Tanzaku
19 A Décima Oitava Noite
Notas iniciais
Um Bookman registra fatos, mas também deve ser capaz de os analisar a fim de prever e comparar padrões históricos e acontecimentos relevantes.
E ainda assim, ali estava Lavi, encarando seu chocolate quente no refeitório, pensando quando que deixou uma coisa daquelas passar.
Está certo, havia participado de mais missões ultimamente, mas uma delas chegou a ser com Kanda! Ele teria reparado, não?
E, pelo visto, eles não estavam naquela situação há tão pouco tempo. E se referia não àquela tensão sexual que parecia já fazer parte da alma dos dois, mas àquela sexualidade descarada que deixava marcas no pescoço do Allen.
Repassou os fatos em sua cabeca pela milésima vez:
Lenalee colocando desejos num pedaço de bamboo. Confere.
Allen e Kanda na primeira missão juntos desde Martel. Confere.
Allen e Kanda voltando pra Ordem com uma garota debaixo do braço e um ar tão denso de testosterona que dava pra cortar com uma faca. Confere.
Allen e Kanda sujos de tinta, se arrebentando na área de treino. Confere.
Mas agora eles estavam ali, super íntimos, se divertindo no quarto de Kanda?
Não, não. Alguma peça estava faltando. Algum fato não tinha sido considerado e alguém possuia a informação que ele precisava!
Ele só nunca imaginaria que essa pessoa fosse Miranda.
Quando Lavi os viu, era a décima nona vez que faziam aquilo. Mas isso não significava que era a décima nona vez pós-missão. O ponto é: quando e como foi a primeira vez.
Por que Lavi Bookman estava tão interessado nisso? Oras, ele tinha um nome a zelar! E um Yu Kanda para perturbar, obviamente.
Longa história curta, Miranda havia explodido a cozinha de Jeryy. Foi sem querer, sempre era, mas ela e todo mundo que estava de bobeira pela Ordem obviamente foi jogado lá para ajudar a arrumar tudo.
Kanda e Allen inclusos. Mais do que inclusos, posto que entre Exorcistas, Finders e Divisão de Ciências, eles eram os mais a toa de todos. Eles e Miranda, claro. Anny já tinha ido com a General sabe-se lá para onde, Krory e Lenalee saíram em missão e Marie... Ninguém sabia do paradeiro. Talvez com General Tiedoll?
Dia vai, dia vem, Miranda passava a maior parte do seu tempo tentando evitar que os dois terminassem de destruir a cozinha já tão danificada. E, por ser a Miranda, na maioria das vezes ela não conseguia evitar.
Kanda ficou particularmente irritado num dia em que ela usou o Time Record nele antes que pudesse sacar a Mugen e mostrar para aquele Moyashi estúpido quem era que cortava o cabelo usando uma tigela de sopa pra ajudar.
E o trabalho não avançava.
Mas veja bem, é de Miranda que estamos falando. Em geral, ela não faz nada de mal, tirando o fato de que sempre causa o caos só por estar por perto.
É sem querer. Ela só é muito atrapalhada.
Ela é o tipo de pessoa que quebra a louça de duzentos anos exclusiva de um café vitoriano tentando dar um pedaço de bolo extra pra alguém.
Por isso, Allen nem chegou a ficar realmente surpreso quando ele sentiu seu corpo ficando quente. Ele confiava em Miranda, tanto quanto alguém que teve que passar anos roubando em jogos e fugindo pela porta dos fundos pode confiar em alguém que costumava levar cocô de cachorro na cara.
Ele sabia que tinha algo de errado no chocolate quente que ela quase jogou na cara dele e de Kanda ao tropeçar na barra do vestido.
Mas bom. Não podia causar problemas pra ela.
E tomou o chocolate. E viu Kanda tomando o dele também, irritadiço.
A próxima coisa que perceberam foi que Allen estava sem calças e Kanda no meio do caminho de tirar as suas, ambos esparramados numa bancada da cozinha. Jeryy teria um troço se visse aquilo, mas ele não viu – aliás, ninguém viu.
Miranda não sabia, claro, que aquilo tinha acontecido. Ao chegar na cozinha no dia seguinte e ver o fogão cortado ao meio – Mugen em mãos e Crown Clown esvoaçando — apenas lamentou em silêncio que a poção experimental que havia pego com Jhonny tenha durado tão pouco. No rótulo dizia: "Aumenta amizade. Libera hormônios e receptores e coisas do tipo".
Ok, a explicação não era bem essa e, na verdade, era bem longa. Mas Miranda nunca foi boa com biologia. Ou com qualquer coisa. Ela se lembrava que, no meio de um monte de palavras, tinha uma chamada “libido” e outra, “afrodisíaco” ou algo assim.
O fato é, longe de qualquer indício de estarem mais amigáveis, os dois estavam era ainda mais ariscos um ao outro. Allen reclamava de seus quadris e jogava piadas por cima do ombro, ácidas. Resmungava como um velho reclamão que tem problemas para sentar decentemente em qualquer superfície.
Miranda não desistiu, tentando animá-los com algumas balinhas. Allen as aceitou de bom grado – era comida, afinal – mas Kanda... Ah, Kanda. Não havia açúcar que pudesse dar um jeito na cara feia do espadachim.
Como todos sabem, Kanda não é do tipo que leva provocação sem dar um troco.
Claro, claro, um desenvolvimento fraco, alguém poderia pensar. Mas depois de meses de olhares cerrados, mão boba e brincadeiras bestas, aquilo era esperado. Só precisavam de um empurrão para caírem de vez no fundo do poço sem volta das provocações que vão além de alguns insultos.
Provocações, sabe? Uns treinos estranhos, com apertões, arranhões estratégicos, encaradas e joguinhos maliciosos. Umas frases de duplo sentido, umas posições desnecessárias e até saídas dramáticas, mas discretas, em direção ao banheiro.
Quando Lavi voltou da missão até notou que tinha algo de diferente mas, poxa, uma gota a mais ou a menos num caldeirão já cheio até a boca? Ok, eles são como fogo e gasolina, mas uma única missão longa com o Velho seria suficiente? O Bookman pedira à Komui para pegarem o caso. Era alguma coisa sobre uma familia chamada Campbell e tal. Lavi entendia a importânica das informações que o Velho fora buscar, mas não podia deixar de se sentir meio mordido em saber todos os fatos que perdera nesta ausência.
Bom, paciência.
Terminou seu chocolate e saiu do refeitório.
Haviam Yu's por aí a serem provocados e pelo visto, seu arsenal de provocações acabava de receber um bônus. Precisava achar Lenalee.
–--//---
Não era exatamente como se Lenalee também estivesse totalmente ciente da situação que estava se desenrolando pelos cantos abandonados – ou nem tão abandonados assim. Allen e Kanda juntos, nunca se sabe quando vai estourar, né? As marcas de mordida que Kanda ganhou na mão depois de tampar a boca de Allen daquela vez que Reever estava passando demoraram um dia inteiro para sumirem — mas ela SABIA de uma coisa ou duas.
E, bem, Allen havia tomado o cuidado de pedir que ela mantivesse segredo sobre os pedacinhos de verdade que sabia – ele pediu bem educadamente, depois de ela apontar outra mancha vermelha-arroxeada no pescoço do exorcista — o que apenas confirmava toda as suas possíveis suspeitas.
Quando Lavi se aproximou dela, rodeando-a e quase derrubando a bandeja de café que ela carregava, o rosto de Allen passou brevemente por sua memória, mas a curiosidade de saber até onde o Bookman Jr. chegaria foi mais forte.
Lenalee tinha uma personalidade surpreendente às vezes.
– Lavi...
– Mas Lena, vai dizer que não notou?
Lenalee fez uma expressão pensativa, vasculhando a própria memória...
– Agora que disse, teve uma vez, sim...
– O quê, o quê?
– Eu estava servindo café para a Divisão e passei na sala do monitoramento. Numa das telas Kanda e Allen estavam treinando... Mas a sério! Sem quebrar nada.
– Oh! Isso é raro!
– Sim, sim... Fiquei observando por um tempo...
– E aí?
– É só que... Eles estavam... Hum, muito perto, sabe? Ah, o Kanda estava puxando o cabelo do Allen.
– Mas Lena, eles vivem puxando o cabelo um do outro!
– Não desse jeito Lavi! Ele pegou bem na nuca, puxou com força... Daquele jeito, sabe? Daquele! E o Allen sorriu! Mas não era aquele sorriso estranho do Allen de quando ele está jogando cartas...
– … WOAH! ALLEN É MASOQUISTA?
– Fala baixo Lavi!
– Mas ele estava se esfregando mesmo?
– Não foi bem isso que eu falei, Lavi... Mas...
– Mas?!
– Bom, teve uma hora que caiu no COLO do Kanda.
– O que ele fez?
– Tentou imobilizar as mãos do Kanda em cima da cabeça!
– EH? ISSO É IMPOSSÍVEL!
– É, ele não conseguiu...
– Lena, tô dizendo! Que oponente é esse que, na Guerra Santa, vai sentar no colo do adversário e prender as mãos dele no alto da cabeça? Isso é coisa de-
– Lavi!
– Hmp! Então quer dizer que o Allen faz essa pose de cavalheiro, mas vira Dark Allen na cama! É por isso que eles se dão bem, então, e-
– LAVI! — Lenalee berrou, interrompendo-o. A vermelhidão em suas bochechas era um misto entre irritação e vergonha.
Pudores, pudores. Não é porque você se dispõe a falar de um assunto que precisa entrar em todos os pormenores.
O brilho no olho de Lavi tinha um toque perigoso, e Lenalee chegou a sentir uma pontada de culpa por não ter feito como Allen pedira.
Um Bookman pode ir mais longe do que se pensa. Mesmo que seja só o Júnior.
– Ahh, Lena~ Só posso falar disso para você! OH! A Anny tá por aqui?
– Não, ela foi com a General logo depois que pegamos missões. Por quê?
– Ela deve ter visto alguma coisa! Ninguém ameaça a imagem do Allen e do Kanda assim e sai vivo...
O golem da chinesa se aproxima, voando. De dentro dele, um pedido formal para se dirigir até Hevlaska. Lenalee sorriu para Lavi, apressando o passo em direção a Divisão de Ciências, tinha que deixar o café lá antes de obedecer ao chamado.
Lavi se deixou ficar para trás. Não estava a fim de cair no meio da Divisão de Ciências...
Esticou os braços, pensando.
Bom. Ainda tinha trabalho a fazer.
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Tão incrível quanto possa parecer, era trabalho de fato, largado em sua cama sem maiores cerimônias.
Como se já não tivessse papel o bastante naquele quarto sem que o Velho ainda profanasse seu leito.
Pôs os trambolhos debaixo do braço e saiu, rumo ao bosque comumente chamado de floresta próximo à sede da Ordem.
Quando encontrou a árvore perfeita, subiu-a sem cerimônias. Um de seus galhos dava de frente para uma quebra de água da cachoeira, formando um pequeno reservatório natural com uns peixinhos comuns.
Pois bem.
Não precisava se esforçar muito, só iria ler o material trago. Assim sendo, lhe restavam esperanças de ainda acabar com um belo insight sobre o caso Yullen enquanto revisava os documentos.
Porém, no meio das divagações e leituras, o balançar as folhas pareceu-lhe bem relaxante. E, por culpa do canto dos pássaros, do som tranquilo e contínuo da quebra d'água e até mesmo, da sombra a qual se encontrava... Acabou adormecendo mesmo. Em seus sonhos, informações do material de estudo transformaram-se em pessoas, como num complexo roteiro, encenando as aspirações antes absorvidas.
A coisa toda estava até interessante.
Tinha uma mulher, com aqueles vestidos pomposos e macios, que andava no campo. O clima era seco, o casarão ao fundo tinha lá sua beleza. E ela? Caminhava em direção à uma árvore, de tronco e galhos retorcidos – talvez pela secura que o lugar aparentava? Bom, não importava.
Ela carregava um caderninho, junto de uma pena, enquanto segurava os vários e vários tecidos com as mãos delicadas. A ideia era só ultrapassar a plantação e se acomodar confortavelmente em algum canto da árvore. Sua expressão, porém, não era das boas. A mulher acabara de se desentender com um homem, alto e belo – mas isso era mero detalhe. O problema é que a cena ficou estranha depois que ela arrumou as camadas de pano pomposo no chão. Não sabia bem por que, mas de alguma forma, o campo seco e quente emitia uns barulhos curiosos de água sendo movimentada. Começou com um choque grande – parecia que algo havia se jogado em uma grande quantidade de água, disponível e concentrada.
Uma voz, ao longe, usava uma entoação irritada e alta, como se estivesse desconfortável com aquilo. E daí, alguém respondeu.
De um jeito mais rouco e ameaçador, mudando consigo o cenário do sonho.
Lavi não visualizava direito os detalhes, mas estava sendo elemento figurativo de uma discussão. Foi nesse momento que a consciência deu o ar da graça. De repente, ali tinha barulho demais para manter-se entregue ao mundo dos sonhos.
Onde havia ido a tranquilidade de um bosque pseudo-abandonado?
Abriu o olho bloqueado pelo protetor. Retirou a peça, encaixando no pescoço enquanto esfregava as mãos no rosto sonolento. Os verdes, desacostumados a luminosidade, focalizaram os elementos ao redor com certa demora. Porém, olhos de Bookman não são quaisquer olhos – é importante frisar. E, assim que a coisa toda ficou visível e adaptada à sombra na qual estava, um monte de informações surgiu automaticamente na mente do ruivo.
Cada mísero sulco das quatro mil, seiscentos e oitenta e cinco folhas na árvore a frente, a pressão e temperatura atmosférica, a textura do galho onde estava... E, claro, os cabelos bagunçados de Allen. Os dedos de Kanda haviam bagunçado-os, entrando por eles de qualquer jeito. Tinha força aplicada ali, criando um ponto de tensão óbvio entre os corpos. O tronco do espadachim, inclusive, parecia ter subido sobre do mais baixo e se envergado, de leve, para diminuir a diferença de altura a fim de capturar-lhe os lábios.
Os cabelos do moreno, por exemplo, davam à Lavi um verdadeiro banquete informativo. Estavam molhados nas pontas, dizendo-lhe que a pessoa que ouvira entrar na água antes era Allen – e, a julgar pelas roupas molhadas do Walker, ele não tinha mergulhado por livre e espontânea vontade.
Ele foi jogado. Arqueou uma sobrancelha. Sim, aquela era a prova que precisava para amarrar todas as pontas, mas ainda assim, não se sentia satisfeito. Por que Kanda estava de cabelo solto? Estreitou os esverdeados, vendo de leve o contorno de algo negro dentro do punho fechado de Allen. Estaria ali o prendedor?
Ok, ok. Vamos organizar as coisas.
Kanda não tinha blusa alguma sobre o tronco. Provavelmente, antes disso tudo, treinava em algum canto da floresta como lhe era usual.
Ok, nada anormal.
Allen roubara-lhe o prendedor, eles discutiram, Kanda o jogou na cachoeira. Allen deu algum jeito de levar o moreno para dentro da água também, discutiram mais um pouco e acabou em um beijo. Antes de discutir sobre o que fez Kanda pensar que um beijo seria a melhor opção no momento, havia algo que incomodava Lavi.
Claro, algo além da agarração descarada bem na frente dos seus olhos que, por sinal, iriam gravar cada segundo dessa demonstração de afeto explícita.
Ah, é importante lembrar que ele também não esquecerá tão cedo o ocorrido.
Esse algo era: Por que Allen saiu da Ordem, procurou Kanda e pegou o prendedor? Era uma provocação tão óbvia e simplória que simplesmente não encaixava com a personalidade usual do Walker. Ao menos, é claro, que aquele não fosse o usual Walker.
O espadachim ergueu o corpo do albino, pondo-o sentado na borda de terra. As pernas de Allen enrolaram na cintura do moreno, trazendo-o para mais perto – exatamente no limite humano permitido para duas pessoas dividirem o mesmo espaço. Lavi não sabia como devia reagir, mas sentiu alguma coisa coçar de leve nas bochechas. Aquilo estava ficando ridículo de tão sério.
A atmosfera predatória de Kanda podia ser sentida dali. Ele mordeu o pescoço do albino, perigoso, exalando um desejo palpável. Lavi arrepiou da cabeça aos pés, absorvendo a coisa séria que rolava logo a frente. Allen suspirou, passando as unhas curtas no braço dele em resposta.
Então, como se lesse seus pensamentos e reações travadas, Kanda lançou-lhe um olhar. Ameaçador, perpassando pelas folhas ao atingí-lo como um soco certeiro.
Bosta!
Engoliu em seco. Yu sente presenças num raio grande demais, esse demônio!
Era um aviso. Uma ordem muda, exigindo que ele fosse se enfiar em qualquer outro canto sem cogitar a ideia patética de interromper se quisesse sobreviver para contar historinhas por aí.
Sentiu uma gota escorrer pelo pescoço, repentinamente tenso. Estava correndo real perigo ali...
E, quando pegava os livros espalhados pelo próprio tronco, ouviu. A última peça, a última ponta solta.
– Heeeh? Lavi ainda está aqui? — arregalou os olhos, virando a cabeça na direção deles. Allen o mirava, por cima do ombro, com um sorriso depravado tirado das sete camadas do inferno. Aquela coisa exalava malícia, brincando sem dó com as reações travadas do amigo de Ordem.
… Aquele... Aquilo... Subitamente sentiu o balançar de um trem abaixo de seus pés. Podia ouvir brados de guerra desferidos entre cartas de baralho. A lembrança se sobrepunha ao presente num eco assustador.
Ah, sim. Dark Allen.
Toda sua bravata de Bookman pareceu sumir, engolida por aquelas bocas que sorriam lá embaixo. Ajeitou o tapa-olho devolta no lugar e juntou os papéis evitando muito contato visual. Muito.
Uma coisa era se aventurar por ai juntando informações. Quer dizer, ele literalmente vivia pra isso. Mas dai para ir se enfiando assim voluntáriamente entre Kanda e Allen... Ele já passara por isso e se permite dizer, em suas treze existências ele já vira um pedaço maior do inferno do que muitos poderia julgar, mas nenhum daqueles antes de ''Lavi'' haviam visto demônios de verdade.
Nenhum deles soube o que era estar entre a Crown Clown e a Mugen.
Suspirou, passando pelo Sentinela do portão da Ordem Negra.
Bom.
É importante saber quando sair do campo de batalha. Ficar até o fim de uma guerra que não se pode vencer é coisa de soldado. Coisa de quem fica registrado nas páginas de um livro de história ou no canto de um documento oficial.
Isso não era pra ele. Seu serviço de Bookman terminava ali.
Entrou na Divisão de Ciências, indo ter com Jhonny.
Ele era todo sorriso, nem parecia que estivera à beira da morte instantes atrás.
Afinal, tendo saido de seu papel de Bookman, só lhe restava ser Lavi.
E se um Bookman deve fazer nada além de observar Allen pegando itens suspeitos na gaveta da enfermaria, Lavi não viu problema algum em misturar algumas outras coisinhas divertidas ali no meio.
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