A primeira coisa que fiz no sábado de manha foi ligar a televisão, estava deitada na cama e queria aproveitar o dia como uma pessoa normal, mas logo me arrependi. As noticias estavam falando sobre “Uma princesa e dois príncipes?”, “Divisão Real: Qual ela vai escolher?”, minha vida tinha virado fofoca para deus e o mundo, e tudo por que Hook veio atrás de mim, se ele tivesse ficado com Stephanie, nada disso teria acontecido e por mim ele pode pegar ela e voltar para a guerra, por que de agora em diante eu não queria saber dele.

– Posso entrar? – Katherine usava um robe azul e pantufas.

– Claro. – Desliguei a televisão e tentei sorrir.

– Eu não te vi na festa ontem, na verdade eu te vi e depois você sumiu. – Ela se senta ao meu lado na cama. – Parece que você já virou noticia de novo.

– Eu não quero mais essa vida para mim, eu perdi tudo. – Deito no colo dela e tento não chorar.

– Stephanie esta lá em baixo apresentando o namorado novo para o papai, talvez ela vire noticia agora. – Ela ria.

– Ela esta o que? – Aquilo soou como um choque.

– Apresentando o novo namorado ao papai. – Ela continuava rindo.

– Eu vou matar aquela vadia loira. – Sai do quarto furiosa e fui ate a sala.

Stephanie estava toda arrumada, parecia uma Barbie, mas eu acabaria com a raça dela, eu tinha somente Hook e ate isso ela tirou de mim, e eu não deixaria barato.

– Sua vadia invejosa. – Dei um tapa no rosto dela.

Todos me olhavam espantados inclusive Jake, eu queria chorar, mas estava cansada de me mostrar fraca, se a mídia queria escândalos, eu os daria, a doce Charlotte não existia mais e de agora em diante eu faria de tudo para virar noticia.

– Fique com ele e seja feliz, mas olha não se assuste de depois de transar com você, ele não tiver mais lá. – Começo a rir sarcasticamente. – E antes que eu esqueça, você esta pegando o meu lixo, que classe em princesa.

Voltei para o meu quarto, troquei de roupa e então fiquei olhando para Katherine que não entedia o que estava acontecendo.

– A onde você vai? – Ela para na minha frente impedindo que eu saísse.

– Ficar sozinha. – A empurro para o lado e vou em direção à sala.

Sai pela área de serviço levando a chave da moto do meu pai, eu não queria mais saber de regras e nem de me esconder, se ele queria aquele projeto de Barbie, que seja feliz.
Quando passei por um carro de uma emissora de televisão imaginei que eles me seguiriam, olhei pelo retrovisor da moto e tive certeza do fato.

Quando parei a moto enfrente a hípica todos me olhavam, entreguei a chave ao motorista e fui andando naturalmente, não me importava mais com as câmeras ou com as pessoas, eu queria achar Nico, queria conversar com ele. Fiquei sentada na varanda olhando ele treinar e então quando ele me viu somente acenei, depois de quase dez minutos o esperando, ele apareceu, usava botas de montaria, estava um pouco suado, mas assim mesmo era muito bonito.

– Princesa. – Ele beija a minha mão e sorri. – O que posso fazer pela senhorita hoje?

– Que tal eu e você irmos fazer compras e depois tomarmos um café? – Abro um sorriso.

– Seria um prazer ter sua companhia. – Seus olhos azuis pareciam constelações. – A senhorita gosta de cavalos?

– Adoro. – Fico um pouco vermelha.

– Venha vou lhe mostrar o meu. – Ele me puxa pela mão e então vamos conversando por um caminho de pedras.

Paramos enfrente a um estabulo onde na porta havia uma pequena placa com o nome “Luna”, e então uma égua preta apareceu.

– Esta é minha Luna, fui bicampeão do regional ao lado dela, uma das melhores éguas que eu tive. – Seus olhos brilhavam ao falar dela.

– Ela é tão linda quanto você. – Abro um pequeno sorriso e fico vermelha.

– A senhorita é muito gentil, agora vamos.

Quando ele parou o carro enfrente ao shopping, respirei fundo e sai, havia alguns fotógrafos, mas eu não liguei de andar de mãos dada com ele na frente de todos.
Andamos pelo shopping como dois adolescentes normais, mas a única diferença é que alguém sempre nos parava para cumprimentar ou tirar foto, eu havia comprado coisas novas, eu mudaria meu guarda roupa todo, seria a princesa que meu pai sempre quis, mas queria Nico ao meu lado.
Sentamos em um café e ficamos nos olhando, ele era loiro, seus olhos azuis me encantavam e era muito educado.

– Por que eu nunca lhe conheci antes? – Ele apoia a mão dele sobre a minha.

– Meu pai, foi casado com a minha mãe por uns cinco messes e então quando ele a deixou ela descobriu que estava gravida, mas sentia tanta raiva dele e não disse nada. – Começo a rir ao me lembrar da minha mãe. – Quando meu pai descobriu que eu existia, ele já estava casado, e Aurora estava gravida, eles fizeram um trato de nunca contar a ninguém sobre mim.

– E como a senhorita veio parar aqui? Como descobriram sobre você? – Ele estava serio.

– Minha mãe era do exercito, Comandante do decimo quinto batalhão, ela estava na guerra. – Deixo uma pequena lagrima cair ao me lembrar de que ela partiu e eu não me despedi. – Minha mãe morreu na guerra e meu avo estava na guerra também, e sobrou para o meu pai ter que cuidar de mim.

– Eu sei como é, meus pais foram assassinados por rebeldes, meu irmão é o atual rei, mas assim que eu completar dezoito anos eu assumo, o desejo do meu pai era que comandasse o reino. – Ele limpa minha lagrima e sorri.

– Eu não queria essa vida para mim, mas são pessoas com você, que me fazem me sentir normal novamente. – Começo a rir.

– Eu sou normal, eu faço hipismo, vou a festas, bebo e fumo. – Ele começa a rir. – E tenho uma pequena queda por princesas que são guerreiras. – Ele abre um sorriso. – Esse fim de semana irei ate Áiron visitar meu irmão e vou uma festa beneficente quer ir?

– Você vai hoje ainda? Por que hoje já é sábado e já é quase meio dia. – Começo a rir.

– Você quer me dar a sua ilustre companhia?

– Ok, vou passar em casa e fazer minha mala. – Começo a rir.

Sai de casa levando somente mochila, Nico me esperava parado ao lado do carro e fumava um cigarro, ele estava usando um sobre tudo preto, óculos escuros, e um cachecol preto, ele estava lindo.
O carro parou no aeroporto da cidade, saímos do carro e entramos direto no avião particular dele, a viagem duraria quatro horas e eu estava nervosa, era mais uma maluquice que eu estava cometendo.

Quando o avião parou eu sentia um certo nervosismo, todos esperavam para tirar foto do Príncipe Nico e mal eles imaginavam que havia alguém ele, mal eles imaginavam que era eu.
Quando sai do avião fiquei espantada com o numero de jornalistas, mas Nico me deu a mão e me fez me sentir mais calma e segura.

O carro parou enfrente a uma mansão no alto de uma colina, havia uma fonte no meio de um monstruoso jardim e eu estava com medo de conhecer o irmão dele e desse jantar.
Quando entrei na casa havia muitos quadros, um salão enorme que estava sendo decorado e então um homem alto e ruivo apareceu, abraçou Nico com força e começou a rir, mas quando se virou para mim ficou surpreso.

– Charlotte Van Heynungen, filha de Carla Del Val. – Ele sorria.

– Você conhecia minha mãe? – Olho espantada para ele.

– Fui um dos poucos que estive no casamento dela com Jordan. – Ele me abraça e se afasta. – Como sua mãe esta? Há muito tempo que não a vejo.

– Minha mãe faleceu na guerra e por isso fui morar com meu pai.

– Sua mãe morreu? – Ele ficou serio. – Eu preciso ficar sozinho.

Ele sumiu em direção a uma grande escadaria e eu não entendia por que, mas agora o que eu menos queria saber era do passado da minha mãe e do casamento dela com meu pai, falar sobre ela ainda me doía muito.

– Venha vou lhe mostrar uma coisa. – Ele me deu a mão e me puxou pelo grande salão ate uma porta de vidro.

Saímos da casa e ficamos passeando pelo jardim, eu me sentia vazia, mas tentava parecer feliz ao mesmo tempo, eu mentia sobre o que estava sentindo para Nico, mas era melhor guardar o que eu sentia, a certas cosias que só nos entendemos.

– Aquele cara da festa, o que você estava fugindo. – Ele sentou num banco e ficou me olhando. – Você gosta dele não gosta?

– Sim, mas ele preferiu minha irmã a mim. – Sento ao lado dele e apoio minha mão sobre a dele. – Estou pronta para abrir meu coração para novas opções.

Quando anoiteceu, eu estava pronta para descer para a festa, usava um vestido vermelho todo aberto nas costas e um coque muito mal feito, eu tentava me encaixar mais às vezes era difícil. Quando desci as escadas todos me olhavam, cada passo que eu dava era vigiado, era comentado, e eu sorria, sorria como uma idiota.

Depois de quase uma hora naquele lugar avisto meu pai entre a multidão e Aurora, ele estava conversando com o irmão de Nico e não parecia feliz, e então quando me avistou veio falar comigo.

– Oi pai. – Tentei sorrir.

– Que tal darmos uma volta?

– Tudo bem. – Eu o levo em direção aos jardins e sentamos em um banco.

Estávamos em silencio somente olhando as estrelas, eu não conhecia meu pai direito, eu não sabia quem ele era, mas eu sabia que eu não queria estar ali.

– Por Que você bateu na sua irmã? – Ele estava serio. – Você não esta agindo como uma princesa, esta agindo como uma plebeia.

Levanto do banco e começo a andar de um lado para o outro, eu não acredito que ele estava defendendo ela, talvez ele fosse tão cego que não conseguia ver a verdade.

– Eu não sou uma princesa, eu não quero ser uma. – Começo a chorar. – Eu quero a minha mãe de volta, o meu avo, quero minha antiga vida. – Limpo algumas lagrimas e solto meu cabelo. – Eu não sou uma princesa.

Sai correndo e fui em direção ao salão, fiquei procurando Nico e então o avistei conversando com uma menina, mas quando ele viu que estava ali e chorando veio falar comigo.

– Me tira daqui novamente, me leva para longe, o mais longe o possível. – O abraço com força.