Te Darei Para Sempre Meu Coração
4 Capítulo 3
Notas iniciais
As Guerras Napoleónicas duraram entre 1792-1815. A história se passa em 18011, ou seja, três anos antes de acabar. Muitos filhos mais jovens de nobres que não tinham herança para se sustentar, optaram pela carreira militar.
Era isso ou a igreja. xD
Três
As especulações sobre o Baile de Lady Rowlling estão em alta na sociedade londrina. Lady Dunford jurou que ouviu a Condessa anunciando sobre dançarinos de fogo africanos (coisa que eu duvido que aconteça) e Lady Tessa espalha aos quatro ventos a quem quiser ouvir sobre como viu um navio lotado do melhor vinho, todos destinados aos Rowlling (Ora Lady Tessa, se é realmente um navio inteiro e ainda do melhor vinho, como não sabemos de que vinho a senhora tanto fala? Afinal o melhor vinho não teria um nome?). Ao final, Lady Graham amolada com os navios de Lady Tessa tropeçou sem querer encharcando com chá o novo musseline de Lady Tessa, que saiu injuriada. Lord William Radcliffe, nosso adorado Marquês de Millbury já confirmou sua presença, junto com Lady Tessa, Lady Dunford, Lady Graham e Lady Buckingham.
JORNAL O ÚLTIMO GRITO, SEÇÃO O BAILE DE LADY ROWLLING.
POR SOCIEDADE A NÔNIMA
26 de fevereiro de 1811
James estava já estava à uma hora procurando o garoto Ginger para a tutoria sem muito sucesso. Uma hora. Desde o anúncio de sua mãe já havia se passado oito dias e James tinha visto o inferno em todos eles. Ginger recusava-se teimosamente em passar alguma parte de seu tempo com James. E James nem sequer se importaria em nunca mais ver aquela peste... se sua mãe não o obrigasse com essa maldição de tutoria. Ah! A tutoria! Aquilo foi tudo, menos tutoria. No primeiro dia Ginger apareceu coberto da cabeça aos pés de lama e com um cheiro inconfundível de merda. James não aguentou o cheiro e saiu irritado. Mais tarde conseguiu arrancar a verdade de uma criada ameaçando-a, que por fim admitiu ver Ginger rolando na lama dos porcos. No segundo dia não foi muito melhor, o garoto havia aparecido com aquela cadela estúpida dele, Horrorosa. James se viu obrigado a se arrastar pela biblioteca, enquanto Horrorosa tentava procriar com sua perna. No terceiro dia, Ginger não apareceu. Fugiu com seu cavalo e voltou só ao começar cair o sol. Agora ele estava em sua oitava tentativa. Dessa vez tinha um plano. Não iria falhar.
Trinta minutos depois achou Ginger no armazém prestes a se derramar farinha.
A semana que se passou foi uma das piores de sua vida na opinião de Jennie. Tinha rolado na merda, entre os peixes, se borrifado com um perfume horrível que tinha conseguido com uma das criadas e agora estava prestes a jogar farinha sobre si. Às vezes quando se deitava tinha certeza de que conseguia sentir a mistura dos horríveis odores sobre si. Talvez nunca mais saíssem. Tudo para evitar James Buckingham! Era absurdo! Ridículo! Lacaios não tinham tutores! Ginger não precisava de um tutor! Mas não era o que James ou a Duquesa achavam.
— Sabe, sujar-se com farinha não irá me impedir de tentar te ensinar alguma coisa. — James estava encostado preguiçoso na porta. Seus olhos a perfuravam. Estava raivoso. Afinal, como a tinha achado?
— Ainda tem os ovos. — Retrucou corajosamente. Só uma pessoa realmente corajosa ou estúpida o suficiente retrucaria com um homem no estado e com o tamanho de James. — Estão podres.
— Não temos ovos podres em Buckinghamwood. — Respondeu ofendido.
— Você quer dizer, não tinham. Tenho certeza que estes estão podres. — Jennie preparou-se para tomar um banho com os ovos, porém antes que pudesse fazer qualquer coisa uma rápida mão arrancou-lhe os ovos e a farinha.
— Chega! -Gritou James. — Está louco!- E num nada galante ataque de fúria pôs Jennie em seus ombros.
— Solte-me! -Gritou ela corcoveando sobre o ombro de James. — Largue-me! Crápula injurioso...
— Pare de se debater! Está me fazendo perder o equilíbrio!
— Então me solte! Se achava que vou parar de me debater só porque...
James a cortou. -Eu irei solta-lo. Quando chegarmos à biblioteca será a primeira coisa que eu farei. E nós iremos chegar lá. Nem que eu tenha que te arrastar por uma perna!
Jennie parou. Não aguentaria viver consigo mesma se a ameaça fosse cumprida.
Ameaça-la? Aquele traste ousava ameaça-la? Ele veria. Poderia obriga-la a ir até a biblioteca, mas não a obrigaria a escuta-lo!
TUMFF!
Jennie sentiu ser derrubada em um sofá. Não tinha certeza, pois estava de olhos fechados e corpo mole. Abrir os olhos seria a última coisa que faria.
Hum. Hum.
Pigarreou James. — Ginger, se não abrir esse malditos olhos agora vou ser obrigado a lhe despir.
Rápida como um raio Jennie sentou-se e tentou lhe lançar seu olhar mais cortante. — Ginger, se está com dor de barriga receio dizer que terá que esperar.
— Não estou com dor de barriga. E meus olhos não são malditos. — Respondeu com a gota de dignidade que ainda lhe restava.
— Entendo. — James suspirou. – Então, agora que chegamos a um acordo comecemos a aula. Nossa primeira aula. — Enfatizou.
— Não lembro-me de ter concordado com coisa alguma.
James a ignorou. — Disseram-me que sabe ler.
-Só as letras. — Mentiu. E acrescentou. — Um A ali, um B aqui.
James piscava incrédulo. — Um A aqui. — repetiu. — Um B ali.
— Exatamente. — Jennie sentia em seus lábios um sorriso de satisfação. — Uma vez cheguei até o D. — confessou-lhe.
— O D. -Os olhos de James brilharam. -Mas isso é ótimo. — ótimo?- Podemos ver as letras que reconhece. — James pegou um livro com uma capa preta e de couro. — Espero que não se importe, é um livro de minha coleção pessoal. — confessou com ar de cumplicidade enquanto abria em uma página do livro. — Aqui. Este parágrafo. Diga-me as letras que reconhece. Em ordem. — seus olhos brilharam ainda mais.
Involuntariamente Jennie pôs-se a ler. Isso seria fácil demais.
Sem conseguir aguentar-se a senhorita Devon devorou-lhe os lábios sentindo a dureza do jovem Barão as suas pernas. Ofegavam juntos e desesperada abriu-lhe as calças deixando sua...
— Oh, céus! — Gritou Jennie lançando o livro para longe. Devia estar vermelha e ofegante. Isso não era um livro do qual devesse ter acesso.
James a observava sentado em uma poltrona com as sobrancelhas arqueadas. — Agora, gostaria de perguntar-lhe novamente. Sabe o senhor ler?
— Sim. Eu sei ler. — Não ia chorar. Não ia....
— Oh, céus! Acalme-se garoto. Com certeza não foi tão ruim assim. Com certeza você já...
Jennie piscou com os olhos um pouco marejados. — Eu o quê?
— Sabe... você já... — Fez um gesto com as mãos.
— Fale! Está me confundido!
— Você... nunca? — parecia que tinha levado um soco no estômago. — você... nunca... Por Deus! É virgem?
— Oh, céus! — Jennie ofegou começando a hiperventilar. Devia estar tão vermelha quanto os cabelos de James. — Não se pergunta isso a uma...
Jennie parou.
Não se pergunta isso a uma dama!
Era o que estava prestes a dizer. Ela quase... ela quase... No que estava pensando?! Melhor, não estava pensando, desde que James meteu-se um sua vida ela vinha cometendo deslize atrás de deslize. Quase como se quisesse que ele a descobrisse. Meu Deus! Ela queria que ele a descobrisse!
Isso não estava certo. Não podia ser certo.
Quando James teve a ideia de dar um romance escandaloso para o garoto ler nunca pensou que poderia acabar assim.
Por Deus. É um garoto! Garotos não choram! Pelos menos não por causa desse tipo de coisa.
Só queria faze-lo admitir que sabia ler. E talvez deixa-lo um pouco sem graça. Mas deixa-lo transtornado e faze-lo chorar? Nunca. James sentia-se péssimo e nem sabia por quê. Sentia-se errado e horrível. Horrível! Nunca em sua vida havia se sentido horrível consigo mesmo. Talvez com os outros, mas nunca consigo. E agora estava encurralado na biblioteca de seu pai sem saber o que fazer.
James limpou a garganta desconfortável. Talvez o garoto fosse mais novo do que parecia. Era normal algumas crianças sentirem-se assim. Não ele, com treze anos James já havia tido sua primeira rameira e fora magnifico. Mas nem todos eram como James.
— Vamos garoto. — falou James acocorando-se na frente de Ginger e pondo uma mão em seu ombro. — Nem foi tão horrível assim. — Na verdade tinha sido. Ginger havia atirado o livro no chão como se fosse alguma espécie de doença contagiosa. Mas James não ia salientar esse fato. -Garotos não choram. — Ginger parou para encara-lo com seus brilhantes olhos verdes. Como duas joias. James tossiu — Sinto muito.
— Como? — Ginger parecia não acreditar no que estava ouvindo.
— Sinto-o. Não foi minha intensão faze-lo... — faze-lo o que? James nem sequer sabia o que tinha feito de errado.
— Tudo bem — Ginger deu os ombros. — Eu não deveria ter tido essa reação. Fui exagerado.
— Não deveria ter tentado surpreende-lo.
— Agora se me der licença, — o garoto levantou-se. — tenho algumas coisas para resolver.
— Ginger. — Chamou James fazendo o garoto parar na porta. — A aula ainda não acabou. Juro que se você sair por esta porta o trago de volta amarrado.
O garoto amaldiçoou e James sabia que tinha ganho. Sentindo-se revigorado falou — Agora vejamos o que você sabe de francês.
O jantar na residência Buckingham estava anormalmente quieto. Tinha certeza que o ar estava mortífero. Até Janet que normalmente encontrava-se barulhenta e audaciosa não ousava falar. E Jennie poderia apostar a sua vida que tudo se dava ao aparecimento não anunciado de Lady Graham.
Lady Graham era a irmã mais velha de Lady Buckingham e ao parecer não se dava bem com Lord Buckingham.
Oh, certo.
Odiavam-se.
Segundo Janet, Lady Graham e Lord Buckingham já vinham se odiando a anos, antes mesmo de James nascer. Ao parecer todo o conflito começou com um punhado de guisado que Lady Graham jogou em Lorde Buckingham quando eram jovens.
Mas mesmo depois de saber desses fatos. Que eram sim interessantes (qualquer história que tivesse Lord Buckingham e um punhado de guisado voador indo em sua direção poderia ser considerado interessante). A mente de Jennie vagava para outro lugar. Precisamente para
Desesperada abriu-lhe as calças deixando sua... sua... sua o quê? Precisava saber!
Depois que a surpresa havia passado. E Jennie concordou que teve uma reação um tanto exagerada. Sua curiosidade havia aflorado. Sabia que era um romance indecente. E que provavelmente não deveria ter acesso. Mas oras! Era Ginger. Ginger poderia ler. Poderia, não! Corrigiu-se, pode ler. Instintivamente ela sabia que a parte que lera era o que todas as donzelas queriam sabe. Que fazia a todas as senhoras, já casadas, corar a simples menção. E que tinha algo haver com a conversa.
A conversa acontecia quando uma dama iria se casar, geralmente a mãe ou uma tia, vinha e tinha a conversa com a respectiva dama a respeito de suas obrigações.
— Então Beatrice — Lord Buckingham decidiu quebrar o silêncio com um tom insolente fazendo pensamento de Jennie se dissipar. — conte-nos como morreu seu último marido. Foi veneno ou o jogou da janela você mesma?
Jennie quase engasgou com seu pato ao ouvir a pergunta do Duque. Apesar das palavras acusatórias percebeu que esta não era uma pergunta a fim de acusar, mas sim com intenção de alfinetar.
— Tão simpático como sempre, George. - Lady Graham lhe lançou um olhar mordaz. — Infelizmente o coração do Marquês já não era tão bom.
Janet afogou uma tosse que parecia mais uma risada enquanto sussurrava a Jennie — Tia Bea nunca admitirá, mas seu último marido era imenso. Até mamãe uma vez comentou sobre o tamanho do Marquês.
Jennie notou Lady Buckingham parecia a ponto de querer se enterrar.
— Sabe. — O Duque suspirou enfaticamente. — Nunca pensei que se casaria. Mas devo admitir que me surpreendeu. Três casamentos. Três. E saiu de todos eles viva.
— Talvez tenhamos sorte de ver a cena épica de tia Bea se repetir. Veja como ela ameaça com o seu guisado. Tenho certeza de que papai também reparou que ela tem guisado em seu prato. — Murmurou James ao ouvido de Jennie. Era impressionante como ela se mantinha informada ao sentar entre os irmãos Buckingham.
— Sabe George. Você não me surpreendeu. Depois de tantos anos continua um tolo. É-me difícil imaginar como criou filhos tão inteligentes. Deve ser por Margaret. Tenho certeza que veio dela o lado inteligente da família.
— Acha que Lady Graham irá atacar o Duque com o guisado? — Murmurou Jennie aos ouvidos de Janet.
— Sempre me faço a mesma pergunta. -murmurou em resposta. — Acho que seria divino. — Os olhos azuis da garota brilharam. -Largue o pato Ginger. Está pavoroso.
Jennie encarou seu pato. Gostava do pato. Deu os ombros e continuou a comê-lo.
— Responda-me Beatrice, como foi que conseguiu fisgar um Marquês? Um Visconde, um Barão e depois um Marquês. Consegue ser impressionante quando quer.
Os lábios de Lady Graham tremeram e ela balançou ameaçadoramente sua colher para o guisado.
— Ora meu caro, por que sinto que vindo de ti, isto parece uma ofensa?
Jennie tinha certeza que Lady Graham atacaria com o guisado, sua colher parecia estar prestes a voar para o prato...
— Parem. — Meteu-se Lady Buckingham impedindo o ataque com o guisado.
— Droga! — Amaldiçoou Janet um pouco alto demais recebendo um olhar desaprovador de sua mãe.
— Temos crianças a mesa!
Jennie ouviu Janet e James se afogarem e por pouco ela mesma não se afogou com as palavras da Duquesa.
— Não vejo nenhuma criança aqui. — Notou Lady Graham levantando uma única sobrancelha, da mesma forma que Jennie vira muitas vezes Janet fazer. Apontou para James. — Vinte e cinco. — Depois para Janet. — Dezesseis. — Então encarou Jennie. — e você rapaz, sua idade?
— Dezessete. — Jennie estava apavorada demais com Lady Graham para mentir-lhe. Tinha certeza de que Beatrice Graham conseguiria farejar uma mentira se quisesse.
-Dezessete? — Lady Graham estava incrédula. E Jennie tinha certeza de que James também. — Você parece meio... hum... pequeno. — Observou.
— Minha mãe foi uma senhora pequena, milady. — O que era verdade. Lady Powell não havia sido uma mulher alta.
— Sua mãe por acaso era anã? -Perguntou Lady Graham.
Janet abafou uma risadinha. Jennie sentia seu rosto arder.
— Tia Bea. Isto não foi apropriado. — Reclamou James em sua ajuda. O que teria sido perfeito... se não tivesse completado sua fala. — Ginger está constrangido.
James devia ajuda-la. E não tortura-la. Agora era ela que queria abrir um buraco no chão e se enterrar.
— Não seja tolo garoto. Sei muito bem o que é ou não apropriado. Mas temo que tenha razão. Já fugimos um pouco de assunto. — virou-se para encarar a irmã. — Eles não são crianças. — e encarando sua sobrinha falou — Janet, a mais nova, tem idade para carregar um filho.
Janet, a vítima da vez afogou-se novamente. Lady Buckingham por sua vez, empalideceu. E Lord Buckingham e James levantaram- se surpreendidos gritando um tanto desesperados e em uníssono. — Não!
Se tivessem combinado não teria saído tão perfeito.
Lady Graham ignorou a comoção e serviu-se de mais uma porção de guisado.
Então calmamente todos voltaram-se ao seu jantar e o silêncio caiu novamente a mesa dos Buckingham. Como se todo o ato nunca tivesse acontecido. Impressionante! Jennie pensou. Antes de voltar a se ocupar com...
Desesperada abriu-lhe as calças deixando sua... Sua o quê? Sua o quê?
James estava indo se preparar para dormir quando viu um dos lacaios da casa invadir seu quarto. Detestava desse habito horrível que a criadagem possuía de não bater na porta antes de entrar.
— Sim? — Levantou os olhos com as mãos ocupadas em desabotoar sua camisa.
— Sua Graça o espera em seu escritório. — avisou o criado. Era sempre assim, seu sempre avisava. Nunca pergunta. Talvez porque era Duque achava que as pessoas nunca poderiam se negar a vê-lo. O que era quase sempre certo, mas mesmo assim não deixava de ser irritante.
— Avise-o que estou indo. — Informou voltando a abotoar sua camisa. Ótimo, James. Sinta-se um tolo na frente da criadagem, Deus sabe que sempre quis se sentir assim.
Alguns minutos depois James entrou no escritório de seu pai. Estava um pouco escuro demais. James reparou que havia só uma vela iluminando o ambiente. E sentado em uma poltrona estava seu pai, segurando um copo de Brandy e a garrafa ao lado. Parecia um pouco bêbado.
— Sua Graça. — Chamou James da porta.
— James. Sente-se. — Disse servindo-lhe um copo e lhe entregando. — Beba comigo.
James tomou um gole pouco moderado de sua bebida e por um momento o recinto ficou em completo silêncio. Ele estava visivelmente tenso. Sempre ficava tenso e nervoso perto do pai. Desde pequeno soube que nunca conseguiria superar Lord Buckingham em nada. Seu pai foi o melhor em sua época. Ainda era o melhor. Sua Graça George Buckingham era em tudo melhor que James, até em Oxford que James havia se saído bem, melhor que a média, George Buckingham o superava duplamente, o que fazia o sentir-se triplamente tolo. Pois até descobrir esse fato achava que havia superado seu pai pela primeira vez, o que o fazia sentir-se quar...
— Sabe James. — começou seu pai cortando seus pensamentos. — Não odeio sua tia como todos pensam.
Aquilo havia pegado ele desprevenido e por pouco não se engasgou. Quando seu pai o chamou nunca havia imaginado que seria para falar sobre sua tia. Esperou o Duque continuar.
— Beatrice, provavelmente ainda acha que desgracei sua mãe. — o Duque serviu-se novamente de bebida e James não tinha certeza de que queria realmente ter essa conversa. O que era estúpido, afinal era um adulto. — Uma vez me disse, em minha cara, que havia desgraçado Margaret. Éramos jovens e tolos. Beatrice era a estrela da temporada. O que era estranho, afinal estava em sua terceira temporada. — James serviu-se de bebida, se tinha que ser obrigado a ouvir sobre essa história teria que beber o suficiente para esquecer-se dela pela manhã. — E Margaret... — Os olhos do Duque brilharam — Margaret estava debutando e conseguia espantar seus pretendentes tanto quanto Beatrice os conquistava. Sua mãe naquela época era meio selvagem, e já tinha uma língua afiada. Não se engane, Beatrice não era muito melhor que sua mãe, mas sabia esconder o fato muito melhor. Logicamente, cortejei Beatrice.
— Você o que? — Não conseguiu se conter. Estava surpreso demais. E enjoado. Sua tia e seu pai. Tia Bea...
— Surpreendente, não?
— Vocês... vocês... — não conseguia falar. Mas precisava saber.
— Se tivemos um romance? — o Duque sorriu. Parecia achar graça. — Não. Não chegamos a isso. Apaixonei-me antes por sua mãe.
James sentiu-se aliviado. Não sabia por que, mas seu pai e tia Bea parecia tão errado. Desconcertante. Enjoativo.
— Entende o que quero dizer James? Achei o amor onde menos esperava. — James estava entendo tudo. Até bem demais. Não gostava do rumo da conversa.
— Desgraçou mamãe? — Ele devia estar louco se estava perguntando isso para seu pai. Ou mais bêbado do que achava.
— Ah isso. Isso foi... digamos que as duas maiores fofoqueiras de Londres nos pegaram em uma situação um tanto... comprometedora. Foi um escândalo. Beatrice, nunca me perdoou e quando tentei me retratar atacou-me com o guisado.
James não conseguindo evitar fez uma careta. Em sua posição de filho não deveria saber dessas coisas. Não queria saber!
— Acalme-se James. Não digo essas coisas para tortura-lo. — James não concordava com essa afirmação. — Só gostaria que sentisse isso. Que não se privasse do amor.
— Não me privo do amor. — retrucou irritado. Sabia que a conversa iria acabar assim. — Eu só... eu só...
— Não estou pedindo para que se case. Nem para que procure uma noiva. Só que olhe em volta. Preste pelo menos o mínimo de atenção. Se deixe reparar.
— Papai. Não me sinto...
— Sei que não se sente pronto. E tenho certeza de que não está. Por mais que não pareça, conheço meu próprio filho. James — seu pai suspirou. — Sei como vem se sentindo.
— Perdão?
— Sei como vem se sentindo. — repetiu. — Sei que evita responsabilidades. Sei que não se acha bom o bastante. Que frequentemente se compara comigo. — sentia seu estômago revirar. Sentia vontade de sair correndo para a porta. Sentia... — James, meu filho — O Duque o encarou. Os olhos penetrantes. — é bom o bastante.
E James sentiu-se respirar. Nem tinha percebido que havia trancado. Estava aliviado. Queria chorar. De alguma maneira sentia-se liberado do peso nos ombros. E por esse motivo queria chorar. Mas era claro que não choraria. Serviu-se de Brandy e bebeu. Estava certo, amanhã não recordaria essa conversa.
Jennie revirava-se na cama.
Desesperada abriu-lhe as calças deixando sua... sua... sua o quê?
Estava obcecada. Precisava saber a continuação. A curiosidade tinha finalmente a consumido.
Sua o quê? Sua o quê?
Deu um pulo. Não conseguiria aguentar até amanhã. Com uma nova convicção acendeu uma vela, apertou a faixa em seu peito e foi em direção a biblioteca. Nunca lhe agradou os longos corredores de Buckinghamwood a noite, sempre sentia-se um pouco assustada. Não o suficiente. Só um pouco.
A biblioteca estava fazia. Como ela tinha certeza que estaria. Por Deus. Estava no meio da noite. Obviamente ela não poderia esperar se esbarrar com alguém aquela hora. Largou a vela em uma mesinha próxima a estante e começou a procurar.
Trinta minutos depois, Jennie continuava a procurar.
Céus! Onde estava esse livro. Tinha certeza, a capa era preta e de couro. Não era um livro muito novo, mas tampouco era velho. Não deveria ter mais que umas duzentas páginas.
Sabia quase que precisamente a cena do bendito. Então onde maldições estava?
Espero que não se importe. É da minha coleção pessoal. - James lhe havia dito algo deste gênero, não havia? Da coleção pessoal... não da biblioteca!
E a trama se complica. — Ironizou a si mesma. Agora não era apenas invadir a biblioteca dos Buckingham, mas sim o quarto pessoal de James. Qualquer um desistiria depois disto. Mas Jennie já tinha ido longe demais para voltar atrás. Não iria voltar de mãos abanando. John frequentemente a acusava de ser mais teimosa que uma mula. Bem, talvez John dissesse a verdade. E com um novo propósito abandonou a biblioteca.
O problema era que não tinha a menor ideia de onde se encontrava o quarto de James. A casa era quase um labirinto sem fim. Havia tropeçado na sala de visitas duas vezes, na sala redonda ao menos três vezes e no quarto de Lady Graham nada mais que quatro vezes, na última, quase que a acordando. Quando chegou à quarta vez Jennie havia dado uma cuspida ao lado da porta, poderia não ser a coisa mais decorosa a fazer, mas pelo menos não abriria aquela porta novamente. A perspectiva de uma Lady Graham a surpreender era apavorante. Por fim tentou o quarto ao lado da porta de Lady Graham. Que por estar apavorada demais com Lady Graham, sempre se esquecia de verificar.
E o que viu foi um quarto vazio.
Mas decididamente masculino.
E decididamente em uso. De alguma maneira lembrava um pouco o quarto de seu próprio irmão, mas ao mesmo tempo era diferente.
Dado que James era o único cavalheiro solteiro na casa que estava usando um quarto, provavelmente havia — finalmente — achado o quarto de James.
Vitória!
Que estava exatamente ao lado do quarto de Lady Graham.
Horrível.
Sem resistir, Jennie se atirou na cama de James. Era imensa.
E macia!
Provavelmente tinha o tamanho de três camas de Jennie.
Sem resistir — novamente -, enterrou seu nariz no travesseiro. De penas. E um forte e cheiroso odor masculino invadiu suas narinas. O cheiro de James!
Sentia-se bem. Quase que libertada. Mas devia parar de brincar pelo quarto e achar o livro. Não deveria abusar da sorte que tivera por achar o quarto de James vazio. Deveria sair dali. E rápido.
Dez minutos depois percebeu que achar o quarto de James era um tanto mais fácil que achar o livro de James.
Muito bem. Se eu fosse James, Conde de Buckingham e herdeiro do ducado, onde esconderia um livro impróprio e escandaloso?
Debaixo dos travesseiros. Nas gavetas. Entre suas roupas íntimas. Entre seus casacos. No divã. Jennie estava sem ideias. E o quarto de James estava revirado de cima a baixo.
Impossível de não se perceber que alguém o invadiu e mexeu em suas coisas.
Pouco antes de desistir Jennie viu a única coisa que não havia mexido.
Sua mala!
Rápida como uma gazela começou a desarrumar o restante de suas roupas.
O livro! Sentiu um súbito prazer ao desenterra-lo debaixo de algumas roupas de James. Como uma caçada ao tesouro!
Abriu-o. James tinha marcado a página que havia mostrado a Jennie naquela tarde. Claro que havia. O parágrafo indecente não tinha sido aberto ao acaso.
Sem conseguir aguentar-se a senhorita Devon devorou-lhe os lábios sentindo a dureza do jovem Barão as suas pernas. Ofegavam juntos e desesperada abriu-lhe as calças deixando sua vontade a dominar. Seu pai sempre a acusou de ser lasciva. Porém, antes de conseguir concretizar seu desejo a porta da sala foi escancarada e Devon foi surpreendida por sua avó.
— Mas o quê? — Jennie murmurou indignada. Deixando o livro escapar de suas mãos.
Todo esse trabalho para a heroína ser surpreendida por sua avó! Sua avó! Estava injuriada! Ofendida. Sua vontade era de rasgar o livro em pequenos pedaços. Tudo isso por nada. Surpreendida pela avó. Mas também! O que a velha tinha que chegar bem na hora?! Não podia esperar? Devon não queria ser interrompida! Jennie não queria que Devon tivesse sido interrompida! E ousava ainda dizer que o jovem Barão não queria que a velha os interrompesse. Porém, antes de Jennie voltar a pensamentos sensatos sem Devons e Barões ouviu um click da porta e meio segundo depois James a apareceu.
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