Talvez - EM HIATUS
31 Especial: REMENDOS.
Notas iniciais

Sinopse:
“Ele nunca esperou receber outra chance, talvez nunca quis.
Talvez temesse.
Ele estava bem assim, estava focado, por mais que houvesse a guerra, a morte e a destruição a volta.
Amor, além do que recebia de seu filho, familia e povo, não era algo necessário. Ainda que quem o visse achasse que não sentia mesmo falta dessas coisas.
Ele não se importava.
Não precisava.
Não queria.
Até ela aparecer.”
Primeiro Pedaço.
Viagens.
Caminhos.
Andanças.
Jornadas.
Peregrinações.
Tantos nomes, mas para ela era apenas o ato de fazer os pés moverem-se a frente um do outro ritmadamente.
Era sem sentido.
Tudo mais estava envolvido em uma massa tão densa e viscosa de dor que chegava a deixa-la doente, ela estava doente.
De ódio.
Caminhando sem rumo pelo deserto ela só podia esperar chegar logo a seu destino ou morrer em meio a areia quente.
E faziam seis meses.
Voltar para aldeia após o tempo que tivera em Suna foi um erro que não cometeria oura vez. Naruto não sabia, mas ela não pretendia voltar após essa ultima missão.
Ela continuaria vagando.
Que Naruto a perdoasse.
Mas não sentia nada bom a espera-la em Konoha, a simples menção ao lugar em que nascera e se criara era o bastante para afasta-la de tudo.
Era odioso ouvir esse nome, era odioso ouvir sobre as pessoas de lá, era revoltante.
Era incrivel como ele conseguira contamina-la com tanto ódio.
A fazia odiar tudo o que era falso e achar falso, tudo de bom e verdadeiro, ela não conseguira olhar para ninguém, para nenhum amigo, nenhum sorriso sincero e verdadeiro e aceitá-lo, ela sentia que todos eram falsos, que todos sentiam pena.
Que todos riam dela por trás. E pela frente.
Até mesmo aqueles que a amavam, o amor e a felicidade deles lhe soaram tão falsos, que ela não conseguiu ficar, ela pediu e partiu de novo.
Porque no fundo sabia que Naruto e Hinata eram verdadeiros, se havia chegado a enojar-se até deles. Era porque estava podre demais. Doente demais, e se ficasse ali seria como ele. Infectaria tudo.
Mas ao contrario dele.
Deles.
Ela não seria como uma serpente, rastejando a volta, preparando o bote, atacando no ponto cego e fraco.
Ela destruiria, queimaria e derramaria sangue.
Faria de seu ódio a arma mais poderosa já vista.
Ela tinha essa capacidade, e se não, sua sede, sua inveja, sua mania de não de aceitar uma derrota (principalmente sendo tão injusta) a fariam trabalhar incessantemente, a fariam alimentar o monstro que descobriu ter dentro de si naquela noite.
E a fariam se mesclar a ele para caminhar sobre a terra derramando sangue e desgraça.
Mas ela não faria isso.
Ela se apegaria naquelas palavras falsas, porque para ela, eram falsas.
E nem precisava de tanto ódio para saber isso.
“Não faça nada, criança, não vale a pena, eles não valem a pena”
Ela sempre queria gargalhar quando lembrava disso, gargalhar feito uma histérica, e aproveitando que só tinha a areia e o vento como companhia, ela o fez e mau reconheceu a própria voz, não que fosse diferente, ela nunca havia rido de algo nojento e falso com tanto ódio.
Quando ouviu aquela senhora lhe dizer isso como “agradecimento” ela quis quebrar-lhe o pescoço, ela quis derramar sangue inocente, e apenas porque odiava aqueles dois com toda sua força, e foi aí que descobriu que aquele monstro não se foi depois que a manhã havia chegado, ele despertou e continuava lá, alimentando-se de sua ira esperando ser liberto para o mundo exterior.
Ela não se importaria de solta-lo e matar aquele dois, mas ela viu que se o fizesse perderia o controle.
E isso é que não valeria a pena.
Ela não iria em busca de vingança.
Mas não dispensaria a oportunidade se lhe dessem...
Ela se manteria longe, e aguentaria os comentários, os olhares de escárnio e de pena.
Ela aceitaria ser uma perdedora.
Mas ela trabalharia para fazer cada olhar daquele se tornar, novamente, um olhar de admiração, respeito.
Foi isso que ela fez a vida toda, ela veio de baixo, não pertencia a nenhum clã importante seus pais eram ninjas simplórios, ela era uma simplória, e era condenada por isso.
E ela mudara isso, ela se tornara importante para sua vila, uma aprendiz importante, uma médica importante e uma mulher respeitada antes mesmo de realmente se tornar uma.
Mas ela fora uma tola.
E deixara tudo isso ser roubado, que lhe privassem e a cegassem.
Mas não iria mais acontecer.
Ela se esforçaria, daria tudo de si nem que isso acabasse com seus braços e pernas, ela selaria o coração e mandaria toda a sua convicção para a sua mente.
Por que nela sim estava o que nunca poderia lhe ser tirado ou transformado.
Sua inteligência, seu maior trunfo, e talvez sua única razão de viver.
Talvez a única coisa a que devesse realmente ter dedicado sua vida.
Ela deveria ter sido Sakura, a menina mais inteligente.
Em vez de Sakura, a mais apaixonada.
A mais burra.
Mas ela daria a volta por cima, sem pisar em nenhum inocente.
Por que ela salvava vidas inocentes.
Ela se tornaria, de uma vez por todas, a melhor do mundo ninja.
E absolutamente ninguém tiraria isso dela.
*********************************************************************
Sendo um país espremido entre o deserto e o mar, o Cristal tinha um clima mais agradável do que se podia esperar, porém com apenas duas estações, verão e inverno, o verão era intenso no começo do ano e mais ameno com a chegada do inverno chegando a lembrar até mesmo a primavera, o inverno era frio e chuvoso no começo e no final, havia neve.
A aldeia do Diamante ficava mais próxima do meio do pequeno país, e por isso era lá que a sensação de cada estação era melhor sentida.
Após a pequena análise, Sakura parou diante dos grandes portões pintados de cinza, ergueu o capuz do casaco que usava e olhou para cima encarando os shinobis em sua vigília, jogou para o alto o pergaminho com sua identificação, missão e selo do Hokage e este foi apanhado, após leitura do conteúdo os portões se abriram apenas o bastante para ela adentra-los ela entrou com os olhos ao redor de tudo já sabia da situação, uma guerra se instalara no aldeia e no país, e sua entrada só era possível por aquele portão que inda tinha o domínio do Shinjukage graças a pequena trégua entre ele e os rebeldes, até mesmo para chegar ao pais ela teve de recorrer a rotas diferente visto que a situação não era a mesma fora da aldeia, era arriscado e teve de abdicar até mesmo de proteção para chegar ali.
Não que o tivesse feito pela missão, mas ela queria distancia de tudo relacionado a Konoha, e não queria ninguém para tira-la de seus pensamentos durante a viajem, ainda por cima desconhecidos.
Os portões fecharam-se a atrás dela e um grupo de mascarados pousou a sua frente, um deles não estava assim mas tinha a boca e nariz encobertos por uma echarpe cinza com símbolos do país, e foi ele a se aproximar e estender-lhe a mão.
–Sakura Haruno.
–está sou eu, e você? – ele arregalou um pouco os olhos azuis claro, sob a franja repicada e cinza e risadas vieram dos outros, não que fosse uma piada, mas ela se sentia muito ácida para brincadeiras.
Ele por fim riu e baixou o tecido revelando que era todo bonito e masculino.
–essa foi boa, sou Yuzuru Yumi, prazer.
Sakura se limitou a apertar suas mãos com a força bruta de sempre, provavelmente descontando a raiva nele também...
Viu que ele sentiu dor, mas infringir dor a um homem estava longe de ser algo que ela desgostasse no momento.
–podemos ir?- disse ele assentiu tentando disfarçar a dor esfregando a mão.
–claro, deve estar cansada, e como no momento o clã é o lugar mais protegido, tanto o Shinjukage quanto você ficaram lá, espero que não se importe.
–não vou.
– certo, nos siga então.- e ela obedeceu seguindo-o por caminhos secretos, que lhe indicavam que a trégua não era tão confiável assim para se andar livremente num aldeia toda quebrada e solitária, ela viu poucos rostos no caminho, assustados, ariscos dentre o cenário de casa e prédios condenados a caírem.
Mas a medida em que se aproximavam de um dos extremos da aldeia, a paisagem mudou, mais verde, e chegaram a frente de muros altos e brancos recobertos por relva vivida, símbolos de um diamante cujas fendas pareciam forma a uma face nada amigável e séria coloriam o muro, os portões se abriram e foi como adentrar uma pequena aldeia, lá estava tudo intacto, mas ela via naqueles rostos o mesmo que vira nos de fora, temor, desconfiança, porém ela via certas diferenças, aquelas pessoas, velhos, crianças e adultos, tinham olhos diferentes, fendas felinas dentro dos mais variados tons.
Alguns não tinham fendas, mas as cores eram extremamente chamativas, ainda mais porque a encaravam sem vergonha alguma. Fitando Yuzuru ela notou que dentro de seus olhos azuis haviam fendas negras também e olhando para os ninjas com ele, via o mesmo.
Ela sabia que lidava com um clã de habilidades únicas e não deixou de relacionar aquela característica física a essa tal herança que eles deviam ter, o que sabia é que eram habilidosos com Doton.
Seguindo um caminho de pedras ao longo da rua principal do distrito chegaram a até outro muro e as portas se abriram para um caminho entre pedras brancas e areia de vários tons que formavam diversos desenhos, levando-os até uma mansão japonesa imperial com canteiros de flores vermelhas.
Magnifico era pouco, sem demonstrar opulência demais como as mansões dos senhores feudais que já conheceu, sabia que o clã além de numeroso, tinha raízes nobres ligadas a aquela terra antes mesmo de outros povos virem habita-la, os Yumi estavam ali a centenas de anos, e os Hasegawa também, e eram aqueles que disputavam o controle do país e da aldeia com unhas e dentes, quebrando o tratado feito décadas pelo primeiro Shijunkage que estabeleceu a aldeia.
Muita história envolvida, muita política, muito sangue, e ela estava ali não só para ajudar a impedir que mais fosse derramado mas como uma representante de Konoha para que se buscasse a paz, assim como Gaara como Kazekage tentava fazer mandando muitos de seus ninjas como apoio a pedido do Shinjukage.
O que ela sabia sobre o tal homem era só o que fora falado no hospital de Suna. Um homem intimidante, extremamente inteligente, erudito como se supõe que todo senhor Feudal devesse ser, e de belas palavras para com o povo. Diziam até que se não fosse por ele, o Diamante não teria resistido tanto.
Ao chegarem as portas deram com uma elegante mulher, cerca de cinquenta anos, cabelos já brancos mas liso e perfeitos num penteado complicado que parecia uma obrar de arte, assim como o Kimono negro com flores brancas, olhos um tanto puxados e lábios enrugados e fixos numa linha, ela se curvou de maneira leve.
–Sakura-dono, seja muito bem vinda a casa de meus filhos e ancestrais, Chamo-me Sakurako-Yumi, sou por agora, a senhora deste clã.
Sakura se curvou em resposta agora um tanto incomodada por estar suja de poeira do deserto diante de uma dama tão nobre e tão...nobre, sem trejeitos arrogantes em seu tom, na verdade parecia até aliviada de tê-la ali.
A quanto tempo não se sentia assim? Necessária, absolutamente necessária, preciosa até.
Mas ela estava tão fundo naquele monstrinho de ódio e inveja que não conseguia sentir da mesma forma de antes, no entanto, Sakura não se deixaria afogar no veneno dele, não havia como sair de uma vez, mas sairia aos poucos, bem aos poucos.
Tinha essa pequena fé.
–você deve estar cansada, mesmo sendo mais jovem do que imaginávamos, o deserto é realmente desgastante não? Venha, já mandei providenciar-lhe um aposento.
–arigato – Sakura adentrou a grande sala um tanto vazia foi conduzida a outra na porta adiante e nesta viu grande retratos da família em tapeçarias, viu o trono que devia pertencer ao chefe do clã, mas que estava vazio, ela foi conduzida para uma das muitas portas laterais e por um grande corredor chegando enfim a uma porta grande de madeira entalhada. Ela não teve um bom pressentimento sobre isso, e se confirmou quando aporta foi aberta e se viu num quarto enorme, com uma grande cama de dossel, paredes em tons pasteis uma varanda enorme e ainda uma pequena piscina ao lado por onde entravam os raios de sol vindos das janelas.
Chocada com tamanho luxo e leveza ela caminhou até o centro vendo até mesmo uma grande estante cheia de livros uma mesa de estudos e um amplo armário, a porta ao lado deveria ser do banheiro.
–espero que esteja de seu agrado, senhorita. – Sakura se virou fitando a senhora e vendo Yuzuru recostado na porta com os braços cruzados e olhar sereno.
–cl-claro, é mais do que eu poderia esperar, arigato, a senhora está sendo muito gentil.- curvou-se novamente e mulher fez o mesmo em seguida.
–longe disso, não sabe quão felizes estamos em recebe-la aqui, é um maravilhoso fio de esperança o que nos dá, senhorita.
–arigato.
–vamos deixa-la descansar em paz, Yuzuru, vamos meu bem...
–Okaa-san...- ele resmungou.
–ora o que foi? – ele suspirou e saiu ela também após uma última reverencia, e Sakura absorveu a informação de que ele era filho dela, já sabia que o Shijukage e líder do clã era o filho mais velho dela, e que ainda tinha mais dois, mas não sabia qual, agora conhecia um, com um suspiro retirou a capa e abolsa do ombro, buscou uma toalha e seguiu para o banheiro, ao olhar para piscina não deixou de se sentir tentada nadar um pouco, mas resistiu entrando no banheiro e se deparando com mais luxo, tantos vidros de loções para pele que ela não pode duvidar sobre terem preparado o quarto para ela, não havia como em todos os quartos haver tantos produtos. Então não quis fazer desfeita e usou uma, após o banho usando uma peça mais confortável, passeou mais uma vez pelo aposento e foi na varanda descobrir que vista tinha exatamente, e era de um pátio de concreto, uma fonte e um canteiro de mais flores vermelhas, voltou para dentro e se jogou na enorme cama e dormiu, teve pesadelos, chorou, amaldiçoou. Mas isso já era comum.
Estranho seria, dormir em paz sem algum remédio, tanto que acordando no comecinho da noite ela ignorou até mesmo a possibilidade de ser convocada para o jantar e tomou algumas pílulas pesadas, queria foco, e o teria, dormiria o resto da noite da melhor maneira possível e na manhã seguinte estaria pronta para fazer o que fora chamada para fazer. Não era como se tivesse pressa em ir embora, mas tinha pressa em ocupar a mente e se reconstruir.
****************************************************************
–nada a declarar Yuzuru? Achei que estaria se gabando – comentou Ren.- ela é bonita?
–não sem a capa, mas tem um rosto gracioso, porém, nada amistoso, então suponho que o que digam é verdade.
–dizem tantas coisas...
–a mesma história, muitas versões, porém todas contam a verdade.
–ah o Shinjukage vai filosofar – resmungou o mais novo, Yuzuru observou o irmão parado na varanda e com o olhar fixo no céu nebuloso.
–você a viu? Nii-san.
–num breve momento, quando foi a sacada.
–ela é bonita não?
–sim, é.
Eles deram de ombros porém franziram as testas e voltaram a fitar o mais velho.
–você acha?! – exclamaram.
–devo dizer que tenho certeza?
–não é esse o ponto...
–não mesmo...
–é uma garota bonita, mas...uma garota...
O mais velho suspirou entendo o ponto deu as costas para a vista e cruzou o escritório.
–de que importa a idade, se está morta agora? – comentou consigo.
“Flores mortas não florescem, mas se ainda podem ser belas... tem salvação.”
Já dizia o sábio povo.
*******************************************************************
Mais uma vez ela se viu fazendo uma possível desfeita aos anfitriões quando despertou e encontrou uma farta bandeja a beira da cama. Com um suspiro Sakura se engatinhou sobre a cama e se sentou puxou a bandeja para perto e provou da montanha de alimento ali disposta, nem podia reclamar considerando o quanto dormira, deviam estar achando que estava completamente fraca. Bom, iria provar o contrário, os seis meses em Suna a ajudaram a se por novamente em forma embora ainda não estivesse a 100%. Enquanto tomava um gole de suco notou o pequenino vaso de cristal que levava dentro um par de flores vermelhas, as mesmas que haviam por toda parte lá fora, pegou uma e se pôs a analisar com desinteresse, tinha pétalas longas e estreitas hastes finas com pontas sobressaindo-se delas, não tinha um perfume realmente chamativo, era quase imperceptível na verdade. Soaram batidas na porta e ela viu entrar a senhora Yumi.
–oh, interrompo?
–longe disso, senhora, ohayo, já estava terminando.
–não se incomode, você estava muito cansada pelo o que reparamos ontem.
–mil perdões eu não devia ter dormido tanto, vocês queriam uma reunião logo não é?
–longe disso, seria apenas um jantar, de todo modo, você ainda tem tempo livre, meu filho saiu para resolver alguns assuntos e se reunirá com você assim que chegar, enquanto isso, porque não passear pela mansão? Assim conhecerá todos.
–seria ótimo...
A mulher reparou que ela ainda tinha a flor consigo e sorriu um pouco.
–Hinganbanas.
–huh?
–a flor.
–ah... é linda.
–as preferidas dele-
–dele? — a mulher riu de sua estranheza e seguiu até a cama sentando-se perto dela.
– sim, ele aprecia suas formas o tom e o perfume, Issa-sama, a falecida, quis agrada-lo e mandou planta-las em todo lugar, e aqui continuam mesmo depois de sua partida.
–entendo.
–bom, vamos ao passeio não?
–claro — Sakura deixou a flor no vaso e se levantou indo para o banheiro quando estava pronta e saiu, a bandeja já havia sido levada mas as flores ficaram em seu criado, saiu do aposento e reencontrou a senhora passando a seguir seu passo elegante e delicado em seu kimono azul escuro por toda a mansão.
Sakura conheceu os parentes que serviam a ramificação mais pura do clã, não era diferente do sistema que os Hyuuga tinham, porém não havia clima de servidão ou menosprezo, era como se, ser senhora do clã fosse apenas uma função comparada a de empregada da mansão, de modo que se tratavam como parentes próximos e se respeitavam em suas devidas posições, e não haviam apenas duas ramificações, a família era grande e não se relacionava romanticamente apenas entre si, de modo que haviam muitas pessoas da vila dentro do clã, muitos filhos destes e várias subfamílias, era fascinante, ainda mais o clima de paz e fraternidade que todos demostravam, recebendo-a como se fosse alguém já próxima, ou mesmo uma parente distante, havia sim a tensão causada pela guerra, mas os rostos desconfiados que ela vira no dia anterior agora lhe sorriam com todo carinho, tentando deixa-la confortável, se era apenas ânsia de desfrutar do que ela poderia oferecer, ainda estava por descobrir, se eram falsos, eram convincentes.
Ela sacudiu a cabeça se livrando daquele veneno, tentando tira-lo da vista, e parar de jogar sua raiva sobre aquelas pessoas, elas não tinham culpa de sua má sorte, elas não eram nem de Konoha, e embora tivesse certeza de que sabiam sim o que ela havia passado, Sakura notou que não haviam murmúrios a sua volta, talvez estivesse com as mentes ocupadas demais com a guerra para se preocuparem com fofocas, de todo modo, ela iria descobrir hora ou outra.
Caminhavam pelo pátio agora, ventava muito e ela se viu incomodada com o cabelo curto respondendo descontrolado às pancadas de ar.
Tres crianças passaram por ali muito distraídas em seu jogo de pega, uma menina de cabelo escuro que parecia roxo e dois garotos em yukatas leves e gargalhando.
–aqueles pequeninos são Haru, Yabo e Yuri, primos do meu neto em segundo e terceiro grau, são quase inseparáveis. – explicou Sakurako.
–e muito enérgicos – Sakura concordou, e então a mulher parou diante das bolinhas de gude espalhadas pelo chão.
–ah finalmente.
–hum? – a mulher indicou acriança que brincava agachada no chão.
– este é Yaboku, o futuro do clã Yumi, ele não é lindo?
–sim...lindo...
A beleza que ela odiava. Diante de tais olhos azuis, pele branca e madeixas negras, Sakura sentiu aquele monstro bater contra as paredes de sua sanidade de forma tão violenta que ela sentiu que poderia vomitar ali mesmo.
Ele tinha cerca de cinco ou seis anos, seu sorriso era tão lindo que parecia iluminar tudo ainda mais, assim que as notou, que notou Sakura, disparou em sua direção.
–Yaboku, sem pressa- pediu a mulher.
–ohaaaaaayoooo! Você é a nee-san de que estão falandoooo- gritava ele e para o horror da Kunoichi, agarrou-se em sua roupa ebncarando-a com aqueles olhos imensamente azuis com fendas negras no centro – yoooooooosh! Kirei! É tão bonitaaaaa! Nééé Obaa-chan?! Sugooooooiii seu cabelo é rosa?! Rosa mesmo!
–Yaboku! Acalme-se menino está assustando a moça!
–neee neee neee é verdade que você quebrou uma montanha inteira é?! é?! Me ensina me ensina me ensinaaaaaa!!
Só podia ser um pesadelo, ela queria chorar e suas mãos tremeram quando a inocente criança a abraçou com toda força que tinha, numa felicidade que ela nem lembrava já ter tido um dia.
Tão frágil ele era, lindo como uma boneca, e ela queria quebra-lo.
Ela ia quebra-lo, e apertou os punhos de forma que estralaram.
–Ele realmente gostou de você.
E suas mãos pararam de tremer imediatamente, se por aquela voz grossa e hipnotizante, dura e imponente, e ao mesmo tempo, carinhosa. Não sabia.
–Yaboku, por favor, deixe a moça respirar.
–otou-san! — A criança a largou e ela percebeu que suava frio, se virou e encarou o homem grande que segurava a criança para o alto.
E de alguma forma, seu ódio se acalmou, ele não se foi, mas parou de ir contra a criança.
Um inocente.
Todos ali eram inocentes de sua desgraça.
Seu ódio recuperou a racionalidade.
–até que enfim, Yasuhiko, já estava sem ideias para distrair a moça, Yaboku! Comporte-se!
O menino se debatia no colo do pai querendo provavelmente ser lançado para o alto, mas o homem não fez isso, e o pôs no colo, com as penas curtas a volta do quadril, e se aproximou.
Sakura fitou seus olhos cinzentos, surpresa de serem desse tom, surpresa por haverem óculos, e por seus cabelos serem brancos, tão prateados quanto o de seu antigo sensei, uma franja espessa e lisa cobrindo toda a testa. Rosto largo e expressão quase vazia, não havia sorriso curvando seus lábios pouco cheios na parte inferior se mantinha numa linha reta e firma, mas ainda assim ela não captou nada como um clima tenso vindo dele, ela sentiu serenidade, desde que evitasse seus olhos cinzentos.
Ela talvez devesse estar ainda sob o efeito de remédios, para achar que aquela pessoa a que encarava tão firmemente, fizesse questão de faze-la ter arrepios ao longo da espinha e um calor suspeito no ventre.
Desviando de seus olhos e ignorando que ele avaliasse seu corpo, ela avaliou a ele, surpresa por não encontrar um nobre, ou um kage, ele tinha toda a pose de um, ombros largos eretos, e rijos, sinal de quem tinha poder, e levava o peso dele, bem mais alto que ela mas que homem não era? Porem ele parecia crescer a medida que se aproximava, sem manto de Hokage, sem yukatas pesadas de nobre, apenas calça preta, e um sobretudo cinza recobrindo sua parte superior, deixando curiosidade. Ela só não entedia porque estava curiosa, talvez porque ele demonstrava o mesmo por ela.
–distração? – ele comentou sem tirar os olhos da Diplomata – não faltam distrações, minha mãe, e trabalho, Haruno-dono, é muito honra conhece-la.
Sakura apenas respirou e assentiu, se lembrando de fazer uma referência cumprimentou.
–Shinjukage-sama, também fico honrada, e espero ser útil.
–tenho certeza que será- ele concluiu entregando o menino para a avó, Sakura evitou fitar a criança sabendo que está ansiava por um olhar seu, e sentindo que trocar olhares com ela poderia fazer a besta voltar. – você fica com sua avó e se comporta, tenho assuntos a tratar com a dama.
–neeeeeee?! Eu não posso ir? Otou-san! Eu fico quieto!
–você ficar quieto é sinal de doença, então não, está saudável e é melhor assim – Yasuhiko negou afagando a cabeleira negra – okaa-san, encontre os inúteis dos meus irmãos, preciso que façam algo para mim ainda antes do almoço.
–não seja cruel, Yasuhiko, vai assustar a moça.
Ele apenas seguiu para o lado de Sakura que deu uma olhada rápida no garoto vendo-o com olhar baixo e as bochechas coradas infladas de birra, mas assim que ele a notou ele abriu o sorriso, e ela desviou.
–bobagem, a senhorita Haruno não é uma mulher que assusta fácil, qualquer um que conheça sua jornada vai saber. – Sakura o fitou vendo-o seguir a frente, fitou a mãe dele e a senhora meneou a cabeça instruindo que deveria segui-lo e assim ela fez acompanhado homem.
–teve um bom descanso, senhorita?
–sim, claro, foi ótimo, sua família foi muito hospitaleira.
–é bom saber.
Aquilo soou estranhamente ameaçador, ou ela já estava profundamente intimidade?
Ela já tinha visto muitas coisas assustadoras na vida, isso era verdade.
Mas nada como Yasuhiko Yumi, o modo como ele a fitava, e o modo como ela se sentia responder.
Esperava encontrar paz ali.
Mas talvez paz, fosse tudo o que não pudesse ter, se continuasse a receber o intenso e gelado olhar cinza daquele governante.
Fale com o autor