Notas iniciais
Olá leitores, como estão? Mais um capítulo para vocês.

De volta ao meu sótão, refleti sobre aquele dia. James tentou falar comigo o resto da tarde e noite, eu estava bravo com ele sobre ter atingido Marlene daquele jeito, mas depois percebi que mesmo tendo começado o duelo. Nunca foi a intenção dele de machucar alguém (pelo menos não seriamente). Então no dia seguinte estávamos conversando normalmente.

E eu e Marlene nos ligamos de alguma forma, não que tenhamos nos tornado melhores amigos ou algo do tipo, mas sempre nos ajudávamos e conversávamos sempre que podíamos.

Levantei do chão, devia ter caído depois de “acordar” da última lembrança, e fui ver Bicuço, que estava sentado perto da grande janela, ele estava esticando as asas na noite escura que estava hoje. Eram poucos dias que ele conseguia fazer isso. Normalmente ficava trancado aqui. Passei a mão por suas penas e fui buscar um pedaço de carne. Passei reto pelo quadro de minha mãe.

–Filho insolente, nem cumprimenta mais a mãe, já morta – a ouvi reclamar.

Não aguentei e revidei:

–Tem sorte de estar, porque não sei o que faria com você!

Ela estava em choque.

–O que quer dizer com isso?

–Você sabe muito bem, escondeu as memórias de Marlene de mim! Você sabe o quanto eu sinto a falta dela... Como pode?

Pela primeira vez vi minha mãe ficar quieta em uma discussão e saiu deste, para Deus sabe qual quadro.

Peguei a comida de Bicuço e voltei para o sótão. O alimentei e voltei para as lembranças. Destampei o terceiro frasquinho e mergulhei a cabeça.

Aterrissei na sala comunal da Grifinória, Marlene estava sentada em uma poltrona perto da lareira, devia estar no quinto ano.

Estava nervosa com alguma coisa, e tirava constantemente um pequeno espelho do bolso conferindo o visual. Ouviu alguém descer as escadas e tentou agir normalmente. Era eu com quinze anos, e este era nosso primeiro encontro.

Era um final de semana e apesar de estar bem frio do lado de fora, decidimos ir a Hogsmeade. Lembro-me de estar tão nervoso nesse dia que comecei a tremer. E estava com medo sobre o que meus amigos iriam dizer sobre o encontro, então nem James sabia. Mas voltando a lembrança, dei meu braço e ela entrelaçou com o dela.

Chegamos a Hogsmeade e decidimos ir ao Três Vassouras, sentamos numa mesa ao fundo e ainda não tínhamos trocado uma palavra, até que tentei quebrar o gelo.

–O que vai querer pedir? – perguntei.

–Acho que uma cerveja amanteigada – ela respondeu.

Peguei duas cervejas e voltei para a mesa, e então a conversa começou a fluir, falamos sobre os NOMs e do que gostaríamos de fazer depois da escola...

–Por que você me chamou para sair? – ela perguntou ficando vermelha.

–Porque eu queria te conhecer melhor – eu disse, me segurando para não fazer uma piada. Não por maldade, mas sempre que eu ficava desconfortável eu usava o humor – e por que você aceitou? – decidi perguntar, já que estávamos naquele assunto.

–Porque eu acho que gosto de você – ela respondeu logo, ficando mais vermelha se é que possível.

–É... É mesmo? – perguntei me aproximando. Ela também se aproximou, e quando percebi estávamos nos beijando.

Ela parou um pouco, olhou para mim como se estivesse me analisando sorriu e disse.

–É, eu gosto de você.

Ficamos lá até o horário de voltar para Hogwarts. Despedimo-nos na sala comunal e cada um foi para seu quarto. Como eu estava nas lembranças dela, tive de segui-la.

Marlene não parava de sorrir, o que me fez sorrir. Encontrou Lílian no quarto, que estava na cama estudando, olhou para a amiga e abriu um sorriso malicioso. O que me fez entender que sabia do encontro.

–Conte-me tudo – ela disse e conversaram por algum tempo sobre o que aconteceu – Mar, você gosta mesmo dele!

Ela não respondeu, apenas sorriu e escondeu o rosto nas mãos. Lílian então brincou com ela dizendo que estava apaixonada e essas coisas.

E assim acabou a terceira lembrança.

Era tão estranho nos ver naquela idade, felizes e sem preocupações. E agora não restou quase ninguém. Como eu sinto falta dessa época.

Lembro-me de ter contado a James e Lupin sobre o encontro. Eles primeiro ficaram bravos por não ter contado antes, depois tiraram sarro de mim o resto da semana, mas no fim me apoiaram e nos davam espaço para namorar e essas coisas.

Quando Marlene morreu, ninguém mais tocava no nome dela, todos sentiam falta e sofriam com sua ausência, mas não comentavam sobre ela, principalmente quando eu estava por perto.

Balancei a cabeça tentando manter esses pensamentos fora, e peguei a caixa em busca do quarto frasquinho.

Notas finais
Então é isso, espero que tenham gostado, sintam-se a vontade para mandar reviews. Um beijo para quem quiser e até os próximos capítulos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.