Talvez - EM HIATUS
55 Capítulo 51.
Notas iniciais

Três meses depois.
— Está chegandoooo! – Sakura cantarolou enquanto riscava mais um número no calendário.
Yato observou-a saltitar pela cozinha enquanto servia a mesa, sorriu consigo e abriu o jornal, apoiando um dos braços na perna dobrada sobre a outra.
— Tanta animação, mais que o aniversariante...- Yukine implicou, enquanto molhava uma rosquinha dentro do café.
Sakura deu de ombros e pôs um cesto com bolos sobre a mesa.
— Não seja chato, claro que meu benzinho está empolgado com a festa, do jeitinho dele. – declarou, estalando um beijo na testa do mais novo, centrado em seu café e numa das folhas do jornal que ele tomara de Yato.
O mais velho não perderia tempo presumindo que fosse a folha onde haviam as tirinhas para as crianças.
— Como vai com o material, Yato? Foi difícil acompanhar? – Sakura perguntou, enquanto pousava o guardanapo sobre o colo, ele se ajeitou no lugar e fechou a folha, deixando ao lado e pegando a xícara para servir-se.
— Está tudo bem, o pessoal me passou as anotações.
— Que bom, porque semana que vem vão ter prova.
— Já?!
— Uhum – ela sorriu, tomando o café, Yukine riu e ela arqueou a sobrancelha — Qual a graça? Você também, ora.
— Huh?!
— A de todo mundo, aliás.
— Droga!
— E não preciso avisar que não quero nenhuma notinha vermelha, né?
— Sim senhora.
— Eu vou tirar dez em todas – gabou-se o Haruno.
— Oh? Vai sonhando...- Yato alfinetou.
— O que? Aposto que tiro mais que você!
— Que eu? Vamos lá então!
— Oh, estava demorando – Ela revirou os olhos e deu atenção ao mais novo, o maldito costume que Yasuhiko tinha de ler durante o café estava ali, na sua frente, displicente e parecendo alheio ao redor.
Mas ela sabia que não estava.
— O aviso também vale para você, senhor Yumi – ela comunicou, ele baixou a folha apenas o bastante para encara-la com seus olhos verdes afiados, a sobracelha branca se ergueu como se ainda duvidasse.
Suspirou quando ela lhe mandou o aviso ocular para voltar-se para refeição e como se isso não tivesse acontecido e ele apenas tivesse cansando de ler, suspirou e deixou a folha de lado.
— Minhas notas de teste são as maiores da turma – ele comunicou como se fosse mais do que esperado, perda de tempo avisar. Sakura deu de ombros, displicente, e recebeu uma olhada quase de aviso. As vezes tinha a impressão de que ele cruzaria os braços e mandaria-a parar de ser tão infernal e comportar-se como uma digna e passiva esposa, como Yasuhiko com toda certeza faria, mesmo sabendo que ela jamais o seria, como se não admitisse que era louco por isso nela, às vezes de prazer, às vezes de raiva mesmo...
— Testes são diferentes de Provas, vai perceber isso logo.
O aviso não surtiu efeito, ele deu de ombros, servindo-se calmamente.
— Hah, esse cabeção já está se gabando? – Yuki cutucou a bochecha do irmão com uma rosquinha e Sesshoumaru o encarou como se pudesse faze-lo entalar com aquilo, ameaça esta que só se via em seu olhar, o resto da expressão o encarava impassível.
Mas já era alguma coisa, ele cedia à irritação que os irmãos causavam, às vezes mais do que às implicâncias da mãe.
— Você também aposta Sesshou? Ótimo!- Yato lançou a mão sobre a mesa a qual logo Yukine uniu com a própria e puxou a do mais novo. — Apostado!
— E quem perder vai fazer o que?!
— Só pode ter um vencedor hein?
Sakura revirou os olhos, não bastava ela mesma já ter enfiado neles sua enorme competitividade, e um pouco da fome por apostas que puxou da mestra, eles eram três homens e estas malditas criaturas já tinham bastante de competitividade no instinto, ainda mais homens do sangue deles.
— Quem perder vai ter que fazer tudo pro outro, tipo, um escravo! Lavar roupas, arrumar o quarto, tudo!
— Você tem certeza? Então tá!
— Oh, porque não incluem tortura também? – ela ironizou.
— Podemos? – Sesshoumaru, pela primeira vez, realmente interessado, ela revirou os olhos e os outros dois tiveram calafrios.
— Sem tortura!
— A-afinal é só uma apostinha saudável!
Ela duvidava que seria quando alguém tivesse que ser o vencendor e ficaria esbanjando frescuras por aí.
Haveria uma guerra, mas pelo menos não teria que se preocupar com notas vermelhas, poderia haver até mesmo um empate.
Dos três, Sesshoumaru tinha realmente vantagens, mas ele não foi colocado na turma em que estava atoa, foi para um ano que realmente poderia desafiá-lo, ainda que continuasse correspondendo acima das expectativas, ela o via debruçado sobre a mesa de centro da sala e não era entretido em bobagens.
Yato e Yukine já eram mais bobinhos, tinha matérias em que tinham vantagens, mas também rendiam pouco em algumas e ficavam preguiçosos, principalmente as que envolviam mais cérebro e estratégia.
Yato tinha muito potencial para ser tão calculista quando Yasuhiko, mas ainda lhe faltava maturidade, mais foco e menos emoção, ainda que essa seja sua maior qualidade. Esta delicadeza para com os sentimentos de todos poderia ser sua fortuna mas também, sua ruína.
E Yukine, ele era meio como Naruto, avoado, mas esforçado, tinha a vantagem de ser curioso e teimoso, e se teimasse em tirar todos esses dez, ela sabia que ele conseguiria.
Orgulhosa, ela se ergueu e chamou todos para começarem o dia.
Não deixou de dar uma olhada no calendário ao sair da cozinha, faltava um mês e meio para o aniversário de oito anos de seu pequeno, e ela estava ansiosa por viver esse dia com ele.
Já estava começando a se organizar, embora alguns detalhes importantes já estivessem mais que bem acertados redendo-lhe mais tranquilidade.
Esses últimos meses foram ótimos.
Yato havia voltado por dois meses para o Diamante, foi ele mesmo levar Hiiro para casa onde ela deveria recomeçar a ser uma Yumi e uma regalia fiel.
Ele ficou por lá cuidando de alguns negócios com os tios e embora ele não fosse admitir, ela sabia que ele estava tomando suas próprias ações para responder contra a Aogiri.
Isso lhe apertava o peito, mas ela forçava essa angustia para dentro, e apenas torcia para que esta guerra pudesse acabar antes de começar.
E que não tivesse que perder mais alguém para isso.
As vezes ela sentia que foi isso que levou Yasuhiko, como se ele tivesse se tornado uma oferenda, um sacrifício para que a paz durasse mais tempo, mas recusava-se a aceitar tal fato, pois Sesshoumaru foi arrancado dela, e sabia que para seu marido, isso seria o mesmo que uma derrota.
Ele não aceitava derrotas.
Separou-se de seus queridos pelo meio do caminho, e seguiu primeiro para a perfumaria em busca de seu perfume favorito.
Acabou olhando mais alguns e seus braços já estavam cheios de fragâncias quando sentiu no ar, uma que lhe trazia lembraças que agora eram mais para agridoces e distantes que qualquer outra coisa.
Soergueu a sobrancelha e o encarou de soslaio.
— Ora, mas que lugar mais interessante para encontra-lo, Capitão Uchiha.
Sasuke bufou, mas um sorriso curto e divertido se fez depois disso, enquanto ele despojadamente se recostava no balcão ao lado dela, e cruzava os braços.
Ela se perguntou quando foi que ele ficara tão mais fácil de sorrir assim.
Sasuke, sempre um mistério, o livro que ele era tinha correntes, como o próprio sharingan, eram capazes de obrigar para sempre a ficar preso a ele a explorar e sentir toda sensação que pudessem transmitir de forma intensa.
Muito intensa.
Mas ela já cortara essas correntes a muito tempo, as vezes tinha a leve impressão de que elas tentavam rodea-la outra vez, tal como agora.
No entanto, Sakura fechara este livro a muito tempo, e por isso as correntes jamais poderiam envolve-la de novo.
— Não deveria estar no trabalho? – ele indagou e ela fez um muxoxo.
— Mas que saco, pare de ficar me regulando!
Sasuke revirou os olhos.
— Sabe muito bem que a questão não é apenas essa.
Foi a vez dela revirar os olhos. Claro que estava ciente de que deveria manter uma rotina mais regular, ainda que esses últimos três meses tenham sido tão tranquilos.
— Você trabalha demais, Uchiha, eu sei me cuidar sozinha, certo? Sabe muito bem a operação que teria de ser feita pra tentarem me pegar ou matar, e sabe que não seria indo na perfumaria que poderiam fazer isso, ainda mais a plena luz do dia.
— Humpf.
— Está só me seguindo mesmo ou veio comprar algo?
Ele revirou os olhos.
— Qual alternativa seria menos humilhante? – desdenhou, poderia rir de si mesmo, porque no caso eram as duas alternativas e ele não se importava nem um pouco, arrastar-se atrás de Sakura?
Uma humilhação?
Ele já vinha convivendo a muito tempo com essa ideia e mesmo sendo tão arrogante e orgulhoso, Sasuke via a si mesmo incapaz de detestar a isso.
Faria qualquer coisa para ter Sakura de volta.
Qualquer coisa mesmo, não negava que sabia que haveriam coisas difíceis, coisas que teria de abrir mão, coisas que teria que fazer para convence-la.
Mas ele já lutara o bastante por causas perdidas.
Ela fez outro muxoxo, o dava vontade de apertar seu queixo fazendo-a criar um bico e morder esse bico, lentamente, sugar a carne macia entre os dentes e sussurrar em sua boca todo tipo de promessas.
— Vim buscar uma encomenda – falou — Touka pediu um perfume.
A moça que veio de alguma salinha lá atrás já trouxe as compras de Sakura numa sacola e foi logo procurando o nome de sua primogênita numa agenda.
— Ownt, que fofo – Sakura disse, e ele soube que ela “gentilmente” esperaria para saírem juntos do lugar.
Ele revirou os olhos e assinou a entrega, pagou e pegou uma caixa lilás e uma sacola mas nem teve tempo de guardar dentro pois Sakura tomou-lhe a caixa e seguiu para a saída.
Ele bufou e a seguiu enquanto ela revirava a caixa e pegava um frasco pequeno e rechonchudo.
— Hummm, perfume de lavanda e algodão! Nunca imaginei, vindo de Touka.
— Hn? – ele deu de ombros, achou natural da moça, afinal era uma moça.
— Ela tem cara de que prefere algo menos doce e mais forte até, esse é tão delicado, parece perfume de bebê.
— Não fica preso em quem encosta, é discreto, ela diz, como um ninja deve ser.
— Retiro o que disse, é a cara dela sim!
— Humpf.
— Mas pelo menos ela usa perfume...
— Vá se danar, eu fedo por acaso?
Sakura gargalhou.
— Tudo bem mas um perfuminho pro dia a dia não faz mal, ora.
Ele ignorou e se limitou a ve-la acenar enquanto seguia seu caminho para o hospital.
Ela apenas implicava e sabia disso, porque houve um tempo que ela apreciava sentir apenas o cheiro da pele dele. E ele se perdia nas misturas que seu cheiro fazia com cada perfume novo que provava mesmo que acabasse voltando ao mesmo cuja caixa e frasco ele ainda reconhecia e vira em sua sacola.
Sentiu vontade de comentar, mas talvez fosse meio arriscado deixa-la saber que ele ainda lembrava de seu perfume favorito.
Ela não sabia que pra ele, seu perfume era droga mais potente que ele já havia provado na vida.
E ansiava voltar ao vício de forma regular, não apenas em eventuais esbarrões aqui e ali.
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— Lavanda e Algodão.
Touka saltou no lugar escondendo o frasco como se fosse a arma de um crime, olhou para cima e para o lado, deparando-se com Yato sentado na mesa ao lado dela, que estava no banco.
— Que-que é?!
Ele deu de ombros e jogou as costas para trás, deitando na mesa e cobrindo os olhos com o braço.
— Nada – soltou, num suspiro cansado ou preguiçoso, talvez cansado pois ela o percebera muito mais aplicado na aula hoje do que nas outras.
Sabia que ele tinha de inteirar do assunto pois perdera muita matéria indo e vindo de sua aldeia. Mas mesmo assim ele havia continuado bom em manter conversas paralelas com os meninos ou cochilar.
Touka voltou-se para o vidro de perfume que seu pai havia mandado entregar durante o intervalo do almoço, e caprichosamente o guardou na caixinha.
— Já não devia ter ido pra casa? – Indagou, apenas para se livrar do clima estranho.
— Estou esperando dar a hora do Sesshou, ele está fazendo um pré-teste e, infelizmente, faz questão de ser o último a entregar a prova.
— Eh? Ele não é o gênio da família? Achei que seria sempre o primeiro a dar o fora.
— Hah, ele é um gênio, mas é perfeccionista também, ele não deve contar apenas com a primeira coisa que lhe vem a mente, ele vai ficar analisando cada resposta minuciosamente até onde puder.
— Isso soa meio sinistro...
— Talvez, na verdade acho que eu o invejo um pouco, ele tem toda aquela astúcia e meticulosidade do nosso pai...
Touka se virou o observando um pouco, mas ele continuava escondendo o rosto do sol.
Ela jogou o rosto para o lado empurrando a franja da frente de um dos olhos.
— Bom... você pode não ser tão meticuloso ou frio para lidar com as coisas, mas... Até agora não sei o que havia naquele envelope, e sei que tem armado muito mais que isso por baixo dos panos.
Ela virou a cara, olhando em volta e também para o fino relógio que tinha no pulso, a aula acabaria em cinco minutos e logo Sesshoumaru teria que deixar a prova de um jeito ou outro.
Quando voltou a visão para Yato, ele sorria por baixo do braço, apenas um repuxo no canto da boca que a lembrava um pouco o seu pai.
Ele se sentou e apoiou os cotovelos nos joelhos e inclinou a coluna na direção dela, encarando-a com um sorriso que mostrava seus dentes alvos e suavemente pontiagudos.
— Curiosa? O que faria para descobrir?
— Huh? – ela piscou, aturdida — Mas achei que fosse algum tipo de segredo de estado.
Yato riu, divertido, então seus dedos, as unhas negras que reluziam sob a luz solar tanto quanto o cabelo dela, empurraram as mexas que insistiam em entrar em frente seu rosto.
— De certa forma é, mas eu poderia te contar em troca de algo, claro.
Seus olhos cinzentos emanavam intenções diversas, mas principal a atordoou.
Ofendeu.
O som do tapa ecoou pelo ar e Yato piscou, quase indiferente e encarando a mão no ar, que fora afastada pelo golpe dela.
Touka se ergueu do banco sentindo cada pedaço de pele em si ficar quente de indignação.
Por um momento havia esquecido como as coisas vinham entre eles, sempre esquecia, e tudo apenas por causa dessa maldita instabilidade que Yato apresentava.
Uma hora ele era doce e gentil, noutra, focado e maduro, noutra, um gatuno oportunista que não se importava de ganhar em cima dos agrados que sua posição e boa aparência se lhe rendiam.
Uma hora, parecia realmente que se importava com ela.
Noutra, que ela era apenas como as dezenas de garotas que o cercavam aqui e no Diamante.
Ela estava farta, sinceramente farta e não só de como isso não parecia afeta-lo, mas de como a afetava tanto.
Porque no fundo, ela conseguia compreender cada faceta, mas era incapaz de entender como elas vinham e voltavam, esta fascinante inconstância a deixava perdida.
Perdida no que significava para ele. E no que ele significava para si.
Ela mesma empurrou o cabelo desta frente e o encarou fixa e com toda repugnância que o pensamento de que ele a estava desrespeitando por capricho, e, desrespeitando Akira, poderia passar-lher.
Sentia e herança ocular presente ao encara-lo, mas não sentiu qualquer remorso quanto a isso.
Yato finalmente desviou a atenção da mão, a encarou, sua face frígida a fez vacilar internamente, e quando ele apertou o ar com a mão, quando as articulações moveram-se sob a pele do dorso, sua palma pareceu maior, as unhas curtas e negras reluziram novamente como lâminas, e o movimento fez um estalo que pareceu ecoar tão alto quanto o tapa que ela deu a pouco.
Ele pareceu finalmente perceber seus olhos carmim, a herança lendária o encarando imponente.
— Oh. – foi tudo o que comentou, ela não soube se foi desdém, nunca sabia quando esta máscara vinha a tona. E odiava isso, seus olhos poderiam ver tudo através dele, domar sua mente e desvendá-la, quebrá-la.
Mas não conseguia ir atráves do embaço cinza ou do sanguinário carmim deles, porque sabia que havia escurdidão, e temia.
— Para com isso – rosnou, tomando o ar, os punhos cerrados — Para com isso, Yato.
Ele inclinou cabeça, para o lado, mexas prateadas caíram em frente os olhos mas não puderam esconde-los.
Porque também estavam vermelhos, vermelhos e negros.
— Parar...? Mas parar com o que, Touka-chan?
O sufixo nunca soou tão sinistro como daquela vez.
Mas sua indignação foi maior, na verdade, chegou a ser humilhante, como se ele estivesse jogando a culpa sobre ela.
— Você sabe muito bem! Pare com esses joguinhos! Pare com essas insinuações! Como se...como se houvesse algo entre nós! Você sabe muito bem o que está fazendo! E ainda age como se fosse tudo simples e pudesse ter tudo na mão como um garoto mimado! Por acaso não pensa em mim, ou mesmo no... no Akira?!
Uma risada seca ecoou, ela sentiu o sharingan desativar em choque. E o encarou,Yato se levantou, a cabeça ainda baixa, recolheu a mochila e em vez descer, subiu sobre a mesa, dando as costas e encarando algo além.
E então a face perdida.
Uma das que ela mais temia ver, na verdade, sentia que temia a ver mais que a face sinistra e selvagem.
Ele enfiou a mão vaga no bolso e então se virou para encara-la de lado.
— Você acha que eu não penso no Akira?
A pergunta a pegou desprevenida.
Yato a soprou a franja do próprio rosto com displicência, e o negro e vermelho se foram de seus olhos, deixando apenas um rubi e uma pedra cinza e gelada ao encara-la com um misto de sensações que ela ainda levaria um tempo para ordenar e entender.
— Eu acho que quem não pensa no Akira, é você.
Então, ele se foi.
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Sesshoumaru sentia algo que muito provavelmente deveria ser irritação.
Deveria ser, era o mesmo sentimento de quando seus irmãos mais velhos vinham implicar por alguma coisa sórdida.
Ou sua honorável mãe insistia em ser tão... Ela mesma.
Embora não lhe fosse um incômodo saber que sua progenitora vinha de uma linhagem desconhecida e simples e a grande senhora que ela se mostrava ser apesar disso fosse algo quase difícil de acreditar, ele tinha que admitir que achava um pouco... irritante.
Adorávelmente irritante, mas ainda, irritante.
Parou em frente o portão da entrada e olhou para o lado, deparando-se com o irmão mais velho.
Yato estava recostado na parede, com um pé apoiando e os braços cruzados a bolsa pendurada no ombro e sob a axila e o olhar encarando a rua de forma vazia e tensa.
Ele inclinou a cabeça para encara-lo, e Sesshoumaru devolveu seu olhar e expressão vazias.
No entanto, os olhos tingidos de vermelho e negro.
Yato suspirou se afastou do muro, ergueu a mão chamando-o e o menino se aproximou, começando a andar ao seu lado com o mais velho tendo a palma apoiada em sua cabeça, enquanto soltava um suspiro.
— Que bom que está bem alerta – Yato disse, quase como se fosse um consolo.
Mas para si mesmo, porque Sesshoumaru sentia que seu nii-san, estava com algumas barreiras desprotegidas e frágeis.
Não se importou, posto que, sendo Yukine o primeiro a levar o nome e herança do sobrenome Haruno, era ele o segundo a levar o sobrenome e herança do sobrenome Yumi.
Não se importaria nem de ser o primeiro, na verdade.
Mantendo as mãos nas alças da mochila em suas costas, ele preferiu manter a mente ocupada em examinar cada pergunta e resposta do exame que fizera a pouco.
Sua honorável (e adoravelmente irritante) okaa-san tinha razão, as provas seriam diferentes dos testes, o que ele fez ainda era um pré—teste, mas ele pode perceber que o nível fora um pouco mais exigente mesmo o conteúdo sendo basicamente, o mesmo.
Mas não poderia deixar de se sentir satisfeito, Konoha realmente tinha um sistema educacional a ser parabenizado. Já sabia muito bem que no quesito saúde a aldeia só tinha do que se exibir, afinal, era sua mãe no comando deste importante setor no momento.
Mas duvidava um pouco dos setores de educação e segurança, e por isso esteve bastante relutante de vir morar aqui, mesmo não tendo dito isso a ninguém.
Viu-se finalmente satisfeito, estava recebendo e absorvendo tudo o que precisava e um pouco mais para seu desenvolvimento, sua família estava se mostrava bem estruturada, e mesmo não se sentisse realmente ligado à folha por parte de mãe, o conforto e alegria dela em morar ali, e o fato de nunca esquecer seus deveres como Senhora e mãe mesmo á distância, faziam tudo isso poder passar facilmente sem incomoda-lo.
Uma coisa aqui ou ali, não atrapalhava o todo.
Pelo menos por enquanto.
Ele avistou uma carrocinha de dangos do outro lado da rua e já estava por perdir permissão ao mais velho para se afastarem um mínimo do caminho de casa para comprar um espeto, quando avistou duas figuras que lhe chamaram bastante atenção.
Uma era o segundo filho e herdeiro do clã Uchiha, já havia percebido claramente seu gosto por aquelas especiarias, por isso não deu grande importância ao fato de ele estar ali, mas a figura que o acompanhava se mostrou uma questão um tanto intrigante.
Era uma mulher, que deveria ter a idade de sua baa-san, seus cabelos eram castanhos mas já praticamente tomados pelos fios brancos que a idade impunha, seu vestido era escuro e sua postura austera e calma, quase meio fria enquanto pacientemente esperava Itachi comprar seu espeto. E então seguiu com ele sem pressa, mantendo uma conversa em um patamar quase formal, social.
— Onii-san?
— Hum?
— Quem aquela pessoa com Itachi-senpai?
— Itachi? – Yato parou e olhou na direção que ele indicava com a cabeça.
Yato encarou a figura e simplesmente não viu qualquer semelhança que ela pudesse ter com o garoto, pelo menos não fisicamente,
Mas, lembrou que ele era idêntico ao lendário ninja irmão mais velho do pai, um homem que carregou um fardo assombroso em sua vida como shinobi, e principalmente, como ser humano.
Itachi era o retrato do tio, e era bonito como ele deveria ser visto como o Itachi que deveria ter crescido entre os seus, como um ser feliz e livre de fardos tão cruéis, lutando justamente ao lado de seus companheiro, amigos, por seu lar e seus ideais.
Ele não lembrava nada sua bonita e cordial mãe, então ele associou a mulher mais velha à alguma parenta do clã dela, pois esta senhora também não tinha semelhanças com Uchiha Ino.
Ainda sim, a ideia foi estranha, pois havia ouvido falar bastante que a matriarca Uchiha não mantinha mais qualquer contato com seu clã de origem.
Assunto esse que ele dispensava explorar, pois não era de seu tempo, nem tinha mais importância.
— Não sei, deve ser alguma parente, vamos lá.
— Aa.
Os dois seguiram em frente sem muita pressa.
— Curioso você, hein?
Sesshoumaru deu de ombros.
— Achei que o clã Uchiha tivesse apenas quatro membros atualmente.
— Ela deve ser parente por parte da senhora Ino, lembra? Ela é do clã Yamanaka.
— Aa, recordo, agora, mas ainda soa estranho, porque Uchiha-dono escolheria uma mulher que poderia não lhe gerar filhos puros de sangue Uchiha?
— Ah... porque ele já tinha Touka?
— Aa...
— Deixa de ser fofoqueiro, haha – Yato brincou, vendo a expressão do menor se emburrar ligeiramente.
Sesshoumaru ainda era novo demais para entender certas coisas, como por exemplo que Touka Uchiha não era fruto de uma relação consensual e natural, muito menos que Uchiha-dono escolhera sim uma mulher de sangue comum para dar-lhe filhos de sangue puro, mas não soube preserva-la ao seu lado quando teve a chance.
Mas, isso eram águas passadas, mesmo que a chuva pudesse traze-las outra vez, nunca seriam as mesmas.
Nunca.
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— Que festa huh? – Sakura disse, enquanto tirava o casaco negro que vestia, seu vestido era azul celeste, mais longo na altura da canela e deixando toda a sensualidade transbordar no decote V e rendado.
Sasuke engoliu um bom gole de saquê antes de se permitir encarar seu colo mais uma vez, ela se curvou para o filho menor e lhe sorriu, docemente.
— Comporte-se, não saia daqui sem pedir permissão para mim ou para Chieko-san porque ela vai estar de olho em você, e, ah, não esqueça de levar o presente do aniversariante, afinal daqui uns dias será sua vez, certo?
Sesshoumaru assentiu calmamente portando uma caixa de presente muito elegante para se dar a uma criança.
Ela então o permitiu ir e correr entre as dezenas de pirralhos por ali. O salão era o do agora muito conhecido e bem falado estabelecimento de Kasumi ao qual ela alugou com todo gosto para a festa infantil.
Era aniversário do neto de Juko, a velha conselheira, que estava na mesma turma que Sesshoumaru.
A turma inteira dele devia estar lá e Sasuke achou interessante assistir como o menino lidava com os colegas.
Isso se tirasse os olhos dos seios da mãe dele.
Aquela cor linda que realçava a beleza da pele dela o perturbava. Ela parecia tão livre e desejável como o céu era para um pássaro enjaiolado, como ele era, e como muitos não eram.
— Senta aqui, Sakura-chan! Vamos tomar umas até porque quem se diverte mesmo são as crianças – Naruto a chamou — Quero tomar ao menos uma ou duas antes e voltar ao serviço.
— Ah, Naruto, somos dois – ela teve que concordar, sentando-se no banco vazio entre os dois. — Querido! Ponha uma pra mim!
— Sim senhora! – o rapaz do outro lado respondeu já se apressando para preparar as doses.
Os três se serviram e brindaram a noite de serviço que teriam logo que saíssem dali.
— E pensar que logo estaríamos aqui, assim depois de tantos anos...- Naruto suspirou, nostalgicamente.
Sakura riu afagando seu cabelo loiro e espetado. Sasuke deu de ombros e tomou a dose sentindo-a um pouco amarga.
O tempo havia passado e dos três, dois tinham muito do que se orgulhar do que tinham até ali, e não deviam se arrepender dos caminhos que tomaram, mas ele era o terceiro, que continuava insatisfeito.
Observaram as crianças brincando para lá e para cá, os mais velhos se amontoavam em seus grupinhos, bebiam refrigerante, e atacavam as guloseimas, e os pirralhos corriam para todos os lados enquanto adultos ou os seguiam zelando sua educação e segurança, ou apenas observavam.
Haviam um escorregador e uma cama elástica instaladas no local além de uma piscina de bolinhas. E Sesshoumaru não tardou a entrar na fila de uma delas.
Sakura observou com gosto.
— Você trouxe até o jaguar, Sakura? – Sasuke implicou, vendo o bicho passear entre as mesas.
— Perdi na votação, hahaha, três votos contra um, Kuro também é uma criança e merecia vir pra festa – ela recordou.
— Desde que não coma outra criança, acho que tudo bem...- Naruto comentou.
— Da próxima vez traga um papagaio também.
— Vá se danar! Se eu tivesse um papagaio treinaria ele pra dizer: “Uchiha rabugento! Uchiha rabugento!” Sempre que te visse.
— Ou: “Teme! Teme! Teme!” – Naruto gargalhou e ela também.
Sasuke revirou os olhos.
Eles dois juntos eram papagaios.
Logo avistou Sai andando por aí com seus dois filhos no colo, ele pouco se importava e muito menos de deixar claro que cada um tinha uma mãe.
Kasumi passeava explendida num vestido vermelho, a outra mulher também não era menos bela agora, ela parecia um pouco mais magra, mas ainda exuberante e exótica com suas curvas fartas.
Pelo menos o idiota tinha bom gosto, admitia.
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— O que você tem Yato? – Yuri indagou, Touka não pode deixar de se empertigar ao ouvir a conversa ainda que sem querer.
Tirou a atenção da roda em que estava e olhou em volta, vendo Yuri, ela também estava conversando a pouco, mas Touka havia se mantido em sua resolução de cortar suas relações.
Ainda mais depois daquele dia.
Viu Yato recostado num dos pilares, ele vestia uma calça preta de linho, e uma camisa também de linho branca e sob um colete de tecido mesmo, mais largo, o que lhe deixava casual até demais para uma festa como aquela.
Ainda assim não impediu que as outras garotas se aproximassem sempre que podiam.
Ele mantinha os braços cruzados e uma expressão séria, compenetrada, enquanto observava o resto do salão, tinha a visão dos brinquedos ali instaçados para os pirralhos, da mesa com o bolo e do bar onde seus pais estavam concentrados.
— Nada – foi o que ele disse, com um suspiro, voltou os olhos para ela, calmamente — Fique perto de mim.
Yuri o encarou surpresa mas seu tom, mesmo não sendo duro ou intimidante fincou nela a obediência,ou talvez o olhar dele tenha transmitido algo que só Yuri poderia ler, porque Touka, não conseguiu.
Ela só vinha conseguindo ler a si mesma ultimamente.
“— Eu acho que quem não pensa no Akira, é você.”
Ela apertava os olhos e sentia uma pontada sempre que as ouvia.
Porque sim, era a verdade.
Ela não pensara em Akira, não pensara nele quando aceitou aquele pedido repentino de namoro, queria apenas controlar o que vinha acontecendo dentro de si, em vez de entender.
Em vez de aprender, se afastou.
Yato não a estava provocando atoa, nem forçando algum capricho.
O que ele estava era querendo lhe mostrar seu erro.
Ter entrando num relacionamento com Akira, quando estava com sua mente, e, provavelmente, o coração, voltados para Yato.
Ele a estava mostrando que não adiantaria fugir do que sentia, e que ele nunca o fez. E que ele assumia-o sem qualquer problema enquanto ela só sabia recuar toda vez que o flerte deles ficava mais profundo.
E mesmo que quisesse, não podia culpa-lo. Ele foi sincero desde o começo, e ela foi aquela que o julgava desde o primeiro momento e que seus olhos se cruzaram.
Yato continuou seu flerte porque não estava disposto a esconder dela, que nada havia entre eles.
Aqueles olhares e conversas casuais eram provas mais fortes do que um beijo ou cartas poderiam ser, apenas porque os dois sabiam o que sentiam e a mais ninguém isso importava.
Mas ela meteu terceiros, ela interrompeu sem explicação, não o fez nem mesmo por um olhar.
E ele, tinha seu orgulho para em nenhum momento pedir-lhe qualquer explicação como se estivesse se arrastando por ela, como um perdedor.
Mimado?
Ela também era.
No fundo admitia que queria Yato cortejando-a sim, tal como alguns garotos faziam. Queria dispensa-lo, prolongar aquela brincadeira.
Mas ele também gostava de ser cortejado e era, e ainda que ele entendesse o tipo de garota que ela era e jamais a forçaria a ser outra, ele também não o seria e não faria qualquer movimento público sem que ela também o fizesse.
— Você não vai dizer, não é? – Yuri indagou, mesmo já mostrando que sabia que ele manteria sua boca fechada.
Ele se limitou a afagar sua cabeça e se afastar.
— Apenas esteja ao alcance da minha voz.
— Hai.
“— Apenas esteja ao alcance da minha voz.”
Ele estava armando alguma. E Touka não tinha certeza se queria saber, apenas que, perdera a oportunidade quando brigaram naquele dia, porque tinha consciência que Yato não falava sério na provocação, ele dava um outro sentido sério, o disfarçava.
Tal como quando ela ficou com aquele maldito envelope.
— Touka? Toukaaa? – Akira cantarolou batendo a taçade refrigerante na dela, ela se empertigou e o encarou como vinha evitando fazer a dias.
E acabou soltando.
— Pre-prescisamos conversar.
Akira arqueou as sobrancelhas surpreso, mas logo as franziu, preocupado, ela parecia pálida mais do que já era.
—Tá...
Touka quis se bater por fazer isso agora, mas um sentimento estranho a fazia querer ter... urgência.
Puxou-o pelo braço e não hesitou em arrasta-lo para algum lugar discreto.
— Hey, o que você tem?
— Se eu...se eu te pedir uma coisa... Promete que não vai me odiar pra sempre?
Ele a fitou agora preocupado de verdade, pousou a taça num lugar qualquer e a encarou.
— Calma, você tá branca, aconteceu alguma coisa...?
— Si-sim!
— O que?
Ela se encolheu não sabendo com confessar isso, mas respirou fundo.
Yato tinha razão, ela tinha que pensar em Akira.
Ele era seu melhor amigo, com toda aquela casualidade preguiçosa e gracinhas, ele se aproximou dela na academia, ele puxou conversa, e ele a introduziu entre os amigos que conhecia desde bebê. Ele a fez sentir que tinha um lar quando estava longe de casa, que Konoha inteira era seu lar.
E mesmo que depois disso ele a odiasse, ela se conformaria sabendo que fez certo e o merecido para ele, como ele fez para ela sem nem mesmo conhece-la.
— Eu...eu... Eu estou apaixonada.
Ele a fitou arqueando o cenho ainda mais e parecia que ia achar graça ou se gabar.
— Mas não é por você! – ela soltou e nesse momento, queria apenar chorar no colo de sua mãe e era o que faria quando saísse dali. Se conseguisse.
— Akira... Eu quero terminar.
E pronto, toda sua determinação acabou, era como se tivesse gasto todo seu chakra de uma vez, sentia-se esgotada e vulnerável.
Ela não servia mesmo pra essa coisa de relacionamentos.
Touka se encolheu no lugar e apertou os olhos como se esperasse uma bofetada.
— Puta que pariu... GRAÇAS A KAMIIIIIIII! OBRIGADA DEUSES! UHUUUUUUUUL!!!
Ela achou que já tivesse levado a bofetada e estava delirando, mas quando abriu os olhos, Akira estava realmente dançando e dando agradecimentos aos deuses.
Ela jogou a taça no chão porque a bebida deveria estar batizada com álcool.
Tinha que estar.
Porque essa noite estava errada demais!
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Sakura massageou os ombros, sentindo-se tensa, mas, infelizmente não podendo recorrer a bebida para relaxar.
Tinha plantão daqui uma hora.
Já haviam cortado o bolo e seu menino saltava novamente dentro da piscina de bolinhas ainda com a carinha um pouco suja de glacê, mas, desta vez ela o deixou ser a criança que tinha de ser.
Ergueu-se do banco e seguiu rumo ao toalet, não antes de ter Sasuke a puxando pelo pulso.
— Naruto está de procurando, vamos conversar lá em cima – ele disse.
— Ah ótima hora pra reunião.
— Nem me fale...
— Vou ao banheiro, volto já – ele assentiu e ela seguiu em frente, entrou no banheiro observou a maquiagem.
Quando saia quase tropeçou em Kuro e riu, curvando-se para afaga-lo.
— Gostando da festa, rapazinho?
Ele já se esfregava em suas pernas e de repente, exaltou-se e se ergueu de uma vez, soltando um esturro ameaçador, simplesmente disparou pela janela mais próxima.
— Kuro? Kuro?! Mocinho, volte aqui!
Ela apenas o viu sumir dobrando a rua.
— Mas que droga...?
Sakura se apressou para a saída, pegou o casaco e saiu por aquela janela mesmo, correu pela rua escura e ao dobrar a esquina, viu a figura negra correndo e atravessando o parquinho que havia ali.
— Kuro?!
Ela se apressou para lá, havia um pequeno bosque ali e Sakura se entremeou nele, um pouco atrapalhada, os saltos não eram muito indicados para o terreno e seu vestido prendia-se a todo momento nos galhos.
Ouviu Kuro esturrar em ameaça novamente, mas também, o ouviu choramingar miando baixo, machucado, e se apressou.
Ao chegar numa clareira, viu o filhote largado no chão, encolhido diante de uma figura encapuzada.
Ela ergueu os dedos em riste e traçou uma barreira entre Kuro e o estranho.
— Afaste-se dele!
Pela parede de cristal que vibrava, ela encarou a figura, sua capa era azul escuro, desgastado, Sakura se aproximou sorrateiramente mas sentiu seu sangue ferver de ódio, repugnância e indignação ao reconhecer aquele traço de chakra, aquele cheiro, as lembranças que trazia, até mesmo os pesadelos.
Ela desfez a barreira porque queria encarar aquele rosto, oh, como queria.
— Você — rosnou, sentindo seus dentes arderem na gengiva, sentindo suas costas arderem na base, sentindo seu coração sangrar de rancor.
A outra finalmente ergueu o capuz mostrando o rosto. E Sakura poderia perder o controle agora, e perdeu.
— Vejo que anda muito bem, senhora Yumi, bela e belicosa... E quem diria, solteira, não?
— É você mesma, sua cadela maldita, eu vou arrancar sua pele, e espremer seus ossos ainda viva, vagabunda infernal! – Vociferou ela, sua voz ecoou por todo aquele pedaço de mato enquanto a outra a encarava num misto de fascínio, saudade mas também, decepção.
Sakura sabia bem o que a fazia sentir saudade e isso só fazia seu sangue virar lava nas veias.
Ela destroçaria aquela mulher em tantas partes que ainda sobrariam para se espalhar pelo mundo.
— Isso mesmo, me encare, me mostre seu ódio, prostituta de Konoha.
Sakura poderia rir com o apelido, sempre soube que ela deveria chama-la assim pelas costas mesmo.
Caminhou em sua direção, ao passar por Kuro ele tentou alcança-la com a pata, mas ela já sabia que ele estava bem, apenas machucou a outra pata.
Nada a pararia agora.
Mas ela parou e estendeu a mão, fechando o punho num estralo seco e tétrico.
— Você vem até mim, pra eu arrancar esse sorriso da sua cara. – Ordenou, altiva e sanguinária.
— Isso mesmo me encare assim, é a única parte sua que quero, esta parte, estes olhos, os olhos do antigo Shinju.
Sakura girou no lugar ao perceber dezenas de presenças encherem o lugar.
— FILHA DA PUTA! – Rugiu.
E Desceu o punho com fúria contra o solo parando o ataque simultâneo que viera pra ela.
— Eu vou apenas matar todos vocês.- Cantarolou, sombria.
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— Onde ela se meteu? – Naruto resmungou.
— Tsc, vamos – os dois tomaram o caminho de volta para o andar térreo e olharam em volta, buscando Sakura.
— Hey, alguém aí viu a Sakura-chan?! – Gritou Naruto.
A festa já estava quase no fim, a maioria dos convidados já havia ido.
— Não! Não estava com voces? – disse Temari do bar. Eles negaram e Sasuke sinalizou para os ANBUS a encontrarem.
Sakura poderia detestar se tratada assim, mas ele estava pouco ligando.
— Papai, viu a mamãe? – Touka lhe indagou, ele a fitou e franziu o cenho, era impressão sua, ou o nariz dela estava avermelhado?
— Não...Onde você esteve?
— Eu...estava por aí...
— Com o moleque?
Ele achou que ela negaria veemente e resmungaria, tanto que até falou com uma dose de humor para não se irritar mais com a demora de Sakura.
Mas a jovem se encolheu mais e ele a encarou, perplexo.
— Ah, não...
Um estrondo invadiu todo o lugar, não, um tremor violento que abalou tudo.
Ele segurou a filha evitando sua queda e Naruto caiu sentado.
— Heeein?!
Pânico encheu o lugar ainda cheio de crianças.
ANBUS invadiram causando mais rebuliço mas buscando qualquer intruso.
— Yuri – Touka imediatamente procurou a voz de Yato e teve tempo apenas de vê-lo surgir no lugar onde Sesshoumaru estava, já portando Yuri em forma de shinki, entrar em sua frente como um escudo e olhar ao redor com fúria e desconfiança.
Chieko já estava perto do menino e também se manteve alerta. Tudo se acalmou por segundo e um novo estrondo eclodiu, o prédio parecia que ia desabar e todos correram para fora.
— Onde foi isso?! — Ele esbravejou.
— Sasuke! É a Sakura! – Karin gritou antes de ser arrastada pelo pai de seu filho para fora dali — No parquinho ao leste!
— Maldição! Vamos, Naruto!
— Eu também vou! – Touka anunciou.
Yato soltou a shinki e saiu rosnando na direção da janela, Yuri voltou a forma e se apressou para segui-lo.
— Proteja o Sesshoumaru e o Yukine – ele avisou.
— Eu também vou! – Yukine contrapôs entrando em sua frente. Yato desviou rugindo de volta.
— O caralho!
O garoto rugiu furioso mas foi contido por Yuri e as garotas.
— Você é o mais velho agora, Yuki!
— Yato protege vocês, e você protege Sesshou – Yuri disse, o mais calmamente possível.
Touka também saiu pela janela e logo estavam chegando ao que se tornou um campo de batalha.
A Aogiri Tree estava ali.
Dezenas! Chegavam como pássaros e assim ela entendeu como se infiltraram na aldeia.
— Sasuke! Pegue a Sakura-chan! – O nanadaime gritou, afundando três ghouls de uma vez com a força do rasengan.
Outrou estrondo foi ouvido, outra liberação massiva de chakra que ela sabia ser de Sakura Haruno.
Todos avançaram para a pequena floresta.
Sasuke derrubou tudo o que encontrou pela frente. E quando finalmente viu Sakura, ela estava cercada mas, parecia furiosa demais para se importar.
— Sakura! – gritou, ela se virou para encara-lo ainda irada mas seus olhos vermelhos se arregalaram de uma vez.
— Sasuke! Saia! – ela gritou, e tudo o que ele viu foi o chão explodindo abaixo dele, e lâminas de cristal de varias cores virem de baixo e seu corpo se encheu de cortes profundos como se fosse atingido por uma saraivada de facas.
Tudo embaçou por alguns segundos, ele sentia corpo quente e sabia que era seu sangue, o inundando.
— Sakura? – chamou, e ouviu também o berro de Touka chamando-o, seguido do de Ino também gritando por Sakura.
Ele sentia o corpo formigar e percebeu que também havia sido envenenado, forçou-se a erguer a cabeça e a visão que teve além do sangue, foi de Sakura caindo sobre os joelhos com a mão no pescoço.
Ela ofegou e caiu de lado e ele pode ver um dardo ainda em sua pele. E viu sua pele escurecer, soltar aquele pó estranho e sabia o que a havia derrubado.
Imediatamente o Susanoo se ergueu rugindo e lançou sua mão para protege-la mas, segundos antes ele a assistiu ser capturada por enormes garras negras.
Uma grande ave de penas escuras alçoou voo pelo céu escuro, levando Sakura entre suas garras.
Tanto ele quanto sua armadura berraram de ódio mas a última visão que teve foi da cabeleira dela sacudindo tal como a cauda do bonito vestido azul desaparecendo cada vez mais alto na escuridão seguida por dezenas de pássaros menores.
Eles a levaram.
Minutos depois de mais explosões de fúria,um ANBU retornou com um pergaminho largado no local onde fora capturado.
Mas Sasuke não quis saber, só queria ir atrás dela, no entanto, suas pernas e chakra estavam travados por causa do veneno.
E ele apagou, amaldiçoando como nunca antes.
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— O que diz o pergaminho?— Yuzuru perguntou, com um tom mortal.
Naruto apertou os olhos, o pergaminho na outra mão.
— Eles tem uma exigência...e também um aviso.
— Que é?
— O aviso é...que estão oficialmente declarando guerra contra a aliança shinobi inteira.
— E a exigência?
— É aí está, parece até mesmo um aviso, uma dica.
— Dica?
— Sim, Dica, eles dizem que, se quisermos ao menos ter chance de vencer esta guerra agora que eles tem uma Matriz... Devemos trazer de volta um Akuma.
— Como?
— Yuzuru, eles exigem que ressuscitemos Yasuhiko para negociar a vida de Sakura, eles o chamaram de o Akuma, o chamaram de Shinigami branco bem como ele era chamado, dizem que ele será nossa única chance, como se rissem de nós, e mais uma coisa, o chamaram de algo que eu nunca o ouvi ser chamado.
— O que?
— O chamaram de... Rei de um olho.
O silêncio do outro lado da linha deixou Naruto mais tenso ainda, ele apertou o pergaminho entre os dedos e tentou conter a própria fúria, além da fúria da besta que habitava seu interior e avisava a todo momento que os Yumi estavam escondendo muitas peças neste jogo.
Parecia que estavam mesmo.
— Naruto— A voz de Yuzuru veio firme, mas não menos sepulcral e sinistra — Convoque todas aldeias e venha até aqui, se é guerra que eles querem, é guerra que terão.
— Yuzuru, e quanto a esse pedido absurdo?!
— Eu não posso discutir nada disso por telefone, estejam aqui o mas rápido que puder tragam todos os nossos Yumis e isso inclui, nossos herdeiros também.
— Eu entendo, sei como se sente sobre isso e não posso tomar sua razão...
— Obrigada, meu amigo.
— Yuzuru...
— Sim?
— O que é o Rei de um olho?
— Sinceramente, Naruto? Eu também quero saber, e quero saber... Porque Yasuhiko está sendo ligado à esse nome, e me assusta, porque sinto que só ele poderia nos dizer, apenas ele.
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