Te amar não estava nos meus planos
1 Dia de Domingo.
Antônia:
— Ei, garota, você não pode dormir o dia todo! — Bianca disse inconformada enquanto tentava me tirar na cama. — É sábado, Antônia. Vamos sair, nos divertir, vamos ser felizes! Alegria! Hoje não tem aula! — Ela gritou com sua típica animação matutina, a qual me irritava. Justamente por ser sábado e não ter aula é que eu queria dormir o dia inteiro. Pelo menos nos sonhos eu estaria nos braços de Bruno Andrade, o garoto mais gato e perfeito que eu conheci na vida. Eu o conhecia mais do que ninguém, havia feito uma pesquisa e soube que seus pais se chamam Marcos e Rebeca Andrade, mora perto da escola em frente ao restaurante que geralmente aos domingos meus pais me levam, também descobri que tinha uma irmã mais nova chamada Júlia. Descobri que sua cor predileta era Verde, que quando ficava irritado uma covinha aparecia na sua bochecha direita e que tinha uma mania de transpirar sensualidade. Eu queria saber porque Deus foi tão bondoso ao colocar tantas perfeições em uma pessoa só.
— Me deixa dormir, Bianca. Me deixe em paz, aqui tá tão perfeito. — Disse virando-me na cama e agarrando o travesseiro com mais força. Acho que não notei um sorriso se formar em meu rosto mesmo sem abrir os olhos.
— Sonhando de novo com o Bruno, Antônia? — Apesar de não estar a vendo, eu sabia que ela estava me olhando indignada.
— Sim. Isso é proibido também? — Abri os olhos já irritada por ela te me acordado. Eu teria que levantar mesmo, afinal não conseguia voltar ao sonho. — Pelo menos lá eu posso tê-lo comigo. — Suspirei com um sorriso bobo no rosto.
— Até hoje eu não te entendo, juro. — Revirou os olhos. — Já está mais do que na hora de você tomar uma atitude e ir até ele. Ao menos bater um papo, sei lá. Fazer com que ele perceba que você ao menos existe. — Falou de um modo meio irônico a última frase. Mal ela sabia que ele já tinha me visto na aula de física, quando o professor me fez ir até o quadro para explicar a resolução do exercício que só eu tinha conseguido fazer. Foi horrível. Por saber que sua atenção poderia estar em mim, eu travei e não consegui formular nenhuma frase. O que foi um bom motivo para ser zoada por quase toda turma, em especial pela Jéssica, Patrícia e Lisandra. Fiz com que ele tivesse um imagem totalmente errada de mim, de idiota a retardada. Não que eu fosse uma nerd com óculos fundo de garrafa e aparelho nos dentes, eu até era legal, mas parecia que o fato de eu simplesmente ser boa em física, fazia que todos pensassem que eu era uma nerd convicta.
— Ok. — Falei como se estivesse de acordo com a opinião dela. Queria acabar com o assunto. — Quais são seus planos pra hoje? — Indaguei ao levantar-me da cama. Calcei minhas pantufas no chão e dei alguns passos até o banheiro.
— Vamos ao clube. — Gritou animada enquanto se jogava na minha cama.
— Folgada. Aproveita sua boa disposição e arruma minha cama. — Antes que ela reclamasse, entrei no banheiro e fechei a porta. Pude a ouvir murmurar, apenas ri. Escovei os dentes, liguei o chuveiro e tomei um belo banho. Limpando a alma. Quando do banheiro a cama estava impecavelmente arrumada e Bianca estava mexendo no seu Facebook pelo meu notebook. Já tinha colocado meu biquíni: A calcinha num tom azul claro e a parte de cima estampada. Procurei uma saída de praia no guarda-roupa e vesti, calçando uma rasteirinha logo em seguida. Penteei meus cabelos escuros e deixei solto porque estava molhado. Peguei protetor solar, dinheiro, chave, toalha e coloquei na bolsa que Bianca havia trago. Quando já estava pronta, descemos e fomos até meus pais que estavam almoçando. Sentamo-nos com eles e aproveitamos pra encher a barriga.
— Vão ao clube? — Meu pai perguntou.
— Sim, pai. A Bianca fez questão que eu deixasse a minha cama sozinha, mesmo sabendo que ela precisa muito de mim. — Reclamei fazendo uma expressão de dó. Que resultou uma risada da minha mãe.
— Nunca vi menina mais dorminhoca. — Minha mãe zoou.
—E esfomeada. —Meu pai acrescentou, fazendo Bianca rir.
— Ei, eu estou aqui. — Proferi fazendo uma careta.
— Sabemos disso, minha filha. — terminou de rir.
— Se falam isso com a minha presença, imagina o que falam quando não estou. — Fiz um bico, fazendo a Bianca me abraçar e fazer uma cara de pena.
— Não falem assim da minha amiga, gente. — Retribui o abraço dela sem desfazer minha expressão de injustiçada. — Ela não tem culpa de ser assim. — Empurrei-a desfazendo-me de seu abraço e cerrei os olhos. Levantei da cadeira.
— Devo ter sido homem e estuprado freiras numa outras vida pra ter merecido vocês. — Reclamei revirando os olhos. Bianca acabou de comer e veio em minha direção, dando risadas.
— Não voltem tarde, garotas. — Meu pai disse como sempre ainda rindo.
— Não esqueça que eu amo você, filha! — Minha mãe gritou quando eu já estava na porta desesperada para sair de casa. Fomos andando mesmo até o clube, pois era bem perto da minha casa. Éramos sócias. Por ser sábado e estar bem quente, tinha muita gente hoje. Escolhemos um lugar pra ficar e sentei-me na espreguiçadeira. Bianca colocou sua bolsa na mesa e aproveitei pra tirar o óculos de sol do rosto. Bianca tirou a roupa ficando apenas de biquíni e pediu que eu passasse o bronzeador onde não conseguia passar. Assim fiz. Tirei a saída de praia e passei apenas protetor solar em mim, virei ficando de barriga pra baixo na espreguiçadeira enquanto conversava com minha amiga por um tempo. Até que ela cansou de ficar ali e levantou-se para ir à piscina.
— Vamos, Tônia. — Insistiu querendo que eu a acompanhasse.
— Vou daqui a pouco, prometo. — Ela sorriu e foi até a piscina. Eu fiquei ali deitada por mais um tempo, quando levantei a cabeça e direcionei meu olhar para a entrada do clube, vi Bruno ao lado do seu melhor amigo e de duas garotas, ele estava usando apenas uma bermuda e com a camisa no ombro esquerdo. Seu cabelo estava perfeitamente desarrumado. Seus músculos expostos lhe dava uma imagem tão... Tão máscula que eu cheguei a ficar sem ar por alguns segundos, mas logo me dei conta que ele estava vindo em direção a piscina que eu estava em frente. E eu estava apenas de biquíni. Merda. Levantei-me apressada e chamei Bianca que no momento estava conversando com um garoto.
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