Tanzaku
18 A Décima Sétima Noite
Notas iniciais
– Você tem a tendência de arrancar as roupas fora Kanda! Mas não é po- — Interrompido. O espadachim jogou-o contra a parede, atacando os lábios com ânsia. Allen sentiu-se arrepiar, extasiado pelo desespero do outro.
E em questão de segundos esquecera-se do que reclamava.
As mãos grossas do moreno apertaram-lhe na cintura, demarcando território. Allen logo envolveu-o pelo pescoço, soltando os longos fios negros com precisão. A rapidez dos toques, somada a rigidez, deixava claro o interesse quase insano de tê-lo para si.
O cheiro de lótus envolveu as narinas do espadachim. Não, ele não precisava abrir os olhos e procurar pelas flores, sabia onde cada uma se encontrava. Sabia que cairiam mais enquanto prosseguissem com os atos e que, ao segurá-las, mergulharia em questões pouco importantes para a situação atual.
Decidiu-se, então, apenas apreciar o aroma agradável.
Aquela era a décima sétima recepção deliciosamente quente. E seria, também, a décima sétima vez que Allen aceitaria as propostas nada castras do companheiro de Ordem.
Kanda enfiou, despretensiosamente, os dedos dentre os fios brancos. Allen arfou, entre o beijo, sentindo-o puxar-lhe a cabeça para trás. Um filhete de saliva saiu, ousado, do ósculo partido. Os olhos chocaram-se, revelando vontades sujas...
A boca do maior encontrou o pescoço de Allen. Pôs-se a morder e chupar cada pedacinho exposto, pouco importando-se com as unhas do menor em suas costas desnudas. Ele arranhava, arfando, de olhos semi-cerrados.
Então, as mãos do moreno desceram sobre o traje, ameaçando arrancá-lo. Allen impediu, parando-o. Os negros de Kanda voltaram a encarar os cristalinos, densos em desejo, aguardando uma resposta no mínimo excelente por ter sido interrompido.
Allen notou, naquele olhar, como o homem a sua frente era deliciosamente atraente. Ele podia sentir, ao redor, um sentimento carregado de luxúria... Escorrendo pelas paredes, consumindo-os a cada toque.
– São caros, idiota.
E Kanda sorriu, com escárnio, sem a menor paciência para os caprichos da Ordem. Pouco lhe importava os uniformes custavem por volta de 30 mil, não foi ele quem inventou essa ideia tosca e tampouco arcava com isso. Com um estalar de língua ruidoso, arrastou o corpo de Walker, rude, até ficar na direção do gancho. De alguma forma bizarra, o ex-morador daquele quarto, havia pregado um gancho suspeito na parede que nunca tivera utilidade.
Até aquele momento.
Pegou o prendedor de cabelo da mãos do albino e mordeu, juntando as mãos de Allen. O albino arqueou uma sobrancelha, descrente, obedecendo a ordem silenciosa de Kanda. Assistiu-o amarrar suas mãos, juntas, com uma força desnecessária. Ardia.
– Que ideia de mal gosto é essa, BaKanda? Você sabe que eu posso me soltar. — argumentou, fazendo pouco caso.
– Pode, mas não quer. — dito isso, atravessado, beijou-o novamente. Allen tinha a tendência irritante de falar demais, querer explicação demais e atrapalhar demais. O beijo que começou rápido transformou-se em pura provocação. Kanda parou-o no instante exato em que o albino mordeu-lhe o lábio, soltando um muxoxo qualquer. Seguiu caminho pelo corpo do outro, parando no primeiro botão.
Allen fez uma careta, mais desgostoso ainda. Ao menos, até ver os negros de Kanda encarando-o com uma promiscuidade ímpar. A língua do japonês, então, enrolou-se no botão vermelho com avidez, tirando-o da primeira casa e se aventurou, adentrando a parte recém-aberta do traje.
O albino gemeu, miúdo, sentindo a textura na própria pele. Mexeu os braços, inquieto, jogando a cabeça para trás enquanto o espadachim seguia caminho pelo dorso, até o segundo botão. Allen sabia que não podia olhar a cena, já que encontraria os negros observando-o com escárnio.
Sabia também que tentava conter os sons pecaminosos, mordendo os lábios com os cristalinos fechados. Kanda adorava vê-lo se torturando. Allen Walker, o dono de uma personalidade cavalheiresca, escondia seus podres perfeitamente pela carcaça de bom-moço, mas Kanda sabia a realidade. Kanda não seria enganado.
Allen era deliciosamente sujo. Ele arfava, gemia e se entregava com malícia, travestido de pecado reencarnado. Quando estava assim, disposto aos gracejos do espadachim, todas os disfarces caíam e ele mostrava, em essência, a mais excitante luxúria.
Manteve o aperto, forte, na cintura delgada. Abriu o terceiro botão, destilando-o em agonia, vendo o dorso albino subir e descer freneticamente. Estava próximo do umbigo, quase na última casa. Sorriu, demoníaco, separando as partes do tecido. E então, pode observá-lo.
A cena não podia ser mais quente. Allen, vermelho, fingia manter-se firme. Os lábios separados, a leve camada de suor, os braços erguidos... Kanda tomou-o para um beijo, descontrolado, abrindo os botões restantes com uma mão mesmo.
E Allen correspondeu, sinuoso, envolvendo o mais alto com as pernas. Queria contato, queria prazer... Kanda mergulhou as mãos nas nádegas dele, vendo-o partir o beijo para gemer. Alto.
– Heh.
Kanda, sem o prendedor, com os longos fios espalhados como bem entendessem. Sem blusa, sem pudor, sem pressa... Sorriu, malévolo, transpassando aos olhos negros os sentimentos mais sacanas.
Soltou o albino, vagaroso, pressionando-o contra a parede com o próprio corpo. Os braços de Allen desceram, encontrando no pescoço de Kanda seu lugar. Mergulharam no cabelo negro, aprofundando o beijo, exigindo-o mais próximo.
Kanda segurou-o, pelas nádegas, sentindo o aperto forte na cintura. Prosseguiram o ósculo até o albino ser jogado contra o colchão duro. Allen soltou uma exclamação, surpresa, vendo Kanda vir por cima para voltar a beijá-lo. O corpo cobriu duas ou três lótus espalhadas pelo colchão.
A mão albina correu pelo corpo do espadachim, entrando intrometida na calça alheia. Allen ouviu um arfar baixinho, discreto, fazendo-o sorrir maquiavélico durante o beijo. Sim, era a hora do revanche.
A verdade era que Allen não conseguia pensar direito com o espadachim torturando-o com tanto vigor. E bom, Kanda não era exatamente capaz de pensar também. Ele não fazia isso estando sóbrio, quem dirá... Assim.
Assim, sentindo a pulsação aumentar, o cheiro das flores mesclando-se aos fluídos corporais. O suor conectar os corpos, o envolvimento aumentando carregado... Ele sequer fazia questão de disfarçar. Kanda queria-o para si, entregue, para saciá-lo de todas as formas. E foi com certo alívio que sentiu os dedos do Moyashi torcerem como podiam entre os detalhes da calça, tentando abri-la com ânsia.
Um sorriso presunçoso ameaçou se formar nos lábios ocupados pela boca do albino. Ele poderia até quebrar o contato para dar uma pisada no ego alheio, mas a sensação de estar livre atingi-o em um baque.
Allen abaixava, com as mãos habilidosas, a calça e a cueca como bem entendia e podia, tocando e roçando despudoradamente naquele corpo tão tentador. E Kanda, emputecido pela dificuldade do outro, saiu de cima só para arrancar qualquer irritante peça de roupa.
O Moyashi não podia sorrir mais. Provocador, despejando luxúria, fazendo questão de observar cada pedacinho da pele agora exposta. Ele tinha um certo magnetismo para a beleza do espadachim – que sempre o prendia nas fantasias mais sacanas -, mas agora suas intenções eram ridicularmente claras.
E o sorriso aumentou, dominador, não resistindo em passar a língua pelos lábios. Escorreu as mãos pelo colchão, fitando as orbes negras. Elas subiram, arrastando o lençol, até estarem juntas a altura da cabeça. Quando Kanda deu um passo, com o falo despontando pelo convite nada castro, as pernas deram sinal de movimento.
Um movimento, por sinal, delicioso...
Kanda se viu paralisado, absorvendo o espetáculo nos mínimos nuances. Allen afastava as próprias pernas vagaroso, numa tortura silenciosa e insana, enquanto sustentava o olhar perigoso nos cristalinos nublados. Era puro desejo, concentrado, chamando-o para ser consumido. Sacana.
As mãos do espadachim agarraram a cintura albina, trazendo-o para a beira da cama. Sem esperar, Kanda tomou-lhe os lábios com violência, puxando o cabelo branco para trás. Um gemido carregado se arrastou pelo beijo, convidativo, tornando a atmosfera ainda mais densa.
E um sorriso despudorado surgiu quando, ao partir o contato, Kanda o puxara pelos cabelos até poder usar as mãos para se apoiar no colchão. De pernas abertas, totalmente exposto e lascivo, assistiu de baixo o olhar dominador que lhe foi mandado.
Kanda pôs a própria mão a altura dos lábios viciantes do albino, tentando não mandar o auto-controle à merda.
– Chupe.
Allen não pode sorrir mais, sentindo uma pontada forte no membro já ereto.
Ele se aproximou, diminuindo a pouca distância que os separava, exibindo a língua enquanto mantia o contato visual com o moreno. Envolveu o primeiro dedo, provocativo, enfiando-o na própria garganta com vontade. Chupou-o sensual, alternando com lambidas e poucas mordidas para logo sentir o segundo invadindo-o com pressa.
Então Bakanda estava impaciente? Heh...
Allen prosseguiu com o trabalho, deliciando-se com o olhar que recebia. Os cristalinos desceram pelos músculos definidos, a tatuagem pecaminosa, os traços másculos... Perdendo-se no membro rígido e arrogante, levemente úmido, brilhando aos seus olhos como o mais desejado doce. Sentiu o terceiro dedo entrar em sua boca, sem qualquer delicadeza, vendo-o pulsar enquanto brincava com eles dentro de si.
Mas não era exatamente dedos que queria dentro...
Sabendo os pensamentos do Moyashi Kanda ameaçou erguê-lo. Ele, porém, arqueou uma sobrancelha no maior falso descaso que pode reunir. O espadachim encarou-o, estalando a língua, como quem diz que não tem tempo para as merdas que ele queria.
– Como sempre incapaz de falar. — Allen sorriu macabro, destilando seu lado negro. Um dedo foi pro queixo do moreno, zombando do mesmo.
– Foda-se. Fica de quatro. — Kanda empurrou a mão dele, assistindo-o aumentar o sorriso.
– Não. — E o desgraçado soltou, divertindo-se muito com a situação.
Kanda bufou, visivelmente irritado. O puxou pelos braços com violência, dando um passo para trás no processo. Virou-o brusco, ouvindo murmúrios negros saindo no albino a frente. E meteu a mão na cabeça dele, sem o menor cuidado, levando-o a ficar como bem entendesse.
– Ah, qualé, Kanda! Você é melhor que isso... — Ignorado.
– Finalmente de quatro, sem gracinhas e desafios idiotas. Afastou a perna dele de qualquer jeito e o invadiu, ainda consumido pela ira. Feijão insolente dos infernos.
– Anh.... — Allen gemeu, misturando dor e prazer na voz arrastada. Arrepios arrancaram a sanidade restante do corpo, sentindo cada parte de seu ser reagir com as investidas dos dedos dentro de si.
E ofegou, particularmente entregue, ao tapa estalado na bunda. A mão que antes lhe estapeou desceu pelo interior da coxa, brincando com os testículos, forçando-o a fechar os olhos em agonia. Não pretendia gemer, nem entregar-se assim, de bandeja. Ele tinha um orgulho a zelar, ainda mais quando se trata de...
– Arnh... K-kanda, deixa de baixaria... — Quando se trata de Kanda. E a temperatura subiu, repentinamente, quando a mão firme envolveu-lhe o membro esquecido com tanta posse. Ele até tentou manter uma pose, ambos sabiam, mas não há como manter posturas viris... De quatro.
Convenhamos.
– Heh. Você fica melhor assim, Moyashi. — E assim que raciocinou uma resposta cabível, lutando contra os dedos que brincavam em seu interior, Kanda interrompera qualquer tentativa.
– É A-ALLEENn...! — Com um gemido arrastado e particularmente alto, Allen Walker flexionava os braços, abaixando ainda mais o tronco. Kanda parecia se divertir, sádico, uma mão passeando livre pelo corpo albino provocando-o arrepios e arfares.
Mais dois dedos deslizavam para dentro. Sugestivos, preditores... Abrasadores. Allen sentia-se ferver, o calor espalhando pelo corpo. Mordeu os lábios, inconsciente, querendo mostrar pro idiota atrás de si que conseguia controlar as próprias cordas vocais...
– Ahnwnnn... — e gemeu, desperto, quando Kanda atingiu um ponto de prazer. Merda. Ouviu um som abafado vindo do espadachim, fazendo questão de ignorar, até que ele notasse a audácia e começasse a atingir o ponto repetidas vezes como numa vingança deliciosamente pessoal.
Os gemidos recomeçaram, altos. Mergulhou a cara no travesseiro, descontrolado, pronto para morrer asfixiado sem entregar qualquer som prazeroso aos ouvidos do moreno.
– É assim...? — Kanda perguntou, os dedos saindo de si. Levando-o a loucura, escorregadia, pela ausência de contato. A mão firmou-se na cintura, enquanto ouvia um barulho discreto na cama. Formulou uma resposta atravessada, engasgando-se nela ao sentir, pela segunda vez, a mão do moreno puxar-lhe os cabelos com força. Para trás.
Soltou um arfar surpreso.
Allen tinha um fraco terrivelmente insano pelos dedos longos de Kanda nos seus fios, puxando-o, exigindo-o de si. Cobrando, querendo. Mandando.
Kanda sorriu, falso, aproximando o membro da entrada dele. Viu-o tremer de leve, em expectativa, quase rebolando para aumentar o contato. Posicionou-se, respirando fundo, começando a penetração. O aroma sutil empregou novamente suas narinas, como numa doce forma de lembrá-lo onde estava. O moreno aspirou, enchendo os pulmões com o perfume que passou a admirar, notando como o cheiro de Allen também ficara marcado no ar numa perigosa combinação.
– Annnnnwwwwwwwwwwwwwn! — Allen gemeu, manhoso, irritado por não poder esconder os sons produzidos por causa da posição. O desconforto subiu, arredio, conforme sentia cada pedaço dentro de si ser consumido pelo membro de Kanda.
O espadachim, no entanto, estava diferente. Ao empalar Allen totalmente, podia sentir as paredes apertando-lhe convidativas, macias... Deliciosas. Sabia que era doloroso a início e tentava se controlar até que ele desse um sinal positivo.
De forma inevitável, aumentou a força nos cabelos de Allen. Sua maior tortura sempre fora essa... Afinal, que homem resistia sucumbir ao desejo dentro de um corpo tão quente?
O albino se remexeu, inquieto, tentando encontrar uma posição melhor. Kanda arfou, perigosamente provocado pelas sensações que lhe consumiam. E os movimentos começaram, devagar, em uma sincronia falha entre o descontrole e a grosseria.
Kanda ia com certa pressão, mas tediosamente lento...
– Nee, Bakanda...
– Hm?
– Lenalee certa vez perguntou como você era na cama... Eu devia dizer a verdade, né?
– O que quer dizer com isso?
– Quero dizer que é melhor você se mexer direito ou eu vou detonar sua fama de machão, Bakanda.
– Tsc. Moyashi suicida...
E as estocadas aumentaram, raivosas, numa prova pouco satisfatória sobre a virilidade alheia. Kanda cravou as mãos na cintura dele, umidecendo os lábios, enquanto saia vagaroso... E voltou a investir, particularmente fundo, fazendo-o gemer deliciado.
Os sons triplicaram, intensos, espalhando pecado pelo quarto. A cama rangia, Allen enterrava a cara com força no travesseiro, os gemidos entorpecendo o espadachim. A temperatura derretia a sanidade. Kanda, de pé na frente da cama, jogava-se sem controle no corpo do albino, investindo, provocando, destruindo todas as estruturas do homem.
E ele não podia gostar mais de fazer isso.
Num momento insano, saiu dele e o jogou na cama. Allen se surpreendeu, tendo as pernas erguidas enquanto era invadido sem permissão. Gemeu alto, roçando a cabeça no travesseiro, sentindo-o ir fundo atingindo-o na próstata.
Os lábios do espadachim, ensinuantes, perdiam-se no corpo abaixo de si. Logo sentiu as unhas dele arrancando-lhe pedaços, marcando-o como propriedade, numa vã tentativa de externar um pouco do prazer arrebatador que sentia.
E, com uma mordidinha leve na orelha de Allen, Kanda deliciava-se ouvindo os gemidos. Descontrolados, altos, perdidos. Derretendo, aumentando, quebrando a razão. Manteve o ritmo rápido, estocando-o rápido como sabia ser a preferência de ambos.
Sentiu a mão de Allen descer pelo seu corpo, trilhando caminhos desconexos até se perder entre ambos. No abdômen de Kanda, estava o membro esquecido do albino, pulsando, quente, exigindo atenção. Logo os dedos do menor o envolveram, extasiado.
As vozes roucas, o suor, o contato das peles quentes. Allen sentia-se desmanchando em luxúria, a masturbação envolvendo-o num momento insano. Descontrolado. Era tudo tão denso, tão preenchido de desejo que, numa estocada certeira, não aguentou.
– AHHHHHHHHHENNNNNNNNN KAAAN-DA~ — e gozou, contraindo-se involuntariamente, apertando ainda mais o espadachim dentro de si.
O sêmen sujou as peles, enquanto Allen sentia-se mole demais para reclamar. Kanda ainda penetrava-o, forte, procurando o próprio alívio. A postura dele, as mãos em si, as estocadas... Até o cabelo negro parecia contribuir para a imagem sexual que o moreno externava.
Era tão absurdamente sexy...
Allen o puxou para mais perto, beijando-o rude. A mão livre desceu pela lateral da cama, encontrando o membro dele entrando e saindo com violência. E desceu mais um pouco, apertando-lhe os testículos com vontade.
Kanda não podia resistir a isso. Ainda mais com pétalas róseas despedaçadas tão próximas aos cabelos e rosto sem cor de Allen. Era... Fetichioso.
Ouviu-o gemer, rouco, dentro do beijo. Saliva escorria pelos lábios, deixando a cena promíscua. Partiram o beijo, arfando, as testas encostadas por mera necessidade. Os olhos cristalinos, derretidos e satisfeitos, nublavam os últimos espasmos do orgasmo. Kanda observou-os por mais alguns segundos, sentindo a mão firme de Allen em sua nuca.
E se ergueu, separando os corpos, oferecendo uma deliciosa visão para deleite do albino. Os fios soltos, dispostos entre os músculos definidos. A tatuagem, a fina camada de suor que delineava os traços... E as marcas, poucas e avermelhadas, espalhadas pela silhueta.
Allen sorriu, miúdo. Assistiu Kanda retirar-se, suas costas vermelhas nos arranhões pareciam curar a cada movimento. Menos mal.
– Mas é um sacana mesmo. Tsc.
– … Hã? — Allen questionou, tenso, levantando discreto enquanto catava as próprias roupas. — Não sei do que está falando...
– Claro que não sabe, só ficou enfiando essa porra dessa innocence nas minhas costas o tempo todo. — Kanda, ainda de costas, terminava de fechar a calça. A aurea negra já se espalhava, poderosa, afastando até membros que passavam no corredor.
– É ALLEN BAKANDA! Ah, desculpa, depois arranjo um emplasto para sua delicada pele, senhorita. Bem, pelo menos você não foi quase rasgado por baixo porque algum imbecil fez as coisas de qualquer jeito... – dramatizava, pondo a parte de cima das roupas.
– Tsc. Para de fugir e assume suas merdas Moyashi! E não fica reclamando de dor agora não, que a culpa é sua. — Kanda se virou, se aproximando. Emburrado, as mãos procurando a Mugen por instinto. Lótus por todos os cantos – para variar.
Lavi passava, as mãos atrás da cabeça, pelo corredor. O velho tinha lhe chamado para mais uma seção de exercícios de Bookman e lá ia ele, no maior pouco caso, cantarolando uma música qualquer.
– AHHH, QUE SACO KANDA! É ALLEN! Vamos lá, você consegue! Bota essa cabeça para funcionar! — até que ouviu a voz do albino repentinamente perto. O coelho parou, olhando para trás. Sem o menor sinal deles nas proximidades, olhou curioso para a porta do quarto de Kanda.
– Tsc.
Yare...? Kanda e Allen trancados no quarto há essa hora? Fazendo o quê, afinal?
Eis que a porta abre, num movimento exagerado, fazendo Lavi pular para trás. De lá, sai um Kanda com o traje aberto. Putíssimo com a vida, pisando fundo e emanando aurea negra para quem quisesse ter.
E Allen vem logo atrás, igualmente irritado, resmungando alto lições de etiqueta e coisas sem sentido. O caolho ficou confuso, ouvindo frases como “Você não presta nem para comprar lubrificante!”, “Eu me perdi, já falei. Pior é você que não fala nem meu nome!”, “Arranhar minhas costas desse jeito é coisa de...”, “BAKANDA!” e lá foram, corredor a dentro, desaparecendo entre os xingamentos e ofensas.
– Lavi? — Lenalee chamou-o, inclinando o rosto, em sua direção. Lavi olhou-a, repentinamente tenso, ligando os pontos em sua mente. Andou até o quarto aberto de Kanda, espiando.
A cama desarrumada. TimCampy dormindo na mesinha...
– Lavi? — e a chinesa chamou-o mais uma vez, observando-o encostado no batente do quarto.
– Heh... E-er, oi Lenalee... Como está? — sorriu amarelo, ponto uma mão nos ombros da garota. Carregou-a para longe, papeando sobre qualquer coisa, disfarçando os pensamentos que tinha.
Ora, ora... Então quer dizer que Kanda e Allen...? Sorriu, arquitetando mentalmente formas de irritar Yu. Isso será divertido~
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