Tayuya x Hinata
3 Capítulo 3 - FINAL
Notas iniciais
Na minha mais sincera opinião, cair daquela árvore foi a melhor coisa que já tinha me acontecido. Afinal, quando eu teria a oportunidade de ficar tão perto dela assim?
A mudança de comportamento quando me viu foi nítida. Eu achei que ela iria correr, mas me surpreendi quando decidiu ficar. Seu rosto alternava nas mais diversas expressões e, mais de uma vez, me segurei para não rir.
Quando ela se aproximou pela primeira vez, quase que eu saí correndo. Definitivamente não esperava isso dela.
Eu não consegui vê-la perfeitamente, devido aos meus olhos quase fechados, mas conseguia ter uma ideia do que estava acontecendo. Por sorte, ela não percebeu meu rosto ficando vermelho quando ficou a centímetros de mim. Segundos depois, ela se deu conta e se afastou completamente nervosa.
"Eu não acredito que perdi essa oportunidade! Eu podia ter roubado um beijo dela! E se...e se ela tivesse ficado brava eu diria que bati muito forte a cabeça e estava alucinando! Como eu sou lerda!!"
Uma onda de frustração percorreu pelo meu corpo.
Hinata ficava cada vez mais desesperada por algo que eu nem imaginava.
"O que há com ela?"
Nessa hora, o destino sorriu para mim. Mais uma vez, nossos rostos estavam muito próximos.
“É agora Tayuya! Ela está mais perto que antes! Faça alguma coisa!”
Com um gesto rápido e silencioso, levantei os braços, passei as mãos por seus longos cabelos e a puxei para mim.
As únicas vezes que eu tinha provado um beijo da Hyuuga foram nos sonhos. O gosto, a textura, a sensação, não eram nada comparados com o de agora. Quando eu a puxei, ela não relutou. Seus lábios eram macios e quentes, seu beijo tinha gosto de amora e o seu cabelo exalava um perfume provocante. Eu estava perdendo completamente a razão, e isso estava ficando perigoso.
Hinata se afastou lentamente quando a soltei para buscar ar. Seus olhos estavam assustados e seu rosto completamente corado. Sua expressão era mais séria que o necessário.
"Agora eu me ferrei..."
Ela não disse uma única palavra e nem esboçou reação. Simplesmente se levantou, virou de costas e correu por entre as árvores.
"Mas que droga...não achei que ela detestaria tanto..."
A felicidade que tinha tomado todas as minhas células, desaparecia gradualmente. Três minutos atrás eu era a kunoichi mais feliz das cinco nações, e agora me sinto a mais solitária de todas.
Sentei no chão e comecei a tirar os galhos e folhas o cabelo.
"Justo hoje vim sem touca."
Com a aparência um pouco mais aceitável, me levantei e caminhei de volta à Konoha.
A vila oculta da folha era bem movimentada. Os moradores eram alegres e trabalhadores. Tudo estava na mais perfeita ordem.
A quinta Hokage, uma mulher gentil, inteligente, bonita e absurdamente forte, gostava de tudo organizado e ninguém se atrevia a desobedecer. Os ninjas da ANBU estavam sempre em alerta, a patrulha nas ruas era impecável e os cidadãos de Konoha viviam com tranquilidade e harmonia.
Desde a união das cinco grandes nações, o mundo foi um lugar muito mais amigável e pacífico. Nem o Orochimaru era considerado mais uma ameaça o que, na minha opinião, soava engraçado.
Eu caminhava pelas ruas ao por do sol. Chegando onde estava hospedada, me preparei pra um longo e revigorante banho. Eu definitivamente precisava disto e não somente pela sujeira, mas para organizar meus pensamentos. Quinze minutos embaixo da água quente foi o suficiente para me limpar e me sentir um pouco menos decepcionada.
Escovei os cabelos, coloquei minhas roupas habituais olhei para minha touca sobre os lençóis amarrotados da cama.
"Quer saber...vou sem mesmo..."
Tranquei a porta e saí procurando um lugar para jantar.
Minha cabeça estava tomada por um redemoinho de pensamentos conflitantes. Não sabia se era melhor deixar quieto ou se eu deveria pedir desculpas. Até pensei em voltar para a vila do som. Isso estava me deixando com dores de cabeça.
"Mas que droga! Foi tão ruim assim?"
–EEEI, TAYUYA-SAN!!!
Olhei rapidamente para trás e vi uma loira de olhos esverdeados correndo na minha direção.
–Oi, Ino!
–Estou indo no Ichiraku! Você já jantou?
–Ainda não.
–Então vamos comigo!
Ino segurou a minha mão e me puxou até a loja de ramens. Sinceramente, nunca tinha ido lá.
O Ichiraku era um lugar pequeno, com seis banquinhos na frente de um balcão. De longe, pude ver que tinham duas pessoas lá dentro, mas os panos da entrada bloqueavam a visão. Quando chegamos mais perto, pude ouvir a conversa dos clientes.
–Sasuke! Para de pegar os meus!
–Você sabe que eu adoro esse que tem o seu nome, Naruto.
–Mas é o que vem menos...
O garoto loiro parecia realmente aborrecido enquanto o moreno se divertia. Ambos não notaram nossa presença.
–Ino...
Eu sussurrava o mais baixo possível.
–...esse não é aquele garoto que a Hinata gosta?
–Quem? O Naruto? Claro que não! Bom, pode ter gostado quando era criança, mas agora ela gosta...de outra pessoa.
Eu não sabia se ficava feliz ou triste.
"Bom...pelo menos ela não gosta mais dele, mas deve gostar da Sakura. Elas sempre estão juntas, não tem outra explicação..."
–Pelo o que eu soube, o Naruto e o Sasuke estão namorando faz tempo.
–É justo. Depois do tanto que ele correu atrás do amigo.
–Você tem razão.
Olhávamos fixamente para o casal que ria e comia animadamente.
–Bom...vamos comer?
–Claro!
Ino sorriu e eu retribui.
Desde que cheguei à vila, a loira se aproximou de mim. Foi uma das poucas pessoas que não ficaram com medo. Tudo bem que eu tinha trabalhado para o Orochimaru e era portadora do selo amaldiçoado, mas não era para tanto, afinal isso já era passado. Aos poucos fomos nos conhecendo e descobri que ela também sentia atração por garotas, mais especificamente por uma de cabelos rosados que me dava dores de cabeça. Achei prudente nunca falar nada sobre o relacionamento de Sakura e Hinata.
O jantar passou rápido e Ino ria enquanto me contava como tinha sido seu dia. Uma coisa que ela disse me intrigou. A loira tinha roubado um beijo de Sakura Haruno.
Ficamos boa parte da noite ali, ela me contando cada detalhe do ocorrido e eu sem saber o que dizer. Sem dúvidas Ino estava apaixonada.
Já era perto da hora de fechar quando saímos.
–Tayuya-san! Muito obrigada por ter jantado comigo! Precisamos fazer isso mais vezes!
Ela segurava uma das minhas mãos e parecia um pouco nervosa.
–Bom, agora preciso ir. A Sakura disse que queria conversar comigo. Até mais!
Ino saiu apressada, sorrindo e acenando para mim. Acenei de volta e ela virou na primeira esquina.
Iniciei uma caminhada sem rumo. Não estava a fim de voltar para casa tão cedo. Tinha muita coisa para pensar.
"Então a Ino gosta da Sakura, a Sakura da Hinata e a Hinata da Sakura...e eu da Hinata...mas que confusão..."
A noite estava agradável e iluminada. Subi até o topo de uma construção e me sentei no telhado, com uma vista direta para a montanha que eu tanto costumava ir.
"Eu não deveria ter feito aquilo...duvido até que ela volte a treinar no mesmo lugar."
Meus pés balançavam na beirada do telhado e com os cotovelos apoiados nas pernas, eu mantinha o olha vazio fixo no chão. Fechei os olhos por alguns segundos com esperanças de encontrar qualquer solução para o que tinha feito.
Eu poderia esperar qualquer coisa naquela noite, menos na sequencia de acontecimentos que se desenrolaram depois.
Sem qualquer tipo de aviso, senti duas mãos macias e quentes segurarem meu rosto e antes que eu pudesse abrir os olhos, alguém tinha selado nossos lábios num beijo incrivelmente viciante. Um beijo com gosto de amoras.
Hinata apareceu do nada e, sem explicação, me beijou. Seu beijo começou tímido, como se quisesse pedir desculpas. Aos poucos, foi tornando-se mais intenso, mais desesperado, como se ansiasse por isso a vida toda. Por debaixo da sua blusa, arrisquei percorrer as mãos pelas suas costas, arrancando gemidos de seus lábios ofegantes. Isto estava ficando perigoso demais e meu controle já tinha quase se esgotado por completo. Paramos apenas quando realmente precisamos de ar. Hinata estava sentada no meu colo, de frente para mim, sorrindo com o rosto completamente vermelho. Arrisquei algumas palavras.
–Hinata...me desculpe por mais cedo...eu...
Seu dedo indicador interrompeu minha fala.
–Eu é que devo desculpas, Tayuya-san. Desculpas por fugir de você durante todo esse tempo e principalmente por ter reagido daquela maneira na floresta.
Minha única reação foi sorrir. A felicidade era tanta que não cabia em mim. Simplesmente não consegui acreditar que aquilo realmente estava acontecendo.
–Não precisa se desculpar. Eu não deveria ter roubado um beijo seu daquela maneira, ainda mais sabendo dos seus sentimentos por outra pessoa.
Ela parecia confusa e resolvi continuar.
–Mas vem cá, o que te fez mudar de ideia?
–De quem você está falando, Tayuya-san?
–Ué?! Da Sakura. Eu a vi beijando o seu rosto hoje.
–Mas é claro que...
Ela parou de falar abruptamente como se tivesse lembrado algo.
–O que foi?
–Desde quando você me espiona?
Ela ria da minha cara assustada.
–Bom...eu...é que...
Eu não sabia o que falar. Fiquei completamente sem graça. E mais uma vez, ela selou nossos lábios.
–Mas enfim, eu não gosto da Sakura desse jeito. Ela é minha melhor amiga e não é de mim que ela gosta. Aliás, você sabe quem é...
–Não, pior que eu não faço a mínima...espere um pouco! Não vai me dizer que é da Ino!
–Sim, da Ino. Mas só hoje tiveram coragem de agir.
–Que coincidência...
–Pois é.
Aquele sorriso era perfeitamente tentador. Seus olhos gentis olhavam fixamente nos meus, como se pudessem ver a minha alma.
–Por que você me evitava, Hinata-san?
–B-bom...é que eu g-gostava de você mas achei que você estava saindo com a Ino.
–Com a Ino? Não...somos apenas amigas.
–Ela não disse nada sobre ela e Sakura?
–Na verdade só me disse hoje...
”Essa loira me paga!”
–Mas isso não importa agora, não é mesmo?
Ela tinha um olha sedutor e um sorriso um tanto quanto malicioso.
–Concordo com você.
Deitei a morena de costas no telhado. A luz do luar iluminava aquele momento só nosso e as estrelas eram as únicas que observavam.
Hinata me olhava surpresa. Aquilo estava me enlouquecendo.
–Não vou fazer nada que você não queira.
Ela sorriu, mordeu o lábio inferior e me puxou pela gola da camisa para o melhor beijo da minha vida. Um beijo ardente e carregado de luxúria. Naquela noite, a lua cheia e o céu estrelado foram as únicas testemunhas silenciosas, até finalmente a brisa fresca da manha vir brincar com nossas peles marcadas pelo intenso desejo.
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