Notas iniciais
tá...eu tinha que fazer alguma coisa pelo aniversário da diva xD fic feita de madrugada e por livre e espancada vontade ;D mas eu não escrevia há teeeeeeempo ô_o'

— Eu espero que você morra. De verdade espero que você morra.

A claridade e acumulada avidez na voz de Ruki fez todos na sala constatarem que falava sério e, mesmo com o visível choque e a expressão de “porque diabos está me falando isso?” do produtor atacado verbalmente, Ruki se retirou. Pôs as mãos nos bolsos do casaco forrado com pele sintética e andou o mais rápido que pôde até a porta, abrindo a porta com não menos pressa em seguida. Só queria chegar em seu apartamento, tomar um banho quente e dormir, que explodisse a porra da reunião. Não precisava mais ouvir comparações e críticas, estava cansado. Talvez não estivesse dando o melhor de si nos últimos tempos, certo, mas isso não era motivo pra exigirem tanto dele.

Eu faço o que eu posso...

Auto-piedade. Riu baixo. Mas não por achar graça da situação, sim por ter achado que não cairia mais em sua decadência patética. Não fazia o melhor que podia e sabia disso. Mas não se esforçaria mais para fazê-lo, não agora. Sabia que podia melhorar, e muito, seu desempenho na banda, e sabia também que ninguém mais acreditava nisso. Todos achavam que Ruki estava dando o máximo de si. E o máximo do que Ruki podia fazer não era mais o bastante. Todos achavam que isso o incomodava gradativamente.

Não estou estressado, porra!

Tá, talvez estivesse. Mas quem se importa? Apenas queriam que fizesse seu trabalho. Seu trabalho era mais importante que seu bem estar. Mas porque isso o estava incomodando agora? Sempre fora assim. Sempre.

Alta taxa de suicídios no Japão, porque será?

Riu mentalmente sem a mínima vontade com sua mente cansada e entrou no prédio, ignorando totalmente o “boa noite” do recepcionista. Que ele fosse para o inferno também. Que todos fossem. Entrou no elevador e apertou o botão do décimo andar. Poderia tomar um banho e desligar o telefone agora, isso seria bom. Mas tinha quase toda a certeza de que quando se deitasse para dormir, não dormiria. Ficaria remoendo os fatos de seu infeliz estado atual até acabar em uma ridícula crise de auto-piedade novamente. Se tivesse sorte até choraria compulsivamente até se obrigar a se levantar e esquecer que estava vivo. Deixaria a TV ligada, isso sempre o ajudava a não pensar demais. Pensar demais não faz bem.

Eles vão me ligar mas eu não vou atender.

A primeira coisa que fez quando chegou no frio apartamento foi tirar o telefone da tomada e desligar o celular. Não queria dar explicações pra ninguém, só queria que todos sumissem no momento. Olhou brevemente Sabu-chan dormindo e decidiu não acordá-lo. Adorava o cachorro de verdade mas realmente não estava com saco pra nada no momento. Foi até o banheiro e abriu o registro de água quente na banheira, abrindo um pouco o de água fria em seguida. Sentou-se na lateral da banheira e sentiu um desconforto terrível brotar no estômago. Ânsia de vômito, era só o que faltava. Achara há uns dois dias que estava gripado, mas havia esquecido até o momento. Provavelmente estava. Levou a mão até a testa num gesto inútil, nunca soubera direito ver quando era febre ou não. Nunca soubera direito fazer nada, afinal.

Cala a boca, imbecil.

Às vezes se obrigava a ser mais duro consigo mesmo, isso evitava com que sentisse pena de si mesmo. Sabia fazer muitas coisas direito, só não tinha o reconhecimento que queria. Frustrações, frustrações. Como uma criança que ganha um 0 mesmo dando tudo de si em sua obra de arte. E a arte não pode ser classificada. Cada um tem sua visão de arte. E a vida é uma arte, não é?

Poesia barata. Você conseguiu chegar mais baixo, Ruki!

Pensou que sorriria novamente, mas a desconfortável sensação em seu estômago explodiu inesperadamente e Ruki só teve tempo de se jogar de joelhos no chão extremamente frio do banheiro até começar a vomitar. E ficou feliz de ter alcançado o vaso, porque não limparia seu próprio vômito depois. Seria demais pra uma noite só. Terminou de botar tudo que tinha que botar pra fora e se sentou no chão gelado, escorado na parede, recuperando o ar. Limpou o rosto com um pedaço de papel, deu descarga e levantou, fechando o registro da banheira em seguida, não se sentindo tão mal agora já sem o desconforto do estômago, mas com a mente ainda pesando muito.

Eu só queria ter ficado em casa hoje, só isso.

Sentiu que choraria. Sentiu que devia chorar. Mas porque? Talvez deixar as lágrimas saírem como o vômito pudesse fazê-lo se sentir menos desconfortável. Ou talvez só piorassem a situação. Decidiu não saber. Engoliu o choro e tirou a roupa o mais rápido que pôde, entrando na banheira em seguida. Por um momento sagrado esqueceu de toda a angústia, de toda a bagunça de sua vida, mas logo tudo voltou.

Eu entendo de verdade aquelas pessoas que se jogam dos prédios. Entendo mesmo.

Já havia pensado em suicídio, assim como todo mundo um dia já pensou, mas nunca levara a sério de verdade. Não teria coragem. Podia ser mais um dos patéticos pensamentos não direcionados de sua cabeça, mas tinha medo de morrer. E não só medo da dor, mas medo da morte em si. De acabar. Odiava finais. Todo e qualquer um deles. E o fim de tudo o assustava imensamente. Mas entendia quem enfrentava esse medo e terminava com tudo de vez. Entendia, mas não os admirava.

Por Deus, acho que vou vomitar de novo...

Chegou a se inclinar fazendo menção de sair da banheira, mas o enjôo passou tão repentinamente quanto veio. Voltou a se inclinar pra trás devagar, com medo que o enjôo voltasse e não tivesse tempo de chegar a tempo novamente. Mas o enjôo não voltou, e logo Ruki esqueceu dele e voltou e jogar a cabeça pra trás. Era incrível como um banho quente sempre o relaxava. Até mesmo quando sentia vontade de mandar até o recepcionista para o inferno. Sentiu pena dele, talvez depois devesse descer até a portaria e conversar com ele um pouco, explicar que não o ignorara por mal. Talvez depois até ligasse para a gravadora e pedisse desculpas para o produtor. Mas depois. Amanhã.

Dormir. Dormir. Dormir.

Sentia-se cansado, e doente. Estava gripado e tinha certeza disso agora. E quando estava doente ficava de mau humor. Bem, na verdade tendia a ser mal humorado normalmente, mas quando estava doente se sentia mais irritado. Antes jurava que não conseguiria dormir naquela noite, mas quando saiu do banho nos seus pijamas quentes e olhou as cobertas de sua cama dormir pareceu um pouco mais possível. Pegou Sabu-chan de sua pequena cama encostada à parede e rumou até a cama, sentindo-se um pouco menos sozinho com o agora meio desperto chiuaua em seus braços. Colocou as cobertas de lado e largou Sabu-chan do seu lado, sentando-se em seguida. Já pretendia se deitar quando a campainha tocou.

Eu devia imaginar que alguém viria atrás de mim. Adeus noite de sono.

Imaginou que certamente era um membro da staff mandado à força pra ver o que havia acontecido com o vocalista mimado. Quis de verdade deitar e ignorar a campainha, mas não poderia. Levantou relutante e andou sem vontade até a porta, olhando em seguida no olho mágico da porta. Viu Kai olhando para uma pessoa atrás dele, falando alguma coisa. Provavelmente era Reita, mas não pôde identificar com a visão distorcida. O que estariam fazendo ali há essa hora? Olhou no relógio, 01:30 da madrugada. Decidiu abrir a porta. Os quatro membros restantes do GazettE o olharam com surpresa, pareciam não esperar de verdade que Ruki abrisse a porta. Ruki observou que Kai segurava com as duas mãos um pequeno bolo.

— Feliz aniversário, Ru-chan. – Kai falou em voz baixa, quase com medo que Ruki explodisse em nervosismo novamente, mas este não fez nada, agora fitava o pequeno bolo com uma expressão quase arrependida.

— Eu... pensei que você não fossem fazer nada... não queria ter saído daquele jeito, meus problemas não tem nada a ver com vocês e...

— Tudo bem Ruki. – Aoi acrescentou, o temor de mais uma explosão do vocalista sumindo aos poucos de todos – Fez bem em dizer pra aquele idiota morrer. Ninguém daria um conselho melhor. – sorriu e passou um dos braços pelos ombros de Ruki, num gesto de amizade que o mais baixo sempre admirou.

— Mas então... não vamos comer aqui fora, não é? Está frio. – Uruha esfregava vigorosamente o pedaço exposto de suas pernas com as palma das mãos, ainda estava com o figurino da sessão de fotos.

— Talvez se você parasse de usar essas roupas de vadia sentiria menos frio, Uru-chan.

— Cala a boca, Reita. – Uruha acrescentou, mas não com raiva.

Todos riram, incluindo Ruki. Abriu novamente a porta e deixou todos passarem. Não se sentia mais como há dez minutos atrás. Não se sentia mais sozinho.

Ruki, seu exagerado.

Sorriu e assoprou as velinhas que Kai acabara de acender.

[fim~]

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