Talvez elas não sejam tão inocentes assim...
14 Mayara Martins Moura.
Com a Bia, eu tentava ser quem eu queria ser.
Com a Mayara, eu sempre fui quem eu sou.
Acho que isso nos define bem.
Algo aconteceu no dia em que nós nos conhecemos, você sabe. Você amargava a minha existência. Bati meus olhos em você e quis você na minha vida. A noite terminou com nossos dedos entrelaçados, eu nunca mais soube o que era uma vida sem amar você. Foi como encontrar alguém que você já conhecia, bizarro e sem sentido, mas eu sabia que isso independeria de você ou de mim. E cá estamos nós.
Você conhece meus piores lados. Meu eu reativo que é consumido pela raiva e pelo rancor. Minhas paranoias constantes, minhas inseguranças reais, não aquelas que eu invento pra contar pros outros apenas pra que ninguém saiba onde me machucar. Você conhece meus truques usuais, meu temperamento, minhas inconstâncias, tudo o que há de mais feio em mim, eu te mostrei. E você está aqui. Tudo o que há de mais desenfreado e descontrolado, você viu, e me prometeu que estaria aqui por mim até o dia em que eu morresse. E está.
Eu me odeio tanto que não sei o porquê você me ama. Eu te amo tanto que sinto dor física quando algo acontece com você fora do nosso terreno seguro que é o nosso mundinho fechado. Passo tanto tempo tentando não me abrir pras pessoas porquê sei que o amor que sinto por você é doente. Não é normal o nosso estado de amizade tão estrutural que compõe nossa persona. Você devia fazer o teste, você sabe o nome disso, mas, eu te conheço, você não vai. Você não gosta da verdade que machuca. Mentiras confortáveis te deixam mais tranquila, eu sei. Mas você sempre sabe que está se enganando.
Eu te conheço. Te conheço como conheço livros. Te conheço como sei escrever textos. Te conheço como sei a história de Kurt Cobain de trás pra frente. Eu sei os seus limites, sei suas dores e seus traumas. Eu sei quando você vai se magoar antes mesmo de você se apaixonar, e sei quando uma amizade sua não vai durar. Eu sei que sua postura muda perto de qualquer amizade minha porquê você tem um ciúmes patológico e eu levei muitos anos pra começar a te dar algum tipo de segurança durante os momentos em que eu te apresentava a outras pessoas. Eu te conheço, e defendo seu temperamento. Te conheço, se sei que é melhor te deixar com a razão e à frente dos planos. Te conheço, e sei que todas às vezes em que eu burlar qualquer regra que você impôs, vai surtar. Mas você me conhece o suficiente pra saber que eu nunca soube andar em linha reta.
Você me conhece. Sabe que eu gosto de mentir entre as pessoas, e confirma todas as minhas mentiras. Sabe que eu digo aos quatro ventos que sou uma vadia sem coração e que essa é a minha maior mentira, porquê você estava lá em todas às vezes em que meu coração foi dilacerado. Você sabe que eu amo loucamente e que isso custa minha sanidade mental. Você sabe que eu posso ir mais longe do que eu admitiria pelo amor e você sabe que se for leal a mim eu vou ser a porra de uma amiga perfeita até o dia em que eu morrer. Você sabe o que eu faria, e o que eu não faria. Você sabe quem eu sou e eu não tive que te falar. Você apenas aprendeu. Isso é o que fez nossa amizade atravessar os anos sempre mais forte. Isso é o que faz com que nós briguemos ao ponto de acabarmos chorando de raiva quando uma nova amiga minha aparece. Isso é o que me faz pensar que talvez o mundo não seja uma merda tão insuportável.
Nós.
Eu já errei com você e você já errou comigo. Mas a lealdade sempre esteve em nós. Eu sou mais feliz por ter te conhecido, ainda que nunca diga: Eu te amo.
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