Te Vivo

44 13. Fazer valer a pena. - 3 fase


Notas iniciais
Oi amores, estou demorando mais do que previa para postar. Estava em época de provas e concursos, e simplesmente não conseguia escrever, além de estar sem inspiração. Peço mil perdões. Obrigada pelos reviews.

Bella POV:

Edward me levantou com cuidado desnecessário, pois não sentia minhas pernas... A não ser por um leve formigamento. Temi por não poder mais andar. Droga de fisioterapia, eu me descuidei tanto nesses últimos tempos.

Nora me aconselhou tanto a continuar a fazer os exercícios e ir a outro fisioterapeuta aqui em Cambridge. Já faz quase meses que não ia. Isso desde que recebi a transfusão.

Eu estava mole novamente. Era como se eu fosse um ser invertebrado. E de fato... Ali, eu era. Respirando com dificuldade me segurei com toda força que eu tinha e não tinha em Edward que há essa hora estava tendo um ataque.

Preocupei-me com o bebê. E o quanto isso o afetaria. Minha gravidez era de plenos riscos, eu teria que ter precaução em quaisquer que forem meus passos. Mesmo que as possibilidades de Anthony nascer morto sejam grandes, como Claire disse por causa de cordão umbilical estar enrolado em seu pescoço... Eu o faria viver até o ultimo minuto. Nem que eu morra, nem que ele morra, nem morrêssemos... O sacrifício vale à pena.


Era meu filho.

Edward estava tão nervoso que não conseguia ao menos falar. E eu não achei isso o incomodo, mas eu via que ele murmurava coisas sem nexo. Deitou-me na cama com cuidado e correu para fora do quarto.

Eu queria poder pelo menos sentir dor. Eu a esperei, mas ela não veio. Engoli a seco reprimindo as lágrimas, o soluço que temia em sair estava preso em meus pulmões e o choro... O choro estava entalado em minha garganta não me permitia respirar direito. Então eu fechei os olhos e esperei por um milagre.

– Desculpe anjo! – Ouvi seu sussurro em meu ouvido e abri os olhos o fitando. Ele me pegou no colo com delicadeza. Agarrei-me a ele tremendo.

Tanto quanto eu, Edward havia lutado pelo meu bem estar todo o tempo. Quando eu recebi a noticia que a quimioterapia não era mais útil... Quando meu cabelo começou a cair por causa dos remédios, quando eu fui ao fisioterapeuta pela primeira vez, quando eu desmaiei... Quando eu acordei no hospital depois que havia sido curada. E todos os meus passos foram falhos até agora.

Pensando que eu estaria cem por cento recuperada não me preocupei, eu podia andar e sem muletas. Isso era de certo alivio para mim. Mas agora eu vejo. Tudo foi em vão... Se eu não tivesse parado os exercícios talvez não estivesse aqui pondo em risco a vida do meu filho.

Foi inevitável. Eu tinha que parar naquela época, estava fraca e fazer esforço comprometeria ainda mais meu estado claustrofóbico. Eu queria muito poder dizer que estava feliz em não sentir dor, mas a única coisa que eu queria era senti-la. E se meu estado desta vez fosse totalmente irreversível? Edward agüentaria uma esposa aleijada ao seu lado? Isso se eu sobrevivesse ao parto de Anthony.

A viajem para o hospital foi totalmente tensa. Eu via o medo em seus olhos. Medo por mim. Jamais desejei que ele passasse por isso. A dor não física era mais intensa e eu sabia como era.

Não trocamos nenhuma palavra na viagem. Eu me sentia... Morta. Uma morta viva era a palavra certa para descrever meu estado caótico. Eu precisava de um sopro de vida. Como se já não bastasse saber que eu iria morrer daqui a sete meses... Não voltaria a andar.


Talvez fosse o certo... Ir morrendo aos poucos era tentador. Diria que era muito tentador.

Ficar nunca foi tão desejado por mim, mas isso já foi decretado no momento em que nasci. Antes mesmo de nascer.

Eu nasci para morrer.

...

–É possível a recuperação parcial ou total, porém esta requer um programa de intervenções de reabilitação física e recuperação funcional longo e completo, Bella. – Dr. Walker, o neurologista, disse. – Por causa da pausa que deu nos exercícios, uma longa pausa como vocês me descreveram, incapacidade de mover os membros inferiores veio à tona. Admira-me que tenha demorado tanto. A fratura em sua coluna foi grave e poderia ter se tornado irreversível. Mas você poderá voltar a andar com tanto que volte a fazer os exercícios.

–Mas... Ela está grávida, Doutor. E é de risco. Eles iriam a prejudicar não? – Edward perguntou. Surpreendi-me, afinal ele não perguntava ou falava sobre o filho fazia tempo.

–Eu sinto muito Edward, mas sim... Iria prejudicar a gravidez. Presumo que no caso de Bella... Se não voltar a fazê-los irá ficar desse jeito para sempre.

–Ou seja... Eu não irei ir a um fisioterapeuta durante a gravidez. Meu filho está em primeiro lugar. São só sete meses, e não iria adiantar. Eu iria morrer de qualquer forma. – Disse mexendo em minhas mãos.

Neste momento eu estava em uma cama de hospital sendo consultada pelo neurologista, ouvia atentamente o que ele dizia sobre meu caso. Edward não estava muito diferente de mim. Mas ao ouvir minhas palavras congelou e não disse mais nada.

Um pedido de desculpas mudo escapuliu pelos olhos do médico que aparentava não ter menos de cinqüenta anos. Gentil, desejou-me boa sorte e saiu pela porta.

–Edward eu não...

–Não precisa me jogar na cara que irei conviver com isso. – disse inconformado e se levantou. O olhei sofrida.

–Vai ter um pedaço de mim com você... É inevitável. Você terá que escolher ele e me deixar ir. – Disse suplicante.

–Não posso te deixar ir. Eu te fiz uma promessa e vou cumpri-la.

–Não vai o deixar morrer. Por favor... Não diga isso como se fosse o fim do mundo.

–Mas é o fim do mundo. O fim do meu mundo. Não sou nada sem você, será que não entende isso? É insubstituível. E não quero metade de você... Pedaços são inúteis diante disso tudo. Bella, eu não posso escolher. Desculpe-me. – Falou e eu senti as lágrimas grossas.

–Você está acabando comigo dizendo isso. Ele é nosso filho. – Falei magoada.

–Eu sei. Não sabe o quanto eu esperei para vê-la grávida dele, Bella. Mas não assim. Desse jeito.

–Não vou desistir, Edward. Vou ter Anthony. E você não poderá voltar atrás. A decisão é minha. – Sussurrei. – Todo esse tempo eu julguei que você iria ficar feliz ao saber que teríamos nosso primeiro filho e...

–Primeiro e único. – Murmurou.

–Por ser o único que você deveria estar o guardando. Ele está crescendo aqui. – Passei a mão em meu ventre um pouco volumoso. – Lembra quando ficou feliz em saber disso?

–A ultima coisa que eu queria era culpá-lo por você morrer, mas é a única coisa que posso fazer nesse momento.

–Como pode ser tão frio?

–Eu te amo, Bella. Você é minha vida. Mas não posso fazer isso. Não quando ele vai nascer e eu vou saber que você estará morta. – Dizendo isso saiu batendo a porta.

A conversa mais dolorosa da minha vida eu tive aquela noite. E mesmo sabendo que a pessoa, uma delas, mais importante da minha vida estava simplesmente me deixando por causa de um detalhe como aquele... Era imperdoável. Sim, imperdoável. Nunca perdoaria a mim mesma por isso. Odiava ter que admitir, mas minhas escolhas influenciaram a isso.

Mas eu nunca iria me arrepender delas. Anthony nasceria e se eu tivesse forças eu continuaria viva. Não conseguia culpar Edward por seu ódio, mas não assumo que em seu lugar faria a mesma coisa. Porque eu não faria. Eu o apoiaria.

O irônico era que eu precisei parar de andar novamente para discutir com ele sobre isso, do contrario ele nunca iria dizer o que estava sentindo e guardaria para si mesmo essa magoa.


Doeu saber que ele pensa assim, obviamente doeu, mas eu não o julgo. Repito. Eu o entendo.


Será tão doloroso me perder quanto saber que eu não viverei mais. Então, estávamos divididos. Ele por mim, e eu por ele e por Anthony. Eu teria mesmo que escolher entre viver e deixar meu filho morrer?

Sinceramente eu não acreditava que haveria terceira chance para mim. A vida foi boa comigo, cruel com Edward... Porque assim que ele se apaixonou por mim, ele conheceu a morte, porque eu... Eu já sabia como ela era.


Desde então fiquei cara a cara com ela. Dia pós dia. Ano pós ano. E assim eu vivi minha vida. Conviver com a morte era fácil. Difícil foi viver novamente depois de tanto tempo.

Meu desejo de viver nunca foi tão intenso. Eu o faria por Anthony? Ou por Edward?

Minhas escolhas, uma razão. Eu posso simplificar resumindo em uma palavra, um sentimento que a partir do momento em que você começa a sentir se torna dolorosamente sufocante. Amor.

Edward fez sua escolha a força. Eu tive que salvá-lo e não faria diferente. Esse bebê era um milagre para mim e não abriria mão disso. Mesmo morrendo aos poucos.

Claire disse minha situação a Edward, ele ficou louco. Não estava recuperada totalmente e meu corpo estava recusando ficar forte mesmo com as vitaminas, meus ossos estavam literalmente molengos. Eu aguentaria isso até ele nascer?

Sim, eu aguentaria, por Edward. Por mim, pelo nosso filho.

Notas finais
Ninguém morre, ninguém se machuca. Prometo. ;) Espero que tenham gostado. Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.