Tales
6 V - O primeiro evento a dois
Notas iniciais
— É no quarto andar, apartamento 15. Fala para o porteiro que eu mandei você de surpresa, OK?
— Ta bom... — Juvia falou desconfiada.
Mirajane buzinou e acenou para o homem velho que veio olhar, deixando Juvia na calçada. Juvia foi até o senhor que olhava para ela sorrindo.
— Você é o porteiro? — Juvia perguntou de maneira amável.
— Sim, querida! Você veio com a Mira-san, deve estar querendo ver o Gray-san, certo?! — O homem de barba branca perguntou
— Sim! Será que o senhor pode não me anunciar?... Queríamos surpreende-lo...
— Claro querida. Pode subir! Sabe onde é, né?
— Sei sim, muito obrigada! — Juvia sorriu e entrou pela a porta do prédio, pediu o elevador e subiu sem reparar na entrada.
Juvia saiu do elevador e se deparou com um corredor longo, do seu lado direito viu a porta de madeira que estava procurando, a número 15, bateu na porta esperou.
Gray tinha acabado de tomar banho e saía de toalha quando ouviu batidas na porta. Rapidamente ele pôs uma cueca e a calça, sem nem ao menos fechá-la e saiu correndo para atender pensando que era o síndico do prédio.
— Sim! — Ele disse abrindo a porta desesperado, dando de cara com a coisa mais linda que ele um dia vira.
— Boa noite, Gray-sama... Porque está assim? — Gray corou e Juvia riu e resolveu provoca-lo — Isso tudo era vontade de me ver? — sorriu de lado e Gray soltou um suspiro cansado.
— O que está fazendo aqui? Não era pra Mira te levar?
— Não vai me deixar entrar? —Juvia perguntou.
— Ah, sim, claro — Gray abriu mais a porta para que a garota entrasse, estendendo o braço pra dentro e a garota entrou. — Sente-se por favor, vou terminar de me vestir e depois você explica, se estiver com fome tem bolo na geladeira.
— Obrigada, Gray-sama! —Ela sorriu e ele foi para o quarto.
Juvia estava realmente com fome por isso aproveitou para comer alguma coisinha, olhou na geladeira e pegou uma pequena fatia de bolo de laranja e um pouco de suco que achou. Comeu tudo rapidamente e pouco depois de Gray chegar até a sala já tinha terminado.
Gray estava com uma camisa branca, um terno preto liso e uma gravata LARANJA!
— Não! — Juvia quase gritou — Onde está a gravata roxa de hoje de manhã? — Gray estava assustado com todo aquele escarcéu por causa de uma gravata.
— Eu desfiz o nó sem querer, então peguei outra com um nó pronto... Eu não sei fazer nó de gravata... — Gray falou calmamente explicando.
— Mas... Mas...
—Qual o problema com a gravata? — Gray franzia a testa olhando a garota no sofá oposto.
— ... —Juvia suspirou triste — Não...
— Se você quer tanto assim que eu vista a gravata roxa eu vou buscá-la! Mas você que vai dar o nó, não quero nem saber! — Saiu da sala a passos pesados deixando uma Juvia feliz.
Gray voltou com a gravata e jogou ela em Juvia, sentando-se novamente no sofá oposto.
— Não posso fazer o nó na gravata se ela não estiver em você! Como vou saber se está apertado ou não?
Gray suspirou alto e levantou-se, Juvia fez o mesmo e ficaram um de frente para o outro, Juvia passou a gravata pelo pescoço do rapaz e ficou na ponta dos pés para alcança-lo com perfeição. Juvia estava muito próxima, Gray corou com o olhar de Juvia sobre seu pescoço, a concentração de especialista da garota e os movimentos que fazia com a mão denunciavam que ela já havia feito aquilo várias vezes.
Juvia sorriu dizendo que havia acabado e Gray agradeceu ainda olhando para o rosto pálido da mulher.
— Mas então... Porque você veio pra cá mesmo?
— Laxus-san mandou uma mensagem pra Mira-san... Disse que ia precisar dela antes das 19...
— Entendo... —suspirou— O evento não é muito longe daqui então ainda temos que ficar aqui um pouco...
—Tudo bem... Gray-sama... — Parecia ansiosa para dizer alguma coisa.
—Hm?...
— Obrigada por ter colocado a gravata roxa — Juvia sorriu.
— Falando nisso, porque você queria tanto que eu vestisse a roxa? — Gray perguntou enquanto brincava com o controle da TV.
— Mira-san disse que seria fofo se nós estivéssemos combinando... — Gray corou — Então ela e eu ficamos procurando um vestido roxo só por causa da sua gravata...
Gray riu sem humor e sorriu de lado para a mulher.
— Está bonita no vestido, Juvia. —Gray falou, sabendo que ela estava esperando um comentário desde que chegara.
A garota corou e sorriu com o elogio.
— Obrigada, Gray-sama!
Depois ficaram em um silêncio constrangedor, Gray olhava para a mulher parecendo entediado, mas na verdade observava como ela estava linda. Ela sempre fora bonita, ele só nunca havia tentado reparar na mulher, mas agora que teriam de fingir um caso resolveu fazê-lo e se surpreendeu em quanta coisa estava perdendo enquanto não a observava.
Juvia olhava o apartamento de Gray, observando cada pedacinho, era bastante arrumado, tão arrumado que parecia que ninguém morava ali, dava um sentimento solitário. “O apartamento realmente combina com o dono.” Pensou Juvia.
— Vamos, Juvia? — Gray falou estendendo a mão para a garota.
Ela se levantou e pegou a mão de Gray que a puxou, levantando-a. desceram de elevador em silêncio e entraram no carro, a viagem foi toda em silêncio até chegarem ao local.
Ao chegarem Gray fez questão de fingir o relacionamento muito bem. Abriu a porta do carro para Juvia, deixou a chave do carro com o manobrista e deu o braço a garota para que chegassem juntos. Ao entrarem todos os olharam alguns muito surpresos com o rapaz que vinha sempre sozinho.
— Ora, e não é que de vez em quando nós nos surpreendemos?! — Um homem loiro falou vindo em direção aos dois.
— Sting Euclife, da maior colaboradora da parte cenográfica da Tales, a Sabertooth, ele é o dono da festa essa noite! — Juvia cochichou no ouvido de Gray, puxando o braço dele para abaixa-lo, quem via de longe imaginara que aquilo havia sido um gracejo.
— Boa noite, Gray... Espero que saiba meu nome, né? — Sting riu.
— Claro que sei seu nome, Euclife-san! Dê boa noite para o nosso anfitrião, Juvia!
— Boa noite Sting Euclife-san, sua festa está linda! — Juvia sorriu e Sting fez o mesmo em resposta.
— Com licença, Gray! — Sting pegou Juvia pela mão e separou-a de Gray, fez a mulher dar uma voltinha examinando a garota de cima a baixo.
— Pode, por favor, devolver minha namorada? — Gray perguntou visivelmente incomodado com a situação.
— Ah! Uma namorada?! Poxa e eu aqui querendo dar em cima dela... Querida, não quer dançar comigo essa noite? Tenho certeza que devo dançar melhor que ele...
— Sinto muito, Sting-san. O senhor é um homem muito elegante, mas eu já estou acompanhada. — Falou de forma tão doce que Sting preferiu não insistir com a garota deixando-os sozinhos depois de dar um beijo na mão direita de Juvia de forma educada.
Gray estendeu a mão para a garota e foram sentar em uma mesa. Cada pessoa que via os dois juntos parecendo conversar ficava interessada e ambos estavam atraindo muitos olhares e fofocas.
Gray levantou dizendo que ia pegar champagne para os dois enquanto Juvia estava cercada de garotas que a parabenizavam pelo novo casal que tinha se formado, dizendo coisas como “Vocês ficam tão lindo juntos” ou “Que fofos!”.
— Gray, me disseram que você está com uma novidade! Namorada, hein? Como ela é? Deve parecer uma psicanalista carrasca para aguentar você! — Lyon apareceu de lugar algum.
— Então venha comigo, vamos ver o que você acha dela... — Gray aceitou a provocação sabendo que Juvia o surpreenderia o suficiente para fazê-lo calar a boca o resto da noite.
Foram chegando perto da mesa, Lyon seguia Gray olhando as mulheres na mesa e imaginando qual delas seria.
— Juvia — Gray chamou com uma voz triunfante.
— Sim, Gray-sama! — Juvia virou para olha-lo e Lyon ficou hipnotizado pela mulher que via.
A pele pálida de boneca de porcelana, os olhos castanhos de felino cheios de cílios e tão expressivos... O jeito que a mulher sorria tão simples e cheio de felicidade... Ela era muito bonita para seu irmão, foi o que ele pensou.
— Quero que você conheça o meu... — Deu uma pausa que passaria despercebida por alguns, mas não pela psicóloga — Irmão, Lyon — Gray falou enquanto Juvia se levantava e as outras garotas se dispersavam.
— Boa noite, Lyon-san! — Juvia ficou de pé e estendeu a mão que Lyon aceitou prontamente, dando um aperto de mãos rápido.
— Boa noite, bela dama! O que você está fazendo com um perdedor como o Gray? — Lyon perguntou — Se quiser eu posso levá-la embora desse suplício, só me peça e eu... — Lyon teve sua orelha puxada por Chelia que estava como sua acompanhante.
— Você está comigo essa noite, Lyon-san! — Chelia estava visivelmente chateada com a situação.
— Não se preocupe comigo, não sou sua rival... Estou feliz com meu Gray-sama! — Juvia falou para Chelia.
— Eu não estou em um relacionamento com esse cara! — Ela parecia brava — Só não quero passar vergonha mesmo!
Gray percebeu a deixa e passou o braço direito pela cintura da mulher possessivamente, olhou-a nos olhos vendo sua confusão que só se percebia pelo olhar e puxou-a de volta para sentarem a mesa, dando as costas para seu irmão e a acompanhante de cabelos rosados.
— Você até que finge bem, Gray-sama! — Juvia falou olhando Lyon e Chelia se afastarem brigando.
— Obrigado...
— Ei, Juvia-san! — Sting veio correndo. — Sei que você está acompanhada, mas você dançaria comigo? Só dessa vez!
Juvia olhou para Gray que olhou para Sting e então para a mulher de cabelos azuis.
— Não vai fazer mal, pode ir — Gray falou com a taça de champanhe na mão.
Sting estendeu a mão e Juvia aceitou-a. Eles dançaram de forma bastante respeitosa, Sting não tentou tirar proveito da situação, apenas queria conhecer a garota melhor. Quando a música acabou ele levou Juvia de volta para a mesa colocando a mão da garota na de Gray sorriu e foi embora.
— Você não quer dançar não, Gray-sama?
— Você quer? — Perguntou rispidamente.
— Muito! — Então ela puxou Gray até que ele ficou de pé e revirou os olhos conduzindo-a para a pista de dança novamente.
Gray praticamente rosnou em irritação consigo mesmo. Porque ele estava fazendo aquilo? Porque estava fazendo as vontades dela? Primeiro a gravata e agora ele estava se propondo a vivenciar uma situação que havia deixado pra trás por tanto tempo? Ele não dançava desde... Desde a última festa que havia ido com Karen antes da morte de Ur...
Aquela lembrança fez mal para o rapaz, seu corpo ainda sabia o que fazer para dançar, era quase que automático, dançar era algo que ele sempre havia gostado afinal de contas, mas sua mente não estava ali. Juvia podia ver o olhar perdido de Gray e a falta de brilho nos olhos tão jovens, ela sabia que ele devia estar tendo algum tipo de lembrança dolorosa do passado, ela havia trabalhado com aquilo afinal.
— Ei, Gray-sama... — Ela usava a voz mais doce que podia — Olhe nos meu olhos, Gray-sama... — Gray olhou e ela viu que havia conseguido sua atenção — O que você vê?
— Hã? — Gray voltou ao seu estado normal, não estava bem, mas não estava mais perdido em pensamentos. — O que diabos foi essa pergunta?
— Nada de mais, Gray-sama! — Juvia riu alto da cara de confusão de Gray, sabia que não tinha ajudado muito, mas realmente não podia ajudar sem saber o porquê ele ficava daquela maneira.
— Você é estranha, Juvia — disse sem humor.
— Eu sempre fui, mas você também é! — Gray olhou a mulher risonha que estava em seus braços enquanto dançavam e sorriu de lado.
Juvia se surpreendeu com o sorriso inesperado de Gray e por um impulso o beijou, Gray não entendeu nada e o beijo terminou tão rápido quanto começou. Gray não teve nenhuma reação além de corar e continuar dançando enquanto olhava para qualquer lugar menos para os olhos da mulher.
Juvia só continuou a dançar porque estava sendo conduzida. Estava surpresa com sua própria ação, ela não esperava que fosse fazer algo desse tipo, por mais que soubesse que estava se apaixonando aos poucos pelo chefe, nunca imaginara que iria acabar fazendo algo daquele tipo, corou pelo pensamento que tivera, mas se decepcionou um pouco pela reação de Gray que foi absolutamente nenhuma. Pouco mais de um minuto depois a música acabou e eles voltaram a sentar-se à mesa.
Ficaram em silêncio o resto do evento, Gray olhava a mulher atentamente tentando descobrir porque ela fizera aquilo. Juvia sentada olhando para baixo um pouco decepcionada, mas ao olhar de qualquer um ela estava apenas mexendo no celular debaixo da mesa ou algo assim, ela não estava arrependida do que fizera, mas sim de querer fazê-lo, ela não devia estar se apaixonando pelo chefe... Não devia nem estar se apaixonando de novo!
Na hora de irem embora Gray apenas tocou a mão da mulher de leve e acenou com a cabeça para a porta do evento ela se levantou e o seguiu. Já no carro Gray finalmente teve coragem de perguntar:
— Por que fez aquilo, Juvia? — Sua voz saiu realmente brava apesar de ter tentado controlar o tom.
— Porque está me ignorando desde que eu o beijei, Gray-sama?
— Me responda e não mude de assunto!
— Estamos fingindo estar juntos... É mais do que normal que casais se beijem... Eu pensei que seria útil se as outras pessoas estivessem vendo, por isso eu... Me desculpe, tá bem, eu não queria te constranger nem nada do tipo... — Juvia estava tão triste que já sentia seus olhos marejarem. — Será que você pode me deixar no mercado daquela esquina? — Ela pediu sem conseguir esconder sua tristeza na voz.
— Entendo... Eu posso te deixar em casa Juvia...
—Não quero! Quero ficar no mercado! — Juvia disse cortando Gray.
Gray engoliu em seco por saber que com toda certeza Juvia estava brava com ele, começou a apertar o freio devagar para parar o carro na esquina. Juvia olhou obviamente magoada para Gray e sussurrou um “obrigada” rápido, bateu a porta do carro e entrou dentro do mercado para escolher o sorvete no qual se afundaria naquela noite.
Gray continuou seu caminho para casa imaginando como Juvia devia estar se sentindo... Ela apenas queria ajudar e ele havia sido tão grosso, ignorara a mulher completamente e depois nem ao menos a levou em casa... Ele estava bem arrependido.
Não sabia por que estava assim, sempre pensou que se alguém o beijasse a força um dia ele iria ficar tão bravo que estapearia a pessoa, mas tudo que conseguiu pensar quando aconteceu foi “porque ela iria querer fazer isso com uma carcaça ambulante como eu?”. Tinha ficado tão atordoado com a situação que naquela noite não dormiu de tanto pensar naquilo. Suas olheiras pioraram, mas pelo menos o motivo de não dormir não tinha relação com nenhuma morte.
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