Talvez, Apenas Um Talvez
18 Vida resumida em mentiras.
Notas iniciais
– Hey, o que aconteceu? – me pergunta Kaio, me vendo nervosa, andando de um lado para o outro
– Lembra do cara no hospital? – falo me irritando só de lembrar
– Sim, era ele?
– Era, foi ele o culpado do seu machucado!
– Mas como ele entrou? Não tinha ninguém em casa, só eu!
– Ele não me disse... Kaio... Será que tudo isso tem haver com a caixa preta que eu andava recebendo? – falo tentando entender tudo
– Será? – ele arqueia uma sobrancelha
– Já volto!
Eu subo correndo as escadas e pego a caixinha na gaveta do criado mudo, leio o bilhete e desta vez, está em português. Abro a caixa com a chave que havia no molho de chaves do meu quarto.
– Boa idéia, pai! – murmuro sozinha
Abro a caixa e encontro um link de algum site escrito em um papel minúsculo. Pego meu notbook e desço para a sala, mostro o papel para Kaio e digito o link, logo vejo que é um vídeo, vejo tudo e fico indignada com tamanha enganação.
– QUE ÓDIO! COVARDES... SÃO COVARDES! FILHOS DUMAS...
– Calma, Lúcia, me ouça! – diz Kaio – Tem um por que deles terem feito isso!
– Claro que tem! Eles queriam que minha vida fosse um inferno total!
– Me empresta o computador?! – Kaio pede e eu entrego o computador para o mesmo e vou em direção a cozinha
– Lúcia, corra aqui! – ouço Kaio gritando da sala e apareço na porta que divide a sala da cozinha – Você percebeu a descrição?
– O que tem a descrição? – falo achando aquilo uma loucura total
– É um endereço. Eu busquei na internet e dá no orfanato que buscamos Antonni!
– As vezes é por pura...
– Não é Lúcia!
– Mas por que nos fariam voltar lá novamente?
– Vamos saber! – diz ele se levantando
– Deita! Repouso total por pelo menos 15 dias, lembra?
– Que droga! – ele diz entre dentes
– Deniel vai comigo!
– E se ele não quiser?
– Eu obrigo ele!
– Vish...
– A Cristina vai conosco também e resto do pessoal fica aqui com você.
– Certeza?
– Sim, não quero mais isso, chega de segredos que são revelados aos poucos.
– Já pensou em entregar o Antonni?
– Eu não vou entregá-lo, ele é meu filho!
– Tudo bem! Só... Só toma cuidado! – ele diz preocupado
– Eu te amo! – dou um beijo rápido nele e saio de carro, faço o planejado e seguimos para o orfanato.
Eu bato na porta e a mesma mulher de dois anos atrás atende sorridente, como sempre. Ela me conduz para o antigo quarto, onde Antonni dormia, eu vasculho tudo, mas não encontro nada que possa nos ajudar.
– Lúcia... – ouço a voz de Cristina
Olho para trás e assusto com o cara esquisitão que vive atrás de Antonni, mas ele não está sozinho. Desta vez, ele está com dois brutamontes, um segurando Cristina, outro com Deniel. E logo aparece mais um segurando a senhora que abiu a porta para nós.
– Você! – eu olho com uma imensa raiva
– Querida, querida... Venha comigo!
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