Te Amarei... Para Sempre...
7 Capítulo 7
Paulo narrando:
Acordei com o sol no rosto. Primeiramente fiquei irritado, mas depois que vi quem estava do meu lado, relaxei. O rostinho de princesa de Valeria repousava no meu ombro, e ela dormia sorrindo. Com o que será que ela sonhava? Eu gostava de pensar que fosse comigo.
Devagar ela abriu os olhos, e em vez de se assustar como da última vez, ela sorriu para mim.
– Bom dia. –Disse ela, me dando um selinho e foi a minha vez de sorrir. Mas o sorriso logo abandonou meu rosto.
– Valeria... Já não está na hora de você me dizer a verdade?
Ela se moveu desconfortável, suspirou e disse:
– É que... Eu não sou casada.
– Disso eu já sei. –Falei revirando os olhos.
– Me deixa terminar. –Protestou me batendo no ombro.
– Tá Vai, termina.
–Bem, no dia do casamento, Davi fugiu com a empregada. –Eu não sabia se ria daquilo ou se ficava com raiva desse louco por ter deixado uma garota como Valeria.
– Por que você não contou?
– Ah, sei lá, fiquei com vergonha.
– Ele que deveria ficar com vergonha por ser burro.
A risada contagiante dela envolveu meu quarto e adocicaram meus ouvidos.
–Paulo, para de ser bobo, no final até foi bom, eu não queria casar mesmo.
– Você vai contar para todo mundo agora?
– É o jeito.
–E... Nós?
– Nós?
– Sim, Valeria. Nós dois. –Disse eu esperançoso.
– Eu... Eu não sei Paulo. – Era como se ela tivesse me dado um tiro, me afastei devagar, mas ela me segurou e me olhou firmemente, e continuou a falar me surpreendendo: — Mas, admito que eu estou começando a gostar de você.
Sorri, isso já era alguma coisa certo?
– Bom, já são quase nove horas, o casal apaixonado sai as dez para o aeroporto, não é melhor você contar a verdade logo?
–Ok, mas tem que ser agora?- Disse me dando alguns beijinhos.
–Não... Deixa pra depois. – Disse eu a beijando de volta.
Ela riu.
–Eu só tava brincando, vamos logo. – Se levantou em direção à porta, mas antes que ela abrisse eu chamei sua atenção para uma coisa.
– Valeria, espera... Não é melhor, hum, você se vestir primeiro?
Se rosto ficou rosa e depois um vermelho vivo de vergonha.
– Cla-claro.
Alguns minutos depois...
Descemos as escadas e no meio dela já pudemos ver Bibi e Koki se despedindo dos outros dois com as malas perto de si.
–Ei! Vocês iam embora sem se despedir da gente? -Perguntei.
–Óbvio que não.
Aproximaram-se e abraçaram a mim e a Valeria.
– Ahn, preciso contar algo. – Valeria disse atraindo atenção de todos na sala.
– O que foi Valeriia? — Bibi perguntou preocupada.
– Eu tenho que dizer uma coisa.
– Tudo bem, pode dizer.
– Eu... Não sou casada. –Disse bem rápido. Todos, menos eu e Majo, ficaram espantados. Bibi levou as mãos à boca e perguntou triste:
– Vocês vão se separar?
– Nós nunca nos casamos, Bibi.
– Mas então... Como? Por quê ?- Suas perguntas saiam sem nexo. – Você podia ter me contado seja lá o que tenha acontecido.
–Eu sei, eu sei. Por isso estou contando agora. No dia do casamento, Davi não foi. Ele fugiu com a empregada pra Deus sabe onde. E eu fiquei com vergonha de dizer isso.
O olhar de Bibi ficou compreensível e ela abraçou Valeria...
–Pode contar comigo pra tudo Val sabe disso não é?
–Sei. –Ela disse e elas se abraçaram quase se matando de tão apertado que estava o abraço.
–Bem, já chega disso, é fofura demais de manhã. Isso é chato. –Disse Majo e as duas se largaram.
–Já vamos indo. –Disse Bibi pulando em cima de Koki e nos olhou e depois encarou a sala. –Vocês podem ficar aqui se quiserem.
– Não preciso ficar aqui, acho que vou pra casa, obrigada por ter me deixado ficar aqui. –Daniel foi o primeiro a dizer.
–Que isso, você é da família!-Bibi riu.
–Eu também tenho casa, então vou pro meu canto. –Eu falei esfregando as mãos imaginando como seria ter meu vídeo-game de volta depois de dois meses.
–E vocês?Vão continuar no Rio?-koki perguntou para as irmãs, que se encaram e pareciam estar falando com os olhos. Estranho. Muito estranho.
–Eu fico!- Exclamou Mahi segurando a mão do Daniel e eles se beijaram em mais um momento Maniel que eu agüentei durante um mês e meio.
–E você Valeria?-Bibi indagou com uma sobrancelha levantada para a amiga, que olhou pra mim de soslaio.
Valeria Narrando:
–Ainda não sei Bibi. Vou ficar em hotel por enquanto e depois decido. –Respondi.
Sinceramente, eu não queria ir para lugar algum. Eu gosto daqui. Eu quero ficar perto da minha irmã. E... Não quero ir para longe dele.
–Então, já que todos se decidiram, vamos Amor. –Koki disse...
–Tchau!-Exclamamos todos juntos.
–Pensei que eles não iam mais embora. –Majo falou acabando com o silencio desagradável que ficou quando eles se foram.
–Até parece que você não ama eles também. –Disse Daniel arrancando um sorriso dela. E a sessão “agarramento na sala de estar” continuou.
Revirei os olhos e corri para o meu quarto. Suspirei, foi tão legal o tempo que eu passei aqui.
Arrumei a minha mala catando peças de roupa pelo chão.
–Vou sentir falta disso. –Pensei observando a zueira que estava o quarto.
Em passos lentos andei em direção a porta, não estava com pressa, queria prolongar o máximo possível.
Quando a abri, Paulo estava lá com a mão estendida como se fosse bater na porta, mas parecia que ele ainda pensava nisso. Quando me viu ele deu um meio sorriso nervoso. Ele tinha trocado de roupa e em suas costas estava sua mochila.
–Eu queria saber se... Você queria uma carona pro hotel?-Ofereceu mexendo as mãos no ar com um gesto nervoso.
–Paulo... Eu não vou para um hotel. –Eu disse dando um sorriso envergonhado.
–Mas você disse quê... –Ele ia completando, mas eu o interrompi.
–Eu menti. A verdade é que eu não tenho mais dinheiro, e meus pais mim “odeiam” desde que eu sai daquela casa. Eu ia pedir a Majo para ir a morar com ela e Daniel, por um tempo. –Respondi algo que eu esperava pensar depois, mas não queria mentir pra ele, não pra ele. Ele é em quem eu mais confio depois da minha irmã.
–Vem morar comigo. –Ele disse algo que eu já esperava dele, ri e ele me encarou confuso e insistiu: — Vamos Valeriia, imagina só, nós dois no meu apartamento, podíamos ver filmes até tarde, fazer brigadeiro e pular na cama!
Ele falou tão infantil e fofo que eu ri e tive vontade de apertar suas bochechas beijar cada cantinho do rosto dele.
–Tem certeza que me quer na sua casa?Eu sou bagunceira. -Brinquei mostrando a desordem que estava o quarto de hóspedes.
–E daí?Isso não é nada comparado ao meu quarto. –Riu apontando com deboche para meu antigo quarto.
–Isso é porque você não o viu antes de eu arrumar as malas. –Comentei enquanto íamos para o seu carro.
Majo e Daniel não estavam mais em casa, devem ter ido para a casa dele. Depois eu ligo para o celular de um deles, tenho certeza que nem vão se importar.
Quando chegamos, ele pegou sua mochila e minha mala sobre meus protestos.
O apartamento (Que mais parecia uma casa) ficava na cobertura. A visão de lá de cima era realmente linda. O apartamento era bem arrumado o que levantou uma questão na minha cabeça:
–Pensei que seu apartamento estaria bagunçado.
–Ah, não. Bruna sempre vem uma vez na semana limpar, menos no quarto, nem ela se aventura a entrar lá dentro. –Riu de sua própria piada, mas eu senti um sentimento de raiva borbulhando dentro de mim.
–Quem é Bruna?-Perguntei tentando parecer o mais natural possível, mas por dentro estava me corroendo de ciúme, quem seria essa garota que vem ao apartamento do meu Paulo?!
–A empregada. –Respondeu alheio ao meu desespero. Quase suspirei de alivio. Mas, pensando bem, era bobagem minha, afinal por que uma garota viria arrumar o lugar onde ele mora?Que idiotice a minha de pensar que ela podia ser outra coisa.
–Onde eu vou dormir?-Perguntei mudando de assunto.
Ele congelou e pensou um pouco.
–Esqueci que só tem um quarto.
Ele fez cara de arrependido, mas no fundo tanto eu quanto ele já sabíamos que ele se lembrava desse detalhe.
–Você dorme no sofá. –Eu disse de modo maduro em alto e bom som.
–Não, não mesmo. Meu sofá pode ser ótimo, mas eu não vou dormir nele.
–Então eu já vou indo. –Respondi decidida. Não dei nem meio passo e ele já estava na minha frente.
–Valerinha, que problema tem em dormirmos na mesma cama?Vamos estar sozinhos, a cama é bem grande e podemos dormir abraçados pra você não ficar com frio. –Disse fazendo um biquinho fofo e segurando minha cintura.
Pensei, um pouco e conclui que ele tinha razão. Afinal que mal tinha?Somos maiores de idade e vamos ter esse apartamento só pra nós. E só de pensar em dormir abraçadinha com ele já me fazia querer viver no Rio a vida inteira.
–Ok, eu fico.
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