Te Darei Para Sempre Meu Coração
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Um título de baronete geralmente era concedido a alta burguesia, porém não era realmente um título de nobreza. Portanto, um Baronete seria referido como Sir, nunca como Lord. Mas como o baronete ainda era um título, o possuidor do título tinha acesso aos círculos sociais da nobreza e poderia casar-se respeitavelmente com a filha de algum nobre.
Quatro
E a comoção apareceu na loja da senhora Thursdale! Ao parecer Lady Tessa e Lady Featherstone esbarraram-se na loja da senhora Thursdale, cumprimentaram-se cordialmente e logo depois foram para suas respectivas salas. O que teria sido nada mais que o aceitável. Afinal, com o baile de Lady Rowlling a agenda da senhora Thursdale se encontra lotada e muitas senhoras e senhoritas esbarram-se pela loja. Tudo teria ocorrido normalmente se Lady Tessa não tivesse invadido a sala de Lady Featherstone para conferir-lhe o vestido. A curiosidade de Lady Tessa logo tornou-se mais que incomoda quando percebeu que ela e Lady Featherstone usariam o mesmo tom de verde. Injuriada Lady Tessa exigiu que Lady Featherstone escolhesse outra cor para o seu vestido. Lady Featherstone ofendidíssima comunicou que não trocaria de vestido ou de cor e que o verde- floresta caia-lhe muito melhor que em Lady Tessa. Apavorada, uma das costureiras foi chamar a senhora Thursdale, que apareceu em um inoportuno (ou muito oportuno) momento e acabou recebendo em seu decote o bolo destinado a acertar Lady Featherstone. No final, nenhuma peça da loja foi danificada — a não ser o vestido da senhora Thursdale — e Lady Tessa junto com Lady Featherstone concordou de mudar minimamente o tom de verde de seu respectivo vestido. Lady Tessa optou pelo verde-floresta num tom minimamente mais escuro e Lady Featherstone optou por um verde-floresta num tom minimamente mais claro. Por sua vez, a senhora Thursdale declarou que tiraria os bolos do cardápio.
JORNAL O ÚLTIMO GRITO, SEÇÃO A COLUNA DO SENHOR P.
POR SOCIEDADE A NÔNIMA
26 de fevereiro de 1811
Por um segundo Jennie achou que não tinha sido percebida no quarto, que estava escuro sendo iluminado por tão somente uma pequena vela. Mas então James a encarou. E por algum estranho motivo, piscou várias vezes.
- Gin-ger! — Saudou ele um pouco alto demais com a voz arrastada.
- James? — Ela estava confusa. James parecia um tanto diferente de seu habitual e Oh...
Por Deus! Estava bêbado.
- Primeiro meu pai. — James cambaleou para dentro fechando a porta do quarto, o que fez Jennie se sentir nervosa. — E agora você. O ornamento da casa. A última pessoa que eu queria ver.
- Lorde Buckin...
- James! Me chame de James. Odeio que me chamem de Lord Buckingham.
James aproximou-se dela.
- Sabe. Você era a última pessoa que eu gostaria de encontrar nesse estado. — Ele aproximou-se mais. — Quem eu gostaria que estivesse bem longe. — seus narizes agora quase se encostavam. — E vê-lo no meu quarto. — a encarou. — o torna praticamente irresistível. — As últimas palavras ditas num sussurro.
E Jennie foi beijada.
E era incrível.
James passava a língua em seus lábios tentando abri-los e Jennie sem resistir mais, os abriu. E foi maravilhoso. Jennie havia perdido muitos momentos de sua vida pensando em como seria ser beijada. Sempre imaginou que seria algo meigo e bonito que a faria sentir-se morna e cheia de ternura. Mas, isso? Estava muito longe de sua imaginação. Não se sentia morna. Nem mesmo sentia-se quente. Sentia-se explodindo. James a chupava e a mordiscava e Jennie por vezes achava que o chamava. Sentia-se desesperada. Agoniada por toca-lo. Desejosa de que ele a toca-se.
- Desejo-o. — murmurou ele enquanto fazia uma trilha de beijos até seu pescoço. — Não sabia até hoje que o tanto que o desejo. Melhor. Sabia. Mas estava assustado demais para pensar.
E Jennie sem perceber tocou-o. Passou a mão em seu peito. Desceu até suas costas. E apertou-lhe trazendo-o para si.
Como se esse fosse algum tipo de botão, James um tanto desesperado, carregou-a para cama e arrancou-lhe a camisa.
O frio do quarto arrepiou por um momento a pele nua de Jennie. Mas estava desejosa demais para se importar. Perdida demais para pensar. E o pensamento de seu corpo nu perante James parecia tão certo... tão correto... que nem valia a pena em se questionar.
Ele agarrou suas mãos e puxo-as para cima aprofundando seus beijos. Jennie sentia a dureza dele entre suas pernas. A mesma dureza que a senhorita Devon provavelmente sentiu com o jovem Barão. Sentiu, não é assim? Tinha acabado de ler a cena. Mas estava atordoada demais para se lembrar.
- Oh. Está com o peito amarrado? — murmurou James beijando a faixa em seu peito. — parece dolorido. — Jennie não respondeu. Tinha certeza de que falasse o encanto se quebraria. Queria mantê-lo. Tê-lo para si, somente um pouco mais. Um momento mais.
James frouxou sua faixa e lentamente a baixou expondo os seios de Jennie.
- Mas o quê... — Arfou.
Ao escutar o tom surpreso de James, Jennie sentiu-se como se tivesse levado um balde de água fria. Céus! O que estava fazendo? Estava louca! Possuída!
Uma tola. Era uma tola.
- Você... você...
Mas antes que James pudesse continuar sua frase, Jennie desesperada agarrou um objeto aleatório da cômoda e o acertou direto na cabeça deixando-o desacordado.
Oh, céus! Havia acertado James com uma caixinha de madeira.
Com certa dificuldade, empurrou para o lado o corpo inérte de James.
E com um nó na garganta deixou o quarto. Estava assustada.
Despreparada.
E possivelmente podia ter matado o Conde de Buckingham.
Jennie andava em círculos pelo quarto, esteve fazendo tantas vezes o mesmo trajeto que poderia ser capaz de abrir um buraco no chão. Não havia conseguido dormir a noite e grandes olheiras provavelmente brotaram em seus olhos. Não tinha como confirmar esse fato até sair em busca de um espelho, porém estava assustada demais para isso.
Meu bom Deus. Ela poderia ter matado um homem.
Poderia ter matado James!
Não queria que James morresse! Tinha certeza de que a pancada não havia sido forte o suficiente para tirar-lhe a vida. Talvez para causar algum dano. Mas não para lhe matar.
Porém, quando James acordasse lembraria... se lembraria dela.
E a delataria.
Jennie suspirou três vezes antes de dirigir-se a porta. Não podia esconder-se para sempre e enfrentaria James de frente, revelaria toda a verdade para a Duquesa e talvez a perdoassem. Claro que teriam que chamar seu pai e Jennie seria obrigada a se casar com aquele horroroso do Bawlling. O que de alguma forma acabou por se tornar ainda mais difícil depois de conhecer James.
James era carrancudo, mas não espancava as criadas. Jennie não seria uma criada. Mas se Gregor Bawlling batia em suas criadas o que lhe impedia de bater em Jennie, sua mulher?
Suspirando mais uma vez deu um passou para fora da porta, vendo seu futuro quebrar-se.
A cabeça de James latejava. Não, mais que lateja. Parecia que lhe tinham passado com uma carruagem por cima. Santo Deus. Sabia que tinha bebido além da conta, mas isso? Parecia quase que físico. Depois que seu pai o havia deixado no escritório James continuou esvaziando a garrafa de Brandy até o pondo de não se lembrar de como havia chegado em seu quarto. Por algum motivo que nem ele sabia estava sem camisa, mas continuava com suas botas. Afinal, no que ele estava pensando? Por que maldição havia de tirar a camisa e não suas botas?
Sua cabeça deu uma latejada particularmente forte. Tinha a sensação que todo o lado direito de seu rosto estava absurdamente dolorido.
Com relutância se levantou da cama e foi assolado por uma onda de vertigem. Céus, mas o que havia feito depois de ter partido do escritório de seu pai? Sua cabeça parecia querer explodir, sentia-se fraco e um pouco Mareado.
Veneno. Sinto me envenenado. Se me dissessem que ontem no caminho ao meu quarto enganei-me e ingeri uma garrafa de veneno, acreditaria.
Sentia-se particularmente satisfeito consigo mesmo. Havia elaborado um pensamento completo e coerente. O que, considerando seu estado atual, era uma proeza.
Conferiu sua aparência no espelho e gemeu. Sabia que devia estar terrível. Mas isso?
Não estava preparado para o que viu.
- Mas o que... — sentiu uma fisgada de dor. A lateral direita de sua cabeça, um pouco abaixo do olho, estava roxa. Roxa!
Ele deveria... Céus! Não fazia ideia do que havia feito para acordar com semelhante cor em seu rosto.
Poderia enrolar em seu quarto por mais meia hora antes de alguém chama-lo para o café da manhã. Conferiu o relógio. Hum. Poderia enrolar por somente mais dez minutos. Foi lavar-se e se preparou para descer.
- Oh. James, querido. Seu rosto!- Exclamou a Duquesa quando James entrou na sala para o café. Como sempre o olho de sua mãe era feroz.
Ginger se engasgou levemente e depois se mexeu incomodo na cadeira. Janet soltou uma pequena exclamação de dor.
- O que fez? — Perguntou o Duque mal tirando os olhos do jornal.
James sentia-se um tolo por ter que admitir a sua família que não tinha nem ideia de como aquilo foi parar em sua cara, mas não havia escolha. Não quando tinha decidido descer para o café e enfrenta-los junto com suas perguntas das quais não teria resposta. — Não sei. — admitiu sentando-se ao lado de Janet. Sentiu olhar de todos sobre ele, até Wilfred provavelmente estaria agora com os ouvidos duas vezes maiores. — Quando acordei já estava assim.
Sua mãe pareceu um tanto confusa, já seu pai olhava-o avaliador, Janet parecia exasperada com a falta de informação e Ginger... Ginger parecia de alguma forma aliviado, o que era certamente curioso. James deu uma rápida espiada em Wilfred, continuava impassível. Provavelmente, mesmo que fossem oferecidas mil libras a Wilfred, ele ainda continuaria impassível, como o bom mordomo que se orgulhava de ser. Porém se isso realmente acontecesse, James tinha certeza de que o velho mordomo se aposentaria na mesma hora.
- James. Está com uma aparência horrorosa. — Avisou tia Bea enquanto sentava-se a mesa.
- Agradeço pelo aviso, tia Bea.
Tia Bea olhou com o olhar questionador, mas foi Janet quem respondeu afetadamente, como se James se tratasse de uma fofoca lamentosa.
- Não sabe o que aconteceu. Diz que acordou assim.
- Oh. Devo sentir-me transtornada? Detestaria ir-me dormir e acordar com... — Tia Bea balançou as mãos como se espantasse a algo.
- Tenho certeza de que a casa é segura, Beatrice. - Lord Buckingham respondeu com uma voz profunda. Seus olhos estavam intensos. — Provavelmente James acidentou-se na volta ao seu quarto.
Todos olharam inquisidoramente para James, nem as criadas se contiveram. Ele sentiu-se afundar na cadeira. Nunca em toda a sua vida tinha se sentido tão estúpido como agora e tudo por causa de um estúpido machucado.
- Provavelmente. — Murmurou.
- O que disse? Não ouço. Acidentou-se? — Perguntou tia Bea. James tinha certeza de que ela havia o ouvido muito bem. Mas tia Bea tinha que ter certeza de que os outros ouviriam. O que não era difícil, uma vez que a sala estava anormalmente silenciosa.
- Provavelmente. — Repetiu um pouco mais forte. Queria quebrar alguma coisa.
- Afinal, como se acidentou? — Tia Bea o estava torturando.
Quando estava prestes a soltar uma maldição e quebrar dramaticamente um prato antes de fugir injuriado da sala, Ginger se meteu.
- Caiu no corredor quando voltava ao seu quarto. — Todos encararam Ginger intrigados com a informação, inclusive o próprio James. O garoto deu os ombros. — Obviamente tropeçou no corredor enquanto voltava a seu quarto. — Bêbado. Ginger não disse, mas a palavra estava implícita.
Ótimo. Agora o condenavam de ser um bêbado. O que provavelmente não era muito justo, afinal ele não tinha visto ninguém acusando Sua Graça George Buckingham de ser um bêbado.
- E o senhor chegou a vê-lo? — Perguntou tia Bea a Ginger especulativa.
Ginger fez uma expressão de como se tivesse considerando a pergunta antes de falar. — Lamento, mas não cheguei a vê-lo. Mas escutei-o. O tropeço. Depois o 'BUUMM'. E por fim um praguejo. Tenho certeza de que era de Lord Buckingham.
James percebeu que Ginger estava muito consciente de que haviam dois Lordes Buckingham em Buckinghamwood e não falou seu nome de batismo a propósito.
Tinha certeza.
Ginger não havia ouvido nem visto nada. Apenas tentava ajuda-lo.
Estavam cavalgando há quase uma hora pela propriedade e Ginger ainda não havia lhe dirigido uma palavra sequer. O dia todo.
Chegava a ser alarmante!
Seu pupilo se encontrava perigosamente quieto e submisso. Às vezes parecia que estava pensando em algo, mas James não tinha como ter certeza.
A tutoria havia sido esplêndida. Ou pelo menos deveria ter sido. Ginger não havia retrucado ou amaldiçoado em uma aula inteira. Pela primeira vez.
Uma aula inteira e pela primeira vez eles não haviam discutido.
Deveria ter sido uma vitória. Mas não se sentia assim. Era estranho, tinha certeza de que seu pupilo não o escutava. James falava e ele acenava com a cabeça concordando. James repetia. E ele continuava concordando. Então James chamou-o de idiota.
E Ginger concordou!
Logo depois da tutoria, James como sempre fazia, havia convidado a Ginger a se juntar a ele para uma cavalgada pela propriedade. James gostava muitas vezes de conferir como ia a vida dos arrendatários de seu pai. E para a sua surpresa, Ginger havia aceitado.
Ginger nunca havia aceitado antes! Sempre saia bufando e batendo os pés gritando o quanto o detestava e que seria a última pessoa da Inglaterra da qual disfrutaria a companhia.
- Vamos andar por mais uns dez minutos e depois voltaremos. — James não esperou por uma resposta. Afinal, Ginger não estava lhe dirigindo a palavra.
- Hum... James... – murmurou quase que imperceptivelmente e James nem tinha certeza de que o tinha realmente ouvido.
- Sim? – virou-se lentamente. Não tinha bem certeza por que mais realmente queria ouvir o que Ginger tinha para falar, mas ao mesmo tempo sentia-se quase que assustado.
Para a sua surpresa o garoto encontrava-se quase da cor de seus cabelos.
- Você... hum... – Ginger enrolava-se enquanto encarava o lombo de seu cavalo. – Você.. hã... já se sentiu apaixonado?
James quase se engasgou com a petulância do garoto. Não esperava ser atacado com esse tipo de pergunta sem sentido. Suponha-se que homens não conversem esse tipo de assunto.
- Infelizmente – James deixou escapar uma careta involuntária. – sim. — O que era natural. Havia sim se apaixonado uma vez. Era jovem, tolo e achava que tinha o mundo. Como todos os seus amigos de Eton. E quando viu a mulher mais bela da aldeia que visitavam achou que por direito lhe pertencia. Afinal, não era o dono do mundo? – Um tolo. – murmurou.
- Como? – O garoto parecia confuso.
- Era um tolo. Só os tolos se apaixonam. – O que era verdade. Como todo garoto de quinze anos, James havia se encantado com a bela Emily. James sabia que Emily era casada. Seu marido era um simples padeiro e um homem horroroso. Mas isso era o que Emily lhe falava, a ele e a todos seus outros amantes. – Era casada. Com um padeiro.
- Apaixonou-se pela mulher do padeiro? – Ginger agora parecia intrigado. – O grande Lord Buckingham se apaixonou pela mulher do padeiro?
- Sim. – Disse rindo. Agora parecia uma história estúpida, mas na épica havia ficado profundamente ofendido com o rumo das coisas. – Tinha quinze anos. E a mulher absolutamente formosa na arte da sedução. Ao parecer, encarava como um tipo de jogo seduzir aos jovens nobres que visitavam a vila. O que eram muitos, uma vez que ficava nas proximidades de Eton.
- Céus! – Exclamou estupefato. – E era a mulher do padeiro. Inacreditável.
- Sim. Ainda não posso acreditar que dois de meus amigos quase mataram-se em um duelo ilegal pela sua mão.
- Mas era casada!
- Tente explicar isso a jovens apaixonados de quinze anos. Éramos estúpidos.
- Você também? Duelou por sua mão? – Zombou Ginger.
- Não. – Respondeu sério sentindo-se desconfortável. Nunca poderia admitir que se sentia aterrorizado demais com a ideia de ter uma pessoa para cuidar.
- Mas não chegou a pedir para que se separasse de seu marido. – Sentenciou comprimindo os lábios. – Estava apaixonado, mas não a pediu.
-O quê? – Por um momento sentiu seu pavor aflorar.
- Sentia-se apaixonado, mas não pediu para que abandonasse seu marido. – Acusou o garoto exasperado.
- Como sabe? – Indagou arqueando as sobrancelhas enquanto encarava a Ginger.
- Se tivesse pedido ela teria abandonado tudo. – Afirmou com a cor voltando as suas faces.
- Com que certeza afirma isso? Não me lembro de conhecê-lo nessa época. – O tom de James era insolente e brincalhão, mas no fundo sentia-se duro e rude. Não lhe agradava o rumo da conversa.
Ginger pareceu corar ainda mais. – É um conde. Será um Duque. É bonito. E por vezes é que nem a Duquesa. – As últimas palavras foram ditas num sussurro.
- Minha mãe? – Sempre lhe haviam dito que seu físico assemelhava-se um tanto a sua mãe. Mas tinha certeza de que Ginger não estava se referindo a seu físico. O que era intrigante.
- Sim. Lady Buckingham é por vezes bondosa. Tenho certeza de que nenhuma mulher o recusaria.
- Voltemos! – Exclamou. Seu senso de preservação lhe dizia para acabar com o assunto. – Minha mãe espera-nos para o chá.
- Chá?
- Sim. – Mas antes de acabar com o assunto acrescentou. – Sabe Ginger, também não o odeio. Não sou seu inimigo.
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