Notas iniciais
Oi lindos! Voltei com capítulo novo pra vocês...

Uma mulher vinha correndo pela rua, estava com muitas malas, qualquer um podia ver que estava muito pesado e perceber também que ela havia vindo para ficar pelo menos alguns meses na cidade. Na verdade ela estava se mudando.

Foi até o hotel onde iria ficar até arrumar um apartamento novo e começou a guardar suas coisas. Estar ali, em Magnólia, era um pouco triste para ela. Quando ela era pequena o orfanato em que morava tinha um programa de cartas, estudantes do ensino médio mandavam cartas para as crianças e eles criavam um tipo de vínculo, como algum tipo de irmão mais velho.

Meredy sempre odiou as cartas, as pessoas que escreviam para ela sempre pareciam sentir dó apenas porque ela era órfã, mas, certa vez ela recebeu uma carta de uma menina chamada Ultear, ela parecia legal e contava que tinha irmãos adotados e que era muito bom tê-los por perto, dizia que pensava em adotar uma criança algum dia e um porção de outras coisas que chamaram sua atenção. Ela, pela primeira vez em anos, gostou de alguém, mesmo que não conhecesse Ultear ou qualquer coisa assim.

Meredy e Ultear continuaram a se corresponder por cartas e Meredy conheceu até mesmo Jellal, uma amigo de Ultear, faziam isso por alguns anos quando uma de suas cartas não voltou, Meredy não recebeu a carta de Ultear em dia e ficou preocupada, até que veio a notícia: Ultear tinha morrido. Naquele dia ela fugiu do orfanato, pegou um ônibus e foi até a cidade onde Ultear morava, Magnólia, para seu enterro.

No local ela conheceu os irmãos mais novos de Ultear, Lyon que tinha a sua idade e Gray, um ano mais novo. Fora Lyon quem explicara como tudo aconteceu, Gray não conseguia falar apenas chorava. Como Lyon, Meredy botou a culpa da morte de Ultear em Gray e prometeu a si mesma nunca o perdoar, principalmente depois de ver o caixão sendo enterrado, foi como um golpe para a menina, ela viu todos os seus sonhos de conhecer Ultear, todas as promessas serem quebradas e seus olhos se enchiam de lágrimas apenas por lembrar daquilo.

Fora muito mais fácil para ela colocar a culpa de sua infelicidade no tal irmão mais novo e ela viveu daquela forma, pondo a culpa de sua infelicidade no menino que não lembrava o nome e odiando tudo e todos, por anos até que foi para a faculdade. Quatro anos depois de entrar para fazer farmácia conheceu uma mulher, famosa na faculdade por causa de um creme que alguns dos calouros de farmácia e alunos de química haviam feito com o nome dela em uma aula de cosmética, a estudante de psicologia, Juvia Lockser.

Juvia ajudou Meredy a perder aquele ódio por tudo, cuidou dela e a tratou de graça por algum tempo dizendo que Meredy seria a primeira cobaia dos tratamentos psicológicos dela, Meredy apenas ria da mulher de cabelos azulados, mas hoje sabia que tinha dado certo. Ela perdera o ódio e agora a sua maior vontade era encontrar mais uma vez o tal irmão mais novo de Ultear para poder pedir desculpas por ter falado coisas tão insensíveis para o rapaz, além de ter batido nele enquanto ele tentava se defender, pois ele chorava tanto quanto ela naquele enterro e não era o culpado de nada.

Por isso era melancólico estar ali, mesmo tendo estado naquele local em apenas um dia em sua vida toda. Hoje ela se mudaria para lá. Pediu transferência em seu emprego para a filial da cidade vizinha porque ali estava uma pessoa muito importante para ela: Sua melhor amiga, Juvia Lockser, que havia se mudado há alguns meses.

— Pensou que ia se livrar de mim, princesa? — Meredy riu sarcasticamente enquanto guardava suas coisas.

Quando terminou de guardar suas coisas já era noite daquele mesmo domingo, mas mesmo assim resolveu sair e ir até a amiga fazer a surpresa. Saiu correndo pelos corredores do hotel enquanto ligava para o celular da amiga de cabelos azuis.

— Alô? — Uma voz sonolenta e bastante conhecida atendeu o telefonema às onze da noite.

— Princesa? — Meredy chamou Juvia pelo apelido.

— Meredy-chan! Quanto tempo!

— Eu estou na cidade Juvia! Mudei-me hoje, não é maravilhoso? — Meredy avisou. — Estou indo te visitar, onde está morando? Na casa do Gajeel?

— Não... Estou morando com meu chefe...

— Como assim com seu chefe, sua danada? E qual é o endereço? Preciso que você me conte essa história nesse momento!

Juvia riu alto do outro lado da linha. Gray acabou por acordar.

Enquanto isso...

Lyon já estava farto de ter de lidar com aquela separação. Não amava mais Sherry e a mulher também não o amava, já até estava de caso com outro homem, mas ela insistia em querer a casa e aquela casa era algo que ele não podia dar, não a casa que herdara de sua falecida mãe adotiva! Daria todo o dinheiro que tinha para a mulher, mas a casa de forma alguma sairia da família.

Lyon estava voltando para o hotel onde estava hospedado até Sherry sair da casa que antes dividiam enquanto falava ao celular com a ex-mulher aos berros:

— Não vou te dar a casa! Procure outro lugar para morar oras!

— Mas essa casa é linda, não quero sair daqui, quero que esse lugar seja meu ninho de amor!

— Não me importo, a casa é minha, foi da minha falecida mãe e eu não estou disposto a dá-la á você!

Escutou passos rápidos vindo em sua direção, mas ignorou, a pessoa podia simplesmente desviar. Mas não desviou e os dois caíram no chão.

— Aí! Olha por onde anda! — Meredy brigou com o estranho e pegou o celular que havia caído no chão.

— Olhe você! — Lyon brigou de volta e catou seu próprio celular para voltar a falar com Sherry.

— Você anotou direitinho Meredy-chan? — Ouviu um voz que sabia que conhecia dizer do outro lado da linha.

— Sherry? — Ele falou para testar, mas sabia que não era a voz de sua ex-mulher

— Lyon? Porque está com o celular da Meredy? — Ele reconheceu a voz de Juvia.

— Juvia?... Quem é Meredy? — Ele virou-se para reparar na estranha com quem tinha trombado — Uma mulher de cabelos rosas mais claros que os do Natsu? Essa é a Meredy?

— Sim, mas... — Foi cortada por Lyon.

— Nós trombamos, acho que pegamos o celular um do outro! — Ele já começara a correr atrás da mulher de cabelos rosáceos que a essa altura já estava correndo em sua direção também.

— Pode fazer um favor pra mim então Lyon-san? — Juvia pediu — Se não for te causar incomodo, claro.

— Claro que posso o que é? — Perguntou quase chegando perto da estranha.

— Você pode, por favor, trazer a Meredy na casa do Gray-sama? Ela é nova na cidade, está vindo me visitar, mas não sabe andar por aqui direito...

— Eu levo sim... — sua mente deu um estalo — Eu preciso falar com Gray, acorde ele para mim, por favor?... Vou desligar!

— Ei! Você ficou com meu celular! — A mulher de cabelos rosáceos falou um pouco ríspida.

— Você também ficou com o meu! — Lyon a respondeu. — Eu conheço a Juvia, ela pediu para levar você na casa dela, vamos? — Disse enquanto eles trocavam de celular.

— Porque eu deveria confiar em você? — A mulher falou um pouco receosa — Pode estar mentindo para mim...

— A Juvia tem cabelos azuis e olhos castanhos, trabalha em uma empresa chamada Tales e eu sou o irmão do chefe dela... Você quer carona ou não? — Lyon falou.

— Ok, ok senhor sem nome, vou com você! — Ela disse rindo da cara de bravo de Lyon.

— Então vamos, senhorita “eu reclamo, mas também não disse meu nome”! — Lyon devolveu.

— Ei! — E ela o seguiu de volta para o hotel até entrarem no carro.

— Meredy... — Ela ficou esperando ele perguntar do que ela estava falando, mas ele não o fez.

— Eu já sabia — Lyon riu. — Meu nome é Lyon — Ele disse enquanto dirigia.

— Lyon?... — Ela olhou o homem por mais algum tempo. — Oh meu... Você é o irmão mais velho da Ultear?! — Ela quase gritou.

Os olhos do rapaz se arregalaram com a menção do nome de sua irmã falecida.

— De onde conhece Ultear?!

— Eu sou aquela menina, a menina órfã que falava com a Ultear por carta!

— Eu não acredito!

— Sim sou eu... Você disse que o chefe da Juvia é seu irmão... Ele é aquele rapaz — Ela deu uma pausa — O do enterro?

— Bem sim... É o Gray — Lyon deu uma pausa. — Sei que você deve ter culpado o Gray por muita coisa e que é culpa minha, mas não foi culpa dele de verdade sabe foi só uma fatalida... —Ela não o deixou terminar. Lyon já estava estacionando na garagem do apartamento de Gray.

— Eu não o culpo mais! Uma pessoa me ensinou que ninguém é culpado de uma fatalidade, essa pessoa me fez tocar a vida pra frente depois de tanto tempo remoendo um dor que eu sentia por algo que podia vir a ser... Sempre quis uma família, a Ultear era minha família, mesmo que eu não a conhecesse, eu a amava muito — Meredy chorava — Mas ela se foi e tudo que eu pude fazer foi culpar qualquer um, quando você me deu a quem culpar eu pude finalmente me livrar da dor e jogar a intensidade dela no ódio, e eu nutri esse ódio por muito tempo... Até alguém me tirar do vazio escuro que era minha vida, eu sou muito grata a Juvia por isso! — Meredy enxugou as lágrimas.

— Me desculpe, eu...

— Está tudo bem... Eu amava a sua irmã de todo meu coração, ela sempre será a mãe que eu nunca tive e o Jellal-chan sempre será o pai que eu nunca tive, mesmo que eles fossem poucos anos mais velhos que eu e que nem mesmo fossem um casal — A mulher riu enquanto eles andavam até a recepção.

Lyon falou com Felipe-san e eles entraram no elevador, o rapaz ficou encarando a moça, a pele alva, mas não pálida, os olhos verdes e grande o cabelo no mínimo enorme, rosáceo preso em um rabo de cavalo com um diadema de frio preto e os fios que escapavam... Os lábios eram chamativos. Usava um vestido vermelho tomara que caia com um laço amarelo na cintura, meias pretas longas e uma bota marrom sem salto. Era uma mulher muito bonita e lhe trazia uma paz, parecia que tudo que Lyon não tinha estava nela, ele podia sentir isso e por um instante tudo que via, queria ou pensava era ela. Até que o elevador abriu.

Dentro do apartamento Gray estava sentado no sofá, vestido em uma calça de moletom preta, chinelos de dedo e uma regata branca, Juvia vestia uma blusa de banda e microshorts.

— Eles estão demorando — Juvia comentou e o interfone tocou.

Gray atendeu Felipe-san e disse que os dois podiam subir.

— Vou beber uma água, você quer? — Ele perguntou para a mulher.

— Não obrigada. — Ela respondeu e Gray deu de ombros.

O rapaz se sentou novamente, agora com o copo na mão. Quando Gray terminou o copo de água a campainha tocou.

— Devem ser eles, você pode abrir Juvia? Vou lavar esse copo ali na cozinha rapidinho

E Juvia fez como ele pediu.

— Lyon-san, boa noite — Lyon foi o primeiro a entrar — MEREDY-CHAN! — Juvia pulou na amiga e quase a derrubou — Que saudade de você!

— Assim você me quebra, princesa! — Meredy riu junto com a amiga.

— O que queria falar comigo, Lyon? — Gray chamou a atenção de Lyon.

— Eu vim... — Os olhos de Gray arregalaram e sua respiração começou a falhar, sua cabeça fazia um curto movimento negativo sem parar e ele começou a se afastar devagar. — Gray você está bem? — Lyon se preocupou com o irmão.

— Gray-sama? — Juvia virou para ele.

Meredy tentou chegar mais perto e o corpo de Gray pareceu ter levado um choque repentino, ele começou a se afastar mais rápido olhando para a mulher de cabelos rosáceos.

— Gray-sama, você está bem? — Juvia foi indo em sua direção. Gray olhou para ela como se quisesse ser salvo de algo — O que foi Gray-sama? — Ela estava preocupada.

Meredy se aproximou cada vez mais, preocupada também. As lágrimas de Gray começaram a escorrer e Meredy colocou uma das mãos cobrindo a boca pelo espanto, não sabia que podia causar tal sentimento em alguém, ela tinha que ter magoado muito o rapaz para que ele estivesse nesse estado só por vê-la.

Gray acertou uma parede depois de tanto recuar, Juvia estava parada, acalmá-lo agora parecia que era algo que só Meredy podia fazer, O rapaz foi escorregando até o chão e cruzou os braços em frente a cabeça começando a falar:

— Eu não quis isso, me desculpe, me desculpe, me desculpe... A culpa é toda minha, me desculpe, me desculpe — de seus olhos desciam lágrimas grossas.

Meredy começou a chorar novamente e se jogou no rapaz que fechou os olhos com força. A mulher de cabelos rosáceos o abraçou.

— A culpa não é sua, a culpa nunca foi sua! Me desculpe por fazê-lo acreditar que tinha acabado com a minha vida, eu estou bem! Não é sua culpa, você — A mulher soluçou — Sofreu tanto quanto eu, não tem culpa de nada, me desculpe, me desculpe!

— Mas... — Gray olhava para ela ponderando se aceitava aquilo ou não.

— Sabe a forma mais fácil de lidar com a dor é transformá-la em ódio por algo ou alguém que julgamos culpado, mas ninguém tem culpa quando falamos de uma fatalidade... — Juvia sorriu, a mulher de cabelos azuis fora a pessoa que falara aquela frase para Meredy anos atrás. — Me perdoe por fazê-lo acreditar que a culpa era sua por tanto tempo... Ninguém é culpado de nada do que aconteceu com a minha amada Ultear, me perdoe por toda a dor que você teve que carregar! — Gray respirou fundo, tentando controlar o choro.

— Obrigado... — Ele o soltou.

Juvia veio para perto dos dois e estendeu uma mão para cada um sorrindo. Meredy aceitou a mão de Juvia e riu de volta para ela como quem dizia “Eu finalmente consegui” e Gray aceitou a mão também, porém parecia perdido. Depois de se levantar o rapaz não soltou a mão de Juvia.

Todos sentaram no sofá, Juvia e Gray em um e Lyon e Meredy em outro.

Meredy contou como fora sua vida e explicou como conheceu Juvia e como ela ajudou Meredy a sair da tristeza, colocando sua vida nos trilhos novamente, Juvia sorria bastante e quando Meredy terminou Gray passou um dos braços pelo ombro da mulher ao seu lado, e aproximou suas cabeças, sussurrou um “obrigado” e deu um beijinho em sua cabeça antes de deixar o sofá. Juvia ficou corada.

— As meninas devem ter muito o que conversar, Lyon vamos lá para dentro? Você disse que tinha algo a dizer... Preciso lavar o rosto também.

— ok! — E os dois foram.

Lyon pediu para Gray ser seu advogado contra Sherry para que não tomassem a casa de Ur dele, o que Gray aceitou prontamente. E Juvia e Meredy passaram o resto da noite botando a conversa em dia, quando Lyon e Meredy foram embora já estava muito tarde.

— Podemos dormir sem mais visitas hoje? — Gray perguntou para Juvia.

— Podemos sim, Gray-sama... — Juvia riu por pouco tempo.

— Obrigado — Ela ouviu Gray falar ao entrar em seu quarto.

Notas finais
Haha! Agora vocês sabem que a Juvia já tinha ajudado sem nem conhecer o Gray kkkkkkkk Gostaram do capítulo? Comentem! *u*