Te amar não estava nos meus planos
21 Em seus braços.
Foi muito rápido. Meus olhos e meu senso não conseguiram acompanhar com precisão as atitudes de Eduardo. Eram atitudes definitivas, ágeis, vorazes, e nem um pouco delicadas. Sua atitude pegou-me totalmente de surpresa, e o susto repentino fez com que meus livros, antes em minhas mãos, caíssem grosseiramente contra o chão do corredor.
Sensações desconhecidas transbordaram em mim, as mesmas causaram-me uma espécie de choque elétrico, que percorreu todo o meu corpo, da cabeça aos pés. Por sentir meu corpo quente sendo prensado contra a parede gelada, e as diferentes temperaturas se chocando, causaram-me um estranho calafrio.
Mas eu sabia que o calafrio não era por causa de temperatura alguma. Se fosse, seria a de sua mão apertando minha cintura com grosseria, possessividade e determinação.
Talvez eu devesse fazer alguma coisa quanto à essa situação. Porque, ninguém no seu estado normal, agiria dessa forma, me abordaria dessa forma. E, principalmente, me olharia dessa forma. Os olhos esverdeados dele eram penetrantes, como se fossem capaz de ver minha alma. Sentir isso fez com que o tremor no meu corpo aumentasse.
Eu fiquei terrivelmente sem jeito e com as pernas bambas ao notar a intensidade de seu olhar. Como se eu enxergasse neles determinadas coisas tão incertas e tão mágicas, que a única verdade era a que eu estava fraca demais, e que sua presença era minha força.
Eu não sabia o que fazer. E, mesmo que eu soubesse, estava em choque demais. Ou, se eu fosse analisar o verdadeiro motivo, não me assustaria se descobrisse que eu não queria fazer nada. Continuaria sendo fraca.
Eduardo suspendeu um braço, enroscando seus dedos em meu cabelo, de maneira selvagem, eu não sei ao certo como meu rosto foi parar tão perto do dele. Um desejo incontrolável espalhou-se por todo meu corpo. Talvez tivesse sido um puxão, ou alguma coisa parecida que deveria me causar dor. Mas eu não senti dor alguma. Era como se eu estivesse anestesiada. Mas, se eu estivesse como eu conseguia sentir tantas outras coisas no meu corpo de maneira extravagante?
O calor da sua respiração estava tão próximo, assim como o calor de seus lábios. Passeei meu olhar por todo seu rosto, à procura de algum vestígio de imperfeição. Não existia, merda. Não existia nada que pudesse me fazer voltar ao juízo perfeito, nada que pudesse fazer com que eu deixasse de sentir uma espécie de frisson, o que era enlouquecidamente perturbador. Porque por mais que estivéssemos tão próximos, sua boca ainda não tocava nenhuma parte do meu corpo. Apenas podia sentir o pequeno roçar de seu nariz em meu pescoço. O que me fez imaginar fogos de artifícios estourando.
Involuntariamente, eu consegui mover meu braço e segurei seu rosto, mesmo que minhas mãos fossem pequenas, consegui fazê-lo me encarar com mais precisão. Ele respirou fundo, como se fosse errado agir daquela maneira, só que não tinha mais escapatória, para nenhum dos dois.
Eu queria o que eu sabia que viria, parecia que a única coisa que meu cérebro conseguia captar era o que estava a prestes de acontecer. Embora eu conseguisse esse ato de bravura, por que o que estava tão iminente parecia tão atormentador?
— Vamos, Antônia. — Sussurrou meu nome de forma severa, fazendo com que o que quer que estivesse sendo responsável por esses reboliços em mim, se multiplicasse mil vezes mais, se espalhando por todo o meu corpo, contaminando cada célula minha, cada parte do meu ser. — Me conta, o que você quer? — perguntou bem próximo a mim com aquela voz desafiadora que me deixava totalmente vulnerável, totalmente entregue.
Então eu percebi que era uma luta perdida. Minha parte ajuizada, que sabia que era errado isso, perdeu vergonhosamente para a parte que queria que ele fizesse o que quisesse comigo. Houve uma certa dificuldade para que eu me lembrasse como era falar novamente, como fazer o som sair sem demonstrar meu estado atormentável e deplorante.
— Me diga, Antônia. — Olhou diretamente nos meus olhos. Segurando minhas mãos como se não quisesse me deixar sair dali. — Neste momento, o que você quer? — Como era possível seus olhos brilharem ainda mais? Eu não conseguia respirar direito, como de repente o ambiente estava tão rarefeito?
— Eu... Eu... — Vacilei com as palavras, formular alguma frase seria uma grande aventura. Falar, de repente, tornou-se uma grande dificuldade para mim. Respirei fundo, lembrando-me da uma coisa que eu queria. — Quero que cale a boca. De preferência, quero que cale a sua boca na minha.
Seus olhos ferveram, e ao mesmo tempo, sorriram. Não deu tempo para que meu cérebro entrasse em maior conflito, porque tudo parou quando senti lábios macios sobre os meus. Esmagando-os com intensidade, como se a sobrevivência da humanidade dependesse do encaixe de nossas bocas.
Talvez dependesse mesmo, e eu seria uma boa heroína, salvando-a quantas vezes fosse preciso, ou melhor, quantas vezes meu corpo precisasse.
Era como se eu estivesse em estado de dormência, mas seus beijos e seus toques me despertavam a cada pontapé que meu coração dava.
E meu corpo precisou de mais contato, mesmo que fosse fisicamente impossível haver. Nossos corpos grudados, também não pareceram suficiente para o garoto à minha frente, ele instintivamente agarrou minha cintura com mais força, causando um choque entre nossos corpos. Felizmente, não sabia quem estava pegando mais fogo, eu ou ele.
O calor era grande, só que a necessidade de sentir sua língua explorar cada canto da minha boca parecia muito maior. Mesmo sendo um beijo convulsivo, voraz, uma sensação de paz pousou em meu interior, o que não parecia ter muito sentido.
Eu sei que agir daquela maneira era como dar um tiro no escuro, porque eu não sabia ao certo onde eu estava me metendo e nem o porquê de tudo isso. Era totalmente arriscado, como andar em um campo minado, como procurar água em um deserto, como pular de um helicóptero sem paraquedas. Humanamente impossível, improvável.
Nosso beijo descontrolado desatou em sorrisos satisfatórios dele, e meus também. Eu não sabia ao certo por que sorria, eu só estava com uma merda de sorriso no rosto que nascia independente da minha vontade. Sorríamos entre beijos e provocativas mordidas, ou em pequenas paradas para recuperar um fôlego que nunca deu sinal de vida. Mas, ainda bem, que tudo poderia faltar. Menos seus lábios, menos seu calor, menos qualquer coisa que envolvesse ele, e sua mão, e seus lábios novamente, e sua respiração... Arfei, ao perceber como eu estava tão envolvida sem perceber.
Eu sabia que era errado de diversas formas, mas parecia que minhas vontades dividiam-se instantaneamente. Eu estava presa naquele momento, dependente daqueles toques e daquelas carícias, presa como se não tivesse botão de desligar. E se ficar presa era me sentir assim, que eu levasse prisão perpétua então.
Não tinha como negar que o momento era tentador e prazeroso. Como se quem estivesse nos meus sonhos mais ilícitos e proibidos fosse sempre ele. E ninguém mais.
— Estar tão perto de você, faz com que meu coração se agite. — Eduardo confessou entre um beijo e outro. Eu não respondi, estava ocupada demais sentindo a sensação de ardência tomar conta do meu corpo, dilatando toda a minha prudência. — Estar tão perto de você, faz com que eu me perca, e ao mesmo tempo, que eu me encontre. — Ele foi interrompido mais uma vez quando meu lábio inferior fez questão de deslizar sobre o seu superior, agilmente, Eduardo puxou meu lábio segurando-o por alguns segundos, fazendo a corrente elétrica agir mais uma vez, explodindo-me de energia. — É como estar no céu e no inferno ao mesmo tempo... — Eu sorri, agarrando-me mais em seus braços. — Antônia, eu não estou conseguindo me controlar mais quando estou perto de você. Eu não consigo e não quero mais me controlar quando você está tão perto. Eu não sei se é só a sua pele, ou só o seu sorriso, ou até mesmo seus olhos. Talvez sejam eles em conjunto que causam esse efeito em mim. Um efeito irreversível. — Deu uma pausa, agarrando meu cabelo com mais força, o que acarretou um gemido de minha parte. — Fale alguma coisa, não me deixe no escuro. — Suplicou sem abrir os olhos enquanto escorregava a mão que estava no meu cabelo, para os meus braços. Meus olhos também estavam fechados, como se, se eu os abrisse, nada estivesse sendo real.
Inesperadamente, eu sorri.
— O que você quer que eu diga? — Perguntei um pouco zonza, sentindo meus lábios meio dormentes. Ele não respondeu, apenas arfou contra o meu pescoço, causando-me um arrepio. — Então eu... Eu digo. Mas depois não brigue comigo por estar sendo totalmente patética. — Dei uma pausa, com um sorriso provocador estampado no rosto. Mas em segundo algum ousei abrir os olhos para que o momento não perdesse seu encanto. — Neste momento, eu sinto que quero estar em seus braços eternamente se isso significar não acordar disto aqui, que, por algum motivo, me sentir inteira equivale a ver você sorrir mais uma vez para mim. É tentador a maneira como há controvérsias dentro de mim. Porque eu não sei me sentir bem, eu não sei me sentir bonita, e como de repente aprendi? Como apenas um momento é capaz de superar uma vida inteira?
— Talvez porque você seja bonita, Antônia. Tem uma beleza incomum. Como não percebe isso? — Suas mãos acariciaram meu rosto, e por instinto, seus lábios pressionaram os meus. — Eu queria que algum espelho refletisse apenas as coisas que eu vejo em você. Como o modo que tem de franzir o nariz quanto tenta fazer uma careta é terrivelmente gracioso. Seus olhos, Antônia... Seus olhos... — Suspirou. — Há neles um ímã, há neles redemoinhos nos quais eu morreria para me atirar. Ao mesmo tempo, como me aquietam e me trazem paz. Sua boca... — Deslizou seu polegar gentilmente sobre meus lábios, quase superficialmente, de uma maneira torturante. — A maneira como ela parece implorar um beijo meu. A maneira como eu sinto seus lábios dançando sobre os meus, como faz com que eu perca todos os sentidos. Acredite, é adrenalina pura. Parece muito mais arriscado do que qualquer outro perigo, porque não envolve risco apenas para o meu corpo, embora ele esteja em chamas.
— Não fala mais nada, Eduardo. — Pedi quase sussurrando pondo meu polegar sobre seus lábios, ele calou-se imediatamente, ficando estático. — Não precisa. — Sussurrei mais uma vez. Abri meus olhos lentamente e sorri de forma arrebatadora quando os dele, já abertos, encontraram os meus.
Foi adrenalina pura, eu pude entender o que ele queria dizer. Estava tão transparente como água. Sem qualquer comando meu, minhas mãos desceram até seu peito plano e forte, mordendo os lábios, sorrindo agora de forma maliciosa. Sem prolongas, puxei a gola de seu uniforme trazendo-o para perto de mim. Deslizei meu nariz no seu a fim de ver o nervosismo estampado mais uma vez em seus olhos. Então eu vi o que estava causando nele: A mesma coisa que ele me causava.
— Apenas me beije mais uma vez, Edu. E jogue nele tudo o que tem para dizer. Eu não preciso de palavras. — Disse. E como havia ordenado, ele o fez. O beijo se transformou completamente, agora estava mais lento, mas isso não significava nada, porque a intensidade era mil vezes maior. De repente, meus pés não tocavam mais o chão. Fui agarrada por seus braços que formaram uma gaiola à minha volta. Ainda bem que estava bem segura em seus braços, minhas pernas enfraqueceram subitamente e, por virarem gelatina, seria incapaz de permanecer em pé.
Eduardo
Eu não era tão forte quanto pensava.
Felizmente, eu fiquei alegre por não ser.
Sentir Antônia nos meus braços e beijá-la foi a maior aventura que já vivenciei. E o pior, parecia ser aquele tipo de aventura viciante, que só te faz se arriscar mais ainda. Eu não sabia ao certo porque falava tantas coisas que surgiam do nada na minha cabeça. Mas, parecia necessário e o melhor a se fazer. Pareceu certo lhe confessar algo que nem eu mesmo sabia, mesmo isso resultando na quebra da imagem que ela tinha de mim.
Talvez estivesse na hora de mostrar a ela que eu não sou tão independente e seguro quanto parecia ser. E que, mesmo que esse não seja o melhor de mim, talvez possamos descobrir alguma coisa que valha a pena levar em consideração. Alguma coisa que faça sentido, alguma coisa que mostre que vale a pena ela insistir em mim, que eu poderia estar à sua altura — Não de estatura, é claro.
Não sei ao certo qual vontade era maior, se a que ela notasse alguma coisa boa em mim, ou a de beijá-la. Talvez eu não tivesse mais essa oportunidade, e aproveitar o momento era inquestionável.
Eu precisava mostrar a ela que alguma qualidade eu tinha, mesmo se eu não soubesse qual poderia ser. Eu tinha a necessidade disso, e pensar nisso foi torturante.
Bianca estava procurando-a e, ao nos encontrar aos beijos, entreabriu a boca como se aquela cena fosse algo surpreendente. O que, não deixava de ser. Antônia saiu dos meus braços meio zonza e seguiu em direção à amiga, e eu vi seu rosto corar.
Ai estava mais uma coisa que me prendia a ela. Ficava mais linda quando envergonhada. Antes de sair com sua amiga, olhou-me como se perguntasse se poderia ir embora.
Não vá embora. Fique um pouco mais, comigo. Deixe-me te provar que eu posso valerà pena, me deixe te provar que, se você ficarnos meus braços, nada irá ser capaz de te machucar, estará segura, nenhuma força, nem mesmo a da gravidade, será capaz de te tirar de mim.
Apenas não vá embora, fique um pouco mais.
Meus pensamentos baseavam-se nisso. Fui incapaz de proferir minha vontade, pareceu seguro guardá-la para mim.
— Pode ir, não se preocupe comigo. Vamos com calma, não precisa se preocupar. — Tentei soar sincero e fingir um sorriso. Ela assentiu e virou-se para a amiga, indo embora. Quando notei, tínhamos matado uma aula.
Sorri ao constatar que o que havia acontecido foi muito melhor do que uma aula de matemática. Faltava mais uma aula, e como não tinha mais nada interessante para fazer, achei melhor ir para à sala. Mas parei imediatamente de andar quando uma voz conhecida soou por trás de mim.
Fechei meus olhos e respirei fundo, nada poderia tirar a minha calma. Nem mesmo Bruno.
— Então quer dizer que está pegando a Antônia, Eduardo. — Foi muito mais uma afirmação do que uma pergunta. — Não esperava isso de você, brother! — Ironizou, fechei meu punho tentando me controlar. Nada tiraria a minha paz, nada. — Por que será que não me surpreende? Está matando a saudade da Maggie, ao beijar uma garota quase idêntica a ela? Não precisa responder, é óbvio que sim. Isso faz o seu tipo. — Bruno proferiu olhando-me de forma reprovadora.
Eu sabia que mesmo aquilo não sendo verdade, fazia sentido. Mas, desde o princípio, o que me levou até Antônia foi seu jeito. E nada mais do que isso.
— E novamente a história se repete. Mas, de um jeito meio torto. Dessa vez, você não é fodão. Não sabia que Antônia sempre foi apaixonada por mim? Pois é, o jogo se inverteu. Pergunte a qualquer pessoa que encontrar, ou até a ela mesma. Talvez eu devesse dar uma chance a ela, não acha? Se você conseguiu esquecer Maggie graças a Antônia, talvez eu consiga também. O que você acha? Conselho de ''irmão''. — Ele fez aspas com as mãos quando proferiu a palavra irmão.
— Não pense... — Dei uma pausa, sentindo a raiva invadir meu peito. — Em se aproximar de Antônia. Ao menos tocá-la, Bruno! Ela não é Margareth, e isto aqui não é um jogo. Estamos lidando com sentimentos, com vidas, Bruno. Não com peças de um xadrez. Não me importo se a sua vida é uma merda, você merece tudo o que tem. Nada. Você tem que superá-la, está na hora de seguir em frente.
— Ai é que você está enganado, Eduardo! — Gritou, confrontando-me. Sabia que minhas palavras o atingiram em cheio. — Você, nessa história, é exatamente como uma peça de xadrez, irmão. Totalmente usável, manipulável. Sabe por que, querido amigo? Porque eu tenho certeza que Antônia só te deu alguma esperança com o intuito de me fazer percebê-la ou até mesmo me enciumar. Pude observar mais a fundo, é você é o mesmo de sempre. Exatamente o mesmo fraco e covarde de sempre. Você não mudou nada.
Minha paciência havia esgotado. Eu não me lembro de ao certo de ter pensado em outra coisa, a não ser esmagar o rosto de Bruno, fazendo-o suplicar para que eu o soltasse. Meus socos em seu rosto eram quase fatais, e eu não agia muito com a lucidez, e sim com a raiva que acumulou em minhas veias. Ele estava quase inconsciente, um pouco ensanguentado, quando inesperadamente um surto de clareza tocou-me em cheio.
E eu vi o que estava fazendo, estava sendo fraco mais uma vez, porque por mais que ele merecesse isso não poderia fazer parte de mim. Não que eu quisesse que Antônia visse algo positivo nas minhas atitudes. E ela odiava brigas. E, também, eu estava cansado de me alimentar apenas de sentimentos ruins como ódio e raiva.
Assustei-me ao notar que, de uma hora pra outra, o motivo de minha machucá-lo não era por causa de Maggie e muito menos por Bruno ferir minha imagem, e sim por falar daquela forma de Antônia.
A única coisa que me preocupava era Antônia, e isso fez o meu coração acelerar mais uma vez. E então, eu vi Bruno caído no chão, e toda raiva transformou-se em pena.
— Faça o que quiser. Tente me ferir fisicamente, verbalmente, ou até mesmo Maggie. Não me importo. — Puxei-o, fazendo ele me fitar, estava com dificuldade de deixar os olhos abertos, mas ainda conseguia. — Só, nunca mais, para o seu próprio bem, fale à respeito de Antônia dessa forma. Ela vale muito mais do que qualquer garota que você tem nas mãos, entendeu? Ou então eu não serei legal com você como estou sendo agora. E, aliás, você não faz ideia de quem te bateu ok? Não quero encrenca pro meu lado. Se falar para alguém, isso vai se repetir de maneira menos amigável. — Ameacei. E, deixei-o ali, daqui a pouco o encontrariam caído e, se Bruno fosse inteligente, ficaria de bico calado.
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