com curiosidade.
— Quer me contar? — Perguntou, trilhando beijos pelo meu braço. Mirei a parede, assentindo logo em seguida.
— Sonhei que eu estava em um colégio, não era o meu, sabe? Estava sentada à mesa com várias pessoas, uma tal de Dani, com você e com o Bruno. E no pesadelo, eu estava diferente do que eu normalmente sou. Nele, a Bianca e o Gabriel eram desconhecidos, eu não os vi. Era como se eu não os conhecesse, entende? — Perguntei, Edu assentiu, franzindo a testa confuso. Apesar disso, pediu que eu prosseguisse. — Quando uma garota passou pela mesa em que estávamos, um garoto colocou o pé e ela caiu com tudo no chão. Eu ri, sentindo coisas ruins pela menina. E pela maioria das pessoas, como você. No seu caso, a única coisa que eu conseguia sentir era um desejo e um sentimento de posse estranhamente incomum. Você brigou comigo, por achar ruim o fato de eu estar rindo da garota e a tratar mal. E depois quando você foi para a sua sala... — Dei uma pausa, e ele pediu meio sem voz para que eu continuasse. — Eu fui me encontrar com Bruno.
Virei meu rosto, para olhá-lo. A expressão de Eduardo era completamente assustadora. Estava pálido, totalmente pálido. Seus olhos arregalados, como se eu tivesse dito algo tão assustador. O que não deixava de ser. Mas, não havia sentido ele estar assim. Seus dedos ficaram gelados sobre minha pele, cheguei a pensar que ele estava tendo um infarto em minha frente.
— O que foi, Eduardo? — Indaguei, não entendendo mais nada.
— Antônia... — Ele, com dificuldade, sussurrou, preparando-me para o que viria a seguir. Então eu gelei, fechando os olhos. — Isso aconteceu.
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