Tamashi x Tamashi
10 Intruso
Eles não tinham chá, então eu apenas seguro o copo de café que comprou para mim. Você não fez perguntas. Está esperando eu falar primeiro. Mas eu não digo nada. Não tenho nada a declarar. Não deveria estar aqui. Você suspira e começa a falar sobre Paula, a mulher que o acompanhava. Diz que é uma colega da faculdade e que costuma encontrá-la porque os filhos dela gostam de você. Tudo soa como uma explicação forçada. Acho que você percebe, porque umedece os lábios e fica em silêncio.
Saímos juntos da cafeteria. Eu ainda não quero dizer nada, então você começa a contar o que tem feito. Fala sobre a visita de Arrietty, e eu não me surpreendo. Ela havia dito alguma coisa sobre ter se machucado e procurado um médico. Não sei há quanto tempo isso aconteceu...
Você continua falando, e o clima é estranho. É como se eu ainda não estivesse acordado. Você me olha e repara que cortei o cabelo. É claro que cortei. Ele estava incomodando e dava muito trabalho lavar. Você comenta sobre Kurode, e isso dói um pouquinho. Finalmente, você desiste. Se eu não quero falar, não vai continuar se esforçando.
Eu ergo o rosto e só penso em uma palavra.
“Obrigado,” murmuro.
Você olha para mim. Não acredito que tenha entendido alguma coisa. Você não entendeu... Nada disso deveria bastar. Mas você suspira e me olha daquele jeito... como se eu fosse um livro fechado.
“Não há de quê.”
Abaixo o rosto. Eu sei. Arrietty tem razão. O amor é uma coisa intrometida. Ele aparece, quer você queira ou não. E não pede licença. Mas existem infinitas outras coisas entre sentir essa chegada e saber lidar com ela. E eu não quero magoar o Leorio. Não quero colocá-lo em perigo. Não quero que ele segure minha mão como se estivesse tudo bem. Não quero que ele segure minha mão como faz agora.
“Vamos,” você diz.
Eu não pergunto para onde. Simplesmente vou.
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