Tattoo
3 Capítulo 3
– Ela disse que você viria.
House tirou o capacete e olhou para a pessoa que tinha falado com ele. A mãe de Cuddy estava em pé, encostada em uma árvore, na frente da casa da filha. Ele nem se deu o trabalho de desembarcar da moto.
– Mas é claro. Uma guarda.
– Ela me ligou. Estou com Rachel aqui. Queria que fôssemos para a minha casa enquanto Lisa vai ficar no hospital, mas ela me disse que você iria invadir.
– Estou fazendo uma visita. Ficou boa essa nova parede. Renovou a casa, vocês deveriam me agradecer.
– Claro, obrigada por enfiar um carro na casa da minha filha, não via outro modo de nos motivar a redecorar a casa.
– Disponha. — Ele fez uma pausa. — Então, por que não adiantamos isso e você me conta como sua filha contraiu Hepatite?
– Eu não faço ideia.
– Vamos, não deve ser difícil.
– Isso é verdade, difícil foi ter você com genro, o resto tudo é fácil.
– Que coração bruto dona Cuddy.
– Saia daqui. E não volte.
– Não vou voltar, já tenho o que quero.
House pôs o capacete novamente, ligou a moto e arrancou, foi direto para sua casa. Ficou pensando no que Cuddy estaria escondendo, deveria ser algo muito importante ou extremamente estúpido.
***
– Aqui.
Wilson pôs uma caixa com várias coisas sobre a mesa de centro da sala de estar casa de House.
– Você trouxe tudo isso?
– Você me deu nem 5 minutos dentro da casa. Peguei o que eu achei importante.
– Eu disse que era eu quem deveria ter ido. — House puxa a caixa para mais perto. — Que tipo de coisa tu acha importante?
– Sou mais rápido de que você. Além do mais, você enrola bem as pessoas.
– Recibos, agendas...Você pegou o passaporte dela?
– Sei que talvez ela note, mas acho que nós temo-
– Brilhante. — Ele abre o passaporte interrompendo Wilson. — Portugal? O que ela foi fazer em Portugal?
– Ela foi, mas ninguém pega Hepatite C por viajar para Portugal...
– Você ficaria surpreso com o quão você estão errado. A Hepatite mais comum em Portugal é do genótipo 1, o dela.
– House... O que você vai ganhar com isso?
– Estou curioso. E você também — House faz uma pausa, pondo o passaporte de Cuddy no bolso de trás da calça. — Se não tivesse, não teria ido pegar essas coisinhas pra mim.
***
Cuddy estava sofrendo as dores do início do tratamento contra Hepatite. Rachel estava com sua mãe, e isso a acalmava um pouco, não queria que sua pequena a visse assim. Queria dormir, mas estava apenas muito cansada para fazer isso.
Então lhe deram sedativos, agora dormia. House abriu a porta do quarto e uma enfermeira que estava próxima no corredor o fitou reprovando o ato. Nem perto de fazê-lo parar. Ele chegou perto de Cuddy, diminuiu a dosagem dos sedativos, sentou na cama e aguardou.
– Ahhr — Ela suspirou depois de vê-lo. — Por que eu tinha o pressentimento de que você não me deixaria dormir?
– Sedativo não é bom, apesar de deixar a dor longe. Mas sabe o que é bom? A verdade.
– Obrigada, vindo de você torna isso grandes conselhos.
– Você foi para Portugal.
– Fui. – Ela fechou os olhos, como se tentasse dormir. – Minha mãe disse que você tentou invadir a minha casa.
– Mas eu não invadi..
– Você descobriu isso pelo meu passaporte.
– Repito, mas eu não invadi.
– Estava no meu histórico médico, você nunca se daria o trabalho de ler.
– Mas Wilson sim.
– House... Me deixa dormir... Estou mal, estou no hospital.
– Você vai ficar bem, só precisamos saber onde você contraiu Hepatite.
– Eu não vou te contar.
– Eu vou descobrir.
– Estamos tendo essa discussão de novo?
Ele se levantou e aumentou a dosagem da medicação e em poucos segundos ela dormia novamente. House voltou a se sentar e apenas ficou parado a observando. Esticou sua mão e pegou a dela. Sabia que ela ficaria bem, saberia de sua vida pelos próximos meses. Mas o que tinha perdido nesses quase dois anos? O que perderia depois que ela tivesse curada?
– O que você acha que ela estava procurando? — Wilson abriu a porta e House soltou a mão de Cuddy. — Tens uma teoria?
– Tenho.
– Ela te envolve?
– Sim.
Os dois se encararam por alguns segundos antes de ambos desviarem os olhares.
– Você não superou ela.
– É claro que eu já-
– House, isso não foi uma pergunta.
Novamente os dois se encararam. O silêncio consentiu as verdades.
Fale com o autor