Tale as old as time

9 Seria uma comédia se eles nos vissem


Por Sofia Willfy:

Pensei que não conseguiria dormir pelo que aconteceu, mas dormi feito um anjo e deixei que meus sonhos criassem histórias mirabolantes envolvendo aquele garoto, o que eu me arrependo bastante.

Levantei, escovei os dentes, tomei um banho demoradamente rápido e vesti um vestido branco longo, com alças finas e uma abertura em U no local dos meus seios.

Os cachorrinhos estavam correndo de um lado ao outro, eram bastante espertos, os pequenos. Peguei um lanche para eles em meu guarda-roupas e segui para a cantina. Ela estava quase vazia e sem comidas em grande quantidade, o que era estranho.

Escolhi um iogurte de morango, um achocolatado e uma fatia de bolo. Quando me aproximei de um servente, curiosa que sou, fui logo perguntando:

— O que aconteceu que a cantina está vazia?- Ele me olhou por um instante e finalmente entendi que ele não havia entendido, talvez rasgasse no inglês, contudo, na velocidade de minha fala, ele, decerto, não havia conseguido acompanhar. Repeti tudo, só que em italiano:- Che cosa è successo alla mensa è vuota ?

— Beh , come gli studenti hanno celebrato ieri in tarda serata , ha deciso di prolungare il caffè e servire gradualmente , come molti ci vorrà per svegliarsi .( Bem, como estudantes comemoraram ontem à tarde, decidimos prorrogar o café e servir gradualmente , como muitos vão demorar para acordar)

Agora me parecia claro! Tomei meu café sem pressa, ainda eram 7h30 e o campus estava quase vazio, à minha vista somente serventes.

Ao terminar decidi dar uma volta para ver se mais alguma alma havia caído da cama. Rodei muito, o que me fez rir do episódio passado na esperança de que ele aparecesse para me ver, até que encontrei um pequeno número de pessoas próximas no clube de futebol.

Fui me aproximando pelas árvores até que o vi, jogando junto a um só amigo, ele, com uma calça de frio e uma blusa branca colada, como se tivesse acordado agora, e seu amigo com um refrescante uniforme do time.

Fiquei os olhando jogar de longe, escondida por algumas árvores, paralisada. Mesmo sendo um esporte um tanto violento, me agradava, principalmente a forma que eles jogavam. Era uma coisa de equipe, como eu só conseguia agir próxima às minhas amigas.

A brisa era deliciosa onde eu estava, mexia meus cabelos e a barra de meu vestido. Eu poderia ficar horas parada ali.

— Não se mova!- Ouvi uma voz atrás de mim.

Virei-me e vi uma rapaz de cabelo preto, pele perfeitamente branca e incríveis olhos azuis. Não sabia o que dizer, nem tinha reparado sua presença, gaguejando me desculpei- De-Desculpa!-

— Estava olhando os rapazes jogarem?- Ele perguntou olhando para seu caderno.

— Quem? Eu?- Fiquei vermelha como um tomate.

—Só têm nós dois aqui! E eu estou aqui a um tempão e você só notou agora.

—Eu estava aproveitando a bela paisagem e o frescor para pôr minha cabeça no lugar, afinal, acabei de me mudar para outro país!

— É bom saber que não sou o único aqui! Você também é dos Estados Unidos?

— Exato! Mas, por que me pediu para ficar parada?

—É que estava desenhando a paisagem e, se se movesse atrapalharia. Você não obedeceu. O lugar no qual parou é muito bonito!

Dei uns passos para traz e, finalmente, observei a paisagem além do clube de futebol. Realmente aquelas árvores todas alinhadas eram maravilhosas.

—Posso ver seu desenho?- Perguntei me ajoelhando junto a ele que já estava nesta posição a muito tempo.

— Ah... Não! Não está pronto... Não está bom...- Ele ficou como eu quando me perguntara sobre observar os jogadores.

— Deixe que eu julgue! Não deve estar ruim.- Insisti.

—Sinto muito, mas... Eu não me sinto à vontade mostrando meu desenho para você.

—Deixe de ser bobo! Eu não desenho nem um pouco, não teria o menor cabimento rir de você, afinal, mesmo não tendo talento, está fazendo o que gosta.

Ele ficou um tempo me contemplando, depois olhou para o relógio e fingiu estar atrasado para alguma coisa, levantou de um pulo, dizendo:

—Tenho que ir!

Fiquei um tempo a mais lá sentada, com minhas mãos na grama, aproveitando aquela paz.

— Aí está você!- Ouvi uma voz gritar, seguida de um puxão, eram Annia e Carter.

Olhei meu relógio: 8h.

— O que aconteceu?

—Nada, só não te encontrávamos em lugar algum!- Resmungou Annia preocupada.

— Por que tanta preocupação? Acham que eu teria sido sequestrada no campus?- Ri

— Bem, é que... Você saiu cedo da festa e desde lá não a víamos, aqui é enorme e você é meio maluquinha- Falou Annia

— Bem, estou aqui! Vocês já tomaram café da manhã?

— Ainda não.

— Que tal se acordássemos a Dani e a Mey?-Propus

—Pior ideia do século!- Riu a Carter.

— O máximo que elas podem fazer é nos jogar da janela.- Continuei

— E é isso que elas vão fazer, garota.- Resmungou a Annia

— Gente, por favor, até parecem não conhecer as meninas. A Dani vai adorar saber como foi a nossa festa e a May... Bem... Acho que ela não em força ara nos jogar sozinha.

— Decerto elas chegaram depois das 3h, pois foi por volta desse horário que eu voltei. Vamos preparar um café da manhã na sua torre e fazer uma reunião sobre a festa?- Disse Annia completando a minha ideia inicial.

— Perfeito, mas, dependendo do horário, poderia ser um almoço.

— Calma, vamos acordá-las umas 10h30, elas já estarão bem.

— Ótimo, baby! Enquanto isso, vamos pegar a nossa grade na coordenação, ok?

— Ótimo.

(10h50)

— Dani! May! Acordem, gatas!- Disse a Annia.

— Vamos lá, acor...- Parei devido a uma travesseirada certeira da May

— Cara, calem a boca!- Disse a revoltada

— Meninas, hoje vocês só poderão ter acesso à minha beleza depois das 15h, cheguei as 7h, então calem a boca!- Gritou a Dani do outro quarto.

—Ah! Vamos lá. Preparamos um café da manhã para vocês, é uma reunião do grupo, ok?- Disse abrindo as cortinas.

A May começou a levantar com os cabelos sobre a expressão de brava.

— Não adianta mais discutir com você, não é mesmo? Não conseguirei mais dormir! Parabéns, princesinha da torre.

Aquelas palavras, não sei porque, mexeram comigo.

Voltamos ao quarto da Dani

—Até a May levantou, Baby! Vamos lá! Não quer ouvir sobre a nossa noite?- Forçei

— Massa... A sua noite na torre? Eu percebi que você saiu rapidinho, gata!- Falou com uma expressão serena e olhos fechados.

—Quem disse que eu voltei para a torre tão rápido? Eu saí da festa rápido, mas daí a ir para a torre...-

Um sorriso se formou na face da Daniela:

— Eu espero que seja interessante.- A última levantou.

— Vocês tem 10 minutos!- Gritou a Carter.

(Na torre)

— Então, quem vai começar?

— Ordem alfabética! Annia.

— Eu fiquei até as 11h00 conversando com uma professora, depois ela se foi. Eu fui dançar um pouco sozinha. Bebi um pouco.

— Um pouco?- Brinquei, pois sabia que a Annia era a bêbeda do grupo.

— O de costume, ok?! Está vendo alguém com ressaca?- Ela tinha uma ótima resistência a álcool, dizia ser de seus ancestrais.

— Nada de interessante, rapazes chatos e bebida fraca.

— Eu posso afirmar que é verdade, a Annia não estava em suas noites mais animadas. Acho que esperava alguém.- May

— Bem, esperava sim! Quem? Não sei, mas com certeza não estava naquele meio.

— Bem, a festa para a Annia foi um saco, então vamos continuar, ok? Carter!- Disse

— Está com pressa para nos contar algo, Sofia?- Brincou a Dani.

— Acho que prefiro obedecer à ordem alfabética!- Ri

—Eu não tenho nada para falar. Fiquei feliz de reencontrar o Alexy aqui, nós jogamos um pouco, eu o expliquei nossa vinda, dançamos um pouco e daí eu fui embora.

— O Alexy, não é mesmo? Por que você não admite que gosta dele? Ele é caidinho por você, garota!- Annia

— Nada a ver o que você está falando, G-a-r-o-t-a. E, só para saber, desde quando você usa essa palavra no final de todas as suas frases?

A Annia ficou toda vermelha.

— Conte tudo, Annia!- Disse a Dani

— Annia, é o momento perfeito para nos falar a verdade. A gente percebe que nos engana.- Eu esta realmente chateada, ele nunca é totalmente sincera, parece esconder algo.

— Tudo bem, garotas. Ops... Eu também acho que devo confiar em vocês. Um novo lugar e continuamos juntas, não é mesmo. Lá para meia noite eu já não aguentava mais aquela festa e eu saí...Saí dalí para... Para fumar.- Todas ficamos perplexas. Como ela conseguia esconder aquele odor?

— Eu tenho vários objetos para esconder o cheiro, quando saiu uso os com filtro, adoro charuto. Eles me acalmam.

— Como conseguiu esconder isso da gente?- Perguntou a Dani.

— Eu queria contar, mas antes... Bem, éramos muito novas, eu confio em vocês, porém sei que algumas são estabanadas a ponte de contar sem querer e... Tem a Sofia... Eu te adoro, Sofia. Você é minha melhor amiga. Eu sabia que iria desaprovar, tentar me mudar, sei lá. Quando eu era menor, não poderia correr riscos de contar, sabem? A mentira foi crescendo, eu fiquei envergonhada e esperando o momento para contar.

— Tem algo mais que você esconde de nós? – Falei com sarcasmo, estava muito chateada com aquela farsa.

—Bem...-

— Acho que é melhor você continuar a história, Annia- A Dani interrompeu, parecia querer que a Annia não contasse mais nada.

Ótimo, eu sou a única que não sabe das coisas. Eu já estava pronta para explodir e perguntar o que estava acontecendo que só eu não sabia de nada, mas as expressões da Carter e da May me diziam que elas sabiam tanto quanto eu.

—Calma, Sofia! Eu me controlei quando a Carter disse essas palavras com a mão em meu ombro esquerdo.

— Eu encontrei um grupo tocando e cantando enquanto bebiam e fumava, eu me juntei a eles. Contei com eles, nós nos beijamos muito até que ele teve que subir com um amigo que não aguentava mais beber.

— Aí o que ninguém conta. Parece-me que a sua festa foi ótima- Dani

— Ponto para a Carter, que descobriu tudo- Disse a moleca, levantando os braços.

—Agora é a vez da Dan..

— Eu? Podem ver que estava no meu quarto, então não foi tão divertido. Dancei bastante, porém os garotos eram muito sem sal, retiro o que disse sobre o garotos daqui. São gatos? São! Alguns chegam? Chegam! Mas nenhum tinha uma pegada irresistível, sabe? Vez da a Sofia.

— Tudo bem, Dani! Eu vou contar, cara.- Falei rindo

— Acho bom, pois eu não saí da cama por menos que um primeiro beijo.

— Eu sei que você acha ridículo eu nunca ter beijado, mas não é por isso que vou beijar um cara que nunca vi.

— Então tem um carinha?

Fiquei toda vermelha com as insinuações

— Eu saí da festa rapidinho. Fui dar uma volta, pois aqui é lindo.

—Admita, você queria ser encontrada toda arrumada em um desses jardins magníficos! Eu te conheço, Sofia. Você vive com a cabeça em contos de fadas.

— Tudo bem, eu admito que esperava um príncipe incrível me seguir e dizer como eu sou incrível e que estava apaixonado.

— Eu te conheço- Gabou-se a Daniela por adivinhar.

— Entretanto, eu nunca esperei que realmente acontecesse, estou tão acostumada a que não aconteça nada, sabe? Apareceu um cara com cara de príncipe e disse que havia me seguido pois eu era linda. Pediu para que eu voltasse para a festa com ele. Disse até que dançaria apenas comigo.

—E você? – Perguntou a Carter.

— Eu neguei, disse que estava muito bem sozinha, ele me apertou contra a parede e disse que um dia eu pediria por isso, acredita?

— Eu saí da cama para você dizer que deu um fora em mais um rapaz?

Eu assenti

— É diferente, não é? Ele mexeu com você?

— Comigo? Nã... Não! Ele só estava no lugar onde eu queria que estivesse.

— Ah! Sofia é chata! Vamos lá, May!

— Até onde eu fiquei lá, a Amy bebia enquanto olhava para um rapaz que dançou a noite inteira com outra garota.- Disse Annia

—Eu? Não é o que estão pensando. Eram um casal tão nojento. A patricinha com o emburrado, mas os opostos se atraem, né? Eu bebi e dancei um pouco, só isso.

Depois das apresentações das versões da festa de cada uma, aquelas malucas sujaram todo o meu quarto com comida e, claro, ajudaram a limpar, cabelos duros, faces de glacê, vassouras nas mãos....

—Ah se os garotos de ontem nos vissem assim-