Te Amaré Hasta La Muerte.
2 Há esperanças?
Depois de 4 horas de viagem, finalmente cheguei à capital. Estou MUITO cansada, muito mesmo. Não parei nem pra comer e, olha que eu estou sem comer nada desde o almoço... Levando em conta que agora são 20h24min. Graças à Deus eu conheço bem aqui e sei onde fica o melhor restaurante.
Fui até o “La Plaza” comer, segura de que ele ainda era de boa qualidade. Estava bem cheio, ninguém percebeu a minha chegada. No começo, eu achei que seria porque a minha carreira não estava no seu auge. Mas, na verdade, era pela quantidade de pessoas mesmo.
De repente, uma menininha que estava sentada junto aos pais, gritou “Olha, é a Dulce María!”. Então eu percebi que esse seria o começo do fim do meu jantar tranquilo. O que eu menos queria, naquele momento, era atender fãs, autografando, com fotos e essas coisas... Por mais que eu ame cada um deles, é difícil ter que passar por momentos assim, quando eu queria pelo menos comer um cachorro-quente.
Atendi uns 100 fãs e quando o último saiu, eu pedi um cachorro-quente pra viagem, dei um tchau geral e fui embora. Quando passei pela porta, senti um alívio e a sensação de que algo bom aconteceria, mas não sei o quê.
Tive sorte e não peguei movimento nas rodovias. Cheguei ao estúdio em 10 minutos. O lugar era enorme, não me lembro de ter visto ele tão desenvolvido. Na última vez que passei por ele, não tinha tantos blocos.
A primeira pessoa que eu vi, foi a pessoa que eu mais queria ver. Ele estava de costas, conversando com o Pedro. Percebi que era realmente ele por causa da sua santa bunda – o único homem que tem uma assim e que eu já olhei –, e pelo cabelo castanho encaracolado dele, feito um anjo.
Aproximei-me mais dele e cutuquei-o no ombro. Ele se virou rapidamente, mostrando ter um bom reflexo.
- DULCE! – ele gritou e me abraçou, quase tão forte a ponto de quebrar minhas costelas.
- Uck. Que saudades. – falei, em tom baixo.
- Eu estava com muitas saudades também. Fiquei contando as horas pra que hoje chegasse e pudéssemos nos ver de novo. Eu tenho uma coisa muito importante pra t...
- Christopher! Dulce! Venham cá conhecer o diretor! – Um homem, provavelmente um dos produtores, deu um grito tão alto que até outras pessoas, que obviamente não se chamavam Dulce ou Christopher, olharam.
- Estamos indo. – fui andando em direção ao bloco F e deixei o Ucker para trás, eu estava muito nervosa. Ele podia me dizer quaisquer coisas. Coisas que eu quisesse ou não ouvir.
- Dul... – o ouvi sussurrar e olhei pra trás. Ele batia os pés, como se estivesse com raiva de si mesmo.
Aquela sala era um forno total, tinha uma janela só. E mesmo com ela totalmente aberta, parecia que não ventilava nenhum pouco. Lá dentro, conversamos sobre uma sugestão melhor pro nome da novela, que a princípio seria “Dos corazones”. Pelo título, percebi que seria um romance. E como eu e o Ucker éramos os personagens principais, obviamente, seríamos um casal. Quando pensei nisso, me veio à tona, que poderia ser uma oportunidade para namorarmos de novo, o que eu mais queria.
Depois, o diretor e os produtores deram algumas instruções, o mapa do estúdio e onde ficam os dormitórios, pra se caso quiséssemos dormir ali. Eu disse que iria, pois odeio acomodações de hotéis e acordo tarde se estiver sozinha.
- Eu acho que eu também vou ficar por aqui. – disse Ucker, imediatamente quando eu terminei de falar.
- Por quê? – o diretor perguntou – ele parecia meio estranhado com nossa atitude, de escolher o dormitório do estúdio, quando podíamos pagar por um hotel, mil vezes melhor.
- Porque eu me sinto melhor, do que nos hotéis; tenho coisas pendentes, que preciso me concentrar pra fazer e sei que vou ficar feliz aqui. – ele me olhou.
Senti meu rosto ficar vermelho de vergonha. Dei um sorriso muito tímido. Ucker só mexeu um canto da boca, dando a impressão de que ele também estava envergonhado.
Ucker saiu da sala primeiro. Achei que ele tinha ido para o quarto dele, pra descansar, ou coisa assim. Eu fiquei conversando com o Pedro Damian, mais um pouco e quando terminamos de colocar o papo em dia, peguei minhas malas e fui direto pro meu quarto.
- Ô, Dulce. Espera! Quer que eu leve suas malas pra você?
- Que nada. Sempre carregam as malas pra mim, dá pra ver que é um estorvo.
- Mas eu vou levar.
- Certeza?
- Sim, Dulce. Eu levo até lá, você espera um pouco e quando eu voltar, você vai.
- Por quê?
- Só faça o que eu digo. Espera aí, que eu já volto.
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