Talking To The Moon
2 Talking to the Moon
Notas iniciais
A noite estava escura, apesar da lua enorme que pairava no céu, brilhante. Apenas algumas estrelas ousaram aparecer para tentar iluminar aquela imensidão negra, muitas não possuíam o brilho necessário capaz para transparecer naquele céu.
Da varanda apenas um homem encarava aquela negritude, sem saber se a admirava, ou simplesmente olhava-o sem nenhum sentimento envolvido, vez ou outra se distraia com algo trivial, mas logo voltava sua atenção para aquela lua que possuía quase a mesma cor de seus cabelos cor de prata, assim como seu nome “Gin” referia.
O que passava por sua cabeça? Boa pergunta, nem ele ao certo sabia. Desde grandes coisas, até pequenas coisas e inúteis, tudo ao mesmo tempo. Sua única companhia ali era a lua, que não se intimidava por sua presença, coisa que acontecia com muitos ao redor dele. Ou melhor quase todos.
Há quanto tempo aquela cena se repetia? De noite sonhava com ela e de madrugada acordava sem ela, então ia para a varanda, olhar aquela lua que sempre esteve presente. Que sempre o escutava, parecia até que ela o respondia.
Ele mal percebeu quando todos os seus pensamentos deixaram de ser um turbilhão para se tornarem apenas uma coisa.
Matsumoto Rangiku.
“Eu sei que você está em algum lugar lá fora
Em algum lugar longe
Eu quero você de volta
Eu quero você de volta
Meus vizinhos pensam que
Eu sou louco
Mas eles não entendem
Você é tudo que eu tenho
Você é tudo que eu tenho”
“Será que está acordada?”. O homem olhou o relógio. 1:15 da manhã. Provavelmente estava dormindo, daquele jeito delicado, o rosto encostado no travesseiro, os braços dobrados, a respiração profunda, o quarto totalmente bagunçado. Imaginava se seu quimono também estaria desarrumado, mostrando um pouco daquela pele branca e seu corpo estrutural. Ele riu ao perceber o rumo que seus pensamentos o levaram. Olhou de novo para aquela lua, cúmplice de todos os seus atos. Aquilo havia se tornado uma rotina.
“À noite, quando as estrelas
Iluminam o meu quarto
Me sento sozinho
Falando com a Lua
Tento chegar até você
Na esperança de que você esteja
No outro lado
Falando comigo também
Ou eu sou um tolo
Que fica sentado sozinho
Conversando com a lua”
“Como será que ela está?”. Cada dia que passava mais bonita, mais forte, mais atraente, mais sua. Apenas sua. Riu novamente, levantou-se da varanda e decidiu ir dormir, não que realmente dormiria, provavelmente se reviraria na cama até conseguir pegar no sono, e quando isso acontecesse sonharia com ela novamente. Só de pensar nisso desistiu de tentar, não que sonhar com ela seria ruim, é que desejaria mais e mais estar com ela, a única pessoa com quem se importava realmente. Aquela que prometeu proteger, mesmo que tenha que morrer para isso. Encostou-se na parede mais próxima, ainda perto da janela, perto da lua que ela dizia se parecer com ele.
“Você já me ouviu chamando?
Porque toda noite
Eu estou falando com a lua
Ainda tentando chegar até você
Na esperança de que você esteja
No outro lado
Falando comigo também
Ou eu sou um tolo
Que fica sentado sozinho
Conversando com a lua”
“Ela ainda me ama como disse que amava?”. Não era surpresa para ele que ambos possuíam sentimentos correspondidos um pelo outro, não era como se nunca tivessem dormido na mesma cama, dividindo o calor e o sentimento de aconchego, não é como se nunca tivessem se beijado antes... A distância, com o passar dos anos, apenas começou a aumentar, gradativamente... Companhias diferentes, ideais diferentes, objetivos diferentes... Mais ainda sentia falta dela, do seu toque, seu sorriso, seu carinho. Ah, como sentia...
“Será que está acordada?”. O relógio marcava quase duas da manhã, um horário relativamente cedo para suas noites conturbadas. “Provavelmente dormindo”. Quantas vezes já dividiram uma mesma cama? Um mesmo calor? O mesmo sentimento? Já havia perdido a conta.
O homem se levantou e saiu do quarto, começou a andar pelos corredores sem pressa, os passos lentos e arrastados, sem rumo, sem saber onde iria, apenas andava e seguia os próprios passos que pararam ao chegar em um lugar em especial.
Ele riu.
Era o quarto dela, mesmo estando sem rumo, seus passos decoraram o caminho. Quantas vezes já fora naquele quarto apenas para vê-la dormir? Apenas para saber se estava tudo bem...
Encostou a testa na porta. “Já que estou aqui...”. Bateu apenas duas vezes, se ela estivesse dormindo não acordaria, mas se estivesse acordada, abriria a porta pra ele. Intimamente, ele adoraria que a porta se abrisse.
E para sua surpresa, a porta se abriu.
Há sua frente a imagem da única mulher que importava pra ele apareceu, ainda vestia sua roupa de shinigami, linda, como sempre.
— Pensei que você estava dormindo. – A voz dele saiu baixa enquanto cruzava os braços.
— Então porque bateu na porta? – ela colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha se recostando na parede mais próxima. Ela tinha um sorriso lindo.
— Pra ter a certeza que estava dormindo! Mas já vi que está acordada.
Ela riu. E ficou encarando aquele homem a sua frente.
— Então... – Ele começou – Você não vai me convidar pra entrar? Sei lá, oferecer um cafézinho? – tinha um tom de deboche como a maioria de suas falas.
— Só tem Sakê! – Ela escondeu o riso.
— Hum... São quase duas e meia da manhã... Acho que um pouco de bebida não faz mal a ninguém! Eu vou aceitar.
A mulher deu passagem para ele entrar e logo depois que Gin entrou ela fechou a porta atrás de si.
O dia estava apenas começando.
Notas finais
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