Te Amar Ou Te Odiar?

15 Momentos difíceis


Notas iniciais
Oi pessoal! Já tiveram uma semana difícil e cansativa? Pois é, a minha foi exatamente assim, prova, trabalho, atividade avaliativa, maquete... Argh! É por isso que eu amo fim de semana. Bem, ai está mais um capitulo, provavelmente não irão gostar muito, mas lembrem-se: Só faço isso por que é preciso, se não nem faria.



Pov. Mônica

Agarrei Cebola em um abraço mais apertado sentindo minhas lágrimas saírem sem qualquer esforço. Ouvir aquelas palavras... Senti como se alguém estivesse tentando me machucar com alguma coisa afiada em meu coração.

Não sei qual de nós dois estava mais chocado. Cebola conhecia Susan há mais tempo que eu, e ainda trabalhou com ela na floricultura. Mas ela se tornou minha avó... Não, nossa avó. Susan era importante para nós dois, e sempre será.

— Mônica. Eu tenho que ir até a sala do diretor para conseguir uma autorização. – Ele falou se desfazendo do abraço e olhou pra mim, seus olhos estavam muito vermelhos. — Nós temos que ir ao hospital agora, Marcio está lá em estado grave. – Oh meu Deus, nem quero pensar nisso agora. Se meu avô também se for, eu juro que não sei o que vou fazer. Cebola olhou para as pessoas que estavam atrás de mim. — Cuidam dela até eu voltar?

— Claro, pode ir. – Disse Magali, se levantando e ficando ao meu lado.

— Certo. – Ele olhou pra mim. — Vai ficar tudo bem. — Eu já volto. – Disse e depois saiu.

— Sente-se aqui. – Falou Laura depois de se levantar.

Elas me conduziram até o lugar que estava sentada antes. Provavelmente as meninas ouviram a minha conversa e eu não precisei me explicar quando elas me consolaram enquanto eu chorava. Susan, Susan morreu! Eu simplesmente não consigo acreditar. Agora vovô também está em risco de morte... Senhor, por favor, não o leve. Não agora. Eu preciso dele, não sei o que farei sem ele. Por favor.

...

Cebola havia conseguido a autorização com o diretor depois de explicar toda a situação. Nós fomos até a garagem do colégio em direção ao meu carro. Entreguei as chaves para Cebola, ele abriu a porta pra mim e depois se sentou no banco do motorista. Em dias normais nunca permitiria que ele dirigisse o meu carro, mas hoje não é um dia normal. Não estava com cabeça pra isso e com certeza se pegasse o volante erraria o caminho até o hospital.

A medida em que o carro avançava eu observei o movimento e as ruas em silêncio. Não conseguia pensar em nada, minha mente estava confusa. Tristeza, desespero... Esses sentimentos eram os principais no momento, mas mesmo assim me sinto aliviada e feliz por saber que meu avô ainda está vivo.

Será difícil contar a ele sobre Susan, sei que ficará arrasado, ele realmente a amava. Lembro-me de que eles planejavam viajar juntos para o Brasil, Susan dizia que adoraria conhecer a praia de Copacabana algum dia.

Passados vinte minutos, nós finalmente havíamos chegado ao hospital. Cebola abriu a porta pra mim e me acompanhou até a recepção.

— Por favor, nós estamos aqui para ver um paciente. – Cebola falou a mulher que estava sentada atrás do balcão.

— Qual o nome? – Ela perguntou.

— Marcio Sousa – Ele disse.

— Ele está sendo atendido agora mesmo, podem esperar ali, logo o médico virá falar com vocês. – Ela falou. Nós nos sentamos em uma das cadeiras da sala de espera.

Ao longo do tempo que esperamos, Magali me ligou e disse que viria me fazer companhia junto com as outras meninas assim que as aulas acabassem. Aproveitei e avisei a alguns parentes e amigos de Susan que eu conhecia. Depois de uma hora esperando, Cebola foi ao banheiro e eu permaneci na sala de espera.

Me ajeitei na cadeira, abracei minhas pernas e coloquei minha cabeça entre os joelhos, estava aflita, e se meu avô morresse? Sei que não é hora de ficar com esse pessimismo todo. O que eu vou fazer? Ele é a minha família. Minhas lágrimas voltaram novamente e não consegui impedi-las.

— Mônica? – Ouvi Cebola me chamar, olhei pra ele, estava segurando um copo d água junto com um comprimido. — Você está bem? – Ele perguntou e se sentou ao meu lado.

—... – Não disse nada, as lágrimas vieram com mais intensidade.

—... — Ficou calado por um instante. — Aqui. – Ele me ofereceu o copo junto com o comprimido. – É um calmante.

— Não gosto de remédios. – Eu disse, recusando o remédio.

— Então pode tomar pelo menos a água? – Ele pediu. Dando-me por vencida, peguei a água que ele segurava e tomei um pouco.

— Obrigada... – Falei. – Acha que ele vai ficar bem? – Perguntei depois de um momento em silêncio.

— Marcio é um homem forte, ele irá se recuperar logo. – Ele disse. Olhei para Cebola, ele parecia devastado. Não posso nem pensar em como é passar por mais um momento doloroso como esse. A morte do pai já o tinha deixado muito abalado, agora, nem posso imaginar como ele se sente.

— Mônica! – Ouvi a voz de Magali, ela havia chagado junto com Ana, Laura e Cascão.

...

Pov. Cebola

Já havia se passado duas horas desde que cheguei ao hospital com a Mônica. As amigas dela e o Cascão chegaram aqui uma hora depois, dei espaço para que elas se sentassem perto de Mônica e fui conversar com Cascão, tentando explicar melhor a situação, não deu pra falar direito por telefone. Aproveitei também para ligar e avisar Carla, foi muito difícil. No final da conversa pedi pra que ela ficasse em casa esperando por notícias, não sabia por quanto tempo mais teríamos que esperar.

Todos estavam aflitos por esperarem tanto tempo para conseguir notícias sobre Marcio. Um médico apareceu meia hora depois, olhou para uma folha na prancheta que estava segurando e olhou para as pessoas que estavam na sala de espera.

— Quem são as pessoas da família de Marcio Sousa? – Ele perguntou.

— Nós. – Eu disse, e quase todos se levantaram. — Como ele está? — O médico não fez uma cara boa.

— O Sr. Sousa quebrou três costelas e perfurou um dos pulmões, além disso, havia vários cortes pela cabeça e no braço esquerdo. O levamos para a sala de cirurgia o mais rápido possível, mas ele perdeu muito sangue. No meio da cirurgia ele teve uma parada cardíaca, tentamos reanimá-lo, mas infelizmente ele não resistiu... Eu sinto muito. – Ele disse por fim.

Eu não consegui acreditar. Primeiro meu pai, Susan e agora Marcio? Não, alguma coisa está errada, os três morreram no mesmo tipo de acidente. Isso é muito estranho. Poderia ter passado mais tempo pensando no assunto, mas fui interrompido por Mônica que começou a gritar e chorar ao mesmo tempo, tentando passar pelo médico.

— Me deixe passar! – Mônica gritou enquanto deixava as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. — Ele é meu avô! Eu quero vê-lo!



— Senhorita, você não pode vê-lo ainda, por favor, acalme-se! – O médico tentou inutilmente pará-la.

— NÃO IMPORTA! – Ela gritou ainda mais alto. — Saia da frente! – Ela conseguiu passar por ele e correu pelo corredor a procura de Marcio, mas antes eu e Cascão corremos atrás dela.

— Calma Mônica! – Cascão falou quando a alcançamos, ele segurou o braço dela.

— Me solta! – Ela gritou, deu um soco forte no estômago dele e começou a correr novamente.

— Cascão? Você está bem? – Falei vendo-o gemendo de dor no chão. Riria bastante dessa cena se não estivéssemos no hospital e se Mônica não tivesse perdido o controle.

— Sim... Vai atrás dela! – Ele disse com um pouco de dificuldade. Eu sinto a dor dele, já levei um soco de Mônica, ela tem a mão pesada para uma garota.

Comecei a correr pelo corredor novamente, procurando, mas ela havia simplesmente desaparecido! Tinham tantos quartos que eu fiquei confuso, até que finalmente consegui encontrá-la. Ela estava dentro de um dos quartos olhando alguém na cama, foi aí que percebi que era Marcio, seu rosto estava cheio de cortes, devido ao vidro quebrado do carro, eu suponho. A cena era chocante pra mim, eu mal conseguia olhá-lo, mas Mônica não tirava os olhos dele, parecia hipnotizada.

Suas lágrimas cessaram, ela estava com uma das mãos na boca e seus olhos pareciam estar memorizando cada detalhe do rosto dele. Aproximei-me, cheguei perto do corpo de Marcio que estava coberto apenas do pescoço pra baixo e cobri seu rosto.

— Mônica? – Tentei, mas não obtive resposta. Cheguei mais perto dela. – Mônica.

— Meu avô... – Ela falou sem olhar pra mim. — Ele era meu avô... Meu amigo... Meu pai...

— Eu sei, é difícil de aceitar que isso aconteceu, mas vai ficar tudo bem. – Disse, ela me olhou e seus olhos estavam vermelhos por causa do choro anterior.

— VAI FICAR TUDO BEM? Como pode dizer isso? Meu avô está morto! E você fala com a maior tranquilidade do mundo que vai ficar tudo bem?! – Ela gritou. Acho que eu tinha escolhido as palavras erradas. Ela tentou me acertar com um vaso.

— Mônica! Por favor! Calma! – Exclamei.

— CALE A BOCA! – Ela disse e pegou a mesa média que estava perto da parede e atirou em mim, felizmente consegui desviar. — Você não tem o direito de me dizer o que devo fazer! Você não sabe o que eu sinto!

Ela olhou furiosamente pra mim e depois se virou se aproximando da janela, por um segundo pensei que ela tentaria fazer alguma coisa, tipo, arrancar a janela da parede e tacar em mim, mas eu estava enganado. Felizmente.

— Por quê?... – Ela escorou na janela e começou a chorar novamente. — Por que isso está acontecendo comigo?

Senti uma pontada no coração ao vê-la desse jeito. Eu sabia exatamente como ela se sentia, assim como qualquer pessoa que perde um ente querido, ela estava na fase de negação. Não tinha nada que eu pudesse dizer, ela não escutaria. Me aproximei e coloquei minha mão no ombro dela, virando-a para me encarar. Os olhos dela nunca estiveram tão inchados, eu também não deveria estar melhor. Nos olhamos por um instante e nos abraçamos. Ela me segurou com força, como se eu fosse a única coisa que a impedia de desabar.

— Vai ficar tudo bem, eu estou aqui. — Falei durante o abraço, ela enterrou a cara no meu ombro, chorando.

...

Estávamos todos no cemitério, amigos meus e da Mônica junto com seus pais, e funcionários da empresa. Pouco antes da cerimônia começar um carro preto estacionou por perto e saíram de lá três pessoas. Não tinha reconhecido de primeira, mas quando eles se aproximaram eu pude reconhecê-los.

O primeiro era Jorge Cortez Sousa o sobrinho mais velho de Marcio, ele era viciado em apostas, tanto em cavalos quanto em cartas, ele nunca ficava de fora.

O segundo era Cesar Green Sousa, outro sobrinho de Marcio, pelo que eu saiba, ele viajou pelo mundo e infelizmente acabou fazendo alguns inimigos e acumulou várias dividas em alguns países vizinhos.

A terceira era Catalina Sousa Balla, essa era a única sobrinha de Marcio, parecia que ela é um exemplo adulto de patricinha, sempre gastando muito com roupas, sapatos e jóias.

Apesar dos três terem suas diferenças, em uma coisa eram totalmente iguais, o desejo de botar as mãos na fortuna do tio. Marcio havia me falado sobre o assunto e disse que nunca deixaria a fortuna que conseguiu ao longo da vida que lutou para conseguir, para que, os sobrinhos gastassem em seus próprios vícios.

A cerimônia começou, o padre disse alguma palavras, todos estavam em volta das duas lápides, uma que tinha o nome de Susan e a outra com o nome de Marcio. Depois que o padre parou de falar, fizemos um minuto de silêncio em respeito aos dois e por causa disso pudemos ouvir um baque surdo. Mônica, ela havia caído no chão.

— Mônica! – Gritei desesperado, correndo até ela.

...

— Ela está bem. – Disse o médico que havia chamado. Por causa da fome e do cansaço, Mônica desmaiou no cemitério, então a levei imediatamente pra casa. – Só precisa descansar e se alimentar quando acordar.

— Obrigado doutor. – Disse.

— De nada. Bem, eu tenho que ir agora. – Ele falou.

— Eu o acompanho. – Disse descendo as escadas com ele e o levando até a porta.

— Adeus. – Ele falou.



Fechei a porta e me virei. Vi Carla meio aflita chegar perto de mim. Ela obviamente também participou do enterro, por isso ventia preto.



— E então? Como ela está? – Perguntou Carla.

— Ela está bem, só precisa descansar. Deve ter passado os últimos dias sem se alimentar direito. – Eu falei e logo depois me sentei no sofá. — Meu Deus... Nem acredito que isso está acontecendo.

— Nem me fale. Não imagino esta casa sem Marcio ou Susan. – Ela falou. De repente o telefone tocou.

— Pode deixar, eu atendo. – Me levantei e peguei o aparelho que estava em cima da mesa. — Alô?

— Bom dia. Com quem falo? – Disse um homem do outro lado da linha.

— Cebola Baker. – Disse.

— Ah! Sr. Baker, eu sou Erick Fletcher, sou advogado do Sr. Sousa. Meus sentimentos. Primeiramente gostaria de me desculpar pela minha ausência hoje no enterro, estou em Nova York. — Disse.

— Obrigado, sem problemas. – Disse. — Mas qual é o assunto?

— Sei que o momento é de luto, mas gostaria de marcar um dia para falar sobre o testamento dele. – Ele falou. — Que tal semana que vem?

— Testamento? — Falei. Tinha me esquecido desse detalhe, Marcio era um cara muito rico, com certeza tinha um testamento preparado caso algo acontecesse. — Sim, acho que é melhor na semana que vem.

— Ótimo. Mais tarde ligarei novamente para informar as pessoas incluídas no documento e que deverão comparecer. – Ele falou. — Até logo Sr. Baker.

— Até logo. – Eu disse e desliguei o telefone.

— Quem era? – Perguntou Carla.

— O advogado de Marcio. Ele virá na semana que vem para falar sobre o testamento dele. – Eu falei me sentado novamente.

— Testamento? Ah, pelo jeito os sobrinhos dele vão estar aqui também. Bando de interesseiros... – Ela praguejou.

— Com o vício de dinheiro deles e a fortuna de Marcio, claro que não irão ficar de fora. – Eu falei. — Espero que dê tudo certo daqui por diante, afinal... O que mais pode dar errado?



Notas finais
Antes de me despedir quero agradecer muito á Bianca Rohr Hanauer por recomendar a fic. MUITO OBRIGADA! Não sabe o quanto fiquei feliz com isso. E pro resto do povo, ligo não se tiver mais algumas recomendações, podem ficar a vontade :p Acho que é isso... Não! Espera, tem mais uma coisa. Não deixem de ler o próximo capitulo nele vai acontecer uma coisa muito... Digamos... Ah! Nem sei como expressar, mas devo dizer que talvez isso deixe a história ainda mais interessante. Agora sim! Próxima sexta estou voltando com mais um capitulo! Té+!