Valeria narrando:

Pulei assustada. Cobri meu corpo com o lençol e comecei a catar as peças da minha roupa no chão.

Paulo continuava deitado, muito confuso... Como ele ficava bonitinho desse jeito!Sem querer soltei um suspiro e isso pareceu “acordar” ele.

–Valeria... O que aconteceu?-Conseguiu pronunciar baixinho, e eu congelei, não lembrava nada.

–Eu... Não sei.

–Ah... Acho que eu sei. – Ele falou divertido e apontou para cama, e meu rosto ficou como um tomate de tão vermelho, meu deus eu estava corando!Isso é coisa das menininhas apaixonadas dos livros, não comigo!

–O que você está insinuando?Eu nunca faria isso!Caso você não se lembre, eu sou casada!-Reforcei a farsa levantando minha voz.

–Mas não o ama. – Ele declarou sua sentença final, me deixando pasma.

–Quem é você pra dizer quem eu amo ou não?-Indaguei agora furiosa com ele.

Ele levantou e colocou sua roupa de volta, depois veio até mim. Péssima ideia. Eu não podia ter ficado calada?

Continuei com minha pose de irritada e com a mão na cintura olhando feio pra ele, o que não o amendrotou em nada.

Se aproximou mais, sua respiração batendo no meu rosto. E me beijou... O melhor beijo de todos, nem em todas as vezes que eu imaginei chegou à tamanha perfeição, seus lábios eram quentes e gentis. E então nos separamos. E ele começou a falar não tirando os olhos dos meus:

–Se você amasse seu marido de verdade, não teria dormido comigo. Já teria me dado tapas dezenas de vezes. Não teria correspondido á esse beijo. E não teria motivos para ainda estar nesse quarto.

Ele me deixou totalmente sem palavras e parada lá como uma boba, se afastou e foi para o banheiro, ouvi o som do chuveiro e presumi que ele estava tomando banho.

Pisquei e percebi que eu também tinha que tomar um, mas não aqui é claro. Sai do quarto batendo a porta e no corredor dei de cara com Majo.

–Valeria... O que você está fazendo no quarto do Paulo?-Perguntou sonolenta.

–Eu... Eu... Vim acordá-lo!Ele não é fácil de ser acordado.

Então, antes que ela fizesse mais perguntas, e entrei no meu quarto. Invés de ir ao banheiro tomar banho, eu me joguei na cama e fechei os olhos. Calma Valeria, isso é só um pesadelo, você já vai acordar.

–VALERIA!BIBI MANDOU VOCÊ SE APRESSAR!- Majo gritou do corredor, esmurrando minha porta, que droga!Por que não mandaram o Daniel vir me acordar?Ele é mais legal.

Okay, levantei mais cansada do que antes, o sol brilhava e eu parecia um zumbi no espelho. Entrei de baixo do chuveiro com esperanças de que eu sairia melhor de lá. Não adiantou.

Nada que maquiagem não resolva.

Coloquei o vestido, era branco e azul e ia até um pouco mais acima do pé. Arrumei meu cabelo e fui ver meu trabalho. Meu queixo caiu. Eu estava linda e modesta ao mesmo tempo, estava ótimo.

Coloquei um salto baixo e dei um retoque na maquiagem. Meu quarto era na frente do de Tomás, e quando eu saio dou de cara com ele. Se eu o achava bonito com regata e bermuda, era porque nunca tinha visto ele de terno.

–Uau, se eu não estivesse por dentro do assunto, diria que você é a noiva. – Comentou me elogiando. Eu revirei os olhos e me afastei dele.

No quarto de Bibi... Bem, alguém despediu a empregada. O lugar estava uma zona.

–Cadê meu vestido?!O meu sapato está aranhado!Droga, minha maquiagem está muito chamativa!E cadê o vestido?!-Foi a única coisa que eu entendi, Bibi reclama tão rápido que eu não entedia tudo que ela dizia.

Esse vai ser o casamento mais longo da história.

Paulo narrando:

–Já chegamos?- Koki o perguntou pela milessíma vez.

–Não. – Daniel respondeu paciente enquanto dirigia.

–Já chegamos?- Koki perguntou dois minutos depois. E eu perdi a paciência.

–JÁ ESTAMOS CHEGANDO!SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊ CALAR A BOCA?Essa é uma experiência que você queria passar, então agüente todos os segundos!Aproveite tudo que acontecer!Até as demoras!- O respondi com um quase discurso.

Os dois ficaram calados até chegarmos á igreja, quê, diferente do que pensei, não estava cheia de artistas e pessoas da sociedade, tinha apenas a família deles dois e amigos.

–Como você conseguiu algo tão simples?- Perguntei para Koki.

–Ah, foi simples, só tive que aceitar ir passar a lua-de-mel no Caribe.

Duas horas. E Koki já estava entrando em desespero.

–Calma cara, elas demoram assim mesmo.

Mas ele não parou de andar em zigue-zague e fazer suposições idiotas sobre coisa como “Ela não vem.” Ou “Ela percebeu que eu sou um idiota qualquer.” E muitos outros que quase me fez gritar de novo como no carro.

E então a tradicional música de casamento soou e ele finalmente calou a boca tentando inutilmente arrumar o seu cabelo que tinha ficado um ninho de passarinho com fios.

E lá estava Bibi como sempre vestida com vestidos de contos de fada. E lá atrás, estava Valeria, tão linda que, assim como de manhã, eu duvidei que Bibi fosse à noiva.

Todos ficaram em seus devidos lugares e eu tive que agüentar tudo aquilo, mas a cerimônia foi tão bonita que eu não conseguiria zoar Koki depois.

Quando acabou todos foram para a melhor parte do Casamento: A festa.