Tales

32 XXVIII - O pequeno Gale


Mais um mês se passou. Juvia e Gray estavam cumprindo o aviso prévio na Tales antes de finalmente se demitirem. Juvia iria apenas ficar esperando seu diploma e a empresa Lockser ter sua sede passada para Magnólia, Gray estava super atarefado com muitos contratos novos e surpreendentemente estavam ligando muito para ele oferecendo casos para ele defender, ele recusava todos, o trabalho que estava tendo antes de sair da Tales já era suficientemente pesado. Silver ficava em casa, arrumava, limpava, saía para fazer as compras e caminhar de vez em quando, mas estava cansado de ser “inútil”, queria trabalhar também.

Saindo um pouco da vida dos moradores do apartamento de Gray, Levy estava com nove meses, um barrigão enorme e um bebê que iria sair a qualquer momento. Gajeel estava preocupado em deixá-la sozinha, ainda mais com seus desejos absurdos, como comer arroz queimado com mel, por isso Lucy estava ficando com a amiga grávida durante a tarde.

Lucy adorava Levy, já se sentia a tia da criança que ia nascer e estava muito feliz por Gajeel e Levy, mas ficar ali era muito difícil para ela. O sonho de Lucy sempre foi ter um bebê, dar a luz a uma criança e poder cuidar dela do jeito que sua mãe cuidara de si antes de morrer, ver a amiga grávida todos os dias estava a deixando louca, ela vinha chorando todas as tardes quando voltava depois de Gajeel chegar e ela poder ir para casa, limpava o rosto ainda dentro do carro chorava de novo, se sentindo a mais egoísta das pessoas, sua amiga estava precisando dela enquanto isso Lucy não conseguia parar de pensar em como queria aquilo pra si, mas nunca poderia ter.

Estaria ela com inveja de Levy? Talvez. Lucy chorou mais, queria poder ajudar Levy sem ter pena de si mesma, como ela poderia encarar Natsu e Wendy, sua filha, com aquela cara de choro recente e por aquele motivo?! Lucy limpava o rosto novamente, ainda dentro do carro. Saiu do veículo e entrou em casa, Wendy ainda estava no colégio e Natsu ainda estava no trabalho. Resolveu tomar um banho e escrever.

No dia seguinte, uma terça-feira de junho, Lucy estava pegando cereal com calda de chocolate e mel que Levy havia pedido quando ouviu o grito da amiga e foi ver o que tinha acontecido.

— Lu-chan! — Havia um líquido escorrendo pelas pernas de Levy — A bolsa estourou! — Seus olhos estavam arregalados.

Lucy correu para o telefone e ligou para Gajeel enquanto levava Levy para dentro de seu carro para leva-la ao hospital, Gajeel ia direto para lá assinar os documentos e preparar a equipe para a chegada da grávida. Lucy levou Levy para o hospital dirigindo rápido como uma bala.

— Lu-chan? Porque está chorando? — Levy perguntou quando estavam colocando-a em uma cadeira de rodas para levá-la para dentro do hospital.

— Estou emocionada por você, Levy-chan! — Lucy respondeu sorrindo porém aquela não era toda a verdade, chorava mais por si do que por Levy

Levy sorriu para ela antes de ser levada e encontrar com Gajeel entrando na sala onde iam esperar que sua entrada estivesse dilatada o suficiente para o bebê nascer. Os amigos estavam a caminho para comemorar depois do parto o nascimento do mais novo bebê da turma.

— Juvia? — Lucy se viu ligando para a amiga — Eu preciso muito conversar, sei que hoje é o dia da Levy e não quero estragar isso, mas estou quebrando, preciso muito conversar com alguém!

Estou indo para o hospital, assim que eu chegar nós conversamos. — Juvia ficou um pouco preocupada com Lucy.

— Ok! — Lucy sorriu ainda chorando.

Lucy se sentia a pior pessoa do mundo, mas precisava conversar com alguém sobre aquilo.

— Lucy! — Juvia a chamou. — Vem! — Juvia puxou a amiga para fora da sala de espera do hospital e a levou arrastada para fora até a pracinha do jardim do hospital. — Pode falar Lucy — Juvia a incentivou.

— Juvia... — Lucy explicou o que estava sentindo para Juvia — Eu sou muito ruim, que tipo de amiga sou eu? Eu devia estar feliz pela Levy-chan e eu estou, mas parece que minha inveja é maior que eu, não consigo não pensar em o quanto eu também queria estar vivendo isso! — Lucy chorou alto. — O que eu faço Juvia?

— Está tudo bem Lucy, você não é a pior pessoa do mundo, não se sinta mal por se sentir assim, mas pare de sentir pena de si mesma, encare a realidade! O bebê de Levy vai nascer e você vai ser titia, assim como eu, e você vai ficar muito feliz por isso!

Lucy estava parando de chorar, mas ainda soluçava um pouco. Juvia a abraçou.

— Infelizmente não vai ser o seu bebê que você tanto sonhou a vida toda que vai nascer, mas talvez você ainda tenha alguma chance Lucy! Eu mesma já vi casos de mulheres com endometriose que tiveram filhos, talvez seja mais difícil pra você por causa dessa condição, mas se ser mãe é seu sonho talvez valha a pena investir em várias tentativas com o Natsu e até mesmo em inseminação artificial se não der certo, não chore, não sinta pena de si mesma, corra atrás e se nada disso der certo você sabe que tem o Natsu para te apoiar e também tem a Wendy, ela pode não ter saído de dentro de você, mas sei que você a ama como se ela tivesse! — Juvia sorriu para Lucy e a soltou. — Vamos para dentro? Vamos ver o Gale nascer?

— Vamos sim!

Lucy limpou o rosto. No final tudo que precisava era aquilo, uma conversa com uma amiga que não fosse julga-la pelo que estava sentindo e a colocaria para cima de novo. Lucy pensou no que Juvia falou, talvez inseminação artificial fosse uma saída.

— Olá, somos amigas do casal Redfox, gostaríamos de saber como está o parto da Levy? — Juvia pediu informações no balcão.

— O parto já acabou, nunca vi um parto tão rápido! — A enfermeira falou.

Lucy e Juvia se entreolharam.

— Mas ficamos só vinte minutos lá fora! — Lucy exclamou

E as duas saíram correndo pelo corredor do hospital até entrarem no quarto onde Levy estava. Natsu, Gray e Jellal estavam lá comentando sobre o bebê, Erza estava cutucando a bochecha do pequeno menino e Gajeel fazia carinho nos cabelos suados de Levy enquanto esta sorria lindamente para o bebê. As duas abriram a porta e entraram.

— Onde estavam? — Gray perguntou.

— Vocês demoraram meninas! — Natsu comentou sorrindo.

Juvia e Lucy logo deram os parabéns para Levy e Gajeel, depois Juvia foi tietar o bebê junto com Erza enquanto Lucy deu as mãos com Natsu enquanto observava o pequeno Gale rir enquanto era cutucado pelas tias. Lucy riu e decidiu-se mentalmente, porém deixou o pensamento sair em voz alta.

— O que tiver que ser será! — E apertou a mão de Natsu que lhe sorriu sem saber do que ela falava.

O bebê de Levy e Gajeel era lindo tinha os olhos chocolates da mãe e ralos cabelos pretos como os do pai e aquela cara que todo bebê tem. Lucy chegou mais perto do bebê e Levy a incentivou a pegá-lo no colo. Gale era gordinho, muito bonitinho e Lucy ficou feliz ao pegar nele, estava feliz pela melhor amiga e seu primeiro bebê. Olhou aquela coisinha nos seus braços, balançou lentamente o bebê e ele pareceu gostar de ficar ali, Levy sorriu para ela e Lucy sentiu toda aquela “inveja” deixa-la, estava orgulhosa de ser tia do bebê. Gale parecia ter sentido isso porque sorriu lindamente para ela.

— Lucy — Levy chamou sua atenção — Quero que seja a madrinha dele, você aceita? — Levy pediu rindo.

— Claro que aceito ser a madrinha desse bebê lindo!

Felizes, todos os amigos deixaram o hospital, só a família Redfox continuou lá.

Antes do pequeno Gale nascer algumas coisas tinham acontecido, essas coisas incluíam um golpe na empresa de Igneel, a chegada do irmão de Natsu e Igneel voltando da casa de praia, a demissão sem justa causa de Gray e o pedido de demissão de Juvia também. Como tudo isso aconteceu em um mês? Ninguém realmente tinha entendido.