Notas iniciais
Oi gente.

–hoho, olha quem chegou!

–é o que?! O que faz aqui?

–ué, que eu saiba estou pousando por aqui – Ken disse se jogando no amplo sofá do apartamento alugado, pos a maleta com o violino no chão e cruzou os braços atrás da cabeça.

–fala sério.

–achei que você fosse passar bem longe daqui hoje, ou acha que não te vimos seguindo um certo “passarinho”?

–ah, virão?

– mas claro, achamos que ia pousar era no ninho da rouxinol cor de rosa, hehe.

–bom, eu passei bem perto, agora sei onde é.

–agora só falta voar pra lá não é?

Ken apenas deu de ombros fitando o teto e cada giro do ventilador.

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–ohayo... Okaa-san...- Sakura riu daquela voz sonolenta e meio emburrada atrás de si, se virou e segurou o queixo dele beijando-lhe a testa.

–ohayo, meu bebe, com fome?

–hun!

–que bom, porque fiz seus bolinhos preferidos!

–yosh!

–senta aí já te sirvo- Yukine se sentou a mesa e ela foi pegar a bandeja com os bolinhos feitos ainda na noite passada. Querendo ou não seu sono era meio desregulado e chegou do hospital sentindo-se com bastante energia, fez os bolinhos e preparou o glacê para decora-los pela manhã, já tendo feito isso, pos alguns num prato e os outros separou para distribuir como sempre acabava fazendo. Tirou o avental e sentou-se a mesa começando a se servir. — pela animação já vi que vão ter aula pratica certo?

– Hun! Vamos correr!

–oh? Corrida? então já temos um campeão? – ele se encolheu corando e riu.

–não sei, tem muitos meninos que correm muito.

–ou talvez meninas?

–sei lá! – Sakura riu e pos o café para si e então ouviu a campanhia, se levantou pondo o guardanapo de lado e, foi até a porta abrindo-a, a figura que encontrou não a surpreendeu, e sorriu.

–Ken-san, ohayo, veio cedo. — Ken se desencostou do batente e acenou com a cabeça.

–madame – Ela não conseguiu deixar de achar graça de ele chama-la assim o fazia desde que naquela primeira caminhada em que se cruzaram após a inauguração da Casa das Tulipas ele notara os olhares em cima dela e só então soube quem ela realmente era, que era a discípula da sannin e viúva de um Kage.

Já faziam umas duas semanas desde aquele dia no bar, e os dois sempre acabavam se cruzando por aí, ele porque além de tocar a noite em qualquer lugar estava sempre andando pra todo lado em Konoha, dizia que era “instinto de viajante” que nunca conseguia parar realmente no lugar, e nas vezes em que se cruzavam sempre a acompanhava até em casa ou ao hospital.

Já conhecia Yukine e o garoto abusava dele querendo saber por onde passou, e obviamente, a intimidade para com a musica os juntou bastante.

Não era que Ken se submetesse a vir busca-la ou acompanhava, mas sempre se cruzavam e a conversa fluía até que ele a deixasse ou mesmo ela o fizesse.

Mas hoje era diferente, apenas porque queria dar a ele alguns dos bolinhos que fizera para ele distribuir entre os amigos que ela só via sempre a distancia também passeando por Konoha, eles sempre acenavam para ela, não faziam a mínima questão de passarem despercebidos quando ela não os via.

–cheguei cedo? Achei que o assunto fosse comida não? — Sakura revirou os olhos e deu as costas sabendo que ele a seguiria para dentro mas nunca passaria da sala ou mesmo se sentaria.

–volto logo, Yuki! Olha quem está aí – tão logo ele perdeu seu rebolado de tigresa e o garoto veio, Ken sabia que o garoto gostava dele, mas porque não havia demonstrado interesse realmente forte na mãe, ele só precisou acompanhar mãe e filho umas duas vezes na rua para ver como aqueles olhos laranja ficavam perigosos quando notavam olhares de segundas intenções ou mesmo de mera admiração masculinos sobre a mãe.

–yooo Ken!- Ele se abaixou e cumprimentou o garoto num bater de punhos amigável.

–yo, e aí grande ninja? Pegou muitos vilões esses dias? — Yukine riu coçando o cabelo espetado.

–como se desse, preso na sala e vendo matéria, haha.

–nossa, que tédio.

–hey!

–Yukine?! Ande logo se trocar! Vai se atrasar garoto! – gritou Sakura da cozinha.

–cara a voz dela é tão forte!

–pois é, mas eu ouvi que se deve temer até mesmo um peteleco dela – Yukine arregalou os olhos como se recordasse algo ficou pálido por uns momentos e então disparou para o corredor.

Ken arqueou as sobrancelhas e se levantou com as mãos nos bolso. Perguntando-se se o que ouvira falar não era real para o garoto.

Logo ela voltou sorrindo de forma amistosa e um pouco tímida até, porque mesmo Yukine não sabendo, ele continuava flertando com ela. A madame nunca se mostrou contra ou muito afim, ela apenas deixava tudo seguir.

Mas ele sabia que ela não faria nada.

Mas que também não o impediria de nada, porém, avançar nela lhe parecia simplesmente impossível.

Era uma mulher adorável, adoravelmente viúva. O tipo que todo homem queria tirar do luto, porém, não tinha coragem.

Ela não andava de negro ou em roupas puritanas, na verdade era até o contrário demais (não que ele fosse reclamar), mas ela não brindava a ninguém com mais que isso, sempre tinha alguém mais ousado e ela os ignorava e as vezes parecia não entender porque tinha toda aquela atenção. Seus sorrisos eram puros e gentis com conhecidos, mas ela já havia observado que era pavio curto, assim como tinha ouvido falar, ela era muito parecida com sua famosa mestra. A reação de Yukine conformava isso.

Conversava com fluidez, muito inteligente, mas as vezes ela custava a perceber que usava termos muito complexos quando falava de seu trabalho, por isso ele até evitava um pouco, nenhum homem gostava de se sentir menos inteligente que a mulher, não era machismo, era apenas desconfortável, e ele a estava cantando não?

Era ele que deveria impressiona-la. Ele tocava violino, mas o falecido marido dela também, por isso Yukine também o gostava. Ele tocava guitarra e o filho mais velho dela também, mas ela dizia que gostava de sua voz, muito. E ela foi ouvi-los outras vez em outros bares quando saia do hospital com tempo.

Sakura ofereceu a pequena trouxa de pano de cozinha onde ele sabia que teriam um monte de doces ou bolinhos, a mulher tinha energia. Para chegar tarde do trabalho e ainda fazer aquilo, mas o que para os outros poderia parecer um reflexo de sua boa saúde, para ele era reflexo de solidão. Não havia ninguém para acompanha-la em suas viradas de noite, ninguém para obriga-la a ir pra cama e tentar dormir, ninguém pra dizer que já estava bom e que poderia descansar.

Nenhum apoio, apenas a dependência de Yukine e do trabalho e da sociedade. Ninguém pra dividir isso com ela.

E isso a fazia tão admirável quanto qualquer outra mulher, ou mãe solteira.

Porque além disso ele sabia da história que corria pelas bocas em forma de cochichos, admiração nunca vinha sozinha, quase sempre a inveja a seguia como um parasita.

E com aquela doce e solitária viúva, não era diferente.

–aqui, — ela disse – e não coma tudo de uma vez.

–sim senhora – Sakura riu e deu as costas.

–vou pegar minha bolsa, Yukine?! está pronto?! – e assim seguiu de volta para dentro.

–já vou!- logo o menino veio ajeitando a jaqueta larga e trazendo a bolsa de lado o colar com face de leão deveria pagar a estadia de Ken e os amigos por até um ano no melhor hotel da cidade.

Sakura veio, trazendo a bolsa e alguns livros. Usava salto baixo e quadrado e um macaquinho verde água cujas costas só tinham duas alças longas se cruzando, um decote bonito e simples e as belas pernas se exibindo exuberantes. Ele nunca encontrara pernas tão bonitas quanto aquelas.

–podemos ir senhores?

–hai!

– claro madame – saíram, ganhado a rua o um caminho longo pois ela fazia questão de pegar a rota que levava até a academia para só então ir para o Hospital. Além da carteira branca Sakura levava uma bolsa grande onde ele tinha certeza que haviam mais guloseimas. Não satisfeita em fazer muitos elas os distribuía.

– você vai tocar naquele bar outra vez? – ela comentou.

–talvez? Afim de ir?

–hum, acho que não...

–atmosfera pesada não?

–é...por aí-

Ele apenas riu um pouco, o ultimo bar em que ela fora vê-lo tocar não era lá um exemplo de programa de família, na verdade se ele soubesse que tocaria lá nunca a convidaria, mas fora seu grande e meio idiota amigo baterista que achar ao lugar fizera o favor de não informa exatamente o que era.

Sakura não demonstrou seu desconforto na hora, mas também nada disse, porém, não era hipócrita mostrava isso agora, mas da forma mais delicada que podia.

Aquele não era o melhor lugar para uma viúva ou qualquer mulher que tivesse um emprego e família a zela. Só haviam não discretas prostituas e garçonetes dispostas afazer mais do que o decente por uma gorjeta a mais, não era um lugar incomum para ele. Muito ao contrario dela se sentiria intimidado se estivesse em uma festa requintada.

–você sabe, nada contra... só que... não é meu tipo de lugar.- ele quis rir daquele cuidado, como se não quisesse magoa-lo.

–eu sei, madame. – Sakura bufou um pouco ofendida.

–também não é por isso – fez muxoxo.

–eu sei, na verdade sua amiga Kasumi me procurou ela me quer lá com ela nessa semana.

–oh, jura?! Vai faturar muito huh?

–tomara – deu de ombros.- vou tocar no meio da semana de dia e nas fim, a noite.

–oh, no almoço?

–é, e vai ter rango de graça, acho que vou me tornar efetivado, o que acha? – ela gargalhou graciosamente chamando atenção.

–a decisão é sua, Viajante-san.

–ah tem isso...

–o que? – Ken olhou para o céu por um momento límpido e radiante, o vento estava se tornado mais quente como prova da mudança de estação que estava por ocorrer.

– eu sou um passarinho...- Sakura o observou longamente e olhou para o céu, mas desatou a rir de novo.

–Kami... passarinho?

–um pombo?

–porque não um corvo? Todo de preto assim...

–que preconceito!

–ah, tem razão andei um bom tempo assim... na verdade... só parei quando vim para cá.

Ela suspirou.

–e teve tempo de deixar o guarda roupa todo colorido durante uma viagem?

Sakura o fitou surpresa e ele demonstrou mais uma vez, que não a faria entrar naquele assunto, não porque não estava interessado, mas por que pura e simplesmente, respeitava-a.

E ela riu mais uma vez, fresca como uma noite de primavera, entendendo sua piada piscou faceira.

–não duvide de uma mulher, podemos fazer muita coisa aparecer, muita desaparecer, e ate mesmo...pouca.

Ken encolheu os ombros como se sentisse medo.

–oh eu sei, por isso respeito e me curvo- e assim o fez – madame. – Sakura riu agora parado em frente o hospital.

–cara, você é muito louco – meneou a cabeça divertida, e começou a subir os degraus, acenou brevemente e começou a entrar. Ela sempre dizia isso, que ele era louco, e estava começando a concordar, sempre que via aquelas pernas bonitas se distanciarem e lembrava que não tinha investido com força para poder toca-las.

Talvez seus amigos estivessem certos e ele estivesse perdendo o jeito, e ainda mais na mão de uma viuvinha. Como carinhosamente a chamava além é claro, de Rouxinol cor de rosa.

Com a trouxa embaixo do braço e as mãos nos bolsos, ele seguiu de volta para o apartamento onde tinha de pegar os instrumentos, claro que no caminho atacou o lanche lembrando que quando reencontrasse sua “trupe” eles os assaltariam sem dó.

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Podia reconhecer aquela risada a quilômetros mesmo depois de décadas, as vezes, tinha certeza, que a reconheceria até em outra vida.

Mas não reconhecia, a figura alta e negra que acompanhava suas risadas, e que tinha o prazer de ouvi-las de perto, pior, tinha o prazer e a honra de causa-las.

Uma coisa que sempre invejou em Naruto era sua capacidade de faze-la rir, de irritá-la também.

De faze-la se expressar de forma espontânea. Veja, ele não negava que apreciava sua submissão, irritava-o as vezes, mas era porque com sua mente cheia de desejos de vingança a ultima coisa em que pensava era em ter alguém fazendo suas vontades, querendo seu bem-estar.

Amando-o.

Quando julgava que todos que o amavam estavam mortos e o amor de irmão que era seu guia, fosse falso.

Ele estava enganado quanto a tudo.

E queria que seus olhos estivessem enganados sobre verem Sakura caminhando na companhia de um homem. Rindo e conversando descontraidamente. Um home no mínimo suspeito quem andaria todo de preto em plena transição de primavera para verão?

Observando-o em relação a Sakura, Sasuke poderia dizer que os dois tinham quase a mesma altura, ou talvez não, aquela mulher era malditamente pequena.

Ele estava tomando café na loja de dangos favorita de Itachi e checando uns relatórios quando ouviu um pequeno burburinho ao redor e captou a figura num verde claro e chamativo no sol da manhã.

Em total contraste com...com.. aquele lá.

Mas quem diabos era ele?

–oh saco, ele esta com ela de novo.

–huh? Do que reclama? Como se você fosse lá chamar ela pra sair.

Olhando de lado um pouco ele identificou dois rapazes que não eram nem ninjas pelos seus quase nulos níveis de chakra o Uchiha se perguntou de onde diabos aqueles moleques conheciam Sakura para acharem que podiam ousar pensar em algo tão absurdo com chama-la para sair.

Mas observando um curativo no antebraço do fedelho apaixonada ele percebeu que não era algo impossível. Bufou contra a xicara de chá e se levantou, moleques como aqueles não mereciam sua dor de cabeça.

Mas o cara de preto e rabo de cavalo dourado, era outra historia.

Seguiu para o prédio da ANBU que, obviamente por ser uma das três instituições ficava perto tanto do Hokage quanto do Hospital.

Ele geralmente não pegava o caminho que passava por lá, mas quem diabos estaria vigiando seus passos?

E mesmo que estivesse não seria para saber se ele ainda era louco pela ex mulher.

Afinal, ele era Sasuke Uchiha, ex nukenin e capitão da ANBU.

Quando entrou na rua do prédio também sentiu certe nostalgia, o tempo é claro, havia cuidado de mudar muita coisa ali, mas ainda podia voltar no tempo e lembrar das caminhadas que fazia por ali, seja pela manhã, tarde ou noite.

Quando a levava e buscava no trabalho.

Zelando o que era seu, fazendo questão que todos a vissem ao seu lado e soubessem que a tinha reivindicado mesmo antes do casamento. Era irônico como havia cuidado para respeita-la até o último minuto possível.

Esperou durante o namoro ainda que curto, esperou durante o noivado e até que estivesse com ela entre as quatro paredes do quarto de sua casa, quando levavam nos dedos prova irrefutável de sua união.

Ele ainda tinha a maldita aliança.

E ela ainda pesava quando pegava e punha sobre a palma.

Pesava seu pecado, e a prova da desistência dela.

Ergueu a cabeça dispersando aquelas lembranças.

E o viu, ele vinha no sentido contrário e sozinho fazendo-o confirmar que Sakura estava no trabalho.

Era um homem de pele clara, barba pouco espessa e um olhar tranquilo, talvez meio preguiçoso, caminhava a passo devagar sem aparentar ter grandes preocupações. A única cor a se destacar além de seu cabelo era a trouxa que levava embaixo do braço.

Por um momento seus olhares se cruzaram mas para ele, não foi mais do que uma troca casual que sempre acontecia quando se andava na rua, ele nem se dedicou a analisar Sasuke e nem percebeu que ele fazia isso.

Apenas seguiu caminho.

Sasuke voltou o olhar para o hospital, cogitou entrar e pedir uma consulta, não exatamente com Sakura, ela era Clinica Geral suas especializações eram voltadas para a medicina ninja de modo que ela poderia estar atendendo num ala completamente oposta ao serviço que ele pedisse.

Mas entrar lá logo pela manhã dando nem que fosse a mínima oportunidade de gerar fofocas estava fora de cogitação, ainda mais no hospital, onde Ino tinha esperança de voltar trabalhar com sossego.

A prova dela seria em uma semana e a mulher estava pra pôr os bofes para fora de tão ansiosa. Ela ignorava Sasuke completamente e até o forçava a estudar com ela, ele sentia-se tentado a dar-lhe uma dose de sonífero que a apagaria até o dia da prova, ou tomar-lhe todos os livros, mas, era bom, e as crianças gostavam, de ver uma Ino mais enérgica. Uma Ino viva.

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– Viu-...! Doutora! – Sakura ergueu a vista até um pouco assustada e fitou o garoto de cabelo estranho, ela não cansava de estranhas essas modas e se perguntava se aprovaria se Yato visse com uma dessas...

Não que fosse antiquada.

Mas não entendia por que um jovem iria querer parecer um pássaro exótico.

–oh, olá, — cumprimentou ele estava acompanhado daqueles gêmeos pouco faladores o rapaz tomou uma respirada tão forte que ela quase achou que estivesse passando mal. Ia perguntar amis ele a cortou.

–tem que ver o Ken!

–huh?

–Ken está passando mau doutora! Você nem imagina!

–está...? –começou um deles, mas o outro o cutucou na costela- ah está!

–como assim? Eu o vi hoje de manhã, estava ótimo...

–pois é... ele passou mal, acho que foi o almoço... ekle tá lá no apartamento se retorcendo feito uma lombriga!

– porque não o levam ao hospital?!

–e aquele teimoso deixa?! A gente estava procurando o Hideaki lembra? O grandão! O Ken não pode com ele então poderíamos arrasta-lo para o hospital.

–entendo!

– a senhora pode ir vê-lo?!

–huh?

–ver se ele precisa mesmo ir ao Hospital, aí a gente continua procurando aquele armário caso seja preciso!

–ah... eu não sei...

–tem algum compromisso? – disse um dos gêmeos.

–não é bem isso...

–ótimo! – o garoto lhe empurrou um cartão – o endereço está é bem perto! Só espero que ele não esteja morto, voltamos já! – e então correu puxando os dois homens ela ficou ali parada e confusa, balançou a cabeça e fitou o cartão, era um prédio a apenas duas quadras de onde estava, caminhou e logo estava diante dele. Uma escadaria levava as varandas de acesso as portas ela pensou que teria de perguntar qual era o apartamento mas o número estava no canto do papel. Subiu até o terceiro andar e bateu.

Não demorou muito para que a porta se abrisse e ela tivesse o vislumbre de um belo exemplar de homem sem camisa.

–v-você? – Sakura ergueu a vista e encarou Ken pela primeira vez com o cabelo solto.

–oh... você parece ótimo – ela disse tocando o queixo com surpresa.

–huh?!

–você parece bem, o garoto do cabelo verde disse que estava mau e que...- Ken deixou de arregalar os olhos e soltou uma risada anasalada meneando a cabeça. Sakura se calou e suspirou.- era mentira não é?

–como vê...

Ela se encolheu desconfortável e constrangida, levou a mão a nuca.

–nossa... isso é...nossa.

Ken observou sua reação minuciosamente tentando espantar o sono que a noite inteira cantando e o fato de ainda ter acordado cedo da manhã causou.

Ela estaca nervosa e constrangida, e isso trazia-lhe um rubor graciosos a suas maçãs delicadas.

Parecia uma menina que nunca fora cortejada da maneira certa.

Talvez não tivesse sido afinal.

–bom você já está aqui, porque não entra? – Sakura o fitou com um misto de emoções tão intenso que ele se espantou.

Sakura olhou em volta cheia de insegurança. Respirou fundo e tentou por tudo numa mesa para poder analisar corretamente, no fim, ficou até surpresa de não ter demorado muito.

Talvez porque ela já sabia a reposta para aquela pergunta.

Ela só precisava perceber que podia responde-la.

Ela só precisava perceber, que podia entrar ali, e que o que quer que viesse depois.

Não era algo com que devesse se culpa.

Ergueu e mão oferecendo a ele e demostrando que, a partir dali, ela apenas o seguiria. Essa era sua única exigência.

Ser guiada.

Ken pegou a sua mão, admirando a delicadeza e pequenez, mãos que diziam milagrosas, e principalmente destruidoras.

A puxou com gentileza para dentro e fechou a porta.

Ele a guiaria, nem que fosse uma única vez.

Notas finais
O que dizer sobre esse cap? Eita porra! Acho que isso resume.