Por Sofia:

Eu geralmente acordo cedo, mas naquela manhã não queria levantar. Não era preguiça, eu simplesmente não estava disposta a ir àquela festa, talvez uma dor de cabeça ou algo do tipo resolvesse meu problema. Não queria entrarem mais uns dos momentos que eu fico cegamente apaixonada e esperando demonstrações impossíveis de amor.

Depois de muito tempo deitada esperando as meninas baterem na porta, quase desisti. Pensei que por “não termos roupas adequadas” a morena fosse nos acordar cedo. Neste momento olhei para um relógio em cima da escrivaninha, esfreguei os olhos, forcei a vista e percebi que ainda eram 6h35. Sendo assim, que horas eu havia acordado? Não sei, quando estou nervosa acordo mais cedo que de costume, contudo lembro-me da claridade tentando entrar pela janela através do vidro e da proteção.

— Droga! Essa janela é enorme, não fechei direito. Talvez eu não estivesse deitada a tanto tempo e a angústia de estar naquela cama me fizesse pensar isso.

Não adiantava, mesmo sabendo do horário eu não dormiria novamente naquele momento, então peguei a garrafinha de água ao lado da minha cama e bebi um pouco para afastar o enjoou.

Resolvi levantar, de qualquer forma, elas não poderiam entrar no quarto.

Eu estava com muita fome, então peguei alguns salgados que estavam escondidos na minha mala semi-desarrumada.

Passou-se algum tempo, bem lento.

Ouvi batidas na porta.

—Sofia? Não vai descer?

Eu não respondi

— Ahh! Nem adianta! Pode sair daí! Você sempre acorda cedo e hoje vai enrolar? Típico!- Falou quase berrando, com um toque de sarcasmo- Eu não vou cair, você sempre faz isso!

— É sério, Dani, eu não estou me sentindo bem!-

— Sério? Quer que eu te conte uma coisa séria? O meu compromisso com os garotos lindos da festa! Não sei se conseguirei ficar com todos, vocês serviriam de prêmio de consolação para os que sobrassem!

—Muito obrigada pela sinceridade, só que eu prefiro ficar aqui!

— Nãnãnina não!- Ela olhou para o mesmo relógio que eu havia olhado mais cedo- 9h10! As lojas do shopping “aqui perto” abrem às 10h! Então vá tomar banho e saia em 20 minutos, tomaremos café e iremos ao shopping.

Ela não disse isso... Bem, eu queria que não, mas ela disse. E depois, começou a cantarolar e bater na porta.

—Eu vou!!! Só para com isso!-

— Então você não está doente?-

— Nãaoo!!!-

Eu fui rápido e decepcionada por me entregar tão facilmente.

Pouco tempo depois estávamos todas prontas, graças aos gritos da poderosa chefona. Fomos de táxi para o shopping, o que não foi fácil de achar, queríamos ir juntas e táxis com tanto espaço não passavam aos montes. Eu, sentada ao lado da janela, não tirei meus olhos da paisagem local. Era tudo tão diferente, não ruim, nem bom, só diferente!

Eu estava com um short jeans, uma blusa branca solta e uma sapatilha de brilho da mesma cor da blusa, o que chamava atenção para a minha altura, eu sou extremamente baixinha e a Annia alta, quando saí, seguida por ela, foi de uma diferença aterrorizante.

O shopping tinha um tamanho razoável e muitas lojas de roupa. A primeira loja que entrámos era bem cara e tinha roupas somente em 3 tons, um de azul, um de verde e outro de cinza. Ela se chamava Seleções. A vendedora nos explicou que a cada estação as cores escolhidas mudavam, junto à decoração e pintura da loja.

Ela mostrou várias roupas até que a Dani visse uma lá atrás, num manequim que ainda não havia sido colocado e dissesse:

—Uma de nós vai com aquele alí!

Era azul rendado com um cinto preto. Foi só ela nos olhar que a Carter gritou:

—Eu vou!!!- Ela estava realmente desesperada para ir a uma pista de gelo lá perto, eu também estava, todavia não fui tão rápida.

Ela o experimentou e, para sorte da garota, era o seu número. Depois disso não mais se ouviu falar da pilantra.

Continuamos a busca pelos vestidos encantadores e assustadoramente curtos, imaginados pela Daniella.

Entramos em mais umas cinco lojas sem êxito. Logo que a pervertida (Sim, ela tem muitos apelidos) viu uma loja preta com entrada de balada, um segurança musculoso e escrito brilhante –Night- ela nos largou e entrou.

Depois de nos olharmos, mesmo duvidosas, a seguimos.

Ela já tinha quase derrubado a loja procurando o seu vestido, tirou vários do lugar e bebeu alguns drinks. A Annia conseguiu beber mais que ela, e a May aceitou um. Eu não bebo, e acredito que esta loja não deveria servir assim menores de idade. Aqui na Italia, em alguns lugares se pode beber e/ ou comprar com mais de 16 anos, mas eles nem ao menos pediram identificação e tem o fato de sermos de San Francisco entre vários outros problemas judiciais que atrapalhariam o funcionamento deste local se denunciado.

Eu, chata, me perdi em pensamentos jurídicos, enquanto a garota escolhia seu vestido, quando vi, ela já tinha saído de caixa e eu nem sabia como ele era.

—Vamos?!- Annia, enquanto as outras cruzavam a porta.

—Ah...Claro! Não via a hora de sair daqui!- O cheiro do álcool havia me despertado de meus devaneios.

Saímos e seguimos em busca dos vestidos que faltavam. Agora havíamos entrado numa loja branco com lilás e dourado, era bem elegante, de lá saímos com o meu vestido e com o da Annia, foram os primeiros que vimos.O da Annia era branco liso, colado na parte superior e rodado na inferior, com uma renda preta. O meu era bege com partes transparentes extremamente detalhadas e uma parte inferior meio volumosa, eu realmente havia me apaixonado por ele.

Pagamos os vestidos, cada uma com seu cartão, e fugimos delas. É, não é aquela amizade dos livros, onde as garotas estão sempre unidas, mas era a nossa amizade.

A ruiva e eu seguimos para a pista de gelo e encontramos a Carter na cadeira com a mão no bumbum, ela estava tentando o esquentar, analisando os fatos devia ter caído sentada no gelo.

Colocamos patins e, com dificuldade fomos ao seu encontro, eu estava segurando nas barreiras e na Annia, que sabia patinar muito bem.

— Carter!- Disse

—Não acredito que você veio assim, Sofia!- A morena

— Pois é! Respondi

—Vamos, Carter!- A ruiva

—Só deixa meu bumbum esquentar- Quando a Carter terminou esta frase nós rimos bastante de sua expressão de dor, mas logo ela se juntou a nós.

Eu não andava nada, então encostei para que as garotas pudessem se divertir. Sem que eu percebesse, um homem com a farda do local se juntou a mim.

— Bene? Vuoi aiutarci? (Tudo bem? Quer ajuda?)- Ele era forte, moreno e bem bonito, só que não era o tipo de homem que chama muito minha atenção, pelo menos por muito tempo.

—Oh ... Stanno aiutando me , ho deciso di lasciare la mia babysitter un po ' gratuito . (Ah... Elas estão me ajudando, resolvi deixar minhas babás um pouco livres.)- Percebi que tinham vários deles espalhados pelo local.

— Sono qui per insegnare , basta fare it-(Eu estou aqui para ensinar, você só precisa fazer isso) Disse se movimentando com os pés.

— Oh bene !- (Ah Tudo bem!)- Eu resolvi tentar, não achei tão difícil, já tinha feito algo parecido numa viagem.

— Hai il look!-(Você leva jeito!) Disse o rapaz

—Ahhh!!!- Ouviu-se uma interjeição de dor por todo o shopping, enquanto ele me olhava, eu procurei e vi que era a garota que a Carter havia derramado sorvete, ela estava com o bumbum no chão e berrando.

Eu vi que estavam todos ocupados, olhei para o garoto e disse:

— Go ! Lei è nel bisogno , posso già me girare , come prendere , ricordate ?-(Vai! Ela está precisando, eu já posso me virar, levo jeito, lembra?)

— Se tutto va bene ... Io non volevo andare , solo che è il mio lavoro- (Se está tudo bem... Eu não queria ir, só que é meu trabalho) Falou e começou a se afastar, quando já estava um tanto longe, ele virou e gritou:

— Lourie!-

Eu fiz uma enorme expressão de interrogação e ele continuou:

— Il mio nome è Lourie!-(Meu nome é Lourie!)- Eu não sei o que tenho, mas meu jeito, simplesmente faz as pessoas pensarem que eu estou apaixonada por elas, mesmo sem nenhum interesse, eu não gosto muito disso, entretanto saí rindo.

Aproximei-me das meninas:

— Quem era?- Perguntou Carter.

— Vocês não ouviram? –Respondi fazendo-as rirem

— Hey, estamos rindo de que? Eu entendi que o nome dele era aquele que ele gritou...- Carter-

—Era isso!- Annia

—Aquela garota estava na pista a um tempão patinando perfeitamente, ela é uma falsa!- Carter

— Ah! Bom para ela!- Respondi e saímos de lá.

Encontramos a Mey e a Dani lanchando, nos juntamos a ela, e depois fomos embora.

Isso havia levado a manhã toda, agradeço por termos lanchado no shopping, pois o refeitório já havia fechado no almoço.

Passamos a tarde de pernas para o ar descansando para a festa, havia tido uma manhã engraçada, o que me fez esquecer que não queria ir.

Assim que caiu a noite, a festeira voltou com os gritos:

— Já para o banheiro! Banho!!! Sofia???