Tanise

1 Episódio 1 Temporada 1


TANISE – Episódio 1

Por mais que houvesse sol, a chuva estava forte. Ela era ácida, e queimava a pele de todos os homens que estavam no campo de batalha. Era possível ver seus poros morrerem em grade número. A carne viva estava livre ao ambiente. O sangue rastejava de seus cascos firmes e fortes e caía na mais morta grama que também era afetada pelo veneno que descia dos céus. Era esse o preço da guerra. Era esse o preço que os homens tiveram que pagar para tentarem derrotar o Dragão Karatsu. O ser mais poderoso daquelas terras.

Naquele momento, eu apareci. Estava coberta com um lenço revestido de couro e banhado nas águas de Surizame. O poço da dinastia de Jang Klan. Onde as águas repousavam na montanha mais fria do vale de Trioto. Meu irmão, Tsukushi, havia me levado até lá. Bem... eu havia desobedecido a sua ordem de ficar presa em casa e ele não teve outra escolha se não me guiar. Usei a chantagem emocional interna. Uma coisa que funcionava para um irmão extremamente caridoso. No entanto, naquele momento, ele não podia me ajudar. Ele estava na batalha contra Karatsu. Junto com o meu pai. O dragão havia jogado naqueles soldados uma praga. A guerra não estava sendo justa. De nenhuma maneira. E eu precisava lutar. Eu tinha esse desejo dentro de minha alma. Eu precisava lutar contra as forças malignas que oprimiam o meu império. Meu pai não poderia sonhar que eu estava ali. Eu poderia matá-lo de desgosto. Não era bom uma mulher ser vista em uma batalha. Especialmente as jovens, que deveriam ficar em casa cuidando de seus irmãos mais novos e de suas mães, que preparavam o jantar. Mas, para o azar deles, eu não estava me importando. Meu nome é Tanise. E eu era da casa do líder da cavalaria do império. Meu pai sempre havia me ensinado a lutar. Mas não queria que eu entrasse em uma guerra. Bem, as coisas infelizmente não funcionam assim para mim.

{...}

Eu tinha um objetivo. O Mestre Takashi havia me falado o que eu tinha que fazer. Antes de continuar, eu devo dizer mais quem é o Mestre Takashi. Ele foi simplesmente o meu mentor em segredo. Amigo de meu avô, que tinha morrido na guerra dos Trezentos Dias, Ele me ensinou mais do que empunhar uma espada. Ele havia me ensinado sobre a criação do mundo e sobre os elementos que eu teria que manusear para desenvolver o meu Chi. Eu aprendi a manter a minha mente em controle. Eu aprendi a me manter em controle totalmente. Meu corpo, minha alma, e minha mente, agora eram um só. E eles precisavam mesmo ser um só, se eu quisesse derrotar Karatsu.

Enquanto eu corria no meio daquele campo, onde os homens estavam caindo ao chão, ou estavam lutando contra seres sobrenaturais de fogo, eu conseguia ver no horizonte o templo de Karatsu. Eu conseguia ver a entrada sendo guardada por dois guardas do terrível animal flamejante. Eu teria que entrar ali sem ser vista, e eu teria que aprisionar o Karatsu dentro do talismã da vida. Sim. O talismã da vida foi guardado por muitas gerações em minha família. Isso era o que fazia do meu nome ser tão importante no vale de Trioto. O poder que meus antepassados tinham.

E eu estava com aquele talismã agora. Eu estava com aquele importante artefato que tinha o poder de nos proteger. Proteger-nos do terrível Karatsu e de seus exércitos demoníacos.

{...}

Avistei naquele momento os dois guardas de fogo que guardavam a entrada da caverna. Suas cabeças flamejantes fazia o clima aos seus redores esquentar. Seria impossível derrotá-los manualmente com a minha espada. Eu precisaria usar minha mente, meu corpo, e minha alma. Eu precisaria me controlar. Precisaria controlar meus sentimentos e deixar minha alma fluir. Apenas desse modo eu conseguiria encontrar o meu Chi.

Abri então os meus dois braços e estiquei as minhas mãos. Em seguida, as juntei em frente ao meu ombro, deixando dois dedos de cada mão para cima em direção ao meu queixo, e os outros dedos escondidos. Então, concentrei a minha respiração. Eu me concentrei, literalmente. Lembrei naquele instante das palavras do Mestre Takashi: Se deixe sair de sua própria existência, para sua própria alma. Sinta ela por todos os arredores. Sinta ela em cada fragmento de energia da existência e faça parte do ambiente.

Naquele momento, abri meus olhos. Eles estavam flamejantes. Eu agora era uma só. Então, com o total equilíbrio de meu corpo e minha mente, abri meus braços para frente e estiquei meus dedos o máximo que eu consegui. Senti então perambular por mim uma corrente de energia de tudo ao meu redor e quando eu já havia piscado, o raio de luz azulado já havia cortado a carne podre e imunda daquelas criaturas. O sangue negro deles já havia jorrado no chão e eles agora eram pó seco que voaram junto com o vento.

Então, eu consegui entrar. Consegui entrar na caverna, e finalmente, eu estava a um passo de conseguir prender de vez Karatsu dentro do talismã da vida. Eu apenas precisava colocá-lo no pedestal flamejante. Eu já havia ouvido falar sobre aquele pedestal. Sua chama era ardente dez vezes mais que o fogo. Aquela era a parte que me deixava realmente preocupada. Minha mão com certeza iria torrar no primeiro segundo que eu a encontrasse com a chama. Eu precisava me concentrar novamente. Precisava manter minhas energias intactas para não levar nenhum dano. No entanto, por mais que eu procurasse me controlar, meu coração batia forte em meu peito e em uma alta velocidade. Não havia muita coisa que eu pudesse fazer. Mas eu não tinha tempo para me lamentar. Seja lá a minha escolha, eu tinha que escolher rápido. Então, naquele momento, ouvi uma voz soar atrás de mim.

— Não! por favor!

Me virei lentamente. Foi então que eu o vi. Meu pai. Eu vi o seu semblante para mim e o seu olhar de medo e de preocupação. Ele havia me encontrado. Ele naquele momento, me castigaria.

— Não temos tempo para conversar, meu pai. – Disse seriamente, porém preocupada. Extremamente preocupada por dentro. – O talismã da vida é a única forma de deter Karatsu e seu exército de criaturas. Eu tenho que fazer isso.

— Você não irá conseguir, Tanise. Você não tem o poder completo do Chi. Não ainda. O Mestre Takashi não lhe ensinou completamente.

— Mas... meu pai...

— Ele também não lhe disse tudo sobre... O pedestal flamejante de Karatsu.

Meu olhar se elevou naquele momento. O que meu pai estava dizendo? O que O mestre Takashi não havia me contado?

Meu pai chegou perto de mim, e olhou no fundo dos meus olhos após dar um forte suspiro. Em seguida, ele olhou para o pedestal flamejante e pegou o talismã de minhas mãos. Ele então respirou profundamente mais uma vez, e em seguida começou a andar em direção ao fogo.

— Pai. Me diga! O que o Mestre Takashi não me contou? E o que está acontecendo?

— Aquele falso imundo. Ele não lhe disse do sacrifício que tinha que fazer.

— Eu não estou entendendo, meu pai. Que sacrifício?

— A chama... irá matar aquele que tocá-la. Esta é a única maneira de aprisionar Karatsu dentro do talismã da vida.

Naquele segundo, a realidade caiu sobre a minha cabeça. Meu pai havia me tirado a confiança e o conforto que estava em minha alma. O meu mestre havia me mandado para um sacrifício. Um sacrifício que custaria a minha vida.

— Não, meu pai. Ele não iria fazer isso comigo...

— Você tem alma forte, Tanise. Você tem o recém-domínio do Chi. Ele queria que funcionasse. Que desse certo. Mas... eu irei impedi-lo.

Naquele momento, meu pai levantou o Talismã e o ergueu em direção ao fogo. Algo em meu peito disparou como uma flecha veloz, quando eu o vi prestes a fazer algo que iria mudar todo o rumo de minha história.

— Espere, meu pai! O que o senhor está fazendo?

— Parando a guerra. Salvando vidas.

— Não, meu pai! O senhor não pode fazer isso!

Ele virou-se para mim. Olhou-me fortemente e disse seriamente:

— Chegou a minha hora, Tanise. Chegou a minha hora de trilhar o meu destino. Um dia, irá trilhar o seu. Eu apenas espero que o trilhe com mais sabedoria.

— Meu pai! Não!

— Cuide de sua mãe, de seu irmão, e de seus irmãos pequenos.

Me ajoelhei no chão, com lágrimas jorrando de meus olhos lentamente.

— Meu pai! Eu te imploro! Não faça isso!

— Você sempre foi a mais forte da família, Tanise. Eu sempre soube disso. Por isso, me honre. E honre o meu nome.

— Meu pai!!!!

Naquele instante, ele encostou na chama do pedestal. Segurou o talismã com todas as suas forças. Naquele momento, ele gritou de dor. O seu sofrimento, foi o meu sofrimento. Eu senti sua morte correr minha alma fortemente. Uma luz forte se formou ao seu redor, fazendo o fogo percorrer seu braço e fazer seu sangue jorrar no chão e ser transformado em cinzas. Seu corpo estava em chamas completamente. Após sua mão ter sido incinerada viva, o talismã caiu no pedestal, liberando a magia que naquele instante, fez a terra debaixo de meus pés tremerem. O Dragão Karatsu... Havia sido preso no talismã da vida. E meu pai... havia morrido.

{Continua...}

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.