Te Vivo
2 1. As Pessoas Deveriam Ser Como Você... - 1º Fase
Notas iniciais
1. As Pessoas Deveriam Ser Como Você...
Pov. Bella
Eu não era uma pessoa normal. Pelo menos nunca me considerei uma. Tenho Leucemia e ainda por cima cadeirante. Sofria bullying na escola. Sim, o preconceito era enorme. Eu chorava, eu era fraca. Mas o pior é que não consigo ter raiva das pessoas. Apenas pena, pois não desejaria isso a ninguém. É péssimo depender dos outros para tudo, absolutamente tudo.
Odeio servir de estorvo aos meus pais, mesmo eles negando que não sou, eu sei que é a verdade. Eu só espero a morte daqui para frente. Não poderei nunca ter uma vida normal.
Minha mãe me deixou na escola e se foi para o trabalho. Movi as rodas da cadeira me dirigindo a entrada do colégio. Tanya Denali me barrou com o seu sorriso sínico de sempre.
– Isinha, feinha, chatinha... Já se curou da sua doença, albina? — Falou rindo e sua corja de seguidores também, suspirei envergonhada, abaixando a cabeça logo em seguida.
– Me deixe passar Tanya, por favor? — Pedi com a voz fraca e olhei para ela, que continha um sorriso sínico no rosto.
– Cale a boca, sua doentinha. E não, não te deixarei passar. — Começou a rir e eu senti que as lágrimas iam começar a rolar pelo meu rosto.
Por que eu não conseguia ser forte? Eu sou muito idiota. Tanya mandava e fazia o que queria no colégio, afinal, era filha do diretor, Eleazar Denali, o qual tinha desprezo por mim, como todos da escola. Menos a Srta. Clearwater, ela ficava na biblioteca, que era o meu único refúgio naquela escola.
– Tanya, por favor? — Pedi mais uma vez.
– Deixe-a. Não está vendo que ela quer passar? — Ouvi uma voz rouca atrás de mim e engoli a seco. Tanya arregalou os olhos e sorriu para o indivíduo atrás de mim.
– Ah, querido. Você é novo por aqui. Todos nós fazemos isso, é divertido. — Sorriu maliciosa.
– Não acho nada divertido fazer bullying com uma pessoa cadeirante... É Tanya, não é? — A pessoa que estava me defendendo agora estava ao meu lado.
Era tão lindo. Cabelos cor de bronze, olhos verdes e alto. Parecia um anjo. Tanya espremeu os olhos e bufou apontando o dedo em minha direção.
– Eu deixo passar dessa vez, doentinha. Na próxima, você não terá anjinho da guarda. — Falou e saiu junto com suas “amigas”.
Suspirei reprimindo a vontade de chorar. Morrer seria melhor do que sofrer assim. O que eu fiz para merecer tanta dor? Eu sei que eu sofro calada, mas isso dói. Funguei passando as mãos pelo rosto.
– Você está bem? — O anjo de olhos verdes perguntou-me sorrindo abaixando-se na minha altura, eu corei e desviei o olhar.
– Um pouco. Obrigada. — Falei e ele sorriu.
– Por nada. Eu só não gosto de ver a injustiça das pessoas. Ainda mais com uma garota tão linda como você. — Disse carinhoso e eu corei mais ainda, olhei em seus olhos, me perdendo na imensidão de esmeraldas brilhantes. — Sou Edward Cullen. – Apresentou-se me dando a mão, eu apertei meio tremula. Foi como um choque elétrico. Era uma sensação tão boa. Ele é tão gentil.
– Isabella Swan, mas pode me chamar de Bella. Você é novo na cidade, não é? – Perguntei e ele sorriu se levantando.
– Sou sim. — Falou e foi para trás de mim, segurando minha cadeira, me guiando até perto dos bancos. Desnecessário.
– Não precisava ter feito isso, Edward. — Falei e ele sorriu sentando-se.
– Não foi nada, Bella. — E eu sorri. — Sim, sou novo na cidade. Meu pai, Carlisle Cullen, é o novo médico do hospital de Forks. Ele foi transferido de Londres para cá, e nos mudados. — Respondeu sorrindo. Desviei o olhar. Ele parecia tão legal. E não tinha preconceito... Espero que possamos ser amigos. Seria ótimo, sou tão sozinha.
– E veio estudar em Forks High School. — Afirmei e ele riu.
– Sim, e conheci a menina mais doce que já vi em toda minha vida. — Admitiu e eu suspirei, corando. Ele era tão diferente. Talvez por pena.
Por que ele tinha que me falar essas coisas? Acabamos de nos conhecer. Ele me parecia ser tão sincero. Todas suas palavras, sentia meu corpo eletrizando ao ouvir sua voz... Tão doce e rouca. Pare de delírios Bella, Edward somente tem pena de você. Você é ridícula. Tão normal... Tão simples. Cabelos lisos e castanhos, olhos da mesma cor do cabelo, o corpo magricelo, estatura baixíssima, pele pálida. Uma verdadeira morta viva. E ele é... Lindo. Um anjo.
– E doente. — Sussurrei distante, eu sabia que iria começar a escorrer lágrimas de meus olhos. Não suportava o câncer.
– Bella, ser cadeirante não é uma doença. Não fale assim. — Falou e eu olhei.
– Não, não é isso, eu tenho... Eu tenho Leucemia*. — Falei e logo me arrependi. O olhei, ele não tinha expressão no rosto. — É exatamente essa expressão que todos ficam quando descobrem o que tenho. E se afastam. — Edward olhou-me.
*Leucemia é uma doença maligna de lóbulos brancos, geralmente de origem desconhecida. Acúmulo de células jovens anormais na medula óssea. Conhecida também como " Câncer nos ossos ".
– Não sou como todos. E pode ter certeza que não vai ser por isso que irei me afastar de você. — Informou e eu sorri emocionada. Diferente... Ele era diferente de tudo.
– Você é um verdadeiro anjo. Eu não sabia que existiam pessoas tão... Boas como você. — Falei sem pensar. Edward ofegou e sorriu.
– Por que diz isso? — Perguntou sorrindo.
– Desde que me entendo por gente que sofro bullying e a discriminação por ser cadeirante. O Câncer, as pessoas parecem gostar tanto de ver as outras sofrendo para se sentirem bem consigo mesmas, mas a verdade é que não estão. Elas não pensam que podiam estar no lugar de outras, no mesmo estado. Sofrendo. — Respondi e ele me olhou com o cenho franzido. — Edward, você não enxerga fisicamente... Isso é lindo. Seus olhos estão em outra parte de seu corpo. Seu coração. Eu queria que todas as pessoas fossem como você. O mundo seria bem melhor e menos cruel. — Disse e ele sorriu.
– Você é tão observadora. — Falou distante e pensativo.
– Ser sozinha me trouxe alguns benefícios... Como pensar antes de agir. — Falei e ele assentiu.
– Não gostei de ver como te tratam. É tão injusto. Não veem que isso a magoa? — Disse mais a si mesmo do que a mim. Olhando em volta, percebendo que olhavam para nós, os olhos críticos e raivosos, os cochichos aumentavam cada vez mais.
– Eles não se importam com os sentimentos alheios, Edward. Mesmo que eu não fale nada, eu posso sentir. — Sussurrei.
– Deveriam. — Falou com raiva e depois me olhou. — Desculpe, estou nervoso. A cena de Tanya implicando com você não sai de minha mente. – Informou e eu sorri.
– Não é como se fosse novo para mim. Ela faz isso desde que eu sofri o acidente. – Comentei. Ele sorriu sínico.
– Talvez ela queira sentir sua dor, talvez ela sinta um dia, quem sabe? Os nossos atos no presente são as consequências do futuro. — Falou.
– Como eu disse, eles não pensam. Não tenho pena de mim, mas sim deles. – Afirmei suspirando.
– Concordo plenamente com você. — Falou sorrindo e eu sorri. — Acha que poderemos ser amigos? — Perguntou e eu sorri novamente.
– Tenho certeza. — Respondi.
– Então... Amigos? — Estendeu a mão e eu a apertei.
– Amigos. – Confirmei e sorrimos juntos.
Eu finalmente teria um amigo, meu primeiro amigo. O único que me apoiou, o único que sofreria quando eu morresse, pois sei que isso irá acontecer brevemente. Mas pelo menos, morrerei feliz. Sabendo que tive uma amizade verdadeira quando ainda estava viva.
Sei que ainda é o começo, mas eu estou preparada para aguentar, o que quer que for. Eu sei que sou capaz de aguentar. Só queria que a morte chegasse mais depressa. De preferência, rápida e indolor.
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