Tanzaku

13 A Décima Segunda Noite


Notas iniciais
OIOIOOOI~ Boa leitura! Vamos, vamos, nos digam: como vão vocês? :3 Aposto que felizes, pq sequer demoramos e... hahah (Obs.: K: Notas inicias do capítulo: É bom que vocês tenham lido o manga. Se não tiverem, a Kalhens não liga. A: a Amarulla só se preocupa com a profundidade da cena então... Vá ler. Parafraseando o Tatuador da A: "Não queira estragar meu trabalho." Gratas.)

Era o quarto dia.

Em situações normais, não se mandaria um Exorcista para uma missão de busca como aquelas, mas estavam preocupados.

Mas por que mesmo tinham mandado ele? Não lembrava.

Franziu o cenho, tentando lembrar.

Devia ter sido uma ordem.

É.

Apenas continuou andando.

O túnel era tão escuro quanto diziam e tão úmido quanto se podia imaginar. Dava uma sensação ruim quando se tentava respirar, como se cada vez tivesse mais água ao invés de ar dentro dos pulmões.

Afogava-se aos poucos.

Era nostálgico. Uma nostalgia sarcástica e amarga.

Ele nascera na escuridão, o corpo submerso há sabe-se lá quanto tempo em um daqueles buracos. Em um dos muitos buracos, onde os outros dormiam...

Na escuridão úmida e subterrânea, sozinhos. Ele os invejava. Queria poder voltar a dormir também...

Sozinho.

Tsc.

Sua cabeça estava estranha. Era culpa daquela pirralha maldita e sua innocence estúpida.

Flashes de um sorriso piscavam em sua mente. Ele se lembrava de sorrir. Se lembrava de rir e gargalhar.

Podia sentir o cheiro de sangue.

Bateu o punho fechado contra a parede, a terra sujando suas mãos.

Instável.

"Você está acordado?"

A Mugen desembainhada em suas mãos.

– Você está acordado? Yuu? Yuu?

Alguém se aproximava. Alguém. A única pessoa além dele que ainda estava viva naquele lugar desgraçado... Não teria problemas em fazer aquilo novamente. Apertou a empunhadura da espada.

Da innocence

Da MALDITA innocence.

– WOA, VOCÊ QUE ME MATAR, BAKANDA?

A lâmina negra foi aparada pelo braço, também negro.

Não que isso fizesse diferença, naquele lugar onde não podia enxergar nada.

Mas ainda assim sabia quem estava ali.

Acreditava?

– Mo... Moyashi?

– Waaa que susto! Eu podia ter morrido! Você me atacou pra valer, Yuu!

Não baixou a espada, mesmo depois que parou de sentir a resistência do braço maldito. Podia ouvir o rufar de Crown Clow. Eram como penas. Penas iguais as que saiam da empunhadura disforme de sua innocence.

Havia sangue.

Tanto sangue...

– O que você está fazendo aqui há essa hora?

– Eu vim te buscar.

– Dá até pra desconfiar, que o rabugento do Kanda tenha vindo me procurar.

Sua cabeça doía.

E isso era alguma coisa.

Sua cabeça não deveria doer.

– Eu fico feliz de poder te encontrar de novo...

As penas se mexiam. A innocence que saia pelo ombro, disforme, gigantesca, branca e letal.

Não conseguia respirar.

– … Mas eu vou ter que te matar.

Kanda a sentiu, perfurando seu corpo. Impotente, podia ouvir o manto da Ordem Negra se rasgando.

Iria morrer. De novo.

Quantas vezes tinha sido morto pela innocence?

Trincou os dentes, puxando as garras da Crown Clown para fora, as mãos se rasgando, os ossos já expostos pelos ferimentos mais e mais profundos.

Podia sentir a marca negra o curando, mas a cabeça não parava de doer.

– ...Kan-da?

Não era a primeira vez que brandia a Mugen diretamente contra o amaldiçoado, mas foi a primeira em que pode sentir a carne sendo cortada pela lâmina. O ouviu se engasgar no próprio sangue que jorrava pela boca e escorrida pelo buraco que a lâmina lhe abrira na garganta.

Podia ouvi-lo tentar chamar seu nome, incrédulo. Traído. De novo.

Era a segunda vez... Que matava... Alguém importante para si.

Abriu os olhos.

Respiração falhando, dorso nu subindo e descendo. Cabelos confusos, emaranhados como o próprio raciocínio.

Cama. Ordem Negra. Sozinho, escuro.

Estava em casa. Casa... Levou a mão ao rosto, escondendo-o parcialmente. Anny finalmente conseguira prendê-lo em uma ilusão? Ou talvez, tratava-se de um sonho mal intencionado.

Alma Karma era sinônimo de desconforto. Alma Karma era tudo que quisera guardar em seu íntimo, longe dos ataques da innocence da garotinha infernal. Aparentemente falhara, embora tenha demorado a ser pego. Precisava repassar a informação à Komui, Anny teve uma aceitação rápida...

Rápida o suficiente para deixar o poder da innocence forte. Ilusões costumam pegar a vítima na hora em que são projetadas, mas essa lhe pareceu sábia como se tivesse consciência. Esperou que dormisse, que a guarda baixasse e a Mugen ficasse uns centímetros longe. Esperta.

Um sorriso desdenhoso desenhou-se nos lábios secos, incrédulos. Fazia um longo tempo que não tentava se enganar. Para quem ele estava disfarçando, afinal? Estava sozinho no quarto. Anotações para Komui não eram sequer importantes agora. Seria mais fácil se tivesse que mascarar, na verdade... Esconder sensações fazia com que se esquecesse, momentaneamente, delas.

Sentia-se traidor. De alguma forma... Estava abandonando-a. Quebrando uma promessa inquebrável, acima de experiências duvidosas e dor. Ainda a amava, ele sabia que sim, mas as lembranças... Não acompanhavam mais os próprios sentimentos.

E foi, com certo pavor, que notou como a imagem de Allen sorrindo de costas para si misturou-se com a dela.

Um dia... Será apenas ele, olhando para trás.

Bufou, resolvendo ignorar. Futuro não existe para ser premeditado, mas vivido. Kanda era do tipo que esperava e via no que dá, não era por causa de uma ilusão besta dessas que mudaria de jeito.

O céu, ainda negro, dizia-lhe as horas. Em pouco tempo o sol começaria a nascer, mas não tinha disposição para voltar a descansar. Levantou, a cama bagunçada como não costumava ficar. E seguiu em direção ao banheiro. Um banho lhe faria bem.

–--//---

Lenalee adorava falar.

O espadachim olhou-a, de cara amarrada, esperando que a chinesa notasse a pouquíssima paciência que lhe restava. Em vão. A garota seguia falando e sorrindo, como sempre muito meiga, enquanto segurava a bandeja com café.

Para Kanda, por muito tempo, ela foi sua segunda amiga. Ou terceira, já que Marie... Bom, tanto faz. Ele só permitiu a aproximação dela por causa do paradoxo que era uma existência daquelas. Lenalee era estupidamente forte, carregava a Ordem nas costas junto com Komui e sempre sorria, delicada, tentando pegar para si mais e mais trabalho.

Ela chorava muito a início. Isso o incomodava, achava que moças não deviam ser obrigadas viver em meio à carnificina – ao menos, não moças como ela. Lenalee florescia, como uma bela e incansável lótus. Se não sofresse um desvio de percurso insano, se tornaria uma General com facilidade, bastava que aceitasse a innocence. E bom, esse era o maior de seus dramas.

Não importava pensar nisso agora. Notou como os lábios femininos pareciam macios, suaves em cada palavra proferida. Era sabido, também, que ela ostentava um corpo para lá de bonito e que tinha um rosto a altura. Ainda que nada disso lhe interessasse – ao menos não como interessava Lavi — a baixinha irritante tornara-se uma lady formosa, capaz de despertar atenção de certos homens por aí. Ainda que Komui implicasse com Bak, Lavi talvez conseguisse o consentimento do irmão mais velho – depois de apanhar e sofrer por uns anos.

Isso, claro, dependeria do interesse dela. Bookmans podem amar? Kanda não lembrava de nada sobre. Provavelmente o Coelho falou, por que afinal, ele era outro que amava falar. E, como se tivesse sido conjurado, o ruivo de tapa-olho apareceu ao lado de Jhonny.

– Tem certeza? Não fale pro velho, mas estou começando a me preocupar... — O conjurado respondeu a fala desconhecida.

– Não temos ideia de onde ele está! TimCampy ainda está com Anny, ele não tentou se comunicar e assim entramos no quarto dia...

Obviamente, Allen Walker. O maldito amaldiçoado que surgia em seus tímpanos, memórias e sonhos sem ser convidado. Lenalee pareceu prestar atenção, olhando para Kanda com preocupação. Ela esperou que os rapazes se afastassem e se aproximou, sendo observada pela carrancuda feição do espadachim.

– O que voc- — Começou, incerta, só para ser interrompida.

– Não me interessa. — Descaso. Não disse? Fingir é uma boa jogada. Kanda aprenderia Poker, se não fosse coisa de Moyashis. Saiu andando, ouvindo as reclamações da chinesa atrás de si.

– Ah, moooh! Kanda! — Lenalee o seguiu, dando uma corridinha. Não era possível que os dois não tivessem mudado nada em tanto tempo de convívio!

– Vem, vamos treinar. Deixa esse troço em um lugar desses aí. — Em resposta, um sorriso leve.

Ela sabia o que significava ser intimada a treinar. Desde pequenos Kanda sentia-se melhor sozinho: meditava só, comia só e treinava só. Quando treinava acompanhado era por dois motivos muito simples. Ou fora obrigado ou queria companhia, por estar se sentindo sozinho.
Havia diferença, afinal, entre estar só e sentir-se só.

– Você sente falta dele, né? — A mulher questionou, retoricamente. Sabia que dificilmente Kanda concordaria em voz alta, mas havia notado sua estranheza há um tempo. Os Exorcistas eram uma família.

– Quem? — Do Alma, veio-lhe à cabeça. Ignorou novamente, sabendo se tratar do resquício da ilusão. Entrou na frente na área de treinamento 7, abrindo as portas e despindo-se de alguns acessórios.

– Allen. Vocês se distraiam juntos. Mesmo se odiando, treinavam, brigavam, saiam em missão... E esqueciam o terror que é nossa vida. — Lenalee, odiosamente, soltou uma pérola daquelas. Ela caminhou até seu lado, pondo a bandeja no chão perto dos pertences do amigo e fez o mesmo que ele.

– … Pfff. — Kanda, sem resposta, quase riu. Engasgado.

E por fim, começaram a treinar.

Afinal, Generais não se tornam Generais de um dia para o outro.

–--//---

– Poxa, fale alguma coisa! — A chinesa, depois de tanto tempo em silêncio, proferiu.

– Sua innocence é bonita. — O espadachim soltou. Estavam ambos largados no chão de areia, lado a lado. Kanda sem blusa, continha alguns arranhões e marcas de golpes no dorso. Lenalee descabelada e suada, além de agora descalça, acompanhava-o.

– Hã?

– Sua innoce- — E ele retomou, repetindo a frase. Interrompido.

– Não precisa repetir! Só... — Ela se sente quente, um pouco envergonhada, mas claramente confortável. Passara o tempo que intimidade com Kanda era sinônimo de desconforto. – Que é diferente ouvir um elogio vindo de você, Kanda.

– Por que você não merece, fica choramingando pelos cantos até hoje. — Bingo! Yuu Kanda, o demônio da Ordem Negra, estava de volta.

– KANDA! — Lenalee completou baixinho, com uma reclamação qualquer. O espadachim permaneceu em silêncio, pouco preocupado em se redimir. Era verdade, afinal.

Ela, então, deu de ombros. Conhecia o mal-educado, sabia que não pediria perdão por ser bocudo. Se estivesse disposta, até o chutaria com as Dark Boots ativadas, mas... Nah. Pós-treino era difícil querer chutar alguém.

– A Mugen está totalmente desperta? — Soltou, curiosa, sentando-se na areia. Kanda, olhando-a de baixo, pode notar alguns grãos presos no cabelo desgovernado. Ele a imitou, sentando-se. Levou a mão até os fios sujos, limpando-os sem realmente parecer notar.

– Não. — Prosseguiu o trabalho, indiferente a cena.

– E nem vai, né. — Sorriu, agradecida.

Numa das salas da Divisão de Ciências, Komui berrava descontrolado de um lado pro outro. Reever acumulava os montes de papel na mesa, enquanto Jhonny ria nervoso. Por uma das telas estava Kanda, seminu, exibindo seus músculos másculos para a doce e inocente Lenalee... Na visão enciumada do Supervisor.

O visitante, retornando ao lar, só pode ouvir um sonoro som característico ao parar na frente do identificador. Sujo, com alguns hematomas e muita fome, um braço coçando o cabelo e o outro livre, solto ao lado do corpo.

– NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO...!

– K-komui? — Allen sorriu, tenso. — Sou eu, o Al- — Interrompido. Anotem, crianças: intimidade permite que íntimos interrompam falas. O tempo todo, em todo lugar, agora mesmo.

– Ah, aquele não é o Allen, Supervisor? — O albino ouviu da boca do Guardião da Ordem, a voz de Jhonny. — Aqui, aqui, nessa câmera! — Em sua mente, Walker podia imaginá-lo apontando para o local correto, arrumando os óculos e se atrapalhando com a própria animação. Sorriu, doce.

– Reever, abra o portão pro Allen! Eu não vou desviar os olhos disso aqui! — E Komui respondeu. Ouviu um “Yare, yare...” do Reever e em seguida, os enormes portões arranharam o chão. Allen estava de volta, mas ainda assim, curioso.

– Do que o Supervisor não tira os olhos? — Questionou para quem quisesse ouvir e, de preferência, responder.

– Da sala de treinamento 7, Allen. — Reever interveio, piedoso – Lenalee treinou com Kanda há horas. Primeiro, Komui se incomodou quando Kanda tirou a blusa. — Allen petrificou, mais do que familiarizado com essa mania do espadachim. — Depois, ele se jogou em cima de Lenalee e ela se assustou, fazendo com que rolassem juntos pela areia. Agora que o treino acabou, eles deitaram no chão lado a lado.

– ISSO POUCO IMPORTA REEEE-VEEEER! VOCÊ NÃO VÊ? VEJA, VEJA! ELE ESTÁ LIMPANDO O CABELO DA LENALEE! PERTO, MUITO PERTOOO.... — E a partir daí, Allen resolveu não ouvir mais. Entrou na Ordem, deixando o portão atrás de si se fechar.

Não era como se estivesse com ciúme ou algo assim.

Não, não era.
Não estava sequer incomodado! Para ser bem específico, eles podiam continuar treinando pelo resto dos dias inclusive e...

– Allen-kun? — Parou. A voz de Lenalee foi ficando cada vez mais próxima, ela o chamada com carinho. Virou-se e foi, repentinamente, acolhido pelos braços da chinesa. — Allen-kun voltou, Kanda!

Subiu os olhos sem cor pela figura há alguns metros de distância, encarando-o. Kanda vinha logo atrás, caminhando. A blusa pendida no ombro, a Mugen guardada sendo segurada por uma das mãos. O rabo de cavalo estava meio torto, assim como ele parecia sujo...

Respirou fundo. É, o cheiro de Lenalee também não era dos melhores.

– Notei. — Ele respondeu, cuspindo a palavra de qualquer jeito.

– “Notei”, hãaa? Diga “Bem vindo de volta” Kanda! Como você está, Allen? Como foi a missão? — E Lenalee, claro, logo o repreendeu.

Allen sorriu, acostumado com a cena toda. Apenas passou por cima da má vontade do espadachim, jogando-a num canto bem esquecido e pouco visitado de sua mente.

Kanda, de braços cruzados, resolveu parar no meio do corredor para ouvir as explicações exigidas pela Exorcista. No instante seguinte, porém, viu que era uma insanidade ficar servindo de ouvido para dois tagarelas e voltou a andar, passando por ambos a fim de ir para o quarto.

“Bem vindo de volta.” Foi o que Walker ouviu, nos segundos exatos em que o moreno passara pelo seu lado. Ele arregalou os olhos sem cor, surpreso, olhando para trás.

Yuu Kanda seguia o caminho, tranquilo, como se não fosse estranho estar aliviado por certo amaldiçoado ter retornado em segurança.

Notas finais
DRAMA DOS BASTIDORES E A DISCUSSÃO SOBRE O ALLENKARMA: Nota: A Hoshino postou no Instagram uma imagem da Innocence da Past!Alma. E agora a innocence será oficialmente conhecida como ''Innocence-Galinha''. Grata. A: ''Iria morrer. De novo''. Ah, essa coisa de morrer todo dia... Um saco, realmente. A: “O que você está fazendo aqui há essa hora?''. Há essa hora lol. Tipo se fosse qualquer outra hora tudo certo! MAS HÁ ESSA HORA? K: Não sei quantas pegarão a piada. Afinal, se elas só assistirem o anime, o Alma não fará sentido. A:....É mesmo. A gente devia ter perguntado isso a elas. K: Ou a gente deixa quieto e elas vão ler o manga E SOFRER PORQUE A KATSURA HOSHINO MORRE E NEM AVISA. Um medo da minha vida é essa mulher morrer e não contar quem é o coração. Ou cadê o Cross. (mil discussões profundas sobre innocence e coração e sobre apocryos e caídos depois) A: Agora tô preocupada com as leitoras não acompanharem o mangá. De verdade. K: SHHHHHHHHH a gente bota nas notas a referência. A: Mas não dará ¼ da emoção... K: ): K: Enfim. Quando acha que devemos postar o próximo cap? A: Calma mulher. A gente postou o outro ontem. K: Tá, mas esperar quanto tempo? A: Não. Sei. (mode Kanda on) K: Ainda vai ter a parte rude pra Lenalee~~? A: Vai sim. Por que esse rancor todo? Lenalee é um doce de menina (mode Komui on) A: Na verdade, a minha parte preferida do capítulo é do Allen. ''Respirou fundo. É, o cheiro da Lenalee também não era dos melhores'' A: Tive uma ideia... Que você provavelmente não vai gostar. (E K não gostou) K: O Kanda tem a perna cabeluda? A: ??? Nunca vi. (Kanda é lindo, perfeito e maravilhoso. Não precisa de pêlos u_u Diferente do Hyukjae que vive dizendo que raspa para manter a imagem de idol e, na verdade, sempre aparece peludo por aí. Bom, segundo fontes, Donghae não liga. /eunhae)