Te Espero a Ti
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Rachel estava sentada no sofá de casa a pensar naquele encontro com Quinn. Havia qualquer coisa naquela mulher que lhe tinha despertado interesse em percebê-la. Precisava desesperadamente de falar com alguém sobre aquela sensação e ligou para Ana.
Ana era sua colega de trabalho, mas não era actriz, era a maquilhadora de todo o elenco. Ana era casada e tinha dois filhos pequenos, pelo que não estava disponível para ajudar Rachel na sua vida social que era nula.
— Conta-me. — disse a mulher cansada quando lhe atendeu o telefone.
— Má hora?
— Por favor distrai-me. O Miguel está a berrar há duas horas por causa de um simples entalão com a tampa da sanita.
— Tadinho.
— Tadinha de mim. Por favor, aquilo é de plástico. O meu filho é um maricas, sai mesmo ao pai dele. — Rachel riu-se do outro lado. — Mas diz lá, se me estás a ligar é porque tens alguma coisa para me contar. Por favor Rachel Berry, diz-me que é qualquer coisa boa.
— Realmente estou a ligar porque precisava de falar com alguém sobre uma coisa que me aconteceu hoje.
— Estás bem? Partiste alguma coisa?
— Não, a tampa da minha sanita está no sítio. Eu é que fui hoje à sessão da Vogue, que te tinha contado...
— Sim! Viste um moreno de olhos verdes que te prendeu a respiração?
— Foi mais uma loira. — respondeu ela baixinho, mas Ana percebeu.
— Como assim?
— Reencontrei uma ex colega minha de escola que não via há 10 anos.
— E isso é emocionante? Eu rezo todos os dias para que não me aconteça.
— Ela chama-se Quinn Fabray, acho que já te falei nela.
— A da Santana?
— Não, essa é a Britt.
— Estúpida! Que a Britt e a Santana são casadas eu sei, eu conheço-as lembras-te? Refiro-me àquela história do casamento não sei de quem...
— Ah sim! Essa mesmo! Mas ela não é da Santana... — disse Rachel corrigindo sem saber porquê.
— Segundo a Santana ela tinha um fetiche era contigo.
— E tu ainda ligas ao que diz a Santana? Por amor de deus Ana.
— Eu gosto dela, acho-a muito assertiva.
— Sim, desde que ela te disse que o teu marido não te traia porque ninguém o queria.
— Exacto.
— Bom... continuando a conversa. A Quinn está diferente. Está rejuvenescida. Não sei explicar, mas há ali qualquer coisa que não imaginei ver nela jamais em tempo algum. Foi surpreendente.
— Rachel precisas de sair. A sério. Tens de arranjar companhia para sair de casa. — Rachel percebeu que não valia a pena ter esta conversa com Ana, ela além de não conhecer Quinn jamais ia entender o que Rachel queria dizer, porque a própria Rachel não sabia explicar o que sentia em relação à pessoa com quem se tinha cruzado naquele dia.
—x-
"Culpable" era o nome do bar de Rosa e Olivia, as duas amigas de Quinn que eram um casal de espanholas que estavam a viver em NY há 5 anos. . Elas eram ambas de Sevilha e quando falavam no seu idioma nativo notava-se o sotaque Andaluz. O nome era engraçado e toda a gente fazia piadas com ele, porque pouca gente sentia culpa em lá ir. O bar era frequentado em grande parte por mulheres lésbicas bem resolvidas, e desprendidas de preconceitos, mas muitas vezes existiam pessoas gay friendly que iam principalmente assistir às actuações ao vivo de uma cantora que actuava às quartas feiras. Quinn movia-se naquele meio perfeitamente. Tinha entrado no bar por primeira vez no ano em que foi viver para NY, por recomendação de uma ex colega de faculdade com quem tinha tido uma aventura fugaz.
Sim. Os anos de faculdade de Quinn tinham sido produtivos o suficiente como para ela encontrar definitivamente a pessoa que era. Quando terminou com Puck, foi porque assumiu sentir desejo por mulheres, e quando experimentou não largou mais. Estava em plena fase de descobertas quando terminou o primeiro curso, sair de Yale naquele momento era perder a oportunidade de se sentir confortável com quem era e foi por isso que embarcou num novo curso, que efectivamente descobriria ser a sua verdadeira vocação.
Não tinha contado a Rachel, nem pretendia, mas tinha visto a peça dela duas vezes desde que chegara à cidade. A primeira porque queria muito vê-la e assumir a si própria que ela sempre foi o seu grande amor não resolvido, e embora percebesse que só lhe fazia mal tê-la na cabeça e no coração, foi uma segunda vez para fechar esse ciclo. O destino no entanto, é impossível de manipular.
— Rosita dá-me três shots de tequilla por favor. — disse ela ao chegar ao bar e ao balcão.
— Ui... isso está mau. O que se passa? Boa noite, não?
— Desculpa, boa noite. Hoje de facto não é um bom dia.
— Queres conversar? Nunca te vi assim, tu és a pessoa mais animada que conheço.
— Só quero mesmo os 3 shots. Por favor, seguidos. — disse ela sentando-se no banco alto ao balcão com cara de cansada. Aquele encontro com Rachel tinha despertado nela tudo o que Quinn quis afogar no seu anterior.
Sentiu umas mãos percorrerem-lhe as costas e escorregarem até ao seu abdómen e uma linha de beijos na nuca até pescoço.
— Emma desculpa, hoje não é um bom dia. — disse ela ao sentir a intenção da ruiva, que terminou por levantar os braços em sinal de desistência e voltou à pista de dança. Quinn tinha uma relação de conhecidas com Emma, mas a verdade é que se tinham envolvido várias vezes. Não era mais do que sexo casual, mas a mulher era provocadora e Quinn achava-lhe alguma graça.
— O que é que se passa contigo? — perguntou Olivia que estava a chegar quando viu a reacção de Quinn. A mulher que ela conhecia não recusaria nenhum tipo de insinuação por parte de um furacão como Emma.
Olivia tinha uma relação com Quinn bem mais próxima que Rosa, realmente eram as melhores amigas, mas ainda assim a loira começou por não querer falar no assunto.
— Nada. Como estás? — pergunta ela desviando o assunto.
— O que é que tens? — pergunta Olivia ignorando a tentativa de Quinn.
— Não tenho nada. Só não estou com um humor muito bom hoje.
— Está assim desde que chegou. — acrescenta Rosa que volta a aproximar-se por detrás do balcão. Quinn tem intenção de responder mas termina por não o fazer porque sente o seu telefone vibrar no bolso. Tira-o e nasce-lhe um sorriso automático, por mais que o quisesse travar.
"Olá Quinn. Desculpa a hora, e desculpa a minha inconveniência de te escrever a esta hora, mas não consigo dormir a pensar nisto. Estou de verdade surpreendida de te ver por NY, mas muito feliz. Espero que o nosso jantar de amanhã esteja de pé. Beijo"
Olivia é a típica espanhola, podia ser comparada a Santana em algumas situações, mas o seu estilo não era o da latina. Com todo o ar despreocupado mas muito perspicaz, percebe de imediato aquele sorriso e não pretende deixá-lo passar, mas antes troca um olhar cúmplice com Rosa, que percebe de imediato que tem de se afastar para elas falarem.
Enquanto isso, já Quinn tinha enviado a resposta a Rachel.
" Olá Rach. Não entendo porque te surpreende tanto, mas fico contente que fiques feliz por isso. Claro que sim, amanhã jantamos sem falta. Beijo"
— O que é que se passa aqui? Começa a falar... — diz a espanhola com um sorriso torto. Quinn revira os olhos.
— Não se passa nada Olivia.
— Quinn Fabray, não sei se percebeste o meu tom, mas eu esclareço... não estou a pedir que me contes, estou a mandar! — Quinn volta a revirar os olhos mas desta vez com um sorriso.
— Reencontrei uma pessoa com a qual não me queria cruzar.
— Nota-se pelo sorriso.
— A sério! Não queria mesmo. Fiz tudo para que isso não acontecesse por 4 anos.
— Uma ex? — Quinn cora instintivamente e responde sem jeito.
— Não. — Olivia nota-lhe a expressão e ri-se divertida.
— Mas vais contar ou queres que continue a adivinhar?
— Não quero falar disto, podes respeitar? — disse ela enquanto sentia o telefone vibrar de novo.
"É só que te vi com um ar saudável, não imaginei que a Quinn adulta fosse tão descontraída."
A loira sorriu e levantou-se do banco alto do balcão para se sentar num dos sofás no canto do bar com um sorriso carinhoso e responder à mensagem. Olivia não foi convidada e cruzou os braços para apreciar a cena.
"Com saudável queres dizer casual? Sim Rachel, deixei os vestidinhos e parei de me preocupar com o que pensa o mundo. :) "
— Ok já chega. — diz a espanhola em versão furacão enquanto se senta no mesmo sofá. — Desembucha! — e tira-lhe o telefone da mão. Quinn faz o gesto de o agarrar de volta e Olivia dá-lho mas olha para ela com advertência.
— Não vais desistir né?! — pergunta Quinn de modo retórico andes de dizer o nome. — Rachel Berry.
— A actriz da Broadway?
— A mesma.
— Conheceste-a e pediste um autógrafo? — disse a espanhola sarcástica.
— Andámos juntas na escola. Há muitos anos que não nos víamos, pelo menos há 10.
— Um momento, um momento... como assim? A tal miúda da escola que me falaste é a actriz da Broadway? — e agora Olivia estava surpreendida.
— Sim, mas não te emociones muito porque eu tenho de descalçar esta bota... e já que estás tão interessada na minha vida, vais ajudar-me.
— O teu grande amor impossível é a actriz da Broadway?
— Olivia?! Queres um desenho?
— Porque é que não me contaste?
— Porque te conheço muito muito muito bem e sei que aprontavas alguma para eu me cruzar com ela.
— Quinn, ela está a 2 km daqui.
— Eu sei, eu fui vê-la duas vezes a actuar. — e agora a espanhola ficou confusa.
— Calma, não estou a perceber.
— Não interessa, foi quando cheguei a NY, mas depois percebi que me fazia mal e não voltei. Nem frequento a zona, como sabes.
— É por isso que recusas sempre que te convido para ir à Broadway... claro.
— Sim, bravo. — disse Quinn sarcástica.
— E encontraste-a?
— No Starbucks na 5º avenida. Com tanto café em NY... — Olivia sorri malandra.
— Sabes o que é isso? — Quinn percebe e revira os olhos. — Destino minha amiga, não se pode fugir dele. E agora?
— Agora o quê?
— Ela conheceu-te?
— Puf, ela conheceu-me e fez uma grande festa. Amanhã vamos jantar.
— E vais contar-lhe?
— O quê?
— Que continuas a babar por ela depois destes anos todos... — disse a mulher com um tom bastante óbvio. Quinn levantou as mãos acusando cansaço.
— Chega, chega. Não vamos entrar por aí. Eu vou mas é embora antes que...
— Antes que quê? Que te diga mais duas ou três verdades?
— Olivia a sério... não quero falar mais disto, nem quero que me obrigues a mentir-te.
— Não consegues amor, podias dizer 30 vezes seguidas que já não gostas dela que eu não acreditava em nenhuma. — e soltou uma gargalhada que fez Quinn fechar os olhos com força e respirar fundo.
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