POV. Rose

Como sempre eu e Lunny estávamos acordadas antes de todos, até mesmo da Tia Minnie, eu juro que acho isso. Nós estávamos falando baixo, pois nossas colegas de quarto não são muito amigáveis, pra falar a santa verdade, ninguém nessa escola além de meus santos primos são, e às vezes nem eles mesmos são, e às vezes eu quero dizer quando estão perto de alguém como Malfoy, Zabini ou Parkinson, que infelizmente, quase sempre estão por perto, então ficamos só eu e Lunny, sozinhas.

Isso tudo é por conta de uma palavra: Beleza, e notas altas, é... Isso mesmo, eu não sei que diabos o chapéu me mandou pra essa casa, sonserina, eu não tenho nenhuma das habilidades de uma sonseriana, primeiro: Sou mestiça, e Lunny também, pois é filho de um mestiço com uma sangue-puro. Segundo: Não sou maldosa, sou vingativa, mas não é a mesma coisa, não tenho coragem de fazer algo só para meu beneficio, nem eu nem Lunny, mas ele nos colocou aqui, sem nenhum motivo...

Estou aqui, com Lunny na minha cama, chorando horrores, já que Hugo começou a namorar Crabbe, aquela vadia, pessoalmente preferia Lunny como cunhada, seja ela minha prima ou não, eu não quero aturar aquela vadia em treinamento, loura de oxigenada, aquela lombriga ambulante todos os dias perto de mim na Toca, o único lugar onde, por uma semana todos são legais com a gente, agora tudo vai por água a baixo, por conta dela, Maldita Marienne Crabbe. FILHA DE COMENSAL olha como meu irmão escolhe bem?(IRONIA MODO ON).

– E-E-Ele d-d-disse que e-e-eu n-n-não sou o s-s-ufici...- Ela começou falar, tinha dor, ódio, raiva e desilusão, uma desilusão que eu tentei muito evitar, eu disse a ele para pegar leve, eu disse a ele, mas ele não fez isso, ele machucou Lunny, e eu não deixaria isso barato, nem em um milhão de anos.

– Shhhhhh! Ah, Lunny, Hugo é um panaca, todos sabem, ele é igual ao...- Scorpius veio em minha mente, maldito seja, sempre ouvi de meu pai para me manter longe da Doninha de ouro júnior, mas não, N-Ã-O, a idiota aqui resolve ver por ela mesma e quebra a cara. Maldito sejam os Malfoys e seus sorrisos de anjos safados.

– Scorpius...?- Ela sussurrou, Ah, minha prima me conhece tão bem, isso é uma droga às vezes, mas também é divertido. A baixo a cabeça e dou um longo suspiro e digo.

– Sim, é o infeliz que eu gostaria que estivesse morto.

– Desejos se realizam se falar em voz alta, e eu tenho certeza que não é isso o que quer que aconteça com ele, você, minha doce prima, quer que ele seja seu.- Ela disse novamente, e agora eu estava chorando, o que era de costume.- E eu entendo, queria isso também, mas parece que é meio impossível a gente ser feliz.

– Parece? Eu estou começando achar que é impossível.- Falei sincera. Ela deu um suspiro e disse:

– Vamos colocar o uniforme, hoje é o último dia, querida, temos que respirar e ir.- Ela disse querendo chorar, minha Lunny, tem 15 anos e está no sexto ano, em vez desses idiotas vangloriarem a inteligencia dela, que mesmo ela dizendo que foi minha ajuda, se ela fosse o Malfoy não daria em nada, mas... Enfim, eles a acham de Lunática, estranha, ou Weasley 2.0... Idiotas.

Descemos até o salão e ficamos sentadas na ponta da mesa, comendo o mais rápido impossível para não nos dar o luxo de ter que ouvir xingamentos do tipo "Já é gorda, ainda comendo desse jeito" ou " Tira essa cara do livro, Ah, é, esqueci, você é feia e não quer que ninguém te veja.", e quando umas Corvinais chegaram, caímos fora.

Elas olharam para a gente do mesmo jeito: Medo, como se nós fossemos dizer algo que estamos costumadas a ouvir ou algo assim, o que eu achei estranho.

A de pele mais morena me olhou com olhos arregalados, sua respiração estava acelerada e ela engolia a seco toda hora, como se fosse morrer. Já a de pele mais branca pulou para trás da menina o mais rápido possível e ficou lá parada.

– Vocês... Estão com medo da... Gente?- Lunny disse numa mistura de surpresa e complexidade em sua voz.

Foi o bastante para as duas correrem para sua mesa, e nos deixarem ali, sozinhas, paradas e totalmente confusas com o ocorrido, mas não fomos atrás delas, já que vinha o Malfoy e sua gangue rindo iguais a uns destrambelhados com um caderninho roxo em mão e... Não, não, não e não, céus, não acredito.

Não tinha sido só eu a perceber a quem o maldito caderno pertencia, Lunny me olhou como se o mundo estivesse caindo, e de fato, para nós estava, lá tinha todos os meus segredos, e o pior, tinha os de Lunny também. Ferrou, queimou e desintegrou.

– Olha lá, Scorpius, A sua fãzinha ali com a amiguinha que ama o priminho, pobrezinhas, querem sempre o que não podem ter, Weasleys, sempre assim.

Engoli a seco, logo vi mais alguns chegando, quando Scorpius cochicha algo no ouvido de Zabini que assente e eles correm para a frente do salão, Malfoy pega a varinha e murmura um feitiço e logo diz:

– Atenção, atenção, queremos dizer algo para a Ave Maria e o projeto de Ave Maria.- Todos se voltam para nós, que ficamos vermelhas e começamos a respirar acelerado, igual as meninas que tinham sentado na mesa. Os olhos de todos são de deboche, junto com sorrisos maldoso, mas, o das duas meninas, elas nos olhavam como se estivessem passando por aquilo junto com a gente, como se entendessem, e agora que eu fui ligar os fatos, acho que elas realmente entendiam.- WEASLEY- Malfoy diz com nojo na voz, os únicos Weasley que ele gostava eram os Weasley que não tivessem o nome Rose ou Lílian Luna.- Saiba você e esse seu projeto de santa que eu nunca gostaria de você, NUNCA, você é feia, irritante e se acha madura, mas no fundo é uma fraca e o pior, é que levou sua priminha tonta com você, e ela foi burra o suficiente para aceitar, né não Hugo?

Lunny gelou, ela ansiava pela resposta, mas no fundo já sabia o que seria, nós duas sabemos.

– Claro, as duas podem até se fazer de inteligentes na aula, mas no fundo, são duas burras que não aproveitam a vida!- Hugo disse sem dó, nem de mim, nem de Lunny, e olha que eu e esse projeto de DESGRAÇA somos irmãos... Ou eu pensava que eramos...

– Vamo lá gente: FEIAS, FEIAS, FEIAS, FEIAS, FEIAS- quanto mais alto Malfoy dizia isso, mais todos riam e gritavam, eu consegui forças e sai correndo, Lunny foi atrás de mim, tudo que eu queria agora era resumo de uma coisa: Sumir daquele lugar e nunca mais voltar.

Eu corri, poxa, como eu corri, eu cheguei até o sétimo andar correndo, e depois entrei em uma sala, e lá parecia um quarto de uma menina, mas não era o meu nem o de Lunny.

Ela chegou segundos depois de mim, sentou-se ao meu lado e se permitiu a chorar comigo, e não tivemos dúvidas, nós duas fazíamos a mesma pergunta: Por quê comigo entre tantas garotas de Hogwarts?

Demorou dez minutos e logo chegaram aquelas meninas de antes, elas se sentaram ao nosso lado, uma de cada lado, a morena perto de Lunny e a branquela perto de mim, e elas falaram:

– Sabemos como é isso, temos total noção do que estão sentindo, e eu sei que não é nada bom.- Foi a Morena que disse.

– Sentimos muito, dá pra perceber que amavam eles demais...- Disse a branca, ela também estava com os olhos cheios de água, acho que segundos depois que saímos elas foram o alvo seguinte, era sempre assim, primeiro eu e Lunny, depois elas duas, mas nunca havíamos visto elas serem zoadas, e nem ela a gente, só ouvíamos falar, mas não sabíamos quem eram.

– Eles zoaram vocês também...?- Perguntei, Lunny estava chorando demais, acho que se tentasse falar algo teria um treco.

Elas assentiram e depois caíram no choro, nada era comparado a isso, nada.

– Por quê eles fazem isso, que diabos fizemos pra merecer ser humilhadas desse jeito? Eu nunca matei, nunca roubei, nunca estuprei, nunca fumei, eu só... Eu só... Oh, céus, eu só beijei uma menina um vez e já deu nesse inferno!- Falou a morena, que eu nem sabia o nome, mas já sabia a história, que eu sinceramente, não me importei.

– Tudo bem, eu nunca fiz nada disso e amor, estou no mesmo barco que você- Disse Lunny irônica e amarga, mas ainda deixando lágrimas doloridas descerem do rosto.- E você Branca o que fez pra ser humilhada pelos filhinhos de papai mal-amados?

– Sou sangue-ruim...- Ela disse como se tivesse que se envergonhar com isso, mas e dai? Sério, sou mestiça e sou mais esperta que esse bando de biltres.- E vocês ruivas..?

– Somos nerds.- Disse bufando.

– Isso é uma coisa boa!- Ela disse rindo e chorando ao mesmo tempo.

– Não é tão divertido quando é chamada de nerd feia pela pessoa que você gosta...- Eu disse triste, agora, bem, deixei cair centenas de lágrimas e elas me abraçaram, como se estivessem ali para sempre, e eu sei, sempre estariam.

Limpei meu rosto e olhei para o quarto, pensei ser de uma delas até que resolvi pergunta-las, afinal, eram amigas agora, e amigas compartilham segredos:

– É o quarto de alguma de vocês...?

– Ué, não era seu quarto?- Falou a Branquela.

– Noops, e, qual é seu nome, não falou ainda.- Disse Lunny para a Branquela que agora seria batizada por seu nome.

– Aria, mas invente outro apelido.

– Vou te chamar de Aritta pode?

– NÃO! QUE DIABOS PENSA QUE ESTÁ FAZENDO ME IGUALANDO A ANITTA?- Ela pergunta desesperada.

– O.k, psicótica, pode parar.

– ISSO! Psicótica!- Ela grita como se estivesse achando um tesouro.

– O que, mas que tipo de pessoa gosta de ser chamada de...

– Aria Montgomery é um tipo de pessoa indeterminada, acostumem-se.- Disse A morena rindo e me fazendo rir mais ainda.

– E seu nome...?

– Emily, Emily Fields.- Ela responde.

– Beleza, Emmy.

– O de vocês?

– Rossy e Lunny.

Olhei meu relógio, todos os alunos já estavam em aula, bem, menos os do primeiro anos, que não iriam zoar com a gente, então fomos até a sala da Tia Minnie, minha madrinha!

– Olha, Rossy, que bom que está aqui, Mione, sua mãe, mandou te avisar e avisar seus parentes que ela e seu pai, com seu tio e sua tia vão passar uma segunda lua de mel- Minnie corou- E, bem, disse que todos vão ficar em Hogwarts...

– Ah, avise a ela que vamos para a casa de uma amiga nossa!- Falou Lunny Rápido.

– Que amiga..?- Minnie sabia que tudo que eu menos queria era ficar em Hogwarts e sabia também que essa seria a vontade de Lunny, já que somos igualmente humilhadas, mas ela não faz nada, a gente não deixa...

– Eu! combinamos hoje, junto com minha mãe e meu pai, trouxas, que elas passaram o natal e o ano novo comigo, em Rosewood.- Mentiu muito bem Aritta.

– Claro, irei avisar sua família Rose e a sua Lily- Lily fez uma careta ao ouvir Lily- Podem ir.

Saímos da sala dela e eu perguntei:

– Por quê mentiu?

– Agora Rossy é uma por todas e todas por uma.- Eu sorri, senti que era verdade.