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26 XXII - Natsu, o intrometido


Notas iniciais
Desculpem o atraso amiguinhos de mi vida, estou ocupada então boa leitura e até o próximo! o/

Pouco tempo depois...

— Hoje é o dia do evento do Jellal, certo? — Gray perguntou durante o café da manhã sem disfarçar o olhar não muito decoroso que lançou à mulher.

Fato era que ultimamente tudo que ele queria era ter Juvia em seus braços novamente, não apenas de forma carnal, não queria apenas o sexo, queria também dormir abraçado a ela depois do que fariam de noite e acordar ao lado dela todos os dias, esse plano parecia perfeito para o homem de cabelos pretos.

— Na verdade é amanhã, Gray-sama — Juvia bebericou o chá que tinha em mãos.

— Ah é mesmo hoje ainda é sexta... — Ele comentou.

— Sim... Gray-sama eu vou sair para correr durante um tempinho, quer que eu traga alguma coisa do mercado? Eu posso passar lá se tiver faltando algo.

— Acho que não tem nada faltando não...

— Ah então tudo bem até mais... — E então ela saiu.

Gray se espreguiçou e lavou a louça, passou pano no chão da casa toda e foi tomar um banho, quando, depois de se vestir, foi fazer um bolo percebeu que não tinha ovos e resolveu ir ao mercado.

Juvia chegou não muito tempo depois que ele saiu, subiu as escadas e foi tomar banho, quando terminou o banho resolveu que faria um “dia de garota” sozinha. Passaria creme, cuidaria de sua pele, depilaria as pernas com a cera que tinha, quem sabe até se maquiaria e depois sairia para visitar Levy e Gajeel?

Ia se trancar no quarto quando, ainda de toalhas ouviu o interfone tocar e foi logo atender.

Olá... É que aquele senhor estranho de cabelos rosas está aqui na... — O interfone obviamente fora tirado das mãos de Felipe-san — Oi, é o Natsu, posso subir? Quero conversar seriamente com você Gray!

Pode subir, Natsu-san, vou deixar a porta aberta... O Gray-sama não deve demorar

Obrigado, Juvia!

Então a mulher destrancou a porta e foi logo para dentro de seu quarto se trancando lá dentro.

—Juvia? — Natsu a procurou quando entrou no apartamento.

— Estou no meu quarto, Natsu-san, desculpe não poder fazer sala pra você, estou fazendo algumas coisas de mulher, vai demorar, até lá o Gray-sama já chegou... Desculpe

— Tudo bem — Ele falou com um pouco de felicidade na voz.

Natsu viu naquilo uma oportunidade. Desde que Gray falara sobre “aquela noite” que teve com Juvia, Natsu perguntava para Gray todos os dias como estava o relacionamento dos dois e ele vinha falando com Natsu o quanto ele queria ter coragem de confessar-se para a mulher (Natsu francamente achava ridículo Gray não ter coragem de se confessar para uma mulher que já sabia que o corresponderia), o quanto Juvia era bonita ou quanta vontade ele tinha de ficar com ela como Natsu e Lucy eram um com o outro (O que Natsu achava fofo no começo por ver o grande pegador Gray Fullbuster finalmente apaixonado, mas já estava cansativo depois de duas semanas ouvindo aquilo).

Essa era a melhor oportunidade para fazer Gray se confessar sem falar com ela diretamente. Natsu começaria a conversa e deixaria Gray falar aquele monte de coisas sobre ela, Juvia com certeza iria ouvir, então ela diria que quer a mesma coisa que ele e os dois seriam felizes para sempre!

Gray não demorou a entrar pela porta de seu apartamento se deparando com Natsu sentado no sofá de frente ao corredor.

— Oi! — Natsu sorriu.

— Como entrou aqui? — Gray falou um pouco espantado.

— A porta estava aberta, apenas entrei! — Ele respondeu.

Gray tinha certeza que havia trancado a porta antes de sair... Mas sabia que Natsu não arrombaria sua porta e não via Juvia, por isso engoliu a história.

— E o que veio fazer aqui? — Gray perguntou colocando as sacolas de compra em cima do balcão.

— Só conversar...

— Então converse, oras! — Gray se sentou no outro sofá de frente para Natsu.

— E a quantas anda... — Foi cortado por Gray.

Gray já estava cansado de Natsu perguntar todos os dias a mesma coisa com a mesma frase “E a quantas anda seu relacionamento com a Juvia?”, resolveu responder antes dele terminar a pergunta.

— Não existe... Eu já disse, eu ainda não falei com ela. — Juvia em seu quarto passava o creme que levava seu nome no corpo sentada no chão, mas encostou a orelha na porta para ouvir melhor — Sei que você acha ridículo eu ainda não ter falado “Olha Juvia eu queria muito ficar com você. Tipo pra sempre mesmo!” já que ela mesma já falou que gostava de mim tempos atrás, mas não funciona assim!

— E por que não, Gray? Você gosta dela não gosta?

— Gosto.

— Você está apaixonado por essa mulher não está?

— Sim, eu estou — Gray não entendia qual era o objetivo de Natsu com aquilo.

— Porque não se confessar logo?

— Não é assim tão simples, Natsu! — Gray já estava ficando um pouco bravo com a insistência de Natsu naquele assunto.

De repente ele sentiu vindo do corredor o cheiro inebriante e tão característico de Juvia. Seus olhos se arregalaram sabendo que ela havia ouvido tudo, olhou para Natsu mais ele não parecia surpreso, tinha um sorriso no rosto, como se fossem crianças de novo e o rapaz de cabelos pretos estivesse vendo Natsu depois de ele ter uma ideia infalível (que sempre falhava) para juntar seus pais novamente depois que Igneel e Hilda haviam se separado, sentiu a raiva subir a cabeça e teve certeza da verdade: Natsu sempre soube que ela estava ali e acabara de tentar juntar os dois.

— Natsu! Fora daqui, agora! — Gray disse com os olhos fechados, como seu pai fazia com ele depois de seus “planos de cupido”.

— Gray, eu estava tentando... — Natsu se pôs de pé para falar, mas foi interrompido.

— Fora daqui! — Gray gritou e Natsu engoliu em seco, sabia quando deixava Gray bravo e ele parecia furioso.

— Certo, estou indo... — Natsu falou dando uma olhada em Juvia antes de sair.

Natsu caminhou até a garagem e entrou no carro começando já a dirigir sem entender bulhufas. Por que diabos uma mulher que gosta de um cara faria aquela cara tão indecifrável depois de saber que o cara que ela gosta também gosta dela? “Que gente mais complicada! Só queria ajudar... Seja o que Deus quiser agora!” Natsu pensou no caminho para casa.

O cheiro ainda estava ali, não realmente ele não delirara... Ela estava ali o tempo todo, havia escutado o que ele falara e estava em silêncio. Gray nunca pensou que o silêncio pudesse ser tão torturante.

— Gray-sama — Ela finalmente se pronunciara — Isso foi algum tipo de brincadeira com o Natsu-san?

— Não. — Gray respondeu, mas não teve coragem de virar e olha-la, não depois de ouvir seu tom de voz.

— Não foi uma brincadeira? — Ela perguntou como se fosse melhor ele voltar atrás em sua resposta. — Olhe pra mim enquanto fala! — Ela gritou a última frase.

Muitas coisas passaram na cabeça de Gray quando ele sentiu o cheiro da mulher e percebeu sua presença: ódio e vontade de matar Natsu, angústia, arrependimento, vontade de voltar no tempo, medo de não ser aceito, medo de vê-la chorar, medo de perdê-la, alívio... Muitas coisas... Mas depois de ouvi-la gritar ele resolveu chutar o balde, se Natsu já o jogara na chuva quem era ele para não terminar de se molhar?

Gray levantou-se e ficou de frente para a mulher

— Não! Não foi uma brincadeira! — Ele afirmou olhando-a nos olhos profundamente.

— Eu não acredito! — Juvia gritou novamente.

Gray segurou as duas mãos de Juvia juntas enquanto pensava no que dizer, precisava falar agora.

— Não vou lutar contra o que eu sinto! Eu gosto de você, Juvia você entrou na minha vida e mudou tudo, os dias passaram a ter um propósito, a vida ganhou um sentido novo, se antes eu vivia por viver agora... Agora eu consigo viver por que eu gosto de viver de novo... Você... Você cuidou de mim quando ninguém mais queria cuidar e me fez ver o quanto eu estava sendo egoísta por estar deixando de viver minha vida ao lado das pessoas que me amam por causa de um trauma — Ele foi interrompido.

— Isso é apenas gratidão, não é amor, não me venha com essa de achar que me ama por ter gratidão por algo que eu apenas te ajudei a fazer! — Ela tentou se soltar, mas Gray continuou a segurá-la.

— Mas não é só isso... Eu também amo suas curvas, seu cheiro, seu cabelo, seu rosto... — Foi interrompido novamente, o que o deixou bastante bravo.

— Isso é só atração física ou desejo sexual, nada mais! Isso não é amor! — Ela falou tentando convencer a si mesma e a ele com suas palavras.

— Ta bom senhorita “isso não é amor”, então você pode fazer o favor de me explicar que porcaria de sentimento é esse no meu peito? Você consegue me explicar porque diabos toda vez que eu olho pro seu sorriso eu sinto vontade de sorrir também, ou porque quando você está triste tudo o que eu queria era poder ficar com sua tristeza pra mim só pra poder ver você sorrindo de novo, ou porque eu faço café da manhã todo dia só pra poder compartilhar a refeição com você sendo que antigamente eu nem café da manhã tomava?! Você pode me explicar porque eu gosto tanto de ver você, porque me acalmo se você está perto, porque me sinto tão a vontade com você? Me explica também porque eu não consigo me controlar, por que eu tenho vontade de te abraçar e te beijar e ficar com você, de dormir agarrado com você ou acordar todo dia só pra ver você deitada com esse cabelo lindo todo bagunçado esparramado no travesseiro. Me explica! Me explica porque eu me sinto tão perdidamente louco por você, me explica esse sentimento louco que eu tenho por você, porque na minha concepção isso não tem outro nome, o nome disso é amor pra mim! — Esteve gritando durante todo o discurso.

Juvia estava apenas olhando pra ele boquiaberta, seus olhos pareciam marejados e sua boca se mexia tentando formar alguma frase para refutar àquilo, mas ela não encontrava nada, ela não tinha como encontrar, seu coração estava mais que derretido a muito tempo, acabara de ouvir tudo o que ela queria ouvir, mas ela estava errada ainda faltava uma coisa:

— Ah! Você vai ter mais uma coisa pra me explicar depois disso, mas eu quero que escute com atenção porque você é a primeira e única mulher fora da minha família para quem eu vou falar isso: — Gray olhou nos olhos vacilantes dela profundamente com uma calma e certeza indiscutíveis — Eu amo você! —Então Gray soltou as mão de Juvia.

Gray pegou a jaqueta que havia largado em cima do sofá, deu as costas para a mulher que, sem que ele visse tentou alcançá-lo com as mãos sem sucesso, e andou até a porta, virou-se e olhou para ela, saiu e disse pra onde ia antes de sair.

— Estou indo dormir na casa do Natsu, pense bem e veja se você tem a droga de uma explicação que não seja “amor”, vou deixar o carro aqui, a gente se vê no trabalho amanhã... — E saiu.

Juvia se sentou no sofá e se sentiu completamente sozinha naquele apartamento. As lágrimas começaram a descer. Ela não podia refutar o que ele disse, tudo aquilo realmente parecia amor, mas... Mas e se tudo aquilo acontecesse de novo? Ela não queria um relacionamento, sempre falou isso, ela não queria mergulhar de cabeça sem ter certeza do que estava fazendo.

Mas... Tudo que passava por sua cabeça é que ela se sentia extremamente feliz com tudo o que ele havia dito, estava feliz por ele ter falado que a amava porque ela também se sentia maluca por ele, ela também queria o que ele queria, também queria ficar junto dele, mas ela não queria se machucar de novo, não queria que sua vida tivesse que acabar e renascer como uma fênix uma segunda vez. Ela precisava ter certeza que Gray a amava para ingressar em um relacionamento com ele. Pensando nisso dormiu no sofá mesmo.