Tale as old as time
12 Indecisão
Por Benjamim
— Que viagem longa, se esse propósito é mesmo real, como eles não tem dinheiro para financiar viagens melhores?
— O que?
Acho que falei mais alto que deveria, o garoto sentado ao meu lado pensou ter sido com ele.
—Nada.
Na verdade eu estava muito acostumado a viagens longas, o que me incomodava de verdade era a notícia de que eu teria que matar uma garota.
Eu fui criado sabendo que teria uma missão, que teria que machucar pessoas e talvez matar mesmo, porém nunca pensei que a MISSÃO seria matar, pensei que matar fosse apenas caminho.
Eu passei um bom tempo olhando aquela garota antes que aqueles brutamontes corressem atrás de mim e atrapalhassem meu estudo em relação a ela.
Ela ficou brincando no lago, um tanto cômica a cena. Eu não consigo pensar que aquela garota possa fazer tanto mal ao mundo.
É a primeira vez que tenho dúvidas quando ao cumprimento de uma ordem.
Ouvi um barulho estranho e logo o cobrador veio dar uma notícia que, para mim, era mais um alívio que algo ruim.
— Gente, o motor morreu. No entanto, fiquem calmos, tem um posto a uns 30 minutos daqui, vocês podem descansar enquanto nós consertamos.
Eu me recostei no estofado e fechei os olhos, quando mais demorasse para chegar, sinceramente, melhor.
— Fique calmo, senhor, tenho certeza que todos serão compreensíveis com o equívoco.- Falei sem conseguir segurar o sorriso.
Olharam-me com olhares mortais, pareciam ter bem mais pressa que eu, como se eles mesmos tivessem a missão de “ Matar a garota e salvar o mundo”
Acho que vai ser uma viagem mais confortável que o esperado.
Alguns começaram a sair, esses serviços costumam ser demorados e os mês companheiros de viagem pareciam letrar-se no assunto.
Pouco a pouco o transporte foi se esvaziando o tempo foi de meia hora para que só sobrasse eu naquele local.
Ou, pelo menos, foi o que pensei.
—Ei, garoto, você pode me dizer o que está acontecendo?
Perguntou-me um voz feminina enquanto me balançava e eu abria os olhos.
Era uma moça muito bonita, cabelos curtos avermelhados, rosto uniforme, um pircing no nariz e outro na barriga que eu podia perceber pela sua blusa curta. Continuava muito bonita, apesar de, ainda, sua maquiagem exagerada e o cheiro de álcool que emanava.
—Não está me ouvindo, gatinho?
Confesso que seus seios praticamente descobertos e a saltar da blusa pequena e pouco abotoada chamavam mais minha atenção que o que ela dizia.
Já tem umas semanas que estou completamente focado nesta missão, perdi minha namorada e aquela garota me deixava um pouco fora de controle.
—Éh... Eu... O motor morreu.
—Ah, mas que droga!
—É.
— Para onde você está indo?- Ela perguntou sentando-se na poltrona ao lado da minha e um tanto emburrada.
— Eu vou para Taranto. E você?
— Realmente? Estou seguindo sem muito rumo. Meu pai era um bêbedo, minha mãe morreu, eu engravidei, ele me expulsou. Foi isso.
— Você é muito burra- Ela parecia uma garota legal, então começamos a rir.
— Eu matei o me bebê, mas ele não me quis de volta, nem o pai do bebê. Estou aqui, então. Procurando um lugar onde eu me encaixe.
— Não, você não está. Só quer fugir. Não se encaixa em lugar algum e sabe.- Dessa vez comecei zombeteiro, mas terminei sendo sincero. Ela não era burra. Era óbvio que uma garota como ela não se encontraria e, tão bêbeda, nem queria se encontrar.
—Tá. Você tá certo. Talvez eu só estivesse procurando um cara como você.- Percebi a mudança de rumo da conversa
— Que te entenda?- Tentei devolvê-la aos eixos.
—Não. Um gato que não para de olhar para os meus peitos.- Ela levantou de onde estava e ficou na minha frente, começou a abrir suas pernas enquanto se ajeitava entre as minhas.
Aquilo, por incrível que pareça, me deixava extremamente desconfortável.
Eu coloquei minha mão sobre sua cintura para levantá-la, mas ela segurou-as e começou a beijá-las.
Eu acabei desistindo e deixei-a me beijar. Ela me beijava com força, dava para sentir o álcool, porem separou-se de mim em um impulso para vomitar no chão o ônibus.
— Vá pegar um pano para limpar isso, sua bêbeda- Respondi um tanto rude e fora de mim, ser agarrado por uma garota completamente dopada por álcool e perder o foco da missão não era o que eu fazia de costume. Estou diferente desde... desde... ah, não pode ser.
Fale com o autor