Tales
30 XXVI - Julgamento
Notas iniciais
Juvia acordou com batidas na porta. Levantou-se e não viu Gray, ele devia ter saído sem as chaves. Saiu da cama lembrando de por de volta o sutiã e a calcinha e colocando de volta também a enorme camisa de banda com a qual havia dormido.
— Gray-sama, esqueceu as ch — Ela dizia feliz enquanto abria a porta até se deparar com Bora. — Bora?! — Juvia pensou em bater a porta na cara dele, mas lembrou-se do plano, deu um pulo pra trás deixando a porta aberta. — O-O que você faz aqui?!
— Eu já disse que vim buscar você!
— Você não tem esse direito! Você me enganou, me fez assinar papéis que eu não sabia o que continham para poder tomar a empresa!
— Sim, todos nós já sabemos que eu fiz isso e não me arrependo! Mas vamos logo antes que aquele seu amante volte da padaria!
— Eu não vou com você! Bora, você já tem minha empresa o que mais você quer?!
— Quero a aprovação do conselho, só consigo isso quando você está lá então você vai vir! — Bora chegou mais perto, Juvia recuou — Pare de ser arredia! Porque você está fugindo sua vadia?!
— Cala a boca! — Juvia gritou.
— Não me resta outra opção então... — Bora puxou um canivete e Juvia gritou em pânico. — Anda logo!
— Não! — Juvia tentou fugir, mas Bora alcançou a mulher e a agarrou pelo braço com força.
— Sabe... Acho que estou com saudade do seu corpo... Quando foi a última vez? — Juvia tremeu, seu coração batia rápido tinha que se salvar, mas Bora era mais forte que ela, sua visão ficou um pouco turva, estava chorando. — Ah... Parece que ainda lembra das últimas vezes! — Bora rasgou a blusa de Juvia usando o canivete.
— Não! — Juvia gritou em horror, seu corpo todo estremecia e suas lágrimas estavam mais grossas.
— Não faça isso... Você sabe que eu gosto quando grita assim dizendo “não”... A melhor coisa é pegar você quando está assim, cheia de medo! — Bora riu.
— Não vai me estuprar de novo seu maldito! — Juvia tentou bater no homem, mas ele segurou suas mãos e sentou em cima de suas pernas.
— Já fiz isso duas vezes, por que não fazer mais uma?!
— Porque eu não vou deixar! — Gray gritou arrancando o homem de cima de Juvia que suspirou aliviada soltando o ar que tinha prendido sem perceber. Os pães estavam no chão— Quem você acha que é pra invadir a minha casa e tentar pegar minha Juvia a força desse jeito?! — Gray estava muito nervoso.
— Gray-sama, cuidado ele tem um canivete! — Juvia avisou enquanto tentava se cobrir com o resto de sua camiseta.
Gray tirou o canivete das mãos do homem sem muito problema com a resistência que ele lhe ofereceu.
— Juvia, chama a polícia e vista alguma coisa... Vou segurar esse bastardo, tomara que a polícia chegue logo porque eu não sei se eu aguento olhar pra essa escória sem quebrar a cara dele por muito mais tempo!
— Sim! — Juvia falou enquanto entrava para o quarto de Gray, usou o celular para chamar a polícia e vestiu-se com uma calça de moletom e uma camisa bastante fechada, ela ainda chorava um pouco, agia apenas no automático.
A polícia não demorou para chegar, Gray explicou a situação enquanto Juvia ainda chorava um pouco com as mãos no rosto. A polícia levou Bora e Gray avisou que iria apenas tomar café com Juvia e iria com a mulher para a delegacia prestar queixa da tentativa de estupro feita por Bora.
— Juvia, você está bem? — Gray tirou o cabelo da frente do rosto da mulher, ele estava ajoelhado olhando carinhosamente para ela.
— Obrigada Gray-sama! — Ela se jogou em cima do namorado — Se você não tivesse chegado eu nem sei o que poderia ter acontecido comigo! — Ela soluçou.
Gray levantou-se colocando a mulher de pé também, porém continuavam abraçados.
— Ainda bem que nada aconteceu dessa vez... — Gray falou — Está tudo bem viu? Você vai ficar bem, vamos nos livrar desse homem hoje, eu prometo! — Juvia o olhou sorrindo e deu-lhe um beijo curto.
— Obrigada... — Ela falou.
— Vá lavar o rosto, temos que comer para ir para a delegacia depois...
— Ok...
Os dois comeram um biscoito um pouco velho já que os pães estavam todos no chão e tomaram uma jarra de suco de laranja juntos antes de saírem para a delegacia. Lá eles fizeram o que tinham que fazer, o julgamento de Bora seria dali a um mês.
Mais tarde naquele dia...
— Gray-sama!
— Que foi?
— Eu tentei ligar para o Albert-san muitas vezes, mas a ligação não completa! O que será que aconteceu com ele?! — Juvia estava preocupada.
— Tenho certeza que ele deve estar bem! Daqui a pouco a Meredy vai estar aqui...
— Tem razão... Vou perguntar para ela se ela sabe do Albert-san!
“Mas eu não disse nada disso... Bem, tudo bem...” Gray riu consigo mesmo.
Meredy não demorou para chegar na casa de Gray junto com Lyon.
— Você está bem? — Meredy correu até a amiga segurando suas mãos.
— Estou melhor agora, graças ao Gray-sama o pior não aconteceu então... Estou bem! — Juvia sorriu e a amiga a abraçou.
As duas passaram a conversar mais um pouco, Lyon e Gray ficaram ali se encarando num silêncio que nenhum dos dois quebrou.
Um mês depois...
Hoje era o dia do julgamento de Bora. Depois de um mês de muitas visitas preocupadas para a Juvia e muito estudo de caso pra Gray finalmente aquele dia chegara. Acordaram e tomaram café juntos. Juvia vestiu uma blusa de malha preta com mangas e pescoço coberto, por cima colocou uma jaqueta de couro, vestia também uma calça jeans e botas de cano baixo e sem salto. Gray colocou um terno preto sem riscas e uma gravata azul escura, deram um pequeno beijo e saíram de casa.
Gajeel, Levy, Meredy, Lyon, Lucy, Natsu, Jellal, Erza e outros dos amigos do casal estavam ali para apoiar Juvia. Ela agradeceu mentalmente a todos os amigos. Depois de muitas perguntas, respostas, acusações tentativas de defesa e finalmente a prova final que Gray tinha contra Bora, o vídeo onde ele confessava ter enganado Juvia além de tentar estupra-la, ser mostrado o juiz finalmente deu o veredito, como muitos já esperavam, Gray venceu o caso. O casamento de Juvia e Bora foi anulado, o acordo que dava a empresa para Bora foi anulado, e finalmente Juvia poderia deixar o capítulo “Bora” para trás em sua vida.
A universidade na qual Juvia fez sua graduação foi obrigada a lhe enviar um novo diploma, mas isso só chegaria daí a alguns meses, o que realmente estavam pensando naquele momento era em como iriam comemorar.
Juvia e Gray saíram com os amigos para comemorar em um restaurante bastante acolhedor, beberam e comeram, falaram alto e festejaram, em algum momento Natsu levantou Juvia e a jogou no ar festejando sua “libertação” junto com todos, rindo ela foi segurada por Gray que ficou com medo da mulher cair no chão.
— Eu ia pegá-la, gelinho! — Natsu falou.
— E você acha que eu confio em você, piromaníaco?!
— Como é stripper? — E os dois já estavam batendo testas.
— Como é bom voltar aos velhos tempos — Erza comentou entes de gritar — Ei vocês dois!
Natsu e Gray estremeceram e sentaram-se em seus lugares. Todos continuaram festejando até que já era muito tarde e o gerente veio falar que tinham que ir porque já estava na hora de fechar o restaurante.
Juvia e Gray entraram no carro juntos, dessa vez ela não ligou o som do carro, como faria normalmente, Gray estranhou, mas resolveu deixar por isso mesmo e começou a dirigir.
— Gray-sama você é meu herói! — Juvia falou feliz em algum ponto do caminho.
— Sou só um advogado, Juvia, não podia perder o seu caso né?! — Ele riu
— É verdade, mas mesmo assim acho que você merece uma recompensa... — O tom de voz que a mulher usou evidenciava que tipo de recompensa ela estava pensando em dar a ele, mas ele perguntou:
— Que tipo de recompensa você tem em mente? — Sorriu, já estava perto do apartamento dos dois.
— Não sei... O que você acha de ganhar uma dança sensual?
— Eu adoraria...
— É?... E se eu te disser que também preparei calda de chocolate para lambuzar você?
— Só se você for lamber tudinho depois... — Gray estacionou o carro.
— Essa é a intenção Gray-sama! — Juvia desceu do carro e foi andando na frente, Gray vinha logo atrás prestando bastante atenção no rebolar dos quadris da namorada.
Juvia estava andando apressada na frente, por baixo da roupa na qual estava vestida tinha uma lingerie preta muito bonita e ela tinha certeza que Gray iria amar arrancá-la dela. Abriu a porta e se deparou com cupcakes em cima do balcão da cozinha e sua calda de chocolate parecia estar em cima deles, mas não tinha sido ela quem fizera os bolinhos.
— Juvia — Gray falou com uma voz rouca no ouvido da mulher, estava ansioso para o que fariam ali.
— G-Gray-sama? Você usou minha calda para fazer bolinhos?
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