Tarde Demais.

1 Capítulo 1 - Único.


Notas iniciais
Sabe,eu amo essa fic,porque... Me emociona demais, me faz pensar nas coisas, nos meus erros. Por isso mesmo sendo bem mais antiga,resolvi postá-la.
Dedicada a duas pessoas que eu amo de paixão, e espero que na época em que escrevi esta à eles, tenha de servido a algo.
Bill, e Tom Linserbrütz, eu amo vocês. ♥

"Tom, se algum dia eu morrese, o que voce faria?"
"Nada. Haha ' eu continuaria vivendo. Eu iria aprender." — eu respondi.
"Mas ia ser fácil? Tipo você após algum tempo, já não se lembraria mais de mim. Como se eu nunca houvesse existido, não é?"
Eu fiquei em silêncio. Ele continuou.
"Você sentiria minha falta?"
Eu fiz cara de deboche:
"Claro que não. Para com isso pô, parece uma mulher falando."
"Eu te amo".
"Aff "
"Você nunca disse que me ama."
"Eu sei."
"Não vai dizer?"
"Claro que não Bill, eu não sou palhaço. "
"Ta bom..."
Ele olhou para baixo, eu saí do quarto e fui para o jardim.

~OITO ANOS DEPOIS.
Naquela noite chovia muito, Bill não quis me deixar dirigir pelo fato de estar bêbado. Aquele doido nunca me deixava dirigir quando bebia, e eu odiava quando ele fazia isso. Só porque estava bêbado, não queria dizer que eu não podia dirigir, mas esse era o meu irmão super protetor Bill Kaulitz. Ele me colocou para fora do carro e me fez entrar no lado do passageiro. Me trancou ládentro, entrou e começou a dirigir. Até nisso ele era lerdo, mas eu não estava em condições de contrariá-lo.
Como eu não queria sofrer um acidente, deixei aquela anta dirigir até em casa. Na estrada tudo corria bem, Bill parecia uma tartaruga na avenida. Quando entramos na cidade, ele dobrou umas três esquinas até que mandou eu abaixar, em um tom de desespero. Eu não entendi nada, mesmo assim abaixei rapidamente e tudo que me lembro foi de uma luz forte vindo na nossa direção. Fechei os olhos, e quando os abri estava no hospital. Minha mãe e meu padrasto choravam, apavorados, quando eu ainda muito lento e sem entender porcaria nenhuma consegui arrumar forças para perguntar: "Onde está o Bill, mãe?"
Eu vi quando os olhos dela se tornaram serenos, quase compreensíveis. Ela se virou para Gordon como se estivesse se comunicando mentalmente, mas eu sabia que não era isso. Algo havia acontecido. Havia uma maca ao meu lado, porque Bill não estava lá?
Eu percebi que não obteria resposta, então não me dei por vencido e continuei.
"Ele se machucou muito? Estava chovendo forte e ele dirigindo, acho que ele se machucou mais que eu."
Eu ainda a olhava calmamente, esperando obter um sinal, uma resposta. Ela se manteve intacta as minhas perguntas. Várias coisas se passaram pela minha cabeça e de repente um frio percorreu minha espinha, fazendo com que eu me sentisse vazio, incompleto. Eu sentia uma irritação enorme, minha paciência saindo dos limites. Persisti, dizendo de forma nervosa, e até grossa:
"Cadê o meu irmão, mãe? Anda, eu quero vê-lo. Como ele está?"
Houve mais um momento de silêncio. Era como se ela quisesse que eu encontrasse a resposta em sua expressão. Eu nunca fui bom nisso. Bill sim. Ele a olhava e ja sabia o que de verdade ela queria dizer. Meu irmão é melhor que eu em muitas coisas. Admiro isso nele e não sinto inveja, apenas orgulho de ter um cara desses como irmão gêmo. Eu e ele brigávamos muito pouco. Nos últimos meses era Bill quem tentava colocar juízo na minha cabeça, embora sempre tenha sido em vão; ele queria que eu acreditasse no amor verdadeiro, que procurasse a minha "cara-metade". Isso não é comigo e ele provavelmente nunca iria entender.
Minha mãe continuava me olhando, da mesma forma que antes. Eu não me controlei, não evitei pensar nas piores coisas. Meus olhos se enxeram de lágrimas. Meu corpo estava frio e eu tremia, não exatamente pelo frio, mas sim pelo medo. Ela não me deu nenhuma resposta, mas já não era mais preciso. Eu ja havia entendido tudo. Meus lábios dormentes, eu não sentia minhas pernas e nem nada do meu corpo. Das últimas forças, as únicas restantes, veio um pedido relutante, que desejava que eu tivesse entendido tudo errado. Eu abri a boca devagar e mordi meus lábios, que a essa altura ja deveriam estar roxos. Quando senti que não aguentaria mais, suspirei um suspiro doloroso, e minha voz finalmente saiu:
"Ele está vivo não está?" — Mas saiu trêmula.
Ela finalmente se mostrou viva. Após minhas palavras veio por sua face um lampejo de tristeza e agonia, enquanto as lágrimas rolavam e sua cabeça abaixava. Eu entendi aquilo como a resposta final de minhas dúvidas. Eu o perdi. Eu perdi. Simplismente perdi.
Caí em sono profundo, relutando contra a verdade. Nas horas que se seguiram, tudo que eu queria era dormir e nunca mais acordar. Eu não queria começar a pensar, e chegar até a verdade. Eu só queria a minha ilusão. A ilusão que diminuíra minha dor nos últimos 20 minutos em que estive acordado. As minhas lembranças. Minhas e dele, pra ser exato.
Eu não sabia o que esperar dos dias que iam chegar.
As horas foram passando e eu continuava olhando para o nada, sem conseguir pensar.
Eu estava vivo. Eu sei que sim. Mas era como se não existisse nada além do que eu via. Nada além da minha maca, minha coberta, vários aparelhos cardíacos ao meu lado, uma campaínha de emergência, e uma mesa com alimentos que eu não comeria. Os dias foram indo dessa forma: na maca de um hospital, abrindo e fechando meus olhos. Dormindo e sonhando com o passado, acordando, e sonhando com o que se foi.

Março de 2011.

Abril de 2011.

Maio de 2011.

Junho de 2011.

Julho de 2011.

Agosto de 2011.

Setembro de 2011.

Outubro de 2011.

Novembro de 2011.

Dezembro de 2011.


~2012

Hoje é dia 1º. Primeiro dia do ano. Primeiro dia do mês. Mais um como todos os outros. Mais um que não valeria de merda nenhuma. Mais um que não faria sentido. Mais um.

Mais... um.
Eu peguei minhas coisas e fui até o elevador. Entrei, apertei o térreo e cheguei até a recepção. Dei o número do quarto em que fiquei por todo esse tempo, e entregaram-me a chave do carro. Coloquei um capuz na cabeça para não ser reconhecido, antes de sair de dentro do hospital. Fui até meu carro, entrei, e dei a partida automática. Eu não sabia para onde ir, mas havia um lugar em que eu achava que deveria visitar o mais rápido possível.
Quando Bill morreu, eu não pûde comparecer ao enterro. Não me despedi de meu irmão. Isso havia me machucado por todos esses meses. Eu queria ir. Queria muito ir. Mas os médicos me proibiram, por causa do meu pscicólogico. Malditos médicos, malditos.
Comecei a dirigir até o cemitério, e não levou muito tempo para chegar lá. O hospital em que eu estava era bem perto do único cemitério daqui de Leipzig.
Desci do carro, entrei e não tive dificuldade pra achar o túmulo de meu irmão.
Eu odiava aquele lugar. Eu odiava tudo, absolutamente tudo que me fazia lembrá-lo. Eu não queria mais viver. Nunca quis, depois que ele se foi.

Ventava muito, e estava começando a chuviscar. Chuva, maldita chuva. Chuva que levou meu irmão para longe de mim. Chuva que me fez perdê-lo. Chuva maldita. Chuva insignificante, chuva má, sem dó nem piedade.
Eu sentia o vento bater em meu corpo. Eu parecia não ter um corpo. Era como se o vento me atravesasse. Quase como se eu não existisse.
Eu me ajoelhei em frente ao túmulo, e já sabia bem que pensar não seria o bastante. Eu tinha que dizer.
Quando abri minha boca, ja tinha a certeza de que as palavras não iriam sair trêmulas. Pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia seguro.
Pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia preenchido.
Pela primeira vez em muito tempo, eu tinha coragem.
Coragem o suficiente pra começar a dizer pra ele em espirito, o que eu nunca tive coragem de dizer quando ele estivera ao meu lado.

Respirei, e comecei.

"Eu queria que você soubesse o quanto eu sinto a sua falta. Queria que você pudesse me guiar, e me ajudar a superar isso. Eu queria mais uma vez, te ver estendendo a mão enquanto eu estava caído. Queria mais uma vez poder ouvir a sua voz tão doce. Eu queria que você pudesse cantar para mim de novo, antes de dormir. Eu queria que você pudesse me ajudar com a lição de casa. Eu queria poder uma última vez, deitar olhando para o céu estrelado e pegar a sua mão. Queria sentir seu abraço, seu toque, sua pele macia. Queria poder olhar pra sua face e me perder no seu olhar uma última vez. Eu queria ter a chance de começar tudo de novo, te ouvir em todas as vezes porque agora eu sei que você sempre teve toda a razão, você sempre esteve certo. E lembra daquele dia em que você me perguntou o que eu faria quando não tivesse mais você? Eu não te respondi porque não sabia por onde começar. Eu nunca fui frio de verdade. Eu só não queria dizer, porque considerava coisa de mulher. Eu me arrependo. Tive vinte anos pra dizer que te amava, e nunca fiz isso. Só agora, que te perdi. Bill, você pode ter sido a causa de todos os meus problemas. Mas hoje eu vejo, que você sempre foi a questão e a solução, mas eu era imbecil demais, incapaz de perceber. Eu queria ter a chance de concertar meus erros, e de tê-lo aqui comigo de novo. Eu queria poder ver mais um amanhecer do seu lado. Queria me abrir para você, te contar meus segredos, te contar tudo que eu sentia. Poucas vezes correspondi aos seus carinhos, seus abraços. Nós dois só tinhamos um ao outro. Papai e mamãe se separam, e logo Gordon veio. Desde então ela deu mais atenção a ele que a nós, mais isso não me encomoda. Sabe, o que mais me deixa assim? Eu era tudo pra você. Você era tudo pra mim. Perdi a conta de quantas vezes você me escrevia cartas na escola, porque eu nunca te ouvia em casa. Saía com mulheres e te deixava lá, mas você nunca reclamou, nem disso e nem de nada. As vezes em que me decepcionei, fiquei triste, e precisei de ajuda, você deveria ter me deixado Bill. Deveria ter me deixado assim como o imbecil aqui fez com você. Mas não. Todas as vezes em que perdi o chão, você me deu seu ombro pra que eu chorasse, e acariciou os meus cabelos. As lágrimas que caem do meu rosto todos os dias não perdoam os meus erros Bill. Não perdoam. Não tem perdão. Não adianta eu ter me arrependido de nunca ter te dito em vida, como eu te amo. Agora não adianta Bill. Onde quer que você esteja, eu quero pedir desculpas e dizer que você sempre foi tudo pra mim. E sabe porque eu nunca fui atrás de alguém, atrás da minha alma gêmea? Simplismente porque minha alma gemea é você, desde que nascemos. Você e eu somos como um só. Você e eu, ainda estamos ligados um ao outro. É como se fossemos a mesma pessoa, a mesma alma. E eu não vou deixar você ir sem mim, porque eu sei, que você jamais me deixaria ir sem você."
Os meus olhos estavam cheios de lágrimas. O que eu havia dito, fora sido toda a mais pura verdade. Eu nunca fui tão sincero em toda a minha vida como havia sido agora. Desde o ano passado, essa é a única vez que tenho certeza de que o que eu vou fazer é realmente o certo.
Eu saí caminhando entre as pedras. Conhecia bem aquele cemitério. Bem próximo havia um vale ainda dentro dele. Um vale cercado de penhascos altíssimos, com vista para o mar. Um lugar lindo. Caminhei devagar até lá.
Cheguei a ponta do penhasco mais alto. Olhei pro céu, e em seguida, para o mar. Eu não tinha medo, e sabia que não me arrependeria. Eu cessaria essa maldita dor, de todas as formas. Dizem que a pessoa que se suicida, vaga pela escuridão acorrentada, onde sua única companhia é o seu medo. Então, eu vagarei até o dia da minha morte, sem me arrepender de ter realizado esse ato. Talvez, lá na frente, quando o sentido da vida realmente for descoberto, eu tenha a consciência de que de todas as coisas que eu fiz, o que farei agora é a única da qual não me arrependo, e nem me arrependerei.
"Eu te amo Bill. E todo o resto não importa."

Eu me joguei, sem ter pena de mim mesmo.
Isso porque não tive pena dele quando o deixei de lado.

Eu ia caindo, sem me arrepender.
Simplismente porque Bill nunca se arrependeu de ter me protegido.

Eu via as águas indo e vindo, se tornando cada vez mais próximas e não tremia, nem me sentia vazio.
Isso porque eu sabia que era o certo, era o que ele também faria se estivesse no meu lugar.

Tem coisas na vida que nunca tem perdão. As vezes, ganhamos o perdão da pessoa que magoamos, mas nós mesmos, nunca nos perdoamos. Esse é o real motivo de eu ter chegado até aqui. Todas as pessoas que me mantiveram preso em uma maca, não colaboraram comigo. Todos sabiam que quando eu fosse libertado, não seguiria um caminho diferente. Eu só sinto muito, por não ter feito as coisas certas enquanto havia tempo. Agora o que me resta são as dolorosas memórias. Mas é tarde demais.
Eu cheguei a água, mas ainda estava vivo. Fui afundando, sem me mexer. Deixando a água invadir meu corpo, eu a sentia entrar dentro de mim.
E depois de ter pensado em tantas coisas, e me arrependido de tantas outras, a coisa mais importante, e que deixei por último para fechar os olhos com suas lembraças guardadas em mim, foi em você Bill.
E aquele, foi o meu último suspiro.



Moral: "Não deixe para amanhã, o que você pode fazer hoje".

Você ama alguém? Diga a ele que o ama. Você quer abraçar alguém? Vá, e abrace. Quer pedir perdão a alguém? Vá, e peça. Sente falta de alguém? Corra atrás. Está magoado com algo? Perdoe. Você tem um sonho? Lute por ele. Mas lute enquanto é tempo. Se levante hoje, se levante agora e corra atrás daquilo que você deseja. Não espere sentado. Deus não faz milagres a quem não busca por eles. Então, tome uma decisão hoje mesmo.

E nunca mais, nunca mais deixe para outro dia aquilo que você pode fazer hoje. Amanhã, pode ser tarde demais para correr atrás...

Notas finais
Deixem reviews, aos que leiem, por favor. Essa é uma das fics mais importantes pra mim, embora seja de apenas um capítulo bem grande. Obrigada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!