Tales Of A Broken Heart
9 1864 - E Stefan...
Quis ter papel ali, apesar de manter a convicção de que sairia vivo daquela floresta, queria escrever uma carta para sua mãe apenas por garantia. Queria dizer o quanto a amava, e agradece-la por amá-lo de volta, queria explicar as razões por trás de sua ideia, contar mais uma vez sobre o tanto de amor que nutria por Rebecca, mas, não havia tempo para isso.
A neve continuava a molhar a cidade, parecendo tão sensível, mas, tão voraz em seu objetivo de congelar as pessoas. Logo que ele se aproximou da entrada da floresta negra, o cavalo que andava se agitou, por isso decidiu ir a pé, caminhando tinha chances maiores de entrar em lugares estreitos e se esconder do quer que estivesse lá.
Tinha o coração acelerado, a respiração ofegante, as mãos trêmulas enquanto tentava andar em passos silenciosos. Por descuido pisou em um galho e nesse mesmo momento ouviu um uivo que o fez ficar um pouco estático. Por Rebecca enfim continuou.
Segurou no tronco de uma árvore úmida para ultrapassar algumas pernas, e sentiu uma grande lufada de ar frio lhe atingir, logo que uma tempestade em grande volume começou a desabar.
Andou mais um pouco, assustado por suas pernas começarem a congelar, mas, se mantendo firme. Ouviu passos e se virou aturdido. O que mais o desesperou foi saber que Rebecca passou por todo aquele pavor.
Acelerou um pouco e se infiltrou em meio a algumas grandes arvores, tentando fugir de quem parecia o seguir. Seus olhos se arregalaram quando em um tronco de uma árvore encontrou algo molhado que não era água; Era sangue.
Se afastou rapidamente e tentou não problematizar muito isso enquanto continuava, foi então que ouviu um grito. Seu coração quase saiu de seu peito, quando ele supôs que viesse de Rebecca. Não se preocupou com mais nada; Frio, sangue, dor, tudo o que fez foi correr na direção que o som alto veio.
Tropeçou algumas vezes no caminho, sujou-se de lama, conseguiu alguns cortes no rosto, mas, não se preocupou, só queria chegar lá. Estava quase ofegante quando encontrou uma clareira escura no meio da mata, mas, parecia um pântano com plantas estranhas. Girou os calcanhares, em busca de algo nas redondezas, em busca de alguém.
—REBECCA. — finalmente gritou, desesperado por ela. Começou a chorar. — EU ESTOU AQUI. EU VIM POR VOCÊ. — gritou ainda mais, a ponto de soluçar. — POR FAVOR VENHA ATÉ MIM. — pediu agoniado.
—O amor é estranho. — quando escutou aquela voz atrás de si mal pôde acreditar que aquilo era real. Se virou aos poucos e encarou a imagem da mulher vestida em trajes escuros que lhe encarava com aparente decepção. — Você sabia que vir era morte certa, no fundo você sabia, mas, ainda sim resolveu arriscar-se por ela. Tão tolo, eu tentei te salvar, Stefan. Eu não queria fazer o que eu tinha que fazer. — Marie saiu do breu que se escondia e se aproximou dele de modo calmo.
—Você é o que acaba com as pessoas quem vem aqui? Onde está Rebecca? — não ousou se aproximar, ainda estava surpreso com o que vira.
—Não. Eu não sou o que eles temem. Mas, o que eles temem não me matará...Quanto a Rebecca, isso é outra história. — olhou para ele com desdém, coberta por a capa preta de veludo.
—E onde está o que eles temem? Por que não vem me matar? — a desafia com um deboche afiado. Marie ergue o rosto.
—Porque não é missão dele. — lhe conta como se fosse um segredo. — É uma pena, o final da história poderia ser diferente, você poderia conseguir tantas coisas além de Rebecca, talvez eu até as desse a você, mas, preferiu insistir em um amor que não resultará em nada além de dor. — continuou seu discurso, chegando perto dele lentamente. — Você é tão magnético, Stefan...Entendo porque ela te amava. — ousou tocar no rosto dele de modo delicado e por estar chocado ele não soube como reagir. — Eu cheguei a achar que te amava também, mas, há tantas coisas que eu quero mais que o amor. — agora os olhos dela estavam marejados. —Eu sinto muito, Stefan. — começou a chorar ao dizer isso.
—Pelo o que? — não deveria ter feito a pergunta, pois a resposta era sôfrega demais. Em questão de segundos sentiu uma lâmina afiada atingir seu coração. Ofegou enquanto sangue escapava de sua boca. April ainda segurava a espada que escondeu através de sua capa, atravessando o corpo dele. Ela quase soluçava enquanto ele encostava sua cabeça no ombro dela. — Voc-ê... — não conseguiu nem terminar. Os dois caíram de joelho, com ela servindo de apoio para ele.
—Eu sei. Eu acabo de te apunhalar, eu sinto tanto, mas, Henrik queria que eu fizesse isso. Eu preciso disso para ter o que quero. — chorava, enquanto sentia o coração dele desacelerar aos poucos. Não podia se dar ao luxo de sentir culpa. Não podia dar-se o luxo de hesitar.
—S-e...E-l-a esti-v-e-r v-iva, di-ga que eu a a-a-mo. — aquela foram as últimas palavras que Stefan Brendon pronunciou. Marie fechou os olhos com ele em seus braços, e quando sentiu o coração parar os abriu.
A sua volta todos os capachos de Henrik esperavam as ordens dela. Precisava mostrar gora que podia arcar com sua decisão.
Largou o corpo de Stefan no chão quando se recompôs, e enxugou as lágrimas.
—Espalhem a noticia na cidade de que Stefan Brendon foi morto por caçadores, ele entrou em uma briga com eles, estava bêbado e não aguentou. — instruiu, limpando as mãos sujas de sangue na saia de seu vestido.
—Mais algumas coisa, senhorita? — o mais corajoso entre eles indagou. Marie lembrou das ordens de Henrik e suspirou olhando a sua volta.
—Queimem a mansão dos Brendon quando todos eles estiverem dentro. — alguns dos homens arregalaram os olhos. Ela não se deu ao trabalho de parecer culpada.— A linhagem Brendon acaba hoje, junto com Stefan...A partir desse momento, os Carter são os reis de New Town. — de forma lenta todos assentiram, e a deixaram sozinha na escuridão.

April olhou para o corpo de Stefan e colocou a mão em sua boca para abafar o choro. Ele que falava tanto de corações partidos teve o seu partido literalmente.
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